Bolshek Tradib (Cristián Bidart) - Bateria. Estratos Akrias (Leonardo Arias) - Sax alto e soprano.  Lectra Celdrej (Rolando Jeldre) - Baixo elétrico e contrabaixo. Petras das Petren (Rodrigo de Petris) - Sax tenor. Lyucq Zelasnog (Cristián González) - Percussão.  Tanderal Anfurness (Vicente García-Huidobro) - Guitarra.


Faixas:
1. Morricoleman - 3:27
2. Recurrencias - 8:36
3. Fana Papal y el Monseñor Smegma Nazzi - 0:41
4. Survector - 9:05
5. Nimboestrato - 3:13
6. Soula - 10:15
7. DementiaAbsorbant - 12:06


Akinetón Retard - Akranania (2002)
 
Por Ian
 
 
Toques de RIO, saxofones que rosnam e gritam, tempos estranhos, quebras de rítmo, guitarra meio Frippiana, jazz rock, influências de Zappa e Soft Machine entre outros. Esse é o Akinetón Retard, banda chilena originada em 1994 com o objetivo de fazer música diferente, desafiadora (inclusive dois membros do Akinetón são produtores de um programa de música de vanguarda na rádio da Universidade do Chile). Depois de alterações de formação, chengando então na atual (excetuando-se o percussionista), lançam em 2001 o disco Akinetón Retard, gravado ao vivo. Já em 2002, é lançado Akranania, outra maravilha que cai como uma luva para aqueles que querem algo que fuja do convencional, procurando novas sonoridades e possibilidades de fazer música.

É certo que Akranania não é um disco para se gostar na primeira audição. São necessárias várias até que se possa começar a absorve-lo, mas a partir do momento em que isto acontece, fatalmente a cada audição ele parece melhor. Akranania é essencialmente instrumental, tendo algumas vocalizações e cantos (sem letra) em três faixas.

A abertura do álbum, Morricoleman, é uma paulada só. Não poderia ter começado melhor, mostrando tudo que a banda pode fazer, abusando da dupla de saxofones que lhe confere essa sonoridade tão peculiar.
Vem a segunda faixa, Recurrencias, com diversas mudanças rítmicas e de climas, hora sinistros, hora fortes e rápidos. Depois, Fana Papal y el Monseñor Smegma Nazzi, curtíssima (não passa dos 40 segundos) e com esse curioso título, é mais variada e complexa que a discografia de muitos por aí.
A quarta provocação musical é a roqueira Survector, que exibe a competência dos músicos do Akinetón, com solos de sax, guitarra, baixo... excelente.
Nimboestrato é arrepiante. Nessa música é usado um canto grave assustador, que até poderia ter sido mais usado no disco, pois combina com alguns momentos.
Já Soula é a mais "comportada" do disco, se é que se pode dizer isso. Tem um lado mais tradicional, com uma levada jazz bem agradável, tendo uma enorme e ótima seção de saxofone.
Fechando o disco, DementiaAbsorbant começa cheia de duelos de sax, quebras de rítmo... tudo normal (claro, na "normalidade" do Akinetón) porém depois começam alguns cantos estranhos, numa espécie de ritual. A banda foi sábia em deixar isso para o finalzinho, pois muitos preferirão até parar. Mas depois de algum tempo e entrando no clima, dá pra ouvir e entrar no estado de "akranania"...

Uma curiosidade é que os nomes deles não são ditos explicitamente, são dados esses estranhos apelidos. Para dizer a formação, tive que associar os nomes no encarte.


Segundo me lembro, Akinetón Retard é o nome de um remédio usado no tratamento de doenças mentais. Daí pode-se tirar uma óbvia interpretação para o nome escolhido pelos integrantes da banda, que são verdadeiros guerreiros contra a banalidade.
Altamente recomendado àqueles familiarizados com RIO, fãs das citadas influências, buscando algo novo, ou simplesmente para dar uma conferida, pois vale a pena. Ainda mais porque o disco foi lançado no Brasil pela Rock Symphony, portanto sendo acessível.