
Japão, 2005.
Músicos:
Makoto Kawabata / guitarras elétricas,
hurdy gurdy,
produção
Hiroshi Higashi / sintetizadores
Mitsuru Tabata / baixo elétrico, vozes
Koji Shimura / bateria
Futoshi Okano / bateria
Faixas:
1) OM Riff (51:11)
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Acid Mothers Temple & The
Cosmic Inferno
IAO Chant
From The Cosmic Inferno
Dados da resenha:
Autor:
Alfredo RR de
Sousa (Hamas);
recebida em:
16/02/2006.
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Amiúde tenho protestado
contra o verdadeiro maremoto de lançamentos que
Makoto Kawabata e sua
gang de
japas psico-sônicos despejam sobre seus fãs ano
após ano, de certa forma trivializando, ou até
mesmo vilipendiando, o assombroso impacto de sua
extravagante entidade polimórfica e comuna
místico-musical, o anarco-transcendente Acid
Mothers Temple. São catadupas de álbuns das
infinitas encarnações do AMT por 34343231 selos
diferentes a cada semestre, todos eles mais ou
menos pertencentes à duas únicas vertentes
estilísticas: colossais
maelstrons
elétricos de psicodelia
over the top
em maximum
psych noise mode on ou então plácidas e
narcolépticas sinfonias abissais de
drones
psicoativos mergulhadas em oceanos de bruma
púrpura. Até que ponto, é a pergunta que se
impõe, seria possível para Kawabata apresentar
tonalidades novas a partir de uma paleta de
apenas duas cores?
Não obstante, o filho da mãe, além da pretensão
de bater Robert Fripp
at his own
game em termos de obscena voracidade
mercantilista, é também talentoso
as
bloody'n'loony'n'spacy hell e, dessa
forma, a cada carrada de discos perpetra pelo
menos uma obra-prima de fazer o ouvinte desejar
mergulhar num obnubilante
turn on tune
in drop out 'timothylearyano' nos ignotos
confins da
sonic neverness para nunca mais
retornar...
IAO Chant From
The Cosmic Inferno é a quinta das sete
sulfurosas emanações (em pouco mais de um
ano...) já creditadas à mais recente entidade
kawabática, o Acid Mothers Temple & The Cosmic
Inferno. Trata-se em primeiríssimo lugar de uma
homenagem de nosso herói ao saudoso baterista
Pierre Moerlen, falecido em 2005, e, por
extensão, a todo o magnífico legado do Gong.
Como de hábito em termos de Cosmic Inferno, o
número de faixas é inversamente proporcional à
ciclópica duração das mesmas: no caso em tela
temos apenas uma, intitulada laconicamente
OM
Riff.
Bem... como descrever mais esse titânico monstro
urdido pela mais insana das metalurgias sonoras
alocadas no arquipélago do Sol Nascente?
Tentemos à partida uma descrição por assim dizer
objetiva:
OM
Riff desdobra em inacreditáveis 51
minutos de duração praticamente
UM ÚNICO
riff de
guitarra e o esotérico coro
IAO ZA EE ZAO
MA EE MAO TA EE TAO da clássica
Master
Builder, peça registrada pelo Gong em
You
(1974), terceiro álbum da célebre trilogia
Zero the Hero.
Isto posto, não sei consegui entender o que o
nosso Grã-Ronin do estraçalhamento psíquico de
garagem e seu séquito aprontaram dessa feita...
os caras simplesmente viram e reviram do avesso
o riff
de Steve Hillage de todas as formas possíveis e
imagináveis em
jams avassaladoras e incontroláveis, mas
também de alguma maneira inescrutável logram
manter a integridade formal do original numa
alquimia magistral, Futoshi Okano, Mitsuru
Tabata e Koji Shimura estabelecendo uma
propulsão contínua para que Kawabata e Hiroshi
Higashi pulverizem o Universo com sua artilharia
de guitarras e
synths incandescentes; assim sendo,
OM
Riff é a um só tempo uma improvisação
ad infinitum
arremessada nos páramos estelares da nebulosa
derradeira do caos
psyched out
e uma summa
magnífica de toda a miríade de sensações e
sonoridades do
space rock, mantra hipnótico e troar
aterrador numa mesma mandala multifacetada
ricocheteando em reflexos invertidos na
Arcana
Diabolica, Gong, Hawkwind, Amon Düül II,
Guru Guru e o ARCANO planando sobre quasares
alucinógenos
and setting the controls for the heart of the
Sun... sob as bênçãos
lisérgico-cibernéticas de Makoto Allen e Daevid
Kawabata, a rutilante espaçonave 'Acid Mothers
Gong & The Radio Gnome Inferno' atravessa a
singularidade gravitacional do espaço-tempo
psicodélico na colisão cataclísmica de sistemas
estelares gigantescos
and so on...
Enfim, o que temos aqui é uma fascinante
dissonância cognitva: se cônscios estamos de que
há 10 anos Kawabata malandramente recicla as
mesmíssimas matrizes estéticas, de bom grado
estamos dispostos a reiteradas vezes cair em seu
logro, pois o nipônico
Speed Guru,
mesmo perpetrando irrelevâncias no compasso
industrial de sua produção discográfica, é ainda
o mais brilhante magnetizador do fogo dos
sonic gods
de que se tem notícia
this side of
the galaxy. Afinal, quem mais consegue
sintetizar com tanta classe, intensidade e
conhecimento de causa o que de melhor foi feito
na história do
rock'n'roll?
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