
Adrian
Belew - guitarras, violões, teclados, pianos,
percussão, baterias, arranjos, vocais. David
Bowie - vocais. Van Kampen - percussão.
Mike Barnett - baixo.
Faixas:
1.
Young lions - 3:42
2. Pretty pink rose - 4:43
3. Heartbeat - 3:59
4. Looking for a U.F.O. - 3:36
5. I am what I am - 4:11
6. Not alone anymore - 3:13
7. Men in helicopters - 3:17
8. Small world - 3:45
9. Phone call from the moon - 3:38
10. The gunman - 3:51
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Adrian Belew - Young Lions (1980) Por
Steve
Hillage
Depois que Adrian Belew gravou "Mr. music
head" em 1.989, no ano seguinte em 1.990,
novo trabalho a frente que se entitularia
"Young lions" e para tanto neste ano
primeiramente Belew seria convidado por um artista
que admirou muito a turnê de "Mr. music
head" e este seria nada menos que David
Bowie, do qual Belew já tinha tido uma
oportunidade de gravar com o artista no final dos
anos 70 participando em 2 de seus albums da
trilogia como "Stage" (1.978) e
"Lodger" (1.979). De tanto que ficou
entusiasmado com a performance de Belew em sua
turnê, Bowie resolveu novamente convidá-lo a
participar de sua ambiciosa turnê que se chamaria
"Sound + vision" de março a outubro de
1.990 (Belew considera nesta época acompanhando
Bowie como um dos passos mais importantes de sua
carreira artística ainda que o ajudou muito em
suas finanças), que inclusive teve o Brasil na
programação.
Durante a turnê de Bowie, Belew arriscou um tempo
muito curto para escrever e fazer a gravação de
"Young lions" que durou 10 semanas
(relativamente curto para 10 músicas já que foi
feito quase tudo por Belew apenas
"sozinho") e ainda contou com a
participação de Bowie em 2 faixas sendo uma das
"covers" do trabalho. E além disso,
teve um rápido tempo para gravar um pequeno
comercial musical para a cerveja Budweiser em 2
formatos; sendo um contento aproximadamente 30 e
outro 60 segundos. Detalhe: durante esta turnê de
Bowie (da qual considera uma das mais importantes
de sua vida), Belew passou por um momento de divórcio,
recomeçando novamente sua vida e conhece Martha
da qual mais tarde faria uma dedicatória a moça
no album "Here" (1.994), mas ai são
outras estórias.
Ainda com a gravadora Atlantic Records, o album
resultou em 2 compactos e Belew só apresentou
algo em apresentações ao vivo após o lançamento
de "Inner revolution" (1.992). O que
muda de "Mr. music head" para
"Young lions" ? Quase pouca coisa. Belew
continua ainda maduro suficiente em se tratar de
elaborar músicas pop e sua filha Audie, pré-adolescente,
que havia participado de uma faixa chamada
"Oh, daddy" que saiu até em video sendo
lançado na MTV tendo uma grande simpatia dos
ouvintes e espectadores é que perdeu rapidamente
o interesse no ingresso da carreira artística
musical. A forma de "imitar fulano"
ainda persiste, isto porque já comentado
anteriormente o album apresenta algumas
"covers" (outro motivo pelo fato de que
Belew teve pouco tempo para realizar o trabalho) e
é um trabalho muito melodioso e ao mesmo tempo um
tanto esquizofrênico com a sonoridade pop que o
representa.
Os instrumentos ainda continuam sendo totalmente
tocados pelo artista, mas parece que pela presença
de alguns convidados dá também a impressão de
que Belew não está puramente sozinho e visto que
neste caso não existem faixas que são acústicas
como é o caso de "Peaceable kingdom" ou
"1.967" do album anterior. Uma ressalva
de Belew sendo multi-instrumentista: o músico
gosta de desfios e procura evitar todo aquele tipo
de "confronto" interno que ocorre dentro
de uma banda para se chegar em um acordo e até
num finalmente.
Não tão muito diferente do album anterior
(possivelmente pelo curto período de tempo para
realizar a gravação a fazer mais "experiências"
com a sua música), "Young lions" atinge
um ápice de Belew na forma de compor e executar música
e boa parte dos fãs do artista sugere tanto este
(como também "Mr. music head") para
iniciar os novos ouvintes a conhecer Belew e mantém
mesmos elementos também do anterior. O que o
difere deste trabalho com o anterior é que está
contendo mais guitarras (o piano e teclados não
estão fortemente muito presentes), além da
percussão, muito surpreendente para alguém que o
conhece como um mero integrante do "King
Crimson" e os assuntos que traz neste album
que são bem na forma da música contemporânea
ajudam muito na forma divertida do senso de humor
que Belew possui.
A produção foi feita pelo próprio Adrian Belew
auxiliado por Rich Denhart (que cooperou no album
anterior), além de Dan Harjung que colaborou também
em "Rise and shine" (1.988) dos
"The Bears", banda pop de Belew; Daryl
Stuermer (guitarrista de apoio no
"Genesis" e Phil Collins solo),
"Survivor" e entre outros.
A arte da capa foi coordenada por Bob Defrin que já
cooperou com "AC/DC", "Chic",
"Emerson, Lake and Palmer",
"Foreigner", "Savatage" e
entre outros junto com Carol Babolts tendo
trabalhado com Anita Baker, Trevor Rabin, Ruben
Blades, Keith Sweath, "Shinehead" e
entre outros. Mostra uma fotografia de Adrian
Belew quando tinha aproximadamente 4/5 anos de
idade e carregando um bichinho de pelúcia
(tira-se conclusões porque Belew põe efeitos
sonoros de animais e faz músicas em homenagem aos
mesmos como em "Hot zoo" e
"Crueltly to animals" no album
anterior).
"Young lions" - a faixa-título tem o
destaque mais marcante: a forma de percussão
feita por Belew junto com "Van Kampen"
com os músicos Willem Van Kruysdijk, Mies
Wilbrink, Dree Van Beeck e Ellen Gieles tornando a
sonoridade numa espécie de som étnico africano
(incluindo um coro vocal) e sob o efeito de
guitarras arrepiantes e letras mágicas de Belew
como em "Hot tribal night, underneath
florescent skies, bonfires rage strange, wild
waving shouting Picasso faces" que quer dizer
"Quente noite tribal, debaixo de céus
florescente, fogueiras se enfurecem estranhamente,
gritando em rostos de Picasso selvagemente"
em inglês. A abertura cheia de energia (como por
exemplo nesta frase citada anteriormente) e a
forma que ela vai se tornando crescente em melodia
é muito gratificante para o ouvinte e ao mesmo
tempo também se torna empolgante. Para Belew,
esta foi uma faixa que tornou ao mesmo tempo um
desafio e também serviu de lição musical e
inclusive ficou muito inseguro de que não pudesse
realizá-la na forma de como se resultou. Muito
entrosamento entre a guitarra solo que faz muita
selvageria e agressividade em meio da percussão,
esta seguida de uma guitarra base do início ao
fim da faixa. Possui duas versões ao vivo que estão
apresentadas em: "The acoustic Adrian
Belew" (1.995) e "Belew prints: The
acoustic Adrian Belew, Vol. 2" (1.998).
"Pretty pink rose" - é a maior faixa do
album com quase 5 minutos de duração. Composta
por David Bowie, inclusive é o mesmo que faz o
duo vocal com Adrian Belew, e como se não
bastasse esta faixa foi uma das mais tocadas também
na turnê de Bowie "Sound + vision". Pra
variar a faixa foi também lançada num compacto e
pelo visto acabou sendo uma das músicas mais
importante de Belew em "Young lions". O
que incentivou Bowie a estar no album não foi
somente convidá-lo em sua turnê como observar
Belew na turnê em "Mr. music head", além
de recrutar os músicos que Belew dispunha em sua
apresentação como Rick Fox e Mike Hodges. Para a
boa parte dos fãs esta faixa é uma das
preferidas visto que além de apresentar Bowie, os
mesmos consideram Belew mesmo fazendo o duo (a boa
parte da presença de Belew é mais na presença
da guitarra) um "puro Bowie". A melodia
não é tão emplogante quanto a muitas outras
existentes no trabalho, mas prende a atenção de
muitos ouvintes. Num estilo bem rock de David
Bowie performizando os anos 70 em pleno ano de
1.990 !!!!! Observe a expectativa que traz a faixa
em sua introdução na produção da finalização
da faixa como um todo; pode parecer um tanto
inaceitável para os fãs de Belew numa música de
Bowie (não deve ser esquecido que a trilogia de
Bowie em seus anos 70, o músico também se
ingressa ao experimentalismo musical), mas durante
os primeiros 20 segundos da faixa tem uma
sonoridade feita por um rock progressivo de tipo
space-rock, como do "Gong" por exemplo.
"Heartbeat" - é nada menos do que uma
"cover" de Adrian Belew na época em que
esteve participando do "King Crimson"
apresentando a trilogia da banda nos anos 80 e
sendo pertencente ao album "Beat"
(1.982). Belew imita "King Crimson" ? A
razão de colocar esta faixa neste seu album foi
que o meio como o "King Crimson" fez foi
um tanto completamente diferente daquilo que Belew
queria exatamente na época quando foi gravada,
possivelmente porque Fripp preferiu se envolver
mais na melodia. Resultou no mesmo compacto que
apresenta a faixa de Bowie "Pretty...",
apesar de que não surpreendeu muito em termos de
vendas, mas sim como uma versão alternativa para
colecionadores fanáticos do "King
Crimson". Na há improviso algum desde o início
ao fim da faixa, mas simplesmente é uma versão
também muito apaixonante que se
"engancha" ao ouvinte que não está
inferior da original, isto ainda em pensar que
Belew toca todos os instrumentos sozinhos!!!!
Imagine só um integrante tocado a música
sozinha. Sem Robert Fripp (o líder do conjunto),
sem Tony Levin e sem Bill Bruford.
"Looking for a UFO" - retrata sobre
procurar um lugar mundo afora que as pessoas
fiquem longe de suas confusões. Pela primeira vez
aparece neste album o piano, instrumento que foi
mais explorado no album anterior, e
consequentemente ficou em algo muito próximo de
"One of those days", bem também a um
estilo de Jerry Lee-Lewis. Evidentemente que aqui
é o piano que forma a melodia sendo o destaque,
mas no segundo e último refrão, vai surgindo uma
percussão meio estilo também de tribal com um
coro. Um tanto simples em forma de melodia e que
no final fica uma guitarra com melodia acompanhado
de estalos de dedos.
"I am what I am" - outra
"cover" (!?) que Belew apresenta.
Trata-se de uma sonoridade em cima de gravações
feitas pelo "The Prophet Omega" ("O
profeta Omega" em inglês) que Belew adquiriu
e ficou obsecado pelas vozes. Era uma rádio evangélica
dos anos 40 e 50 que existia nos Estados Unidos.
Adrian resgatou os vocais e trabalhou em cima
deles na música sem permissão de Omega apesar de
que o músico fez o correto no que diz a respeito
dos créditos da faixa e na época quando foi lançado
o album ele até procurou Omega para dividir as
royalities da música até que alguém
interesseiro surgisse a não ser Omega querendo
revindicar a respeito. Sensacional a esperteza de
Belew na maneira como foi feita esta união entre
o vocal (que mais parece alguém falando num
megafone) e os instrumentos como o baixo, a
percussão (muito presente e num estilo bem também
tribal) e as guitarras ora sob a forma de ritmo e
ora sob a forma de solo. Bizarro demais!!!! Belew
colocou seus vocais quando cita as frases: "I
am what I am". Detalhe: o duo Brian Eno e
David Byrne (do "Talking Heads") que se
encontra em "My life in the bush of
ghosts" (1.981) fizeram algo semelhante no
que se comporta a forma de vocais e música na
faixa "Help me somebody". Em forma de
melodia Belew transmitiu algo semelhante inclusive
do que o "Talking Heads" também costuma
fazer em algumas vezes na sua forma de música.
"Not alone anymore" - é a menor faixa
do trabalho com pouco mais de 3 minutos de duração
sendo um "cover" do "Traveling
Wilburys" do album "Traveling Wilburys,
Vol. 1" (1.988), tendo um representante
conhecido com Roy Orbison (uma homenagem inclusive
a este que faleceu de ataque cardíaco em dezembro
de 1.988), num esquema de pop do tipo "The
Beatles", tratando-se de ser uma
"baladinha" apesar de lírica muito
simples. A faixa é da autoria de George Harrison
(ex-integrante dos "The Beatles"), Tom
Petty, Bob Dylan e Jeff Lynne. Belew entretanto, dá
um tratamento numa forma mais enérgica apesar de
que o vocal está muito longe quanto o de Orbison
feito de uma maneira um tanto insegura ao ouvinte.
Falando do "Traveling Wilburys", o
empresário de Belew, Stan Hertzman teve um certo
encontro com Tom Petty, empresário do conjunto
dando uma sugestão para que Belew fosse
integrante também no conjunto (já que na época
ainda nem se cogitava um retorno do "King
Crimson", banda do qual Belew pertencia). Nos
últimos meses de 1.988 Belew tinha a idéia de
gravar esta faixa que parecia ser ideal no album
"Mr. music head", mas preferiu lançar
suas faixas já criadas por ele mesmo do que fazer
"cover" e por mais que quisesse não
tirava a idéia da cabeça (Roy Orbison foi também
uma influência muito forte musical de Belew em
sua infância), também não seria ideal porque
Orbison estava a beira da morte naquele ano de
1.988. Retrata sobre um amor perdido que o cantor
quer retornar, mas ele/ela encontraram outra
pessoa nova. A forma de introdução é muito
ligeiramente tocada sob a mesma maneira como é
apresentada em "Pretty pink rose", feita
especialmente pela guitarra.
"Men in helicopters" - esta faixa cita a
respeito de destruição animal do meio natural
africano feito por caçadores em helicópteros e
resume num alerta de se salvar o planeta pela ganância
humana e o destaque é o vocal de Belew, muito
forte e a frente das ademais faixas do album.
Belew acredita que foi uma das melhores canções
ecológicas que já escreveu até então em sua
carreira musical. Para ele existe uma ou duas
maneiras de poder dizer sobre coisas das quais estão
sendo feitas de forma errada ao mundo sem citar
nada de como seje melhor do que outra pessoa. A música
retrata de que todos os seres humanos são responsáveis.
Veja que é mais uma outra faixa que subentende-se
que Belew dá muita importância ao mundo animal
apresentando inclusive efeitos sonoros feitos pela
guitarra de gaivotas. Possui duas versões ao vivo
que estão apresentadas em: "The acoustic
Adrian Belew" (1.995) e "Belew prints:
The acoustic Adrian Belew, Vol. 2" (1.998).
"Small world" - outra faixa de Belew num
ritmo meio estilo africano sob a forma de como é
feita a percussão tocada pelo músico com um
grande interesse da parte de Belew sob a arte de
tornar a música pop. A melodia é praticamente
feita pelas guitarras de Belew, algo que lembra
"House of cards" do album anterior. Em
alguns momentos não se percebe a percussão e sim
o ritmo feito sob o comando das baterias. As
letras não fazem sentido, mas a sonoridade é
muito simpática.
"Phone call from the moon" - tem a
presença do baixo de Mike Barnett que já havia
participado do album anterior. É provavelmente a
faixa mais calma e tranquila do album, o que
parece que aqui neste momento Belew "dá uma
trégua" aos ouvidos de um ouvinte, num
estilo meio sob a forma de blues tendo uma
guitarra muito lentíssima. É a respeito de um
astronauta na lua que liga em sua casa para saber
como vai sua esposa e crianças questionando como
estão se comportando e confessando o quanto ele
sente saudades de sua casa. O destaque mais
interessante é a forma como Belew se comporta na
sua maneira de pronunciar as letras da faixa de
uma maneira bastante bem excitado e sensual visto
que está bastante modificada soando muito
distante do músico no meio de algum espaço.
"The gunman" - pelo comportamento da
maneira tocada desta faixa, aparenta ser uma das
mais agressivas e com melodias um tanto
repetitivas. Tem também a presença de David
Bowie, numa parceria com Belew como compositor.
Retrata a respeito da epidemia de mortes causada
nas ruas pelo fácil acesso de armas. Foi escrito
mesmo antes quando ocorreram uma "inundação"
de tiroteios em escolas secundárias nos Estados
Unidos. Quem diria ? O mesmo deveria ser refletido
aqui no Brasil. Será que a faixa seria eficaz ?
Tem uma melodia muito paranóica, perturbante e
tensa, algo até próximo em alguns momentos
feitos no album solo de David Bowie em "Scary
monsters" (1.980); ali é que Robert Fripp
está presente.
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