
Brasil, 1979.
Nando Carneiro,
violão e voz;
Muri Costa,
viola e violão;
Marcelo Costa,
bateria e percussão;
Beto Resende,
guitarra;
Alan Pierre,
baixo;
David Gane,
flauta;
1 - Vô mimbora pru
sertão
2 - Tereza boca do Rio
3 - Mercado das flores
4 - Cavalo Marinho
5 - Jando
6 - Jardim de infância
7 - Desecontro
8 - Estrela
9 - Manuel
10 - Rio Preto
11 - Canção pra ela
|
A Barca do Sol
Pirata
Dados da resenha:
Autor:
Leandro (Modulo1000);
recebida em:
09/11/2005.
Comente e veja outras opiniões
aqui.
A
Barca do Sol é sem sombra de dúvidas um
grupo de rock progressivo que possui um
estilo muito particular, estilo esse que
valoriza mais que qualquer outro grupo de
prog brasileiro os ritmos nacionais, e por
esse motivo é que eu me orgulho muito de ter
seus álbuns em minha coleção.
É um dos raros grupos dos quais o som não
remete a nenhum outro anterior ou
contemporâneo, lembrando somente a música de
Egberto Gismonti (por motivos óbvios), mas
com uma vertente musical mas folk e rock,
ainda que num contexto mais acústico.
Este é seguramente o álbum menos
desconhecido d´A Barca, talvez por não ter
alcançado o mesmo sucesso, na época, dos 2
álbuns que o antecederam.
Trata-se de uma obra em que o grupo
mostra-se mais à vontade, possivelmente por
ter sido um álbum independente. As
composições são mais jazzísticas, mas
mantendo ainda a mesma proposta iniciada
pela banda.
O disco começa com a introdução “Vô mimbora
pru sertão”, na qual os integrantes puxam,
em coro, uma música como as de roda de
capoeira e, logo após, um incrível e
virtuose (por incrível que pareça!) solo de
berimbau introduz a música seguinte: “Tereza
boca do Rio”, que segue na mesma gingada
malandra e brasileira, e em seqüência
“Mercado das flores”, dando continuidade ao
ritmo.
Em seguida a música “Cavalo Marinho”
emociona por ser uma das baladas mais
bonitas do rock progressivo nacional quiçá
mundial! Mas a mesma consegue ser superada
no próprio disco pela “Jardim de infância”,
simplesmente uma obra-prima, que conta com a
participação especial de Olívia Byngton
fazendo coros no final. Espetacular!
Entre essas duas baladas citadas temos
“Jando” que é uma continuação acelerada e
jazzística de “Cavalo marinho”, ela começa
com uma percussão (que mais parece uma
sonoplastia de tão perfeita) que imita o
cavalgar de um cavalo, obra do
inteligentíssimo percussionista Marcelo
Costa, e a música segue nesta levada
“galopada” com um piano elétrico e solos bem
fusion de flauta.
“Desecontro” e “Estrela” são num estilo mais
para a música de Egberto Gismonti, mas com
aquela particularidade característica da
banda.
“Manuel” é um sambinha descontraído e
contagiante, no qual em alguns momentos
alguém com uma voz cômica começa a falar no
meio da música, interpretando o Manuel da
letra entre solos de guitarra de jazz, um
dos pontos mais altos do disco (“mais”
altos, pois o disco não tem nenhum ponto
baixo).
“Rio Preto” e “Canção pra ela”, ambas
composições do baixista Alain Pierre
encerram o álbum.
Em síntese um disco indispensável, assim
como os outros do grupo pois, como já foi
afirmado, eles fizeram rock progressivo
valorizando até a última nota os nossos
ritmos e nossa poesia. |
|