
Japão, 2005.
Músicos:
Makoto Kawabata / guitarras elétricas,
produção
Hiroshi Higashi / sintetizadores, guitarra
elétrica
Mitsuru Tabata / baixo elétrico, vozes
Koji Shimura / bateria
Futoshi Okano / bateria
Faixas:
1) Trigger in Trigger Out (20:17)
2) They're Coming from the Cosmic Inferno (43:55)
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Acid Mothers Temple & The
Cosmic Inferno
Just Another
Band from the Cosmic Inferno
Dados da resenha:
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Meus caríssimos
confrades, em verdade vos digo, em bom, curto,
castiço e escorreito português vos digo: FODEU...
... e o que de todo parecia inconcebível enfim
parece ter ocorrido: os limites extremos do que
poderia ser feito em termos de
rock’n’roll
foram alcançados. É isto mesmo, senhoras e
senhores: a derradeira fronteira foi transposta,
rompeu-se a barragem do som, a obliteração
sônica de todos os sentidos via implacável
devastação
übber rockist foi levada a efeito. O
grande culpado?
Blame it on
Makoto Kawabata, Grã-Ronin do estraçalhamento
psíquico de garagem,
Shaman Warrior
King dos báratros do pesadelo psicodélico
e Custódio Transfinito dos Arcanos Sônicos do
Apocalipse.
Por ocasião do décimo aniversário de seu filho
mais dileto, a anárquica comuna místico-musical
Acid Mothers Temple & The Melting Paraíso
U.F.O., Kawabata parecia um tanto quanto
entediado com o facto de seu assombroso
terremoto estético de estimação ter de certa
forma assumido um contorno mais
high profile
(AMT high
profile??????? Bem, talvez para
junkies
terminais vagando pelos labirintos cibernéticos
do Império do Sol Nascente, ou então para
congêneres escandinavos hibernando n’alguma
caverna gelada sob a sombra cônica do Sneffels...).
Assim sendo, decidiu agitar um pouco o coreto,
arregimentando figuras egressas de formações
como Boredoms, Ghost, Mainliner e Zeni Geva para
formar o Acid Mothers Temple & The Cosmic
Inferno. É o resultado é
Just Another
Band From The Cosmic Inferno.
São apenas duas faixas: a primeira,
Trigger In Trigger Out (com 'somente' 20
minutos) é um
maelstron de microfonia inclemente e
brutalismo percussivo ao estilo das rajadas
eletromagnéticos presentes em
Electric
Heavyland, ou seja, o terrorismo sonoro
de rigueur
que já caracterizava a faceta mais turbulenta da
encarnação anterior do AMT; é portanto na
segunda faixa, minhas senhoras e meus senhores,
que o caldo entorna de vez: com singelos 44
minutos de duração,
They're Coming from the Cosmic Inferno
desafia qualquer descrição ou análise; como já
salientei, Kawabata e sua
gang de
propagadores de ruído metafísico abandonam as
últimas paragens conhecidas do
rock
para precipitar-se numa ignota e ominosa
nebulosa de caos, um massacre
ultra/mega/hiper/meta/trans-psicodélico,
descomunal, ciclópico e rigorosamente insano,
sem um segundo sequer de pausa; não há, pois,
aqueles interlúdios 'táticos' para que a peça
volte à carga com mais intensidade depois, mas
sim a banda trovejando ininterruptamente em
'full on-flat
noise terror atack' mode ON. Confesso que
por volta dos 25, 26 minutos a ‘coisa’ já havia
me derrotado, deixando-me de todo prostrado,
inerte e entorpecido, incapaz de esboçar
qualquer reação, e assim submergindo em
definitivo num oceano magmático de
white noise
oriundo do próprio Inferno. Trata-se, confrades,
de ultra-violência sônico/sadomasoquista em
aterrorizantes espasmos de crueldade e, em
conseqüência e última instância,
nazi-fascista... é, quiçá esta seja exatamente a
metáfora mais adequada: caso Heinrich Himmler,
Reinhard Heydrich, Karl Maria Wiligut e Julius
Evola fossem fanáticos por
rock’n’roll
e viciados em heroína,
Just Another
Band From The Cosmic Inferno decerto
seria o álbum registrariam ao cabo de uma
delirante jornada embalada por toneladas de
brow sugar
e sanguinolentos rituais neo-paganistas.
Se gostei? Hmmm... creio que esta questão
poderia ser melhor respondida no âmbito da noção
kantiana de ‘sublime’, isto é, fenômenos
incomensuráveis à escala humana, que nos
fascinam e horrorizam ao grau máximo ao mesmo
tempo; ou então, como diria o crítico musical
Dominique Leone, a propósito, aliás, de outro
petardo do grupo de Kawabata, e porventura de
forma mais sintética e eficaz:
”how much is
too much?”
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