Csaba Vedres - piano, vocal principal (1,3,5,6), sintetizador, vocais
Péter Pejtsik - celo, vocal princial (2,4), vocais
Kristóf Fogolyán - flauta
Zsolt Maroevich - viola

Convidados:
Judit Andrejszki - vocal principal (8), vocais
Pál Makoevecz - trombone (2,5,6,8)
Ottó Racz - oboé (1,5,8)
Aladár Tüske - fagote (1,5,6,8)
Balázs Winkler - trompetes (1,2,5,6,8)


Faixas:
1. European Things (Hommage à Frank Zappa) (8:27)
2. Don't Betray Me (3:02)
3. Confess your Beauty (6:50)
4. Madrigal Love Part One (2:14)
5. ...to Black... (5:05)
6. Marigal Love Part Two (Over Ever Sea) (3:00)
7. Madrigal Love Part Free (0:51)
8. Shining (...to the Powers of Fairyland) (10:44)


After Crying  - Overground Music (1990)

Por Davi


A década de 90, que marcou o renascimento do progressivo, começou muito bem. Depois do marasmo da segunda metade da década de 80, onde poucas obras de progressivo foram feitas e originalidade era sentença à total obscuridade, o primeiro de uma série de cinco discos de estúdio extremamente originais foi lançado.

Overground Music é o primeiro disco do grupo húngaro After Crying e, como o subtítulo da primeira música sugere, é seu disco com maior inclinação ao jazz. Jazz, porém, não é o estilo predominante --- e o rock está muito mais distante. O que eles tocam neste disco é música erudita com jazz e progressivo.

Como pode ser visto ao lado, sua formação é de orquestra de câmara --- exceto pelo sintetizador, que tem uma participação bem de fundo. Mais tarde o After Crying passa a incorporar baixo elétrico, guitarra, teclados e bateria; no Overground encontra-se a versão mais acústica e clássica do grupo.

A música é suave, sem arestas. Algumas das músicas são um pouco alegres, a terceira chega a ter seus momentos de agressividade comedida, mas há uma tendência um pouco maior para um lado mais triste, que ora me transmite remorso, ora uma forte esperança.

O trabalho instrumental de suas músicas é realmente um dos mais refinados que já vi --- acho somente comparável a outros trabalhos do mesmo grupo. Por vezes, sua elegância está no mais simples, como no minimalismo de Shining; em outros momentos, está na complexa elaboração, como em European Things e Confess Your Beauty. Nestas parecem haver várias camadas de música: os diversos instrumentos utilizados não ficam se repetindo; cada um parece estar tocando uma coisa diferente se forem analisados individualmente, mas, ao olhar para o conjunto, observa-se uma perfeita melodia onde cada instrumento tem sua função. A riqueza de timbres e a forma com que são utilizados são igualmente notórias.

Dito sobre a parte instrumental, vejamos o vocal. Este é de longe o disco mais cantado do After Crying, acho que em 80% do tempo há alguém cantando. Se eu estivesse recebendo esta notícia como a estou passando, logo pensaria: "Droga de vocais, estragaram a música!" Mas, não é isto o que verdadeiramente acontece, este é um dos poucos vocais que acrescentam à melodia ao invés de encobri-la, isto é, nada de simplificar a música para a entrada os vocais; estes fazem parte da música, e combinam bem! Csaba Vedres e Péter Pejtsik têm bons vocais, mas, tenho de admitir, poderiam ser mais afinados e melhor seria se cantassem em húngaro (o maior problema deste disco), eles cantam em inglês com algum sotaque. Mesmo com esses problemas, são bons vocais (de longe são bem melhores que qualquer vocalista do Dream Theater). Os lindos vocais deste disco realmente são os da Judit Andrejszki, sua voz é muito bem afinada; apesar dela só cantar plenamente na última música, no decorrer do disco colabora diversas vezes com "back vocals".

Se o que foi dito tem a ver com seu estilo, não tenho palavras para recomendar o Overground Music suficientemente. A aquisição deste disco foi especialmente facilitada devido ao lançamento dele pela Rocksymphony. Por mim, o After Crying lançou ainda mais 2 discos de tão alto nível: Megalazottak és Megzomoritottak e De Profundis, o estilo de cada um desses, porém, é bem diferente.