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George
Harrison - Guitarra, Harmônica, Citara,
Tamborim, Tampura, Vocais. John
Lennon - Guitarra, Percussão, Guitarra
(base), Maracas, Órgão (Hammond), sinos, Vocais.
Paul McCartney
- Guitarra, Piano, Condutor, Baixo, Cravo, Órgão
(Hammond), Vocais. Ringo
Starr - Bongos, Bateria,harmônica, Vocais.
George Martin -
Orgão, Piano, Arranjos, Horn, Orgão (Hammond),
Produção. John
Lee - Trombone. Tony
Randall - Horn Frances. David
McCallum - Violino. Robert
Burns - Clarinete. Monty
Montgomery - Trompete. Neil
Aspinall - harmônica, Tamboura, Cravo. Michael
Barnes - Tuba. Lionel
Bently - Violino. Dean
Bradley - Violino. Sheila
Bromberg - Harpa. Ray
Brown - Trombone. Jack
Brymer - Clarinete. James
W. Buck - Horn Frances. John
Burden - Horn Frances. Barrie
Cameron - Saxofone. Alan
Civil - Horn Frances. Alan
Dalziel - violoncelos. Henry
Datyner - Violino. Bernard
Davis - Viola. Gwen
Edwards - Viola. Mal
Evans - harmônica, Piano, Tamborim. Mike
Leander - Transcrição, Partituras. N.
Fawcett - Contra-baixo acústico. Tristan
Fry - Percussão. Francisco
Gabarro - violoncelos. Jose
Garcia - Violino. Hans
Geiger - Violino. David
Glyde - Saxofone. Erich
Gruenberg - Violino. Jurgen
Hess - Violino. Alan
Holmes - Saxofone. Harold
Jackson - Trumpete. Derek
Jacobs - Violino. Granville
Jones - Violino. Roger
Lord - Oboe. Henry
MacKenzie - Clarinete. Cyril
Macarthur - Baixo duplo. Marijke
- Tambourine. T.
Moore - Trombone. Alex
Nifosi - violoncelos. Gordon
Pearce - Double Bass. Raymond
Premru - Trombone. Frank
Reidy - Clarinete. David
Sandeman - Flauta. Neil
Sanders - Horn Frances. Sidney
Sax - Violino. Ernest
Scott - Violino. Clifford
Seville - Flauta. Stephen
Shingles - Viola. Basil
Tschaikov - Clarinete. John
Underwood - Viola. Dennis
Vigay - violoncelos. Alfred
Waters - Baixo-duplo. Donald
Weekes - Violino. Trevor
Williams - Violino. David
Mason - Trumpete. Bill
Monroe - Violino.
Faixas:
1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts
Club Band (Lennon/McCartney) - 2:02
2. With a Little Help from My Friends
(Lennon/McCartney) - 2:44
3. Lucy in the Sky With Diamonds
(Lennon/McCartney) - 3:28
4. Getting Better (Lennon/McCartney) - 2:47
5. Fixing a Hole (Lennon/McCartney) - 2:36
6. She's Leaving Home (Lennon/McCartney) - 3:35
7. Being for the Benefit of Mr. Kite
(Lennon/McCartney) - 2:37
8. Within You, Without You (Harrison) - 5:05
9. When I'm Sixty-Four (Lennon/McCartney) - 2:37
10. Lovely Rita (Lennon/McCartney) - 2:42
11. Good Morning, Good Morning (Lennon/McCartney)
- 2:41
12. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band...
(Lennon/McCartney) - 1:18
13. A Day in the Life (Lennon/McCartney) - 5:33
Tempo total: 43:05
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The
Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club
Band (1967)
Por Cavalo
Alado
Esta obra-prima chamada
de "bíblia dos álbuns conceituais"
merece ser descrita de maneira bem detalha já que
elevou o rock a um estagio elevado e impulsionou o
interesse pelo experimentalismo. Sendo assim, vou
tentar dividi-la por trechos.
ANTES:
- Se tivessem parado suas atividades junto com as
turnês em 66, seus prestigio e carisma não
diminuiriam em nada, já que a Beatlemania que
varreu o mundo foi uma febre que até hoje
contamina por conta dos talentosos 4 garotos que
ao contrario do que muitos pensam, antes de seu
disco de estréia já tinha passados por diversas
formações e tocados em lugares descentes como em
espeluncas sub-urbanas. Nada foi fácil, foram
acompanhantes de um imitador de Elvis "Tony
Sheridan" e ainda descartados para entrar no
casting da gravadora Decca, a mesma conhecida por
trocar os Beatles pelos The Tremeloes, lançar o
disco do Gile, Gile and Fripp e os primeiros
discos dos Stones. Depois de discos fulminantes
recheados de hits nos Top das paradas e quebrando
recordes que até hoje são insuperáveis, o certo
é que "Rubber Soul" de 65 já mostrava
uma banda cansada de rock de festa e preocupada em
ser cada vez mais sinceras com suas canções ao
eives de se preocupar com as vendas, alem do mais,
a influencia de Bob Dylan era inegável, e as
letras eram cada vez mais pessoais. Com a
obra-prima "Revolver", em 66 a coisa se
repetiu e o resultado foi canções de riqueza
infinita com experimentos nunca antes usados que
resultou num álbum psicodélico e indispensável
em qualquer coleção.
A geração inglesa estava crescendo junto com a
Beatlemania e a cada expectativa de um novo disco
do grupo, havia um espírito de progresso que fez
com que outros grupos fossem surgindo mais agora
usando elementos recém criados até mesmo pelos
próprios Beatles como, por exemplo, o
"feedback" de guitarra que saiu pela
primeira vez em "I Feel Fine" e usado a
exaustão por Hendrix entre outros. Os
experimentos com Citaras também foi difundido no
ocidente a partir deles. Enfim, a revolução não
foi só nos comportamentos da juventude, modo de
se vestir, mas também no conceito musical como
todo no que diz respeito a influencia.
Concorrentes para os Beatles havia inúmeros:
Monkeis, Who, Stones, Yarbirds, Byrds, Mamas &
The Papas, etc. Mas o que estava fazendo a banda
se preocupar em trabalhar mais os arranjos e se
superar era mesmo os americanos dos Beach Boys,
liderados por Brian Wilson que lançou "Pet
Sounds" e que fez Paul se empolgar e
encorajar os demais a fazer algo mais grandioso,
ousado ou até mesmo capaz de superar qualquer
coisa lançada até aquele momento. E de fato, só
mesmo eles seriam capazes de tal feito devido à
poderosa divulgação obvia que teria o disco. Mas
ao mesmo tempo em que outras bandas ousavam a
fazer trabalhos tão experimentais e influentes
como The Mooby Blue "Days of Future
Passed" e Pink Floyd "The Pipers at the
gates of down" (que inclusive foi gravado no
mesmo estúdio dos Beatles, onde havia até
supostos bate papos de Barret e Lennon nos
corredores), o grupo não só faria o que
pretendiam como praticamente dividiriam a história
do rock em antes e depois do Sargento.
Como o lançamento do disco novo da banda estava
demorando mais do que o de costume, alguns
locutores de radio da época e críticos começaram
a especular sobre a incapacidade dos mesmos de
apresentar as musicas do Revolver ao vivo, coisa
que não iria acontecer mais enquanto a banda
existisse, e também já estavam dando por certo
de que o próximo disco seria um fracasso e que
eles não conseguiriam se superar partir dai.
Enfim, os boatos eram mesmo muito fortes sobre o
fim. Mas paralelo a isso lançaram o compacto
"Penny Lane/Strawberry Fields Forever"
sem que houve-se nada marcado o que era lado A ou
B. Só que a critica "mesmo assim"
criticava de maneira pesada e insistente. E ainda
por cima dizia que os novos grupos americanos que
estavam surgindo como The Doors iriam ocupar o
lugar do grupo. Paul diriam em uma entrevista anos
depois algo como: "eu ficava lendo aquilo
tudo, ia para o estúdio esfregando as mãos e
dizia, esperem e verá !!"
A
CAPA:
O trabalho de concepção da capa elaborado por
Peter Blake e Jann Haworth rendeu aos dois um
Grammy pela arte gráfica que foi uma das mais
caras da história, pelo menos até aquele
momento, já que o grupo teria somado dinheiro o
suficiente para caso alguém ou parente de alguma
celebridade que se sentisse ofendido em aparecer
na capa processa-se a banda, a mesma já estaria
preparada em pagar ou mesmo entrar em acordo
amigavelmente. Cada integrante tinha direito a
escolher quantos nomes quanto fossem possíveis e
depois haveria uma garimpagem de maneira que alem
dos quatro coubessem o maximo possível de
figuras. Leo Gorcey e Ghandi foram retirados da
capa do Sgt. Pepper's após a fotografia ter sido
tirada, sendo que o primeiro foi retirado porque
queria dinheiro, e o segundo por um pedido da EMI.
Na lista de pessoas que John Lennon incluiria na
capa estavam Ghandi, Jesus e, mais cinicamente,
Adolf Hitler. Jesus não foi incluído devido ao
furor causado por uma entrevista de John onde este
dizia: "Os Beatles são maiores que Jesus
Cristo".
Mas o curioso é que alem de vários mistérios
(muitos desmentidos outros postos em duvidas até
hoje) sobre o que aparece lá, é que a capa foi
uma das mais usadas por outros artistas que
queriam quase sempre fazer caricaturas e divulgar
seu trabalho em cima da clássica capa. Entre os
primeiros estão no Brasil o maestro tropicalista
Rogério Duprat, com seu álbum A Banda
Tropicalista do Duprat, lançado em 1968 e Frank
Zappa & The Mothers of Invention, com seu Were
Only In It For The Money. Dai para diante foram inúmeros.
Até os Rolling Stones fizeram isso com o seu álbum
"Their Satanic Majesties Request" onde
quiseram responder aos Beatles a suposta provocação
deles com a frase que está na capa: "Welcome
to the Rolling Stones", colocando as cabeças
dos integrantes espalhados pela capa de maneira
camuflada e usando o mesmo estilo psicodélico nos
detalhes do encarte. Provavelmente foi uma
resposta por um assunto que deixou Lennon
irritado, quando ele disse em uma entrevista em 71
de que os Stones sempre copiavam os Beatles 6
meses depois. Lennon deu até um exemplo, dizendo
que quando saiu "All you need is Love" não
demorou muito eles lançariam o compacto com a
musica "We love you" que era nos mesmos
moldes.
Talvez seria preciso escrever um livro a respeito,
mas há também aquela famosa história da suposta
morte de Paul que começou sair daqui. Uma
fantasia criada por um fã que aos poucos só
fizeram com que o álbum se tornasse maior do que
já era. Entre elas :
- A capa do disco estaria simbolizando a sepultura
de Paul, com todas as pessoas ao redor.
- Os arranjos de flores lembram um funeral.
- Há também uma mão aberta sobre a cabeça de
Paul.
- Há uma boneca segurando um carro de brinquedo
na foto da capa.
- Na foto da contracapa Paul está olhando para trás,
enquanto os outros olham para frente.
- Na música "Sgt. Pepper's Lonely hearts
Club Band" estariam apresentando o sósia de
Paul, chamado "Billy Shears" : "so
let me introduce to you the one and only Billy
Shears"
- Na música "A Day In The Life" há um
trecho que diz: "He blew his mind out in a
car, he didn't notice that the lights had
changed" (ele estourou sua cabeça em um
acidente de carro, pois não percebeu que as o semáforo
havia fechado)
- Outro trecho de "A Day In The Life"
diz: "A crowd of people stood and stared
they'd seen his face before, nobody was really
sure if he was..." (uma multidão parou e
assistiu, eles viram seu rosto antes, mas ninguém
tinha certeza se era ele)
- Na música "Good Morning, Good
Morning" há um trecho dizendo: "nothing
to do to save his life" (nada pode ser feito
para salvar sua vida)
LANCAMENTO:
- Saiu no dia 1 Junho de 1967 pela Parlophone, e
no dia seguinte a Capitol lançou nos EUA.
AS
MUSICAS:
- Sgt. Pepper's
Lonely Hearts Club Band, Faixa titulo que já
abre surpreendendo quem imaginava alguma decadência.
Os sons estranhos da banda afinando os
instrumentos, mas alguns ruídos no inicio é
quebrado por um riff de guitarra que entra de
maneira gloriosa como quem diz "nós estamos
aqui, e agora vai começar o show!". Paul
toca guitarra base e baixo Rickenbacker 4001C. Há
uma base nervosa de power-acordes antes das
vocalizações de George e John. A bateria de
Ringo até então nunca esteve tão limpa e
emocionantemente cadenciada. Há um ótimo
trabalho também dos músicos contratados pela
Orquestra Sinfônica Londrina que fazem dos metais
algo no espírito circense-fanfarra. Depois de vários
ensaios lapidados para se chegar à gravação que
teve 9º takes, a faixa estava pronta. Mas de
todas foi a terceira a ser gravada. Paul toca até
hoje em seus shows. O grande produtor George
Martin e um dos grandes responsaveis pela obra
como um todo também toca piano nessa faixa.
_ With A little
Help From My Friends, segue a faixa titulo
como se fosse uma só. É como se a primeira só
anuncia-se o maior espetáculo da terra e a
segunda seria o ponto de partida. E começa super
bem com Ringo encarnando o papel de Billy Shears,
que "com as ajudas dos amigos" fazem a
canção que seria depois imortalizada por Joe
Cocker. Para esta canção John optou por não
tocar guitarra base, "alias, só ha o Baixo
de Paul no andamento !!", ao eives disso, ele
toca uns sinos. Alem do Baixo, Paul toca piano e
George tamborim (pandeiro) e guitarra solo. Como
aconteceu com "Yellow Submarine", este
foi outro presente da dupla Paul e John para
Ringo, se bem que a maior parte foi feita por
Lennon. Esta foi a 12ª a ser gravada no 10º
take.
- Lucy in The Sky
With Diamonds, inspirada num desenho em que
Julian, filho de John fez sobre uma coleguinha de
escola que estaria voando, o que fez com que John
rascunha-se algumas frases bem ao seu estilo e que
erroneamente na época os críticos acharam que a
sigla da musica seria algo ligado ao acido LSD, já
que os Beatles colocaram publicamente que eram usuários
de drogas. Foi gravado 8º takes para se chegar no
formato ideal. Ha um clima inocente pelos arranjos
feito propositalmente para que essa musica
atingisse também de certa maneira o publico
infantil como aconteceu com "Yellow
Submarine".
- Getting Better,
teria sido inspirada em uma conversa de Paul com
Jimmy Nichols, baterista que substituiu Ringo em
algumas apresentações em 64 quando este operou
das amídalas. Que dizia sempre : "Está
melhorando" quando alguém lhe perguntava
como estavam as coisas. A partir dai Paul começou
a escrever toda a letra de uma só vez junto com a
melodia. O trabalho vocal de Harrison chama muita
atenção nesta musica pela beleza. Foi a 9ª a
ser gravada e tem um clima surrealista de otimismo
bem inspirado.
- Fixing A hole,
outra canção belíssima de Paul, ao que parece
seria sobre uma analogia de buracos por onde a
chuva entra e o buraco mental. Portanto nada haver
com buracos feito por drogas injetáveis como
quiseram alguns. Ha uns sons de cravo tocados por
Niel e Paul,e John tocando Maracas. Foi a 5ª a
ser gravada e ao que parece não é exatamente uma
das favoritas de Paul tendo em vista que quase
nunca (ou talvez isso nunca aconteceu !) ele não
toca essa em suas turner.
_ She's Leaving
Home, Paul se inspirou para escrever a
letra em cima de uma noticia de Jornal como John
gostava também de fazer, e ao ler nos jornais uma
noticia sobre uma moça que abandonou a casa dos
pais ricos, chamada Melanie Cole, a letra saiu aos
poucos como um quebra cabeça, e de certa forma é
como se fosse irmã de "Eleanor Rigby"
pelo seu clima erudito. Foi a 11ª canção
gravada em 6 takes. E é também a única canção
do grupo em que "nenhum dos Beatles toca
". Ha cordas, harpa, violinos, violoncelos e
contrabaixo executados por outros músicos,
somente Paul e John cantam sendo que a parte de
John foi trabalhada para dar um efeito meio longínquo.
É sem duvida a canção mais melancólica gravada
pelo grupo.
_ Being for The
Benefit of Mr. Kite, escolhida para ser a
faixa que encerraria o Lado A do vinil, foi
inspirada por John em cartaz de propaganda de um
circo do século XIX, que era de Pablo Fanque, um
sujeito que ficou muito famoso por apresentar
pessoas que nasciam com defeitos de nascimento e
eram apresentados como aberrações, os chamados
"Freak-show". Mas ao contrario disso a
canção se tornou uma pintura como disse George
Martin um "Salvador Dali Oral". Foi a 6ª
gravada e no 7ª take com diversas sobreposições
de instrumentos. Foi uma das que mais deu trabalho
já que John queria que tivesse o espírito
circense com uma big-band e para se conseguir
isso, Martin foi pesquisar a respeito até
conseguir fazer o arranjo ideal que John tinha em
mente. Mas para se fazer isso, ele pegou trechos
gravados desses ensaios, cortou todas as fitas em
pedaços curtos e juntou ao acaso. A idéia
agradou e no final a sensação de estar numa roda
gigante é finalmente posta em musica pela
primeira vez.
_ Within You,
Without You, Única faixa autoral do álbum
de Harrison que abre o Lado B, onde este teria
composto alguns trechos da letra na casa do amigo
Klaus Voormann (Autor da capa do Revolver e depois
baixista da banda Plastic Ono Band). Foi gravada
em apenas 1 take e tem vários instrumentos como
violinos, violoncelo, etc. Participam também
amigos indianos de George. E sem duvida é o top
dentro do que ele conseguiria atingir com sua
intenção oriental. Sem duvida há outras
seguindo a linha indiana muito boas, mas esta
consegue supera-las em termos de inspiração e
ousadia, já que aparentemente parece não se
encaixar muito dentro da temática do álbum, mas
derepente a intenção era essa mesma. Alguns
boatos dão notas de que Harrison teve muitas idéia
negadas e por causa disso acabou lançando algumas
delas no disco "Wonderwall Music" de 68
que inclusive é o primeiro disco solo de um
Beatle, sendo que o detalhe é que o mesmo não
canta. Apenas é um disco experimental, com
abordagens de sons de estúdio, pesquisas de
timbres e idéias sonoras estranhas.
_ When I'm
Sixty-Four, inspirada no aniversario de seu
pai naquele ano, James McCartney, Paul escreveria
esta como um presente para ele que também era um
compositor amador de musicas estilo Big Bands dos
anos 20, sendo que o mesmo chegou a tocar em uma
delas por sinal. Ha ótimas clarinetas e Paul toca
baixo e piano. Uma das partes mais geniais é
quando eles cantam na parte "We shall scrimb
and save" e vocalizam iguais aos acordes da
guitarra. Nessa época entrevistaram o pai de Paul
e ele disse que a maior alegria da vida dele foi
quando Paul chegou em casa e lhe disse que a
partir daquele momento ele não precisaria mais
trabalhar !
_ Lovely Rita,
Paul fez esta para as "meter maids" que
vem de parquimetro (moças que controlam o
estacionamento dos carros e os multam nos EUA).
Uma canção ao estilo de "Got to get to into
my life" do álbum anterior e tem efeitos
como friccionar pentes nos papeis para fazer
"cha cha cha". Há também violões de
John e Harrison.
_ Good Morning,
Good Morning, Inspirada num comercial de
flocos de milho, John fez algo simples se tornar
numa coisa grandiosa. Com ajuda de integrantes do
grupo The Sound Incorporated alem da participação
efetiva da banda, tinham a idéia de produzir um
som campestre ou de fazenda com diversos tipos de
animais. Coisa inspirada nos Beach Boys,
"vide a capa de Pet Sounds". No final ha
uma fulminante explosão no melhor estilo
"vamos acordar !!", com animais
relinchando, uivando, etc.
_ Sgt Pepper's
(Reprise), com andamento mais acelerado e
sem os metais da abertura, essa versão foi uma
sacada inteligente de Martin que o grupo aprovou.
Inclusive Paul usa muito essa musica para encerrar
seus shows junto com "Golden Slumbers" e
"The End" ambas do Abbey Road. Saiu no 9º
take com os integrantes tocando seus instrumentos
de costume . A faixa soa como se o cocoricó do
galo indica-se que agora poderíamos acordar já
que o sonho em forma de show ou "em forma de
disco" estava chegando ao seu fim. Mas o
publico do Sargento Pimenta ainda tinha direito a
um bis.
_ A Day In The
Life, A exemplo de "Tomorrow never
knows" , ultima faixa de Revolver, Lennon
novamente cria outra perola que foge as regras
musicais convencionais da época para uma banda de
rock, criando uma faixa que se assemelha a uma
paisagem lisérgica incrível. Ha quem diga que
ela foi na verdade uma união de duas canções
como "Baby you´re rich man" do Magical
Mistery Tour, o que é bem possível diante de
partes tão diferentes como a que quando Paul
canta no meio. Mas quando ouvimos canções como
esta se nota claramente que Lennon era mesmo o
Beatle mais ousado artisticamente. Não é de se
espantar já que ele cursou pintura e estudou bem
visualização enquanto que Paul fez Literatura e
associar canções com imagens ou ouvir canções
e imaginar uma imagem é um dom genial que só
compositores como Lennon seria capaz. E nesse caso
Lennon leu uma noticia de Jornal e se inspirou
para que escrever a letra. Pegou seu violão e
como costumava fazer memorizou a melodia principal
para apenas criar uma idéia do que ia ser
trabalhado. Chegando no estúdio fez 4 takes
sozinho. No dia seguinte mais 3 take agora com o
acréscimo da parte de Paul, mas a canção estava
ainda muito mal finalizada. E prova disso pode-se
ouvir no álbum Antology II onde aparentemente
eles trabalhavam com trechos que necessitava de
recursos agora mais técnicos, o que exigiu bem de
George Martin, fazendo com que esta canção se
tornasse a mais trabalhosa de todas. O
enriquecimento da canção coube a Paul que teve a
idéia de inserir orquestra para resolver o
problema do arranjo fazendo com que subisse a
escala cromática no meio da musica
progressivamente até chegar no clímax onde
entraria a parte dele. A Idea foi passada a Martin
que apenas explicou tecnicamente a orquestra e
assim nem foi preciso partitura.
Outros dados sobre a faixa:
- Segundo vem se falando desde que saiu o disco,
se voce ouvir a canção ao contrario, vai sair
mensagens que para humanos não tem nada demais,
mas para os cães sim. Algo como aquele apito que
chama os cães, mas na verdade nós não ouvimos
por que eles tem audição mais aguçada.
_ Como fizeram com "Lucy...", alguém
achou que a faixa ligava algo as drogas na parte
que diz: "Eu gostaria de ligar" sendo
que aquilo não passava de uma gíria inglesa. Por
essas e outras foi proibida de tocar em rádios na
época junto com "Lucy..".
DEPOIS:
_ Depois do seu lançamento o álbum estorou
rapidamente na paradas mundiais ficando por muito
tempo em numero 1, e a banda ganhou 2 prêmios
Grammy Awards como melhor disco do ano e melhor
disco pop rock contemporâneo calando de vez críticos,
radialistas e pessoas que tinham pensamentos
pessimistas a respeito do futuro do grupo. E muita
coisa mudou a partir dele, como por exemplo, o
fato de que roqueiros eram sempre vistos como
jovens imaturos e sem muito aspecto de inteligência
perto de Jazzistas, por exemplo. O álbum foi
desbravador nesse sentido, pois só o fato da
mudança de visual do grupo vinha mostrar que eles
queria evoluir com o rock´n roll, e assim,
grandes artistas de diversas áreas, políticos
renomados, cientistas, professores, etc poderiam
dizer a partir daquele momento, sem medo de passar
vergonha, de que gostavam de rock. E tudo isso graças
à banda que ajudou a elevar um estilo
aparentemente adolescente a um nível mais elevado
atingindo varias categorias. Sendo assim a maioria
até se conformou de a banda se dedicar mais aos
estúdios que os palcos. Outro dado interessante
é que em 1987 devido ao aniversario de 20 anos do
disco, e um documentário exibido na Inglaterra o
disco voltou às paradas ficando na posição 141
da billboard .
Outro acontecimento relevante é que a alem de
toda a critica especializada aceitar e falar que o
álbum era mesmo um feito grandioso e insuperável,
Brian Wilson dos Beach Boys, única banda que
rivalizava de frente com os Beatles entrou em
depressão e nunca mais conseguiu produzir
trabalhos à altura do que vinha fazendo. Era o
auge da criatividade dos Beatles e um início de
uma fase madura que culminaria na diferenças
pessoais de seus integrantes. Paul chegou a dizer
que o disco o marcou por ser o momento em que
estavam mais unidos do que nunca. Os problemas
pessoais que acabaram levando o fim da banda só
começou mesmo depois disso, quando o empresário
Brian Epsten morre enquanto eles estão na Índia
compondo o material que seria o conhecido álbum
Branco, mesmo momento em que John se envolve cada
vez mais com uma japonesa. Mas isso é outra história.
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