Gábor Egevári - flauta e voz. Lásló Gacs - bateria e percussão. Péter Pejtsik - cello, baixo e vocal. Ferenc Torma - violão, guitarra e vocal. Csaba Vedres - piano, sintetizador e vocal. Balázs Winkler - trompete, sintetizador e vocal.


Faixas:
1. Mantícore érkezése I (1:48)
2. Mantícore érkezése II (6:36)
3. Enigma (1:22)
4. Rondo (3:40)
5. Zene Gitárra (3:14)
6. Leltár (3:58)
7. Cisz-Dór Koncerteud (3:10)
8. Puer Natus in Bethlehem (6:03)
9. Júdás (9:39)
10. Bár Éjszaka Van (7:06)
11. Kétezer Év (13:39)


After Crying - Föld és Égg (1994)

Por Davi

Este terceiro disco do After Crying está repleto de contrastes entre um empolgante vituosísmo no bom estilo ELP com música muito lenta e triste. Não é à toa que seu título é Föld és Égg (Terra e Céu); as mais tristes e as mais alegres músicas do grupo podem ser aqui encontradas. Não é um dos melhores discos para se começar a apreciar o After Crying, pois gostar de uma ou outra música não é difícil, mas para se ter uma boa visão da obra como um todo leva tempo. Este é o último disco do grupo que conta com a participação de Csaba Vedres (pianista, vocalista e principal compositor), em seguida ele viria a fundar o Townscream.

Em relação aos outros discos do grupo, como já falei em outras resenhas, não é muito fácil comparar, pois o estilo muda bastante. O que se mantém dos discos anteriores é a forte inclinação erudita de suas composições, formação parecida com uma orquestra de câmara e a evocação de climas tristes e sombrios.

As faixas 1, 2, 4 e 7 são bons exemplos do lado ELP deste disco. Há grande ênfase no piano, que é tocado de forma muito rápida e alegre; mas, ao contrário do ELP, não se encontram dissonâncias ou muitos efeitos de sintetizadores --- na verdade, a presença dos sintetizadores é tão sutil que é difícil de lembrar em que parte eles são usados. Ressalto também que estas composições, apesar de não serem versões de músicas eruditas, como o ELP muito fazia, seguem uma linha mais erudita que as músicas desse grupo. De todas estas, somente a Mantícore érkezése II é cantada (em húngaro, evidentemente).

As faixas 3, 5, 6, 8 e 10 são as mais lentas e tristes do disco. Enigma, Leltár e a instrumental Puer Natus in Bethlehem merecem especial atenção; não deixe o lado alegre das anteriormente citadas tornar estas meros interlúdios, pois elas são muito mais. Aquela música triste, bela e silmultaneamente muito forte, que só o After Crying sabe fazer, pode ser claramente visto nestas três citadas. Bár Éjszaka Van parece ser um poema musicado, que, apesar dela em si não chamar muito minha atenção, serve de preparação para a entrada da última música: Kétezer Év.

Por fim, falta falar das faixas 9 e 11. Estas duas se diferenciam bem das demais e não podem ser enquadradas em nenhum dos dois extremos. Ambas são muito boas (Kétezer Év chega a se destacar como a melhor música do disco e uma das melhores do grupo) e lembram um pouco o estilo do disco de estúdio seguinte: De Profundis. Júdás é uma música sóbria, um pouco sombria e que demonstra certo toque de agressividade ausente nas demais do disco. Kétezer Év mostra plenamente a força das músicas do After Crying seguindo uma estrutura minimalista. Embora seja um pouco triste e lenta como as anteriores, ela e tem um clima mais esperançoso e grandioso. Os diversos suaves vocais se encaixam perfeitamente e, assim como em Júdás, muitas "camadas" de música podem ser observadas (prestar atenção nos diversos sons de fundo é recompensador).

Trata-se de um disco que pode ser bem visto logo de início, mas que demora bastante até ser bem compreendido. Este não está entre os meus discos favoritos do After Crying, ainda assim, o recomendo enfaticamente.