Phil Manzanera - guitarra principal. Francis Monkman - teclados, clavinete, Fender Rhodes. Simon Phillips - baterias, percussão. Brian Eno - sintetizadores, teclados, guitarras, vocais principais. Bill MacCormick - baixo, vocais de apoio. Lloyd Watson - guitarra "slide" elétrica, vocais de apoio.


Faixas:
1. Lagrima - 2:31
2. T.N.K. (Tomorrow never knows) - 6:14
3. East of asteroid - 4:59
4. Rongwrong - 5:03
5. Sombre reptiles - 3:26
6. Baby's on fire - 5:03
7. Diamond head - 6:21
8. Miss Shapiro - 4:20
9. You really got me - 3:23
10. Third uncle - 5:12


801  - 801 Live (1976)

Por Steve Hillage

Esta banda foi um projeto muito interessante tendo "definitivamente" um trabalho ao vivo e outro em estúdio, mas a facilidade de encontrar este album que no caso é o ao vivo, é muito maior do que a de estúdio por incrível que pareça (e foi o único lançado em edição nacional, por sinal), visto que foi ocorrido num curto espaço de tempo. Tudo ocorreu meramente ao acaso fortemente a partir de uma banda dos anos 70 que explorava o rock liderada por um músico chamado Bryan Ferry, líder do "Roxy Music" formada no início dos anos 70.

O "Roxy Music" assim como uma grande maioria das bandas teve suas mudanças internas entre membros e 2 deles estão aqui como os integrantes iniciais: Brian Eno (o verdadeiro nome é Brian Peter George St. Baptiste de la Salle Eno) e Phil Manzanera (o verdadeiro nome é Philip Targett-Adams). Eno tinha saido do "Roxy Music" em 1.973 quando ainda no album de estréia "Roxy Music" (1.972) começou um trabalho que foi feito numa parceria com o líder do "King Crimson", o guitarrista Robert Fripp, gravando um trabalho chamado "No pussyfooting" (1.973) e um exclusivamente solo entitulado "Here come the warm jets" também no ano de 1.973; Eno sempre manteve o espírito de desenvolver o conceito de música experimental e do tipo "Ambient music" tendo admiradores da arte tipo vanguarda de gente como John Cage, John Tilbury, Cornelius Cardew e entre outros e geralmente sempre algum membro do "Roxy Music" em algumas ocasiões estavam sempre colaborando com o ex-companheiro da banda.

No caso de Manzanera é um tanto mais diferente que a de Eno pois o mesmo teve mais preferência ao rock n roll e a música latina (sua mãe é colombiana, Manzanera foi educado em várias localidades como o Havaí, Cuba e tendo também oportunidade de viver na Venezuela onde iniciou seus estudos de violão aos 8 anos de idade) e introduziu sua carreira solo no album "Diamond head" em 1.975.

O 801 partiu de uma idéia de Manzanera tendo em pensamento gravar algo que desse por continuidade a sua carreira solo e visto que o "Roxy Music" na época iria se dissolver de uma maneira que nenhum dos componentes da banda tivessem outras alternativas de dar continuidade em suas carreiras musicais; primeiramente foi pensado em ser chamado algo do tipo "Roxy's Phil Manzanera & Co" mas não era um nome muito ideal já que Bryan Ferry seria o líder da banda e isto causaria um tanto de conflitos e confusões ainda que no ano de 1.976 que é justamente desta gravação, Manzanera gravaria neste mesmo ano com o "Roxy Music" um album ao vivo chamado "Viva!". Vale lembrar também que Eno e Manzanera ainda no ano de 1.976 participariam de uma outra banda chamada de "Quiet Sun" gravando um album entitulado "Mainstream" que dispunha de rock progressivo psicodélico nas partes mais instrumentais das faixas.

Então eis que surge um outro nome que causaria menos incômodos ao "Roxy Music" chamado "801"; que provêm de uma faixa chamada "The true wheel" de um album solo de Brian Eno entitulado "Taking Tiger Mountain (by strategy)" de 1.974 onde se encontra uma seguinte frase na música "We are the 801", que quer dizer "Nós somos o 801" em que a faixa inclusive diz a respeito de um tema de uma imagem apocalíptica (provêm de uma de suas "estratégias oblíquas" que costuma inserir em seus trabalhos), mas na realidade segundo Eno foi de um sonho que este teve numa ocasião do qual escutava diversas vezes esta frase citada anteriormente.

A partir do momento em que dispunham de um nome, começaram a organizar os componentes que fariam parte deste trabalho e assim estariam inclusos além de Eno que faz os vocais principais, guitarras, teclados e efeitos sonoros; Manzanera as guitarras principais e solo; Lloyd Watson que tocaria a guitarra slide e vocais de apoio sendo este tido a oportunidade de estreiar no primeiro album solo de Eno em "Here comes..." e um trabalho solo de Andy Mackay, saxofonista original também do "Roxy Music" em "In search of Eddie Riff" de 1.974.

Bill MacCormick tocando o baixo que provinha do cenário canterburiano e posteriormente de algumas bandas de progressivo geralmente adequando o seu estilo de linha jazzística nas músicas conforme ia abrindo seu espaço no meio musical introduzido inicialmente por volta de 1.966 com Robert Wyatt observando diversas sessões de um grupo que não tardar muito se denominariam o "Soft Machine" e quando em 1.971 Wyatt saiu desta banda formou o "Matching Mole" o qual apresentava o colega MacCormick no album de estréia em "Matching Mole" (1.972)(o músico chegou a ser também um integrante da banda francesa "Gong" em 1.973 que pertence ao gênero canterburiano por uma rápida passagem), mas por outro lado no colégio se agrupou com Phil Manzanera (que mais tarde fundaria também o "Roxy Music") e Charles Hayward e sendo que estes mais tarde também estariam no "Quiet Sun" no mesmo trabalho citado anteriormente.

Seria incluso também nas baterias Simon Phillips de um estilo agressivo mas muito jazzístico pois o mesmo muitíssimo jovem (aos 12 anos de idade estava junto com o pai em sessões de jazz) e com 18 anos já estava participando na banda "Nazareth" no album "Hair of the dog" (1.975) além de artistas como Steve Asheley, Dave Greenslade (da banda de rock progressivo sinfônico chamada "Greenslade"), Gordon Giltrap, Albert Hammond, Jack Bruce e entre outros não demorando para que recebesse o então convite de fazer as percussões do trabalho.

Completaria a equipe do 801 por último o tecladista Francis Monkman, fundador da banda também de rock progressivo chamada "Curved Air" iniciando em 1.970 a primeira gravação sob o mesmo nome da banda; Monkman estudou órgão e cravo e foi aluno da Academia Musical de Royal (ou Royal Academy of Music) vencendo um prêmio pela sua virtuosidade o que lhe deu mais iniciativa de tocar outros instrumentos como a guitarra. O tecladista também cooperou junto com artistas como Harvey Andrews, B.J. Cole, Dave Elliott, Al Stewart e também uma oportunidade com a banda de progressivo "Renaissance" em "Prologue" (1.972).

Com esta formação o 801 tinha tocado apenas por 3 únicas vezes entre os meses de agosto e setembro sendo que uma delas originou então o resultado deste trabalho precisamente do show do dia 3 de setembro de 1.976 feito no Queen Elizabeth Hall em Londres tendo como o produtor Rhett Davies que já havia trabalhado com Brian Eno, Bryan Ferry (ambos do "Roxy Music"), "Camel" no album "Snow goose" (1.975), "Genesis" no album "Selling England by the pound" (1.973) e entre outros tendo a gravação sendo pertencente ao selo "Islands Records", companhia pertencente também da "E.G. Records" e também podendo ser encontrado o trabalho pela "Polydor Records" tendo duas versões gravadas em CD sendo uma original do album e outra mais recente com duas bonus-tracks chamadas "Golden hours" e "Fat lady of Limbourg".

A arte gráfica ficou a critério de Bob Bowkett e Nick de Ville com fotografias feitas por Richard Wallis, repare que Phil Manzanera está vestido com uma camiseta com o nome da banda, Eno com um boné na cabeça (fato pelo qual provavelmente estaria escondendo a sua calvície) e a capa deduz que é MacCornick com seu instrumento. Pode ser encontrado em CD duas versões diferentes das capas justamente por um deles ser remasterizado digitalmente recentemente em 1.999.

A grande maioria de albums ao vivo de bandas conhecidas de rock progressivo traz sempre algum sentimento daquilo que em ocasião foi gravado em época, mas para alguns ouvintes nem sempre a fórmula atinge o objetivo de conquistá-los. No caso do 801 é um caso típico a parte porque a grande maioria dos fãs que conhecem a banda pelo nome geralmente associam este album em primeiro plano, diferente do "Listen now" (1.977) posterior a este que pouco é comentado, ou seja, este é o que seria do album "debut" da banda e o mais engraçado é que o 801 estreia em público justamente com este album; observe que é muito incomum até mesmo artistas que se ingressam ao meio cultural musical iniciarem de cara se apresentando com um album ao vivo.

Um dos únicos pontos negativos do trabalho por uma parte dos fãs é o album ser simples e não duplo, motivo que Manzanera já desejava que fosse feito desta maneira porque acreditava-se que para uma estréia do 801 já estaria de bom tamanho ser de uma forma simples para a ocasião. Espertamente, o 801 escolheu um repertório muito bem bolado apresentando um tanto da sonoridade do "Roxy Music", do "Quiet Sun" e apresentando algo de carreira solo tanto de Eno como de Manzanera, além de "covers" de bandas dos anos 60 dos "The Beatles" e "Kinks"; o repertório fez com que a banda ganhasse respeito absoluto tanto por parte da crítica como do público ainda que era uma época da qual o movimento punk estava começando a surgir fortemente fazendo com que boa partes das bandas de rock progressivo começassem a entrar numa "decadência" e bem é possível que este repertório aqui no caso tenha ajudado e muito ao 801 e entre palavras, definitivamente está unido aqui o rock progressivo, o psicodelismo, o fusion e o rock and roll.

A performance do trabalho como todo foi muito receptivo para Manzanera e Eno especialmente pois no caso do guitarrista boa parte das faixas fazem parte do album "Diamond Head" e Eno teve também ousadia neste repertório do 801 porque 3 faixas correspondem uma de cada seus albuns solos. Manzanera na ocasião tinha em mente em combinar os músicos entre "eixos" obtendo combinações entre duplas que obtivesse um bom resultado nas execuções ao vivo da época que tocariam aquelas únicas apresentações sendo Watson/Eno (para Manzanera Watson é um músico estilo blues e Eno tecnicamente eficaz que não faz pretensão alguma com a técnica, mas é um homem de idéias), Monkman/Phillips (para Manzanera são músicos de sessão e tecnicamente eficientes) e MacCormick/Manzanera (para Manzanera algo entre técnica e eficácia) e pelo visto parece ter sido funcional se o ouvinte prestar muita atenção claramente neste detalhe.

A razão definida por Manzanera em referência das pouquissímas apresentações não foi premeditada, porque ele queria ter a banda para tocar em festivais e foram reservadas algumas datas, mas na ocasião da aceitação final eram sempre canceladas, outras foram por indisponibilidade de agendamento da própria banda e uma oportunidade para tocarem num festival da França foi cancelado porque o governo francês na ocasião proibiu todos os eventos de fesitvais uma semana antes de se apresentarem por causa de uma revolta e baderneira de "Hells Angel's" em Marselha e o que resultou no 801 fazer apenas 3 shows. A banda que possuia esta talentosa equipe teve a infelicidade de suspender as atividades em 1.978 para que o "Roxy Music" retornasse com um novo album chamado "Manifesto" sendo lançado no ano posterior.

Manzanera obteve em algumas ocasiões durante a sua carreira solo em gravar alguns trabalhos só com o nome de 801 (preferencialmente ao vivo) chegando até a gravar um trabalho como "801 Latino" (2.002) que apresentam músicos cubanos e da América do Sul mas ai são outras estórias.


"Lagrima" - é a menor faixa do trabalho, com quase que 2:30 de duração é a que serve como introdução para apresentação da banda. Instrumental, pertence ao album de Manzanera "Diamond head" mantendo quase a forma da original com a entrada de um trem chegando (devido a capa do trabalho que possui uma fotografia deste veículo) e lembrando um pouco do início da melodia "Sol caliente" da banda "Quiet Sun". Quando o trem termina de apitar entra a guitarra de Manzanera em meio de efeitos eletrônicos de Eno que criam um ambiente até relativamente espacial e fazendo a guitarra dar uma impressão de "rasgar" cada nota que é tocada criando um clima de expectativa ao público para a apresentação do restante da banda que partirão para a próxima faixa.

"Tomorrow never knows" - em algumas ocasiões é encontrada sob as iniciais "T.N.K". É uma "cover" dos "The Beatles" de 1.966 do album "Revolver" e o 801 até que procurou manter a maneira original da qual a faixa foi gravada, mas é claro que evidentemente trazendo a inovação do 801. Fica aqui uma questão: quantos outros grupos mais com o decorrer do tempo arriscariam a tentar fazer isto que o 801 conseguiu gravar? Pouquíssimos, interpretariam tão fielmente ao espírito do original, isto porque a original foi feita há 10 anos atrás desta versão. A maneira da qual foi editada esta gravação dos "The Beatles" é impecável, muito perfeita o que muitos fãs da banda parabenizaria o 801. A sonoridade da maneira como foi feita ainda que para um grupo que está mais para o gênero do rock progressivo faz se bobear o ouvinte até dançar pelo "balanço" aqui da versão do 801. Emendada com a faixa de introdução tem como Manzanera dedilhando acordes de notas de sua guitarra recebendo o baixo de MacCormick e Watson fazendo a guitarra-base vindo posteriormente uma percussão eletrônica de efeito e por cima Simon Phillips com suas baterias acústicas que manterão um mesmo ritmo a partir daí até o final da faixa (observe com muita atenção que o ritmo que Phillips emprega nesta "cover" que é dos anos 60 fica num estilo meio a funk, e talvez o segredo de fazer alguns ouvintes que talvez não resitiriam em dançar sob a melodia que a faixa foi gravada). Posteriormente surge Eno com seu sintetizador sendo "duetado" pelas notas do teclado Rhodes de Monkman e então Eno inicia os vocais da faixa tendo os músicos do 801 o acompanhando até que ele finalize o primeiro refrão. No solo instrumental tem-se Manzanera fazendo o solo e parece que Eno aqui ingressa com uma terceira guitarra com toques mais discretos. Retornam ao segundo refrão em que Eno dá uma leve impressão de o tornar mais dramático que o primeiro querendo não terminar com a citação da palavra "... of beginning" por várias vezes e quando ocorre o final da citação da mesma entra outra parte solo instrumental em que o destaque também é notório de Phillips com sua percussão (observe o equilíbrio e segurança deste baterista quando toca o bumbo da bateria; são muitos toques consecutivos e que inclusive no album ele postará no album em diversos momentos também em outras faixas) incansável finalizando junto com o restante da banda a música.

"East of asteroid" - instrumental, muito aproximada com a faixa "East of echo" do album solo de estréia de Manzanera, "Diamond head", mas esta versão um tanto diferente parece ser muito mais assustadora e pertubadora enquanto a do album citado é mais calma e tranquila. Esta faixa abrange muito ao jazz fusion e lembrando um tanto do "Soft Machine" e "Frank Zappa and the Mothers" que talvez seje uma das faixas que vão além do esperado para uma banda com estes músicos, ou seja, é uma das que parecem ser mais trabalhadas do album exigindo uma "garra" dos integrantes que não é brincadeira, justamente por ela ser de ritmos muito "quebrados" provando a técnica que os mesmos possuiam naquele tempo. Possivelmente é onde está o ponto mais alto do album, não que as demais restantes também não sejem, mas aqui neste caso está bem claro a competência de cada integrante do 801. Existe um determinado momento da faixa onde fica o baixo de MacCormick com a bateria de Phillips, onde em um dado momento parece que algum companheiro está "regendo" o momento certo que os outros momentos devam ir surgindo no decorrer da música. Observe também quando entram os demais instrumentos junto ao baixo de MacCormick e a guitarra de Manzanera lembrando uma rápida sonoridade que pode ser absurdo mas lembra um tanto do início da faixa "Freedom of expression" da trilha sonora do "Vanish Point" (1.971). Repare também que Phillips utiliza o mesmo artifício de seu bumbo como já feito na faixa anterior. Foi composta em parceria por Manzanera/MacCormick.

"Rongwrong" - composta por Charles Hayward, é da banda "Quiet Sun" do album "Mainstream", é uma das faixas mais calmas, tranquilas e levando um clima muito "romântico" e agradável por sinal, tendo o vocal de Eno cantado de uma maneira muito pura, mas outro detalhe interessante são os toques deslizantes de Watson com a guitarra (junto com os efeitos sonoros de Eno no final) lembrando um animal e os teclados de Monkman que parecem lembrar em alguns instantes um instrumento de sopro e quando Eno termina de citar os dois refrões da faixa que fica mais nítido aos toques de baixo acompanhado por singelos toques de percussão de Phillips e vão surgindo efeitos sonoros criados pelos sintetizadores de Eno posteriormente ficando cada vez mais calma a melodia e surgindo aos poucos uma percussão aparentemente eletronicamente programada vindo a seguir a próxima faixa que será emendada.

"Sombre reptiles" - originalmente do album solo de Eno em "Another green world" (1.975), que aliás é uma das obras-primas de Eno, esta versão parece ter ficado bem melhor do que a original. A sensacional melodia instrumental na realidade é feita num tema só tocado por um riff (que é coordenado pela guitarra de Manzanera) e está repetida por 6 vezes, mas ao que parece é que lembra um estilo bem característico de um "swing" e na realidade uma das faixas da carreira solo de Eno injustiçadas porque dificilmente se escuta algo do tipo e esta versão entretanto que possui quase 3:30 de duração a medida que ela vai ficando crescente em sua melodia faz alguns ouvintes com o tempo desejassem que esta deveria ter muito bem mais do que esta duração justamente pelo fato de que a sonoridade da maneira que foi editada e mantida com um estilo de "swing".

"Baby´s on fire" - é do primeiro album solo de Brian Eno quando estreiou sua carreira solo após sua saída no "Roxy Music" sendo encontrado em "Here comes the warm jets" que no caso em questão a guitarra é tocada pelo líder do "King Crimson", o guitarrista Robert Fripp, que inclusive no mesmo ano de lançamento deste trabalho, em 1.973, Eno faria um duo em parceria com Fripp em "No pussyfooting". Eno inclusive ressaltou numa ocasião que este solo original de Fripp sempre foi um dos melhores até hoje feitos em sua opinião e neste caso do 801 trabalhou-se em cima do conceito da engenharia de som para que as guitarras de Manzanera não ficassem fora do "páreo" de Fripp, mantendo a faixa também um tanto melhor que a original. Detalhe: nesta faixa quando Eno canta ele toca o sintetizador com uma mão e a outra ele coloca em seu quadril, mas o mais interessante é a maneira como é expressada o vocal de Eno muito hilariante e bizarro, diferente da original. Antes que a faixa iniciam um notório público está aplaudindo o 801 antes que a banda inicie a música tendo Monkman com o teclado Fender e Eno com seus teclados vindo posteriormente o baixo e a bateria surgindo Eno que quando cita o primeiro verso "Baby´s on fire" há um silêncio de todos os instrumentos que irão em seguida acompanhar Eno no refrão e surgindo a guitarra de Watson assim que termina o refrão em sua parte instrumental solo há um "duelo" de Watson e Manzanera com a percussão incansável de seu bumbo quando Eno volta a interromper os músicos ficando em curto instante num silêncio citando o verso do segundo refrão que este irá finalizar a faixa. Na parte solo instrumental do segundo refrão veja como a guitarra de Watson é eletrizante parecendo que algo irá "levantar o voô" e antes de seu término pode-se ouvir riffs de guitarra de Manzanera tocando um trecho que existem em algumas versões quando Eno esteve com Fripp (tanto como banda e em forma de duo) em excursão em lugares tipo Londres e Paris durante os anos de 1.974/1.975 em que incluiam esses mesmos riffs em faixas de Eno como na introdução de "I´ll come running" do album "Another green world" (que também está coincidentemente Robert Fripp tocando) ou em "The paw paw negro blowtorch" do album "Here comes...".

"Diamond head" - é a maior faixa do album com quase 6:30 minutos de duração e de melodia instrumental, pertence ao album solo de Manzanera também entitulado como "Diamond head". Exibe exclusivamente o virtuosismo de Manzanera e tendo beleza e energia juntos ao mesmo tempo já que a faixa é bem de uma sonoridade dramática e bem de uma maneira do jeito de Manzanera e nesta faixa que o músico no caso tem pela primeira vez no album o controle absoluto de gerencia-la desde o início ao fim (diferente da "Sombre reptiles" que não possui variações por ser mais repetitiva a melodia) sendo também um dos pontos fortíssimos do trabalho, mas a faixa "East of asteroid" ainda fica na frente pelas aparências. Inicia com a entrada do público em euforia com o soar da guitarra ficando num clima muito calmíssimo e tranquilo com Monkman e Eno com os teclados (numa modesta abertura chegando a lembrar um pouquinho da "Thank you" do Led Zeppelin em "Led Zeppelin 2" (1.970)). E não demorando muito vem Manzanera junto com os toques de MacCormick e tendo Phillips vindo em seguida com Watson e fazendo a melodia ir crescendo e saindo de sua tranquilidade quando Manzanera vai tornando a melodia de forma progressiva finalizando o primeiro refrão. No segundo refrão repete-se quando num dado momento já que pela coordenação da melodia de Manzanera, este deixa a melodia numa expectativa que irá terminar mas faz um pequeno improviso que finaliza a faixa de vez e o 801 sendo muito aplaudido.

"Miss Shapiro" - também pertence ao album "Diamond Head" solo de Manzanera e uma das faixas aqui neste album que possui a parceria da criação de Eno/Manzanera. Gravada sob uma forma muito improvisada e totalmente diferente da original. Bem a um estilo de rock, mas com um tema de abertura que faz o ouvinte se surpreender de letras que induzem a piadas de rimas absurdas e são cantadas de uma maneira muito equilibrada (Eno cita frases de maneira rápida que a banda fica num silêncio absoluto e assim que vai terminado de citar cada a banda entra totalmente sincronizada em seus arranjos) podendo ser percebido ao fundo até Eno fazer eco conforme faz citações dos versos no auditório. Pode-se perceber que aqui estão sendo tocadas 3 guitarras: Manzanera, Watson e Eno; aliás Manzanera caprichou um tanto mais nessa do que no seu album solo. É uma faixa que pela maneira editada tentou se adequar a um estilo punk que estava na época surgindo gradativamente. Quando a banda termina os 2 refrões repentinamente, um improviso inesperado; o 801 toca acordes de uma faixa conhecida de uma banda dos anos 60 chamada "The Kinks" que é emendada com esta.

"You really got me" - gravado originalmente em 1.964 esta faixa composta por Ray Davies é lançado sob o nome do segundo album da banda em 1.965. Não se sabe ao certo mas é suposto que esta faixa foi já regravada por uma infinidade de artistas chegando a pelo menos 100 versões. A grande parte dos fãs da banda aparentam não ter gostado desta versão do 801, talvez pelo fato que a mesma deveria ser a original dos "The Kinks" e nada mais e também por ela ser uma espécie de "best-seller" e que realmente foi na realidade. Existe segundo a lenda que esclarecer como e o por quê desta faixa ter sido feita seria como se "contrariasse os princípios da natureza da qual ela foi feita", uma loucura por um lado mas não para os fanáticos da banda, só que com o passar dos anos a faixa chegou a ser "cover" também de bandas de heavy metal, como no caso da banda americana "Van Halen" que estava nascendo em 1.977 e chegando a ser utilizada bem mais adiante em comercial de televisão, fez então que se estabelecesse que outros novos simpatizantes da música tivessem a liberdade de compreender para qual motivo foi gravada. O 801 fez o melhor, isso sem sombra de dúvida mesmo sobre a contrariedade de quem não gostou da edição e não perdeu o charme, talvez um motivo que não tenha agradado esta "cover" tocada por eles esteja mais na parte solo instrumental onde ouve-se gritos e gemidos da guitarra de Manzanera com o bumbo da bateria de Phillips. Um pouco antes de finalizar a "cover" o 801 retorna na melodia inicial de "Miss Shapiro" sendo acompanhada em palmas pelo público e repentinamente tocam um último acorde de "You really got me" finalizando de vez a música e sendo muito bem aplaudidos. Curiosidade: O pai de Rhett Davies, que é o produtor deste album também se chamava Ray Davies (o mesmo que compôs esta faixa do "The Kinks") e era um músico que tocava trumpete.

"Third uncle" - composta por Eno, originalmente do album solo "Taking tiger mountain", tem como Eno que resmunga em seu vocal citando os versos da faixa com Manzanera. Na verdade esta faixa que parece ser um tanto "sem-tempero" foi um bis a pedido do público para que retornassem e finalizassem o show daquele dia, mas ainda assim conseguiu aparentemente ficar melhor do que a original de estúdio. Permanece aqui também 3 guitarristas: Manzanera, Watson e Eno que não possuem padrões para fazerem os acordes, isto porque a faixa é bem agitada. Eno declarou que foi uma de suas canções escritas mais rapidamente. Tão rápida foi tocada e editada que não deu nem tempo para a platéia fazer aplausos.