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Phil Manzanera
- guitarra principal. Francis Monkman -
teclados, clavinete, Fender Rhodes. Simon
Phillips - baterias, percussão. Brian Eno
- sintetizadores, teclados, guitarras, vocais
principais. Bill MacCormick - baixo, vocais
de apoio. Lloyd Watson - guitarra "slide"
elétrica, vocais de apoio.
Faixas:
1. Lagrima - 2:31
2. T.N.K. (Tomorrow never knows) - 6:14
3. East of asteroid - 4:59
4. Rongwrong - 5:03
5. Sombre reptiles - 3:26
6. Baby's on fire - 5:03
7. Diamond head - 6:21
8. Miss Shapiro - 4:20
9. You really got me - 3:23
10. Third uncle - 5:12
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801 - 801 Live (1976) Por
Steve Hillage
Esta banda foi um
projeto muito interessante tendo "definitivamente"
um trabalho ao vivo e outro em estúdio, mas a
facilidade de encontrar este album que no caso é o
ao vivo, é muito maior do que a de estúdio por
incrível que pareça (e foi o único lançado em
edição nacional, por sinal), visto que foi
ocorrido num curto espaço de tempo. Tudo ocorreu
meramente ao acaso fortemente a partir de uma
banda dos anos 70 que explorava o rock liderada
por um músico chamado Bryan Ferry, líder do "Roxy
Music" formada no início dos anos 70.
O "Roxy Music" assim como uma grande maioria das
bandas teve suas mudanças internas entre membros e
2 deles estão aqui como os integrantes iniciais:
Brian Eno (o verdadeiro nome é Brian Peter George
St. Baptiste de la Salle Eno) e Phil Manzanera (o
verdadeiro nome é Philip Targett-Adams). Eno tinha
saido do "Roxy Music" em 1.973 quando ainda no
album de estréia "Roxy Music" (1.972) começou um
trabalho que foi feito numa parceria com o líder
do "King Crimson", o guitarrista Robert Fripp,
gravando um trabalho chamado "No pussyfooting"
(1.973) e um exclusivamente solo entitulado "Here
come the warm jets" também no ano de 1.973; Eno
sempre manteve o espírito de desenvolver o
conceito de música experimental e do tipo "Ambient
music" tendo admiradores da arte tipo vanguarda de
gente como John Cage, John Tilbury, Cornelius
Cardew e entre outros e geralmente sempre algum
membro do "Roxy Music" em algumas ocasiões estavam
sempre colaborando com o ex-companheiro da banda.
No caso de Manzanera é um tanto mais diferente que
a de Eno pois o mesmo teve mais preferência ao
rock n roll e a música latina (sua mãe é
colombiana, Manzanera foi educado em várias
localidades como o Havaí, Cuba e tendo também
oportunidade de viver na Venezuela onde iniciou
seus estudos de violão aos 8 anos de idade) e
introduziu sua carreira solo no album "Diamond
head" em 1.975.
O 801 partiu de uma idéia de Manzanera tendo em
pensamento gravar algo que desse por continuidade
a sua carreira solo e visto que o "Roxy Music" na
época iria se dissolver de uma maneira que nenhum
dos componentes da banda tivessem outras
alternativas de dar continuidade em suas carreiras
musicais; primeiramente foi pensado em ser chamado
algo do tipo "Roxy's Phil Manzanera & Co" mas não
era um nome muito ideal já que Bryan Ferry seria o
líder da banda e isto causaria um tanto de
conflitos e confusões ainda que no ano de 1.976
que é justamente desta gravação, Manzanera
gravaria neste mesmo ano com o "Roxy Music" um
album ao vivo chamado "Viva!". Vale lembrar também
que Eno e Manzanera ainda no ano de 1.976
participariam de uma outra banda chamada de "Quiet
Sun" gravando um album entitulado "Mainstream" que
dispunha de rock progressivo psicodélico nas
partes mais instrumentais das faixas.
Então eis que surge um outro nome que causaria
menos incômodos ao "Roxy Music" chamado "801"; que
provêm de uma faixa chamada "The true wheel" de um
album solo de Brian Eno entitulado "Taking Tiger
Mountain (by strategy)" de 1.974 onde se encontra
uma seguinte frase na música "We are the 801", que
quer dizer "Nós somos o 801" em que a faixa
inclusive diz a respeito de um tema de uma imagem
apocalíptica (provêm de uma de suas "estratégias
oblíquas" que costuma inserir em seus trabalhos),
mas na realidade segundo Eno foi de um sonho que
este teve numa ocasião do qual escutava diversas
vezes esta frase citada anteriormente.
A partir do momento em que dispunham de um nome,
começaram a organizar os componentes que fariam
parte deste trabalho e assim estariam inclusos
além de Eno que faz os vocais principais,
guitarras, teclados e efeitos sonoros; Manzanera
as guitarras principais e solo; Lloyd Watson que
tocaria a guitarra slide e vocais de apoio sendo
este tido a oportunidade de estreiar no primeiro
album solo de Eno em "Here comes..." e um trabalho
solo de Andy Mackay, saxofonista original também
do "Roxy Music" em "In search of Eddie Riff" de
1.974.
Bill MacCormick tocando o baixo que provinha do
cenário canterburiano e posteriormente de algumas
bandas de progressivo geralmente adequando o seu
estilo de linha jazzística nas músicas conforme ia
abrindo seu espaço no meio musical introduzido
inicialmente por volta de 1.966 com Robert Wyatt
observando diversas sessões de um grupo que não
tardar muito se denominariam o "Soft Machine" e
quando em 1.971 Wyatt saiu desta banda formou o
"Matching Mole" o qual apresentava o colega
MacCormick no album de estréia em "Matching Mole"
(1.972)(o músico chegou a ser também um integrante
da banda francesa "Gong" em 1.973 que pertence ao
gênero canterburiano por uma rápida passagem), mas
por outro lado no colégio se agrupou com Phil
Manzanera (que mais tarde fundaria também o "Roxy
Music") e Charles Hayward e sendo que estes mais
tarde também estariam no "Quiet Sun" no mesmo
trabalho citado anteriormente.
Seria incluso também nas baterias Simon Phillips
de um estilo agressivo mas muito jazzístico pois o
mesmo muitíssimo jovem (aos 12 anos de idade
estava junto com o pai em sessões de jazz) e com
18 anos já estava participando na banda "Nazareth"
no album "Hair of the dog" (1.975) além de
artistas como Steve Asheley, Dave Greenslade (da
banda de rock progressivo sinfônico chamada
"Greenslade"), Gordon Giltrap, Albert Hammond,
Jack Bruce e entre outros não demorando para que
recebesse o então convite de fazer as percussões
do trabalho.
Completaria a equipe do 801 por último o
tecladista Francis Monkman, fundador da banda
também de rock progressivo chamada "Curved Air"
iniciando em 1.970 a primeira gravação sob o mesmo
nome da banda; Monkman estudou órgão e cravo e foi
aluno da Academia Musical de Royal (ou Royal
Academy of Music) vencendo um prêmio pela sua
virtuosidade o que lhe deu mais iniciativa de
tocar outros instrumentos como a guitarra. O
tecladista também cooperou junto com artistas como
Harvey Andrews, B.J. Cole, Dave Elliott, Al
Stewart e também uma oportunidade com a banda de
progressivo "Renaissance" em "Prologue" (1.972).
Com esta formação o 801 tinha tocado apenas por 3
únicas vezes entre os meses de agosto e setembro
sendo que uma delas originou então o resultado
deste trabalho precisamente do show do dia 3 de
setembro de 1.976 feito no Queen Elizabeth Hall em
Londres tendo como o produtor Rhett Davies que já
havia trabalhado com Brian Eno, Bryan Ferry (ambos
do "Roxy Music"), "Camel" no album "Snow goose"
(1.975), "Genesis" no album "Selling England by
the pound" (1.973) e entre outros tendo a gravação
sendo pertencente ao selo "Islands Records",
companhia pertencente também da "E.G. Records" e
também podendo ser encontrado o trabalho pela
"Polydor Records" tendo duas versões gravadas em
CD sendo uma original do album e outra mais
recente com duas bonus-tracks chamadas "Golden
hours" e "Fat lady of Limbourg".
A arte gráfica ficou a critério de Bob Bowkett e
Nick de Ville com fotografias feitas por Richard
Wallis, repare que Phil Manzanera está vestido com
uma camiseta com o nome da banda, Eno com um boné
na cabeça (fato pelo qual provavelmente estaria
escondendo a sua calvície) e a capa deduz que é
MacCornick com seu instrumento. Pode ser
encontrado em CD duas versões diferentes das capas
justamente por um deles ser remasterizado
digitalmente recentemente em 1.999.
A grande maioria de albums ao vivo de bandas
conhecidas de rock progressivo traz sempre algum
sentimento daquilo que em ocasião foi gravado em
época, mas para alguns ouvintes nem sempre a
fórmula atinge o objetivo de conquistá-los. No
caso do 801 é um caso típico a parte porque a
grande maioria dos fãs que conhecem a banda pelo
nome geralmente associam este album em primeiro
plano, diferente do "Listen now" (1.977) posterior
a este que pouco é comentado, ou seja, este é o
que seria do album "debut" da banda e o mais
engraçado é que o 801 estreia em público
justamente com este album; observe que é muito
incomum até mesmo artistas que se ingressam ao
meio cultural musical iniciarem de cara se
apresentando com um album ao vivo.
Um dos únicos pontos negativos do trabalho por uma
parte dos fãs é o album ser simples e não duplo,
motivo que Manzanera já desejava que fosse feito
desta maneira porque acreditava-se que para uma
estréia do 801 já estaria de bom tamanho ser de
uma forma simples para a ocasião. Espertamente, o
801 escolheu um repertório muito bem bolado
apresentando um tanto da sonoridade do "Roxy
Music", do "Quiet Sun" e apresentando algo de
carreira solo tanto de Eno como de Manzanera, além
de "covers" de bandas dos anos 60 dos "The
Beatles" e "Kinks"; o repertório fez com que a
banda ganhasse respeito absoluto tanto por parte
da crítica como do público ainda que era uma época
da qual o movimento punk estava começando a surgir
fortemente fazendo com que boa partes das bandas
de rock progressivo começassem a entrar numa
"decadência" e bem é possível que este repertório
aqui no caso tenha ajudado e muito ao 801 e entre
palavras, definitivamente está unido aqui o rock
progressivo, o psicodelismo, o fusion e o rock and
roll.
A performance do trabalho como todo foi muito
receptivo para Manzanera e Eno especialmente pois
no caso do guitarrista boa parte das faixas fazem
parte do album "Diamond Head" e Eno teve também
ousadia neste repertório do 801 porque 3 faixas
correspondem uma de cada seus albuns solos.
Manzanera na ocasião tinha em mente em combinar os
músicos entre "eixos" obtendo combinações entre
duplas que obtivesse um bom resultado nas
execuções ao vivo da época que tocariam aquelas
únicas apresentações sendo Watson/Eno (para
Manzanera Watson é um músico estilo blues e Eno
tecnicamente eficaz que não faz pretensão alguma
com a técnica, mas é um homem de idéias),
Monkman/Phillips (para Manzanera são músicos de
sessão e tecnicamente eficientes) e
MacCormick/Manzanera (para Manzanera algo entre
técnica e eficácia) e pelo visto parece ter sido
funcional se o ouvinte prestar muita atenção
claramente neste detalhe.
A razão definida por Manzanera em referência das
pouquissímas apresentações não foi premeditada,
porque ele queria ter a banda para tocar em
festivais e foram reservadas algumas datas, mas na
ocasião da aceitação final eram sempre canceladas,
outras foram por indisponibilidade de agendamento
da própria banda e uma oportunidade para tocarem
num festival da França foi cancelado porque o
governo francês na ocasião proibiu todos os
eventos de fesitvais uma semana antes de se
apresentarem por causa de uma revolta e baderneira
de "Hells Angel's" em Marselha e o que resultou no
801 fazer apenas 3 shows. A banda que possuia esta
talentosa equipe teve a infelicidade de suspender
as atividades em 1.978 para que o "Roxy Music"
retornasse com um novo album chamado "Manifesto"
sendo lançado no ano posterior.
Manzanera obteve em algumas ocasiões durante a sua
carreira solo em gravar alguns trabalhos só com o
nome de 801 (preferencialmente ao vivo) chegando
até a gravar um trabalho como "801 Latino" (2.002)
que apresentam músicos cubanos e da América do Sul
mas ai são outras estórias.
"Lagrima" - é a menor faixa do trabalho, com quase
que 2:30 de duração é a que serve como introdução
para apresentação da banda. Instrumental, pertence
ao album de Manzanera "Diamond head" mantendo
quase a forma da original com a entrada de um trem
chegando (devido a capa do trabalho que possui uma
fotografia deste veículo) e lembrando um pouco do
início da melodia "Sol caliente" da banda "Quiet
Sun". Quando o trem termina de apitar entra a
guitarra de Manzanera em meio de efeitos
eletrônicos de Eno que criam um ambiente até
relativamente espacial e fazendo a guitarra dar
uma impressão de "rasgar" cada nota que é tocada
criando um clima de expectativa ao público para a
apresentação do restante da banda que partirão
para a próxima faixa.
"Tomorrow never knows" - em algumas ocasiões é
encontrada sob as iniciais "T.N.K". É uma "cover"
dos "The Beatles" de 1.966 do album "Revolver" e o
801 até que procurou manter a maneira original da
qual a faixa foi gravada, mas é claro que
evidentemente trazendo a inovação do 801. Fica
aqui uma questão: quantos outros grupos mais com o
decorrer do tempo arriscariam a tentar fazer isto
que o 801 conseguiu gravar? Pouquíssimos,
interpretariam tão fielmente ao espírito do
original, isto porque a original foi feita há 10
anos atrás desta versão. A maneira da qual foi
editada esta gravação dos "The Beatles" é
impecável, muito perfeita o que muitos fãs da
banda parabenizaria o 801. A sonoridade da maneira
como foi feita ainda que para um grupo que está
mais para o gênero do rock progressivo faz se
bobear o ouvinte até dançar pelo "balanço" aqui da
versão do 801. Emendada com a faixa de introdução
tem como Manzanera dedilhando acordes de notas de
sua guitarra recebendo o baixo de MacCormick e
Watson fazendo a guitarra-base vindo
posteriormente uma percussão eletrônica de efeito
e por cima Simon Phillips com suas baterias
acústicas que manterão um mesmo ritmo a partir daí
até o final da faixa (observe com muita atenção
que o ritmo que Phillips emprega nesta "cover" que
é dos anos 60 fica num estilo meio a funk, e
talvez o segredo de fazer alguns ouvintes que
talvez não resitiriam em dançar sob a melodia que
a faixa foi gravada). Posteriormente surge Eno com
seu sintetizador sendo "duetado" pelas notas do
teclado Rhodes de Monkman e então Eno inicia os
vocais da faixa tendo os músicos do 801 o
acompanhando até que ele finalize o primeiro
refrão. No solo instrumental tem-se Manzanera
fazendo o solo e parece que Eno aqui ingressa com
uma terceira guitarra com toques mais discretos.
Retornam ao segundo refrão em que Eno dá uma leve
impressão de o tornar mais dramático que o
primeiro querendo não terminar com a citação da
palavra "... of beginning" por várias vezes e
quando ocorre o final da citação da mesma entra
outra parte solo instrumental em que o destaque
também é notório de Phillips com sua percussão
(observe o equilíbrio e segurança deste baterista
quando toca o bumbo da bateria; são muitos toques
consecutivos e que inclusive no album ele postará
no album em diversos momentos também em outras
faixas) incansável finalizando junto com o
restante da banda a música.
"East of asteroid" - instrumental, muito
aproximada com a faixa "East of echo" do album
solo de estréia de Manzanera, "Diamond head", mas
esta versão um tanto diferente parece ser muito
mais assustadora e pertubadora enquanto a do album
citado é mais calma e tranquila. Esta faixa
abrange muito ao jazz fusion e lembrando um tanto
do "Soft Machine" e "Frank Zappa and the Mothers"
que talvez seje uma das faixas que vão além do
esperado para uma banda com estes músicos, ou
seja, é uma das que parecem ser mais trabalhadas
do album exigindo uma "garra" dos integrantes que
não é brincadeira, justamente por ela ser de
ritmos muito "quebrados" provando a técnica que os
mesmos possuiam naquele tempo. Possivelmente é
onde está o ponto mais alto do album, não que as
demais restantes também não sejem, mas aqui neste
caso está bem claro a competência de cada
integrante do 801. Existe um determinado momento
da faixa onde fica o baixo de MacCormick com a
bateria de Phillips, onde em um dado momento
parece que algum companheiro está "regendo" o
momento certo que os outros momentos devam ir
surgindo no decorrer da música. Observe também
quando entram os demais instrumentos junto ao
baixo de MacCormick e a guitarra de Manzanera
lembrando uma rápida sonoridade que pode ser
absurdo mas lembra um tanto do início da faixa
"Freedom of expression" da trilha sonora do
"Vanish Point" (1.971). Repare também que Phillips
utiliza o mesmo artifício de seu bumbo como já
feito na faixa anterior. Foi composta em parceria
por Manzanera/MacCormick.
"Rongwrong" - composta por Charles Hayward, é da
banda "Quiet Sun" do album "Mainstream", é uma das
faixas mais calmas, tranquilas e levando um clima
muito "romântico" e agradável por sinal, tendo o
vocal de Eno cantado de uma maneira muito pura,
mas outro detalhe interessante são os toques
deslizantes de Watson com a guitarra (junto com os
efeitos sonoros de Eno no final) lembrando um
animal e os teclados de Monkman que parecem
lembrar em alguns instantes um instrumento de
sopro e quando Eno termina de citar os dois
refrões da faixa que fica mais nítido aos toques
de baixo acompanhado por singelos toques de
percussão de Phillips e vão surgindo efeitos
sonoros criados pelos sintetizadores de Eno
posteriormente ficando cada vez mais calma a
melodia e surgindo aos poucos uma percussão
aparentemente eletronicamente programada vindo a
seguir a próxima faixa que será emendada.
"Sombre reptiles" - originalmente do album solo de
Eno em "Another green world" (1.975), que aliás é
uma das obras-primas de Eno, esta versão parece
ter ficado bem melhor do que a original. A
sensacional melodia instrumental na realidade é
feita num tema só tocado por um riff (que é
coordenado pela guitarra de Manzanera) e está
repetida por 6 vezes, mas ao que parece é que
lembra um estilo bem característico de um "swing"
e na realidade uma das faixas da carreira solo de
Eno injustiçadas porque dificilmente se escuta
algo do tipo e esta versão entretanto que possui
quase 3:30 de duração a medida que ela vai ficando
crescente em sua melodia faz alguns ouvintes com o
tempo desejassem que esta deveria ter muito bem
mais do que esta duração justamente pelo fato de
que a sonoridade da maneira que foi editada e
mantida com um estilo de "swing".
"Baby´s on fire" - é do primeiro album solo de
Brian Eno quando estreiou sua carreira solo após
sua saída no "Roxy Music" sendo encontrado em
"Here comes the warm jets" que no caso em questão
a guitarra é tocada pelo líder do "King Crimson",
o guitarrista Robert Fripp, que inclusive no mesmo
ano de lançamento deste trabalho, em 1.973, Eno
faria um duo em parceria com Fripp em "No
pussyfooting". Eno inclusive ressaltou numa
ocasião que este solo original de Fripp sempre foi
um dos melhores até hoje feitos em sua opinião e
neste caso do 801 trabalhou-se em cima do conceito
da engenharia de som para que as guitarras de
Manzanera não ficassem fora do "páreo" de Fripp,
mantendo a faixa também um tanto melhor que a
original. Detalhe: nesta faixa quando Eno canta
ele toca o sintetizador com uma mão e a outra ele
coloca em seu quadril, mas o mais interessante é a
maneira como é expressada o vocal de Eno muito
hilariante e bizarro, diferente da original. Antes
que a faixa iniciam um notório público está
aplaudindo o 801 antes que a banda inicie a música
tendo Monkman com o teclado Fender e Eno com seus
teclados vindo posteriormente o baixo e a bateria
surgindo Eno que quando cita o primeiro verso
"Baby´s on fire" há um silêncio de todos os
instrumentos que irão em seguida acompanhar Eno no
refrão e surgindo a guitarra de Watson assim que
termina o refrão em sua parte instrumental solo há
um "duelo" de Watson e Manzanera com a percussão
incansável de seu bumbo quando Eno volta a
interromper os músicos ficando em curto instante
num silêncio citando o verso do segundo refrão que
este irá finalizar a faixa. Na parte solo
instrumental do segundo refrão veja como a
guitarra de Watson é eletrizante parecendo que
algo irá "levantar o voô" e antes de seu término
pode-se ouvir riffs de guitarra de Manzanera
tocando um trecho que existem em algumas versões
quando Eno esteve com Fripp (tanto como banda e em
forma de duo) em excursão em lugares tipo Londres
e Paris durante os anos de 1.974/1.975 em que
incluiam esses mesmos riffs em faixas de Eno como
na introdução de "I´ll come running" do album
"Another green world" (que também está
coincidentemente Robert Fripp tocando) ou em "The
paw paw negro blowtorch" do album "Here comes...".
"Diamond head" - é a maior faixa do album com
quase 6:30 minutos de duração e de melodia
instrumental, pertence ao album solo de Manzanera
também entitulado como "Diamond head". Exibe
exclusivamente o virtuosismo de Manzanera e tendo
beleza e energia juntos ao mesmo tempo já que a
faixa é bem de uma sonoridade dramática e bem de
uma maneira do jeito de Manzanera e nesta faixa
que o músico no caso tem pela primeira vez no
album o controle absoluto de gerencia-la desde o
início ao fim (diferente da "Sombre reptiles" que
não possui variações por ser mais repetitiva a
melodia) sendo também um dos pontos fortíssimos do
trabalho, mas a faixa "East of asteroid" ainda
fica na frente pelas aparências. Inicia com a
entrada do público em euforia com o soar da
guitarra ficando num clima muito calmíssimo e
tranquilo com Monkman e Eno com os teclados (numa
modesta abertura chegando a lembrar um pouquinho
da "Thank you" do Led Zeppelin em "Led Zeppelin 2"
(1.970)). E não demorando muito vem Manzanera
junto com os toques de MacCormick e tendo Phillips
vindo em seguida com Watson e fazendo a melodia ir
crescendo e saindo de sua tranquilidade quando
Manzanera vai tornando a melodia de forma
progressiva finalizando o primeiro refrão. No
segundo refrão repete-se quando num dado momento
já que pela coordenação da melodia de Manzanera,
este deixa a melodia numa expectativa que irá
terminar mas faz um pequeno improviso que finaliza
a faixa de vez e o 801 sendo muito aplaudido.
"Miss Shapiro" - também pertence ao album "Diamond
Head" solo de Manzanera e uma das faixas aqui
neste album que possui a parceria da criação de
Eno/Manzanera. Gravada sob uma forma muito
improvisada e totalmente diferente da original.
Bem a um estilo de rock, mas com um tema de
abertura que faz o ouvinte se surpreender de
letras que induzem a piadas de rimas absurdas e
são cantadas de uma maneira muito equilibrada (Eno
cita frases de maneira rápida que a banda fica num
silêncio absoluto e assim que vai terminado de
citar cada a banda entra totalmente sincronizada
em seus arranjos) podendo ser percebido ao fundo
até Eno fazer eco conforme faz citações dos versos
no auditório. Pode-se perceber que aqui estão
sendo tocadas 3 guitarras: Manzanera, Watson e
Eno; aliás Manzanera caprichou um tanto mais nessa
do que no seu album solo. É uma faixa que pela
maneira editada tentou se adequar a um estilo punk
que estava na época surgindo gradativamente.
Quando a banda termina os 2 refrões
repentinamente, um improviso inesperado; o 801
toca acordes de uma faixa conhecida de uma banda
dos anos 60 chamada "The Kinks" que é emendada com
esta.
"You really got me" - gravado originalmente em
1.964 esta faixa composta por Ray Davies é lançado
sob o nome do segundo album da banda em 1.965. Não
se sabe ao certo mas é suposto que esta faixa foi
já regravada por uma infinidade de artistas
chegando a pelo menos 100 versões. A grande parte
dos fãs da banda aparentam não ter gostado desta
versão do 801, talvez pelo fato que a mesma
deveria ser a original dos "The Kinks" e nada mais
e também por ela ser uma espécie de "best-seller"
e que realmente foi na realidade. Existe segundo a
lenda que esclarecer como e o por quê desta faixa
ter sido feita seria como se "contrariasse os
princípios da natureza da qual ela foi feita", uma
loucura por um lado mas não para os fanáticos da
banda, só que com o passar dos anos a faixa chegou
a ser "cover" também de bandas de heavy metal,
como no caso da banda americana "Van Halen" que
estava nascendo em 1.977 e chegando a ser
utilizada bem mais adiante em comercial de
televisão, fez então que se estabelecesse que
outros novos simpatizantes da música tivessem a
liberdade de compreender para qual motivo foi
gravada. O 801 fez o melhor, isso sem sombra de
dúvida mesmo sobre a contrariedade de quem não
gostou da edição e não perdeu o charme, talvez um
motivo que não tenha agradado esta "cover" tocada
por eles esteja mais na parte solo instrumental
onde ouve-se gritos e gemidos da guitarra de
Manzanera com o bumbo da bateria de Phillips. Um
pouco antes de finalizar a "cover" o 801 retorna
na melodia inicial de "Miss Shapiro" sendo
acompanhada em palmas pelo público e
repentinamente tocam um último acorde de "You
really got me" finalizando de vez a música e sendo
muito bem aplaudidos. Curiosidade: O pai de Rhett
Davies, que é o produtor deste album também se
chamava Ray Davies (o mesmo que compôs esta faixa
do "The Kinks") e era um músico que tocava
trumpete.
"Third uncle" - composta por Eno, originalmente do
album solo "Taking tiger mountain", tem como Eno
que resmunga em seu vocal citando os versos da
faixa com Manzanera. Na verdade esta faixa que
parece ser um tanto "sem-tempero" foi um bis a
pedido do público para que retornassem e
finalizassem o show daquele dia, mas ainda assim
conseguiu aparentemente ficar melhor do que a
original de estúdio. Permanece aqui também 3
guitarristas: Manzanera, Watson e Eno que não
possuem padrões para fazerem os acordes, isto
porque a faixa é bem agitada. Eno declarou que foi
uma de suas canções escritas mais rapidamente. Tão
rápida foi tocada e editada que não deu nem tempo
para a platéia fazer aplausos.
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