França, 1977.


Banda:
Benoit Wiedemann: Grand Piano, Fender Rhodes piano, mini-Moog, sintetizadores Oberheim polyphonic
Clément Bailly: Bateria, Percussão, Tímpano
Guy Delacroix: Baixo
Patrick Gauthier: mini-Moog
Jean-Pierre Fouquey: sintetizador Oberheim polyphonic
Patrice Tison: Guitarra
Bruno Menny: Rhythmus System
Emannuelle Parrenin & Hugues de Courson: Vozes


Faixas:
1- Balèze
2- Herbes sol
3- Stress!
4- Le Camp du Drap D'or
5- Demi-final
6- Quaternaire
7- Spirale
8- Fête au Septième Plan - Sacrifice
9- Final - part 1
10- Final - part 2


Benoit Widemann  

Stress!

 
Dados da resenha:
Autor: Rodrigo Guabiraba (Guabiraba); recebida em: 14/11/2004.
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O tecladista francês Benoit Widemann, que desde muito jovem esteve junto a bandas de fusion e progressivo, sempre teve uma queda pelo jazz-rock e estilos afins. Possuidor de boa técnica, velocidade e grande conhecedor de sintetizadores, participou de uma das formações do Magma, entre 75 e 77, talvez uma das mais poderosas, contribuindo para pelo menos 3 álbuns de Vander e cia. Widemann mais tarde veio a participar de projetos paralelos com o mesmo Vander e também com Jannick Top, ex-baixista do Magma, em algo chamado "FUSION" (nome sugestivo, visto que o som é bem próximo do estilo - visceral, técnico). Em carreira solo, Widemann não se afastou da sonoridade que encontrou em meados dos anos 70: camadas de sintetizadores passeando por levadas bastante rápidas e quebradas. Vez ou outra os climas sombrios lembram o Magma de Atthak e também de Üdü Wüdü, época em que a banda já misturava algumas sonoridades: fusion eletrônico remetendo a Weather Report e uma ou outra coisa de Mahavishnu Orchestra.

Apesar disso tudo Widemann não é nenhum mago dos teclados e sua técnica refinada não é o suficiente para, em 77, adicionar algo realmente novo ao fusion ou ao rock progressivo.

"Stress!", seu primeiro álbum solo, conta com a participação de Gauthier (ex-Heldon, ex-Magma, ex-Weidorje) e também de Bailly e Delacroix (figurinhas da cena fusion na França, ambos participando da fase Magma pós-Atthak). O álbum não possui grande qualidade de gravação (a sonoridade é boa, mas um pouco abafada - o selo Musea diz que relançará o álbum em breve, atualmente fora de catálogo) mas os músicos e a idéia de Widemann estão bastante claros e concisos e a sensação final ao ouvirmos o álbum é uma grata surpresa.

"Balèze", "Stress!" e "Le Camp du Drap D'or" são três faixas com o melhor do Fusion e uma sonoridade de jazz-rock europeu muito gostosa. Rápidas, com passeios aleatórios de sintetizadores e camadas de Fender Rhodes bastante convincentes. A técnica de Bailly e Delacroix parece deixar a desejar em muitas passagens, mas não sei até que ponto a masterização pode ter afetado o resultado final do som que ouvimos. "Le Camp du Drap D'or" soa Weather Report, mas comparar... convenhamos, não é mesmo ? icon_lol.gif

"Herbes Sol" talvez seja a faixa mais complexa do álbum. Com mais de 6 minutos, Widemann brinca com todos os sintetizadores, lembrando bastante a fase "Stratosfear" do Tangerine Dream. Bela composição, bela atmosfera. Já vale o álbum.

"Quaternaire" é fusion da melhor qualidade. Do início, com o fraseado "quente" ao Fender Rhodes, passando pelo o início dos ritmos super cadenciados ao baixo até a super-exibição de sintetizadores proporcionada por Gauthier e Widemann, "Quaternaire" é uma amostra poderosa do quanto estes músicos poderiam fazer ao vivo.

"Spirale" é Magma revisitado. Sombria, evocando sintetizadores extra-terrenos, dezenas e dezenas de viradas de Bailly. Widemman brilha na criação da atmosfera inicial da música, estruturando pelo menos 3 camadas de teclados que, em momento algum se sobrepõe, permanecendo audíveis e buscando o fio central do tema. Nota 10.

"Demi-final" e "Fête au Septième Plan - Sacrifice" são pequenas composições carregadas em sintetizadores bastante saturados e confusos, nada que realmente chame a atenção. Para fãs de Blade Runner.

"Final part - 1" é bastante climática, novamente me lembro de Tangerine Dream, fase "Sorcerer". Bons pianos e sequencers, Oberheim em todas as suas possibilidades, apesar de que o pessoal do TD ainda me soa mais convincente. Trilha sonora de escolha para filmes experimentais europeus da década de 70. "Final part - 2" é bem Coltrane, e Widemann brinca em um tema único altamente jazzístico somente ao piano, remetendo também a Hancock e Jarret. Belo final.

"Stress!", ao contrário do nome, é um boa experiência junto ao Fusion europeu. A qualidade do som deixa a desejar sim, e uma produção final melhor acabada daria um outro charme a este álbum, mas nada que impeça qualquer bom ouvinte de prog, jazz e fusion de apreciar este trabalho. Widemann ainda gravou "Tsumani", em 78, também fora de catálogo há um bom tempo. Atualmente Widemann anda trabalhando com programação (pasmém!), mas também com música.