
Japão, 2002.
Músicos:
Kawabata,
Makoto - guitarras elétricas
Cotton, Casino - vocais, sintetizadores,
efeitos sonoros
Higashi, Hiroshi - sintetizadores,
efeitos sonoros
Tsuyama, Atsushi - baixo elétrico
Koizumi, Hajime - bateria
Faixas:
1) Atomic Rotary
Grinding God / Quicksilver Machine Head (15:43)
2) Loved and Confused (17:02)
3) Phantom Of Galactic Magnum (18:57)
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Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O.
Electric
Heavyland
Dados da resenha:
Autor:
Alfredo RR de
Sousa
(Lindhorst);
recebida em:
17/09/2004.
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Desde os idos de 1996,
quando o guitarrista, enciclopédia ambulante de
música weird
e auto-proclamado guru patafísico japonês Makoto
Kawabata, egresso de experiências delirantes com
formações tais como Mainliner e Musica Transonic,
decidiu criar a banda / comuna
sônico-místico-transcendental Acid Mothers
Temple & The Melting Paraiso U.F.O. (Underground
Freak Out), o universo vem sendo assolado por um
abstruso maremoto cósmico de ultra-psicodelia
psicótico-mind
blowing de proporções absurdamente
inauditas: Kawabata e sua impagável
troupe
de
psycho-freaks (uma extravagante entidade
polimórfica cujo número de integrantes varia
entre 4 e 15 componentes) lograram, pois,
resumir / reciclar / sublimar / expandir toda a
multitentacular
garage
hermétique da psicodelia ao longo dos
anos, levando à máxima perfeição um mister em
que os filhos do Sol Nascente se revelam
particularmente eficazes: o reprocessamento
criativo de tradições culturais alienígenas.
Como descrever o mefistofélico
sabbath
sônico conjurado pelo AMT? Pensem numa espécie
de usina nuclear musical, onde foram
precipitados como combustíveis todo o
krautrock
de matriz psicodélica (Guru Guru, Ash Ra Tempel,
Amon Düül II, Brainticket, Cosmic Jokers, etc.);
‘artefactos’ desarvorados da cena
psych
européia dos anos 60-70 (Le Stelle di Mario
Schifano, Parson Sound, Älgarnas Trädgård,
Alrune Rod, Povl Dissing, etc.); os titãs
transatlânticos da psicodelia estadunidense (de
nomes notórios como Blue Cheer e Jimi Hendrix à
monstruosidades terminais como Father Yod, Anal
Magic & Rev. Dwight Frizzell, Cromagnon, etc.);
anomalias britânicas da estirpe de Hapshash &
The Coloured Coat, Deviants, etc.; a alquimia
eletrônico-minimal de Terry Riley, Steve Reich e
outros luminares. Considerada toda essa
assombrosa plêiade de influências, tentem agora
imaginar tudo isso levado às últimas
conseqüências da desmesura sônica intergalática,
arsenal esse ambientado em diversas formulações,
que variam desde narcolépticos e gentis
drones
de corte folk-psicoativo
a descomunais
maelstrons elétricos encharcados de
avassaladoras microfonias guitarrísticas
over the top,
assombrações apavorantes de teclados
space rock
em colapso nervoso e magma percussivo
estraçalhante...
can you dig it…?
Consegui até agora reunir, devo dizer, apenas 7
‘emanações’ do AMT, uma fração modesta de seu
vastíssimo
output, considerando que a prolífica
gang de
Kawabata lança de 5 a 6 discos por ano desde sua
fundação, num montante que já atinge mais de 40
álbuns. Todavia o álbum em tela, lançado em 2002
pelo selo canadense Alien8, tem sido considerado
pelos mais refinados
experts
em AMT como a mais intensa e insana tempestade
de desespero eletromagnético e devastação
mastodôntica já urdida pela banda. Tal avaliação
crítica não poderia ser, creio eu, mais precisa
e acertada: o que temos aqui são 3 assombrosas
jams
ultra/mega/hiper-psicodélicas, avalanches
incontroláveis de
white noise
desfechadas por Kawabata formando
walls of sound
de energia vulcânica em estado magmático,
ladeadas pelos a um só tempo lancinantes e
hipnóticos
space whispers de Cotton Casino, as
devastadoras rajadas metálico-percussivas de
Koizumi, a catatonia trovejante do baixo de
Tsuyama e as espectrais muralhas alucinatórias
de found
sounds e efeitos eletrônicos produzidas
pelos synths
de Higashi e Casino. Descrever estas faixas em
detalhe, tal como alguns resenhadores
pateticamente tentaram fazer, me parece uma lide
de todo insensata e improfícua, pois elas formam
um continuum
cuja coerência e significado tão somente se
desvelam através de uma visão de conjunto.
Enfim... that’s
all, folks, mas com a velha e cautelosa
dica de costume: é uma obra aconselhável apenas
para os mais afeitos a turbulentos cataclismas
sonoros, isto é, para maníacos dotados de
ouvidos devidamente ‘formatados’ por anos e mais
anos de experiência com mutilações sonoras da
mais alta periculosidade e octanagem, não digais
depois que não vos avisei!
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