George Harrison - Guitarra, Harmônica, Citara, Tamborim, Tampura, Vocais. John Lennon - Guitarra, Percussão, Guitarra (base), Maracas, Órgão (Hammond), sinos, Vocais. Paul McCartney - Guitarra, Piano, Condutor, Baixo, Cravo, Órgão (Hammond), Vocais. Ringo Starr - Bongos, Bateria,harmônica, Vocais. George Martin - Orgão, Piano, Arranjos, Horn, Orgão (Hammond), Produção. John Lee - Trombone. Tony Randall - Horn Frances. David McCallum - Violino. Robert Burns - Clarinete. Monty Montgomery - Trompete. Neil Aspinall - harmônica, Tamboura, Cravo. Michael Barnes - Tuba. Lionel Bently - Violino. Dean Bradley - Violino. Sheila Bromberg - Harpa. Ray Brown - Trombone. Jack Brymer - Clarinete. James W. Buck - Horn Frances. John Burden - Horn Frances. Barrie Cameron - Saxofone. Alan Civil - Horn Frances. Alan Dalziel - violoncelos. Henry Datyner - Violino. Bernard Davis - Viola. Gwen Edwards - Viola. Mal Evans - harmônica, Piano, Tamborim. Mike Leander - Transcrição, Partituras. N. Fawcett - Contra-baixo acústico. Tristan Fry - Percussão. Francisco Gabarro - violoncelos. Jose Garcia - Violino. Hans Geiger - Violino. David Glyde - Saxofone. Erich Gruenberg - Violino. Jurgen Hess - Violino. Alan Holmes - Saxofone. Harold Jackson - Trumpete. Derek Jacobs - Violino. Granville Jones - Violino. Roger Lord - Oboe. Henry MacKenzie - Clarinete. Cyril Macarthur - Baixo duplo. Marijke - Tambourine. T. Moore - Trombone. Alex Nifosi - violoncelos. Gordon Pearce - Double Bass. Raymond Premru - Trombone. Frank Reidy - Clarinete. David Sandeman - Flauta. Neil Sanders - Horn Frances. Sidney Sax - Violino. Ernest Scott - Violino. Clifford Seville - Flauta. Stephen Shingles - Viola. Basil Tschaikov - Clarinete. John Underwood - Viola. Dennis Vigay - violoncelos. Alfred Waters - Baixo-duplo. Donald Weekes - Violino. Trevor Williams - Violino. David Mason - Trumpete. Bill Monroe - Violino.


Faixas:
1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Lennon/McCartney) - 2:02
2. With a Little Help from My Friends (Lennon/McCartney) - 2:44
3. Lucy in the Sky With Diamonds (Lennon/McCartney) - 3:28
4. Getting Better (Lennon/McCartney) - 2:47
5. Fixing a Hole (Lennon/McCartney) - 2:36
6. She's Leaving Home (Lennon/McCartney) - 3:35
7. Being for the Benefit of Mr. Kite (Lennon/McCartney) - 2:37
8. Within You, Without You (Harrison) - 5:05
9. When I'm Sixty-Four (Lennon/McCartney) - 2:37
10. Lovely Rita (Lennon/McCartney) - 2:42
11. Good Morning, Good Morning (Lennon/McCartney) - 2:41
12. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band... (Lennon/McCartney) - 1:18
13. A Day in the Life (Lennon/McCartney) - 5:33


Tempo total: 43:05

The Beatles  - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)

Por Cavalo Alado

Esta obra-prima chamada de "bíblia dos álbuns conceituais" merece ser descrita de maneira bem detalha já que elevou o rock a um estagio elevado e impulsionou o interesse pelo experimentalismo. Sendo assim, vou tentar dividi-la por trechos.


ANTES:

- Se tivessem parado suas atividades junto com as turnês em 66, seus prestigio e carisma não diminuiriam em nada, já que a Beatlemania que varreu o mundo foi uma febre que até hoje contamina por conta dos talentosos 4 garotos que ao contrario do que muitos pensam, antes de seu disco de estréia já tinha passados por diversas formações e tocados em lugares descentes como em espeluncas sub-urbanas. Nada foi fácil, foram acompanhantes de um imitador de Elvis "Tony Sheridan" e ainda descartados para entrar no casting da gravadora Decca, a mesma conhecida por trocar os Beatles pelos The Tremeloes, lançar o disco do Gile, Gile and Fripp e os primeiros discos dos Stones. Depois de discos fulminantes recheados de hits nos Top das paradas e quebrando recordes que até hoje são insuperáveis, o certo é que "Rubber Soul" de 65 já mostrava uma banda cansada de rock de festa e preocupada em ser cada vez mais sinceras com suas canções ao eives de se preocupar com as vendas, alem do mais, a influencia de Bob Dylan era inegável, e as letras eram cada vez mais pessoais. Com a obra-prima "Revolver", em 66 a coisa se repetiu e o resultado foi canções de riqueza infinita com experimentos nunca antes usados que resultou num álbum psicodélico e indispensável em qualquer coleção.

A geração inglesa estava crescendo junto com a Beatlemania e a cada expectativa de um novo disco do grupo, havia um espírito de progresso que fez com que outros grupos fossem surgindo mais agora usando elementos recém criados até mesmo pelos próprios Beatles como, por exemplo, o "feedback" de guitarra que saiu pela primeira vez em "I Feel Fine" e usado a exaustão por Hendrix entre outros. Os experimentos com Citaras também foi difundido no ocidente a partir deles. Enfim, a revolução não foi só nos comportamentos da juventude, modo de se vestir, mas também no conceito musical como todo no que diz respeito a influencia.

Concorrentes para os Beatles havia inúmeros: Monkeis, Who, Stones, Yarbirds, Byrds, Mamas & The Papas, etc. Mas o que estava fazendo a banda se preocupar em trabalhar mais os arranjos e se superar era mesmo os americanos dos Beach Boys, liderados por Brian Wilson que lançou "Pet Sounds" e que fez Paul se empolgar e encorajar os demais a fazer algo mais grandioso, ousado ou até mesmo capaz de superar qualquer coisa lançada até aquele momento. E de fato, só mesmo eles seriam capazes de tal feito devido à poderosa divulgação obvia que teria o disco. Mas ao mesmo tempo em que outras bandas ousavam a fazer trabalhos tão experimentais e influentes como The Mooby Blue "Days of Future Passed" e Pink Floyd "The Pipers at the gates of down" (que inclusive foi gravado no mesmo estúdio dos Beatles, onde havia até supostos bate papos de Barret e Lennon nos corredores), o grupo não só faria o que pretendiam como praticamente dividiriam a história do rock em antes e depois do Sargento.

Como o lançamento do disco novo da banda estava demorando mais do que o de costume, alguns locutores de radio da época e críticos começaram a especular sobre a incapacidade dos mesmos de apresentar as musicas do Revolver ao vivo, coisa que não iria acontecer mais enquanto a banda existisse, e também já estavam dando por certo de que o próximo disco seria um fracasso e que eles não conseguiriam se superar partir dai. Enfim, os boatos eram mesmo muito fortes sobre o fim. Mas paralelo a isso lançaram o compacto "Penny Lane/Strawberry Fields Forever" sem que houve-se nada marcado o que era lado A ou B. Só que a critica "mesmo assim" criticava de maneira pesada e insistente. E ainda por cima dizia que os novos grupos americanos que estavam surgindo como The Doors iriam ocupar o lugar do grupo. Paul diriam em uma entrevista anos depois algo como: "eu ficava lendo aquilo tudo, ia para o estúdio esfregando as mãos e dizia, esperem e verá !!"

A CAPA:
O trabalho de concepção da capa elaborado por Peter Blake e Jann Haworth rendeu aos dois um Grammy pela arte gráfica que foi uma das mais caras da história, pelo menos até aquele momento, já que o grupo teria somado dinheiro o suficiente para caso alguém ou parente de alguma celebridade que se sentisse ofendido em aparecer na capa processa-se a banda, a mesma já estaria preparada em pagar ou mesmo entrar em acordo amigavelmente. Cada integrante tinha direito a escolher quantos nomes quanto fossem possíveis e depois haveria uma garimpagem de maneira que alem dos quatro coubessem o maximo possível de figuras. Leo Gorcey e Ghandi foram retirados da capa do Sgt. Pepper's após a fotografia ter sido tirada, sendo que o primeiro foi retirado porque queria dinheiro, e o segundo por um pedido da EMI. Na lista de pessoas que John Lennon incluiria na capa estavam Ghandi, Jesus e, mais cinicamente, Adolf Hitler. Jesus não foi incluído devido ao furor causado por uma entrevista de John onde este dizia: "Os Beatles são maiores que Jesus Cristo".

Mas o curioso é que alem de vários mistérios (muitos desmentidos outros postos em duvidas até hoje) sobre o que aparece lá, é que a capa foi uma das mais usadas por outros artistas que queriam quase sempre fazer caricaturas e divulgar seu trabalho em cima da clássica capa. Entre os primeiros estão no Brasil o maestro tropicalista Rogério Duprat, com seu álbum A Banda Tropicalista do Duprat, lançado em 1968 e Frank Zappa & The Mothers of Invention, com seu Were Only In It For The Money. Dai para diante foram inúmeros. Até os Rolling Stones fizeram isso com o seu álbum "Their Satanic Majesties Request" onde quiseram responder aos Beatles a suposta provocação deles com a frase que está na capa: "Welcome to the Rolling Stones", colocando as cabeças dos integrantes espalhados pela capa de maneira camuflada e usando o mesmo estilo psicodélico nos detalhes do encarte. Provavelmente foi uma resposta por um assunto que deixou Lennon irritado, quando ele disse em uma entrevista em 71 de que os Stones sempre copiavam os Beatles 6 meses depois. Lennon deu até um exemplo, dizendo que quando saiu "All you need is Love" não demorou muito eles lançariam o compacto com a musica "We love you" que era nos mesmos moldes.

Talvez seria preciso escrever um livro a respeito, mas há também aquela famosa história da suposta morte de Paul que começou sair daqui. Uma fantasia criada por um fã que aos poucos só fizeram com que o álbum se tornasse maior do que já era. Entre elas :

- A capa do disco estaria simbolizando a sepultura de Paul, com todas as pessoas ao redor.
- Os arranjos de flores lembram um funeral.
- Há também uma mão aberta sobre a cabeça de Paul.
- Há uma boneca segurando um carro de brinquedo na foto da capa.
- Na foto da contracapa Paul está olhando para trás, enquanto os outros olham para frente.
- Na música "Sgt. Pepper's Lonely hearts Club Band" estariam apresentando o sósia de Paul, chamado "Billy Shears" : "so let me introduce to you the one and only Billy Shears"
- Na música "A Day In The Life" há um trecho que diz: "He blew his mind out in a car, he didn't notice that the lights had changed" (ele estourou sua cabeça em um acidente de carro, pois não percebeu que as o semáforo havia fechado)
- Outro trecho de "A Day In The Life" diz: "A crowd of people stood and stared they'd seen his face before, nobody was really sure if he was..." (uma multidão parou e assistiu, eles viram seu rosto antes, mas ninguém tinha certeza se era ele)
- Na música "Good Morning, Good Morning" há um trecho dizendo: "nothing to do to save his life" (nada pode ser feito para salvar sua vida)

LANCAMENTO:

- Saiu no dia 1 Junho de 1967 pela Parlophone, e no dia seguinte a Capitol lançou nos EUA.


AS MUSICAS:

- Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Faixa titulo que já abre surpreendendo quem imaginava alguma decadência. Os sons estranhos da banda afinando os instrumentos, mas alguns ruídos no inicio é quebrado por um riff de guitarra que entra de maneira gloriosa como quem diz "nós estamos aqui, e agora vai começar o show!". Paul toca guitarra base e baixo Rickenbacker 4001C. Há uma base nervosa de power-acordes antes das vocalizações de George e John. A bateria de Ringo até então nunca esteve tão limpa e emocionantemente cadenciada. Há um ótimo trabalho também dos músicos contratados pela Orquestra Sinfônica Londrina que fazem dos metais algo no espírito circense-fanfarra. Depois de vários ensaios lapidados para se chegar à gravação que teve 9º takes, a faixa estava pronta. Mas de todas foi a terceira a ser gravada. Paul toca até hoje em seus shows. O grande produtor George Martin e um dos grandes responsaveis pela obra como um todo também toca piano nessa faixa.

_ With A little Help From My Friends, segue a faixa titulo como se fosse uma só. É como se a primeira só anuncia-se o maior espetáculo da terra e a segunda seria o ponto de partida. E começa super bem com Ringo encarnando o papel de Billy Shears, que "com as ajudas dos amigos" fazem a canção que seria depois imortalizada por Joe Cocker. Para esta canção John optou por não tocar guitarra base, "alias, só ha o Baixo de Paul no andamento !!", ao eives disso, ele toca uns sinos. Alem do Baixo, Paul toca piano e George tamborim (pandeiro) e guitarra solo. Como aconteceu com "Yellow Submarine", este foi outro presente da dupla Paul e John para Ringo, se bem que a maior parte foi feita por Lennon. Esta foi a 12ª a ser gravada no 10º take.

- Lucy in The Sky With Diamonds, inspirada num desenho em que Julian, filho de John fez sobre uma coleguinha de escola que estaria voando, o que fez com que John rascunha-se algumas frases bem ao seu estilo e que erroneamente na época os críticos acharam que a sigla da musica seria algo ligado ao acido LSD, já que os Beatles colocaram publicamente que eram usuários de drogas. Foi gravado 8º takes para se chegar no formato ideal. Ha um clima inocente pelos arranjos feito propositalmente para que essa musica atingisse também de certa maneira o publico infantil como aconteceu com "Yellow Submarine".

- Getting Better, teria sido inspirada em uma conversa de Paul com Jimmy Nichols, baterista que substituiu Ringo em algumas apresentações em 64 quando este operou das amídalas. Que dizia sempre : "Está melhorando" quando alguém lhe perguntava como estavam as coisas. A partir dai Paul começou a escrever toda a letra de uma só vez junto com a melodia. O trabalho vocal de Harrison chama muita atenção nesta musica pela beleza. Foi a 9ª a ser gravada e tem um clima surrealista de otimismo bem inspirado.

- Fixing A hole, outra canção belíssima de Paul, ao que parece seria sobre uma analogia de buracos por onde a chuva entra e o buraco mental. Portanto nada haver com buracos feito por drogas injetáveis como quiseram alguns. Ha uns sons de cravo tocados por Niel e Paul,e John tocando Maracas. Foi a 5ª a ser gravada e ao que parece não é exatamente uma das favoritas de Paul tendo em vista que quase nunca (ou talvez isso nunca aconteceu !) ele não toca essa em suas turner.

_ She's Leaving Home, Paul se inspirou para escrever a letra em cima de uma noticia de Jornal como John gostava também de fazer, e ao ler nos jornais uma noticia sobre uma moça que abandonou a casa dos pais ricos, chamada Melanie Cole, a letra saiu aos poucos como um quebra cabeça, e de certa forma é como se fosse irmã de "Eleanor Rigby" pelo seu clima erudito. Foi a 11ª canção gravada em 6 takes. E é também a única canção do grupo em que "nenhum dos Beatles toca ". Ha cordas, harpa, violinos, violoncelos e contrabaixo executados por outros músicos, somente Paul e John cantam sendo que a parte de John foi trabalhada para dar um efeito meio longínquo. É sem duvida a canção mais melancólica gravada pelo grupo.

_ Being for The Benefit of Mr. Kite, escolhida para ser a faixa que encerraria o Lado A do vinil, foi inspirada por John em cartaz de propaganda de um circo do século XIX, que era de Pablo Fanque, um sujeito que ficou muito famoso por apresentar pessoas que nasciam com defeitos de nascimento e eram apresentados como aberrações, os chamados "Freak-show". Mas ao contrario disso a canção se tornou uma pintura como disse George Martin um "Salvador Dali Oral". Foi a 6ª gravada e no 7ª take com diversas sobreposições de instrumentos. Foi uma das que mais deu trabalho já que John queria que tivesse o espírito circense com uma big-band e para se conseguir isso, Martin foi pesquisar a respeito até conseguir fazer o arranjo ideal que John tinha em mente. Mas para se fazer isso, ele pegou trechos gravados desses ensaios, cortou todas as fitas em pedaços curtos e juntou ao acaso. A idéia agradou e no final a sensação de estar numa roda gigante é finalmente posta em musica pela primeira vez.

_ Within You, Without You, Única faixa autoral do álbum de Harrison que abre o Lado B, onde este teria composto alguns trechos da letra na casa do amigo Klaus Voormann (Autor da capa do Revolver e depois baixista da banda Plastic Ono Band). Foi gravada em apenas 1 take e tem vários instrumentos como violinos, violoncelo, etc. Participam também amigos indianos de George. E sem duvida é o top dentro do que ele conseguiria atingir com sua intenção oriental. Sem duvida há outras seguindo a linha indiana muito boas, mas esta consegue supera-las em termos de inspiração e ousadia, já que aparentemente parece não se encaixar muito dentro da temática do álbum, mas derepente a intenção era essa mesma. Alguns boatos dão notas de que Harrison teve muitas idéia negadas e por causa disso acabou lançando algumas delas no disco "Wonderwall Music" de 68 que inclusive é o primeiro disco solo de um Beatle, sendo que o detalhe é que o mesmo não canta. Apenas é um disco experimental, com abordagens de sons de estúdio, pesquisas de timbres e idéias sonoras estranhas.

_ When I'm Sixty-Four, inspirada no aniversario de seu pai naquele ano, James McCartney, Paul escreveria esta como um presente para ele que também era um compositor amador de musicas estilo Big Bands dos anos 20, sendo que o mesmo chegou a tocar em uma delas por sinal. Ha ótimas clarinetas e Paul toca baixo e piano. Uma das partes mais geniais é quando eles cantam na parte "We shall scrimb and save" e vocalizam iguais aos acordes da guitarra. Nessa época entrevistaram o pai de Paul e ele disse que a maior alegria da vida dele foi quando Paul chegou em casa e lhe disse que a partir daquele momento ele não precisaria mais trabalhar !

_ Lovely Rita, Paul fez esta para as "meter maids" que vem de parquimetro (moças que controlam o estacionamento dos carros e os multam nos EUA). Uma canção ao estilo de "Got to get to into my life" do álbum anterior e tem efeitos como friccionar pentes nos papeis para fazer "cha cha cha". Há também violões de John e Harrison.

_ Good Morning, Good Morning, Inspirada num comercial de flocos de milho, John fez algo simples se tornar numa coisa grandiosa. Com ajuda de integrantes do grupo The Sound Incorporated alem da participação efetiva da banda, tinham a idéia de produzir um som campestre ou de fazenda com diversos tipos de animais. Coisa inspirada nos Beach Boys, "vide a capa de Pet Sounds". No final ha uma fulminante explosão no melhor estilo "vamos acordar !!", com animais relinchando, uivando, etc.

_ Sgt Pepper's (Reprise), com andamento mais acelerado e sem os metais da abertura, essa versão foi uma sacada inteligente de Martin que o grupo aprovou. Inclusive Paul usa muito essa musica para encerrar seus shows junto com "Golden Slumbers" e "The End" ambas do Abbey Road. Saiu no 9º take com os integrantes tocando seus instrumentos de costume . A faixa soa como se o cocoricó do galo indica-se que agora poderíamos acordar já que o sonho em forma de show ou "em forma de disco" estava chegando ao seu fim. Mas o publico do Sargento Pimenta ainda tinha direito a um bis.


_ A Day In The Life, A exemplo de "Tomorrow never knows" , ultima faixa de Revolver, Lennon novamente cria outra perola que foge as regras musicais convencionais da época para uma banda de rock, criando uma faixa que se assemelha a uma paisagem lisérgica incrível. Ha quem diga que ela foi na verdade uma união de duas canções como "Baby you´re rich man" do Magical Mistery Tour, o que é bem possível diante de partes tão diferentes como a que quando Paul canta no meio. Mas quando ouvimos canções como esta se nota claramente que Lennon era mesmo o Beatle mais ousado artisticamente. Não é de se espantar já que ele cursou pintura e estudou bem visualização enquanto que Paul fez Literatura e associar canções com imagens ou ouvir canções e imaginar uma imagem é um dom genial que só compositores como Lennon seria capaz. E nesse caso Lennon leu uma noticia de Jornal e se inspirou para que escrever a letra. Pegou seu violão e como costumava fazer memorizou a melodia principal para apenas criar uma idéia do que ia ser trabalhado. Chegando no estúdio fez 4 takes sozinho. No dia seguinte mais 3 take agora com o acréscimo da parte de Paul, mas a canção estava ainda muito mal finalizada. E prova disso pode-se ouvir no álbum Antology II onde aparentemente eles trabalhavam com trechos que necessitava de recursos agora mais técnicos, o que exigiu bem de George Martin, fazendo com que esta canção se tornasse a mais trabalhosa de todas. O enriquecimento da canção coube a Paul que teve a idéia de inserir orquestra para resolver o problema do arranjo fazendo com que subisse a escala cromática no meio da musica progressivamente até chegar no clímax onde entraria a parte dele. A Idea foi passada a Martin que apenas explicou tecnicamente a orquestra e assim nem foi preciso partitura.

Outros dados sobre a faixa:

- Segundo vem se falando desde que saiu o disco, se voce ouvir a canção ao contrario, vai sair mensagens que para humanos não tem nada demais, mas para os cães sim. Algo como aquele apito que chama os cães, mas na verdade nós não ouvimos por que eles tem audição mais aguçada.
_ Como fizeram com "Lucy...", alguém achou que a faixa ligava algo as drogas na parte que diz: "Eu gostaria de ligar" sendo que aquilo não passava de uma gíria inglesa. Por essas e outras foi proibida de tocar em rádios na época junto com "Lucy..".


DEPOIS:

_ Depois do seu lançamento o álbum estorou rapidamente na paradas mundiais ficando por muito tempo em numero 1, e a banda ganhou 2 prêmios Grammy Awards como melhor disco do ano e melhor disco pop rock contemporâneo calando de vez críticos, radialistas e pessoas que tinham pensamentos pessimistas a respeito do futuro do grupo. E muita coisa mudou a partir dele, como por exemplo, o fato de que roqueiros eram sempre vistos como jovens imaturos e sem muito aspecto de inteligência perto de Jazzistas, por exemplo. O álbum foi desbravador nesse sentido, pois só o fato da mudança de visual do grupo vinha mostrar que eles queria evoluir com o rock´n roll, e assim, grandes artistas de diversas áreas, políticos renomados, cientistas, professores, etc poderiam dizer a partir daquele momento, sem medo de passar vergonha, de que gostavam de rock. E tudo isso graças à banda que ajudou a elevar um estilo aparentemente adolescente a um nível mais elevado atingindo varias categorias. Sendo assim a maioria até se conformou de a banda se dedicar mais aos estúdios que os palcos. Outro dado interessante é que em 1987 devido ao aniversario de 20 anos do disco, e um documentário exibido na Inglaterra o disco voltou às paradas ficando na posição 141 da billboard .

Outro acontecimento relevante é que a alem de toda a critica especializada aceitar e falar que o álbum era mesmo um feito grandioso e insuperável, Brian Wilson dos Beach Boys, única banda que rivalizava de frente com os Beatles entrou em depressão e nunca mais conseguiu produzir trabalhos à altura do que vinha fazendo. Era o auge da criatividade dos Beatles e um início de uma fase madura que culminaria na diferenças pessoais de seus integrantes. Paul chegou a dizer que o disco o marcou por ser o momento em que estavam mais unidos do que nunca. Os problemas pessoais que acabaram levando o fim da banda só começou mesmo depois disso, quando o empresário Brian Epsten morre enquanto eles estão na Índia compondo o material que seria o conhecido álbum Branco, mesmo momento em que John se envolve cada vez mais com uma japonesa. Mas isso é outra história.