Antonio
Esposito: Bateria e percussão
Vittorio Nazzaro: Baixo e guitarra
Albert Price: Teclados
Alan Sorrenti: Voz e guitarra
Faixas:
1-Aria
2-Vorrei incontrarti
3-La mia mente
4-Un fiume tranquillo
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Alan Sorrenti - Aria (1972)
Alan Sorrenti é um cantor
e compositor napolitano de origem galesa,
notável tanto como pop como na vertente que
conhecemos como progressivo sound. Seus hits "Figli
delle stelle" e "Tu sei l'unica donna per me"
giraram o mundo e o colocaram como um dos
maiores expoentes da música italiana dos anos 70
e 80.
Nos anos em que "Pawn Hearts" dos Van der Graaf
Generator permanecia no primeiro lugar na Itália
por meses vendendo mais de 800 mil cópias,
Sorrenti teve também sobretudo uma carreira de
refinado cantor de rock de clara matriz
psicodélica/progressiva, que muitos viram
inspirada nos trabalhos de Tim Buckley e Peter
Hammill.
Uma longa suíte homônima e tres canções compõem
o seu álbum de estréia "Aria" (1972). Músicos de
exceção estão na obra como Jean Luc Ponty
(violonista jazz aluno de Grappelli tendo
trabalhado nas grandes produções orquestrais de
Zappa e da Mahavishnu Orchestra) que dá uma
contribuição fundamental à suíte que ocupa
inteiramente a primeira faixa do disco.
Desfrutando temáticas caras ao progressivo
italiano (ambientações dark-fantasy com
castelos, monastérios, florestas, o amor entre
um cavaleiro e a sua princesa, a idéia do sogno,
o da alucinação no qual o autor se perde)
Sorrenti constrói uma atmosfera que logo golpeia
o ouvinte com o tocar de guitarras de Nazzaro e
Paratore e os improvisos vocalísticos
acompanhados do piano de Albert Prince e
essenciais passagens de violino. A ambiguidade
na qual se baseia o texto (o dualismo
(ar-atmosfera, nome da mulher amada) transportam
o ouvinte num mundo caótico que culmina no
delírio erótico final (sou o teu corpo/sou eu o
universo/no teu rio estou boiando/ar estou
enlouquecendo) onde um longo e frenético solo de
violino preenche os espaços, ocorre então a
explosão rítmica de Tony Esposito que coloca o
protagonista na realidade (eu sinto que eu eu eu
eu/eu te estou/eu te estou perdendo). Para dar
só uma idéia do estilo da suíte basta pensar que
cada um dos "eu" dura cerca de 6 a 7 segundos e
toda a música apresenta variações em cada vocal
alongado de maneira obsessiva, com um notável
uso da dinâmica no interior da mesma palavra,
mas tudo funcional e obedecendo às exigências do
texto e da música. As atmosferas alucinadas são
colocadas de um tal modo para não aparecer
excessivas ou datadas, como acontece por exemplo
em "Ys" do Balletto Di Bronzo, mas com
sobriedade, e isso explica o notável fascínio
que a suíte tem ainda hoje, com mais de 30 anos
de distância. O segundo lado do LP, não é tão
memorável como "Aria", mas é sempre de altíssimo
nível, se assinala como um primeiro momento mais
relaxado e com um uso do cantado menos extremo e
mais repousante na balada folk "Vorrei
incontrarti" e com uma reprise final na
lisérgica "La mia mente" e em "Un fiume
tranquillo" de um estilo sinfônico mais
tradicional. Na época muito viram sinais de
Buckley ou de Hammill neste trabalho e
seguramente não se enganaram (o longo vocal que
assinala o final do disco, não é mais que uma
clara homenagem ao cantor californiano e parece
quase um estilo de "Starsailor"), mas engana
quem reduz o disco a uma banal reproposição do
estilo de Buckley e não reconhece a contribuição
original do autor. O cantar sorrentiano é
diferente seja por limites técnicos (não tinha
uma extensão fora do comum) seja por exigências
expressivas, e se ensaia sobretudo como uma
evolução moderna no estilo canoro típico da
canção napolitana com todas as vogais alongadas
(sobretudo as finais) e tidas como ardidas e
eficazes modulações por alguns segundos, e não
se engana quem nota também assonâncias com
alguns elementos típicos da tradição do "bel
canto". Talvez também a estupefacente e
desconhecida suíte "Volo magico numero 1" de
Claudio Rocchi possa considerar-se musa
inspiradora neste trabalho. Únicos danos são
algumas ingenuidades nos textos, que porém bem
se fundem com a atmosfera do disco e não destoam
do mesmo.
"Come un vecchio incensiere all'alba di un
villaggio deserto" (1973), segundo álbum de Alan
Sorrenti, se encontram Tony Esposito na bateria
e percussões, e David Jackson dos Van Der Graaf
Generator na flauta.
Inferior por inspiração, o disco tem textos mais
equilibrados mas é carente de momentos
memoráveis, com exceção da belíssima canção de
amor "Serenesse" (talvez a peça mais válida) e
belíssima balada psicodélica "Angelo". A suíte
que dá o título à obra se abre com uma longa
introdução (10 minutos) psicodélica/free jazz,
com improvisações vocais em uma base de vcs3 e
guitarras slide para depois continuar por outros
dez minutos com uma cantilena obsessiva e
monótona que decepciona quem procurava pontos
líricos e a mesma atmosfera de "Aria". Para os
colecionadores, há em CD, que foi relançado, uma
música de bônus, lançada na época como single,
aliás muito interessante chamada "Le tue radici".
Sorrenti após esses dois trabalhos, com as
mudanças da música e a passagem do progressivo
ao pop, resolve lançar um disco de músicas
napolitanas que faz pouquíssimo sucesso. O
cantor volta às paradas com duas músicas que
ainda hoje fazem o público se recordar e que
giraram o mundo: "Figli delle stelle" e "Tu sei
l'unica donna per me". Hoje é rotulado como
cantor dos anos 70 e 80 e não faz mais nenhum
sucesso. Participa em 1988 do Festival de
Sanremo ficando em vigésimo-sexto lugar com a
música "Come per miracolo" (Sorrenti-Cavalli).
A sua discografia se compõe de:
- Aria (1972)
- Come un vecchio incensiere all'alba di un
villaggio deserto (1973)
- Alan Sorrenti (1974)
- Sienteme, it's time to land (1976)
- Figli delle stelle (1977)
- L.A. & N.Y. (1979)
- Di notte (1980)
- Angeli della strada (1983)
- Bonno Soku Bodai (1987)
- Radici (1992)
- I successi 2 (1996)
- Miami (2000)
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