George Harrison - Guitarra, Citara, Efeitos sonoros, Tamborim e vocal. John Lennon - Órgão, Violão, Guitarra base, Horn, vocais. Paul McCartney - Guitarra, violão, Baixo, vocais. Ringo Starr - Bateria, Tamborim, vocais. George Martin - Orgão, Piano, Backing-vocal, produção. Neil Aspinall - Backing-vocal. Anvil Bhagwat - Tabla. Alan Branscombe - Sax (Tenor). Alan Civil - Horn. Peter Coe - Sax (Tenor). Les Conlon - Trompete. Geoff Emerick - Backing-vocal, Assistente. Mal Evans - Backing-vocal. Tony Gilbert - Violino. Ian Hammer - Trompete. Patti Harrison - Backing-vocal. Jurgen Hess - Violino. Norman Jones - Cello. Sidney Sax - Violino. John Sharpe - Violino. Stephen Shingles - Viola. Derrick Simpson - Cello. Eddie "Tan Tan" Thornton - Trompete. John Underwood - Viola.


Faixas:

1. Taxman (Harrison) - 2:39
2. Eleanor Rigby (Lennon/McCartney) - 2:07
3. I'm Only Sleeping (Lennon/McCartney) - 3:01
4. Love You To (Harrison) - 3:01
5. Here, There and Everywhere (Lennon/McCartney) - 2:25
6. Yellow Submarine (Lennon/McCartney) - 2:40
7. She Said, She Said (Lennon/McCartney) - 2:37
8. Good Day Sunshine (Lennon/McCartney) - 2:09
9. And Your Bird Can Sing (Lennon/McCartney) - 2:01
10.For No One (Lennon/McCartney) - 2:01
11.Doctor Robert (Lennon/McCartney) - 2:15
12.I Want to Tell You (Harrison) - 2:29
13.Got to Get You into My Life (Lennon/McCartney) - 2:30 ]
14.Tomorrow Never Knows (Lennon/McCartney) - 2:57


The Beatles - Revolver (1966)

Por Cavalo Alado


“Um dos álbuns mais importantes de toda história da musica”, é o que se pensa quando se lembra deste disco clássico dos Beatles. Costuma-se se dizer que “Revolver” veio para tapar os buracos no meio do caminho, já que era preciso mudanças urgentes no rock. Nesse trabalho os Beatles começaram a explorar novos territórios sonoros, letras subjetivas e um novo estilo de composição, e o resultado, foram uma ousadia sonora que, até então, nenhuma outra banda que estava no topo do pop, ousou ou pensaria em ousar fazer. A dupla Lennon e McCartney, acabou cedendo um pouco mais de espaço para seu colega, Harrison , onde este teve sua liberdade pessoal para gravar 03 canções e assim equilibrar um pouco mais as coisas. E isso foi o diferencial necessário para que este incluísse canções maduras, com influencia da musica indiana. Na verdade já notamos algumas diferenças timidamente no álbum anterior “Rubber Soul” com influencias de Bob Dylan nas letras compostas por Lennon, fora a inovação de pela primeira vez se ouvir uma citara indiana no rock, na musica “Nowergian Wood”. Em seguida, Brian Jones faria o mesmo nos Rolling Stones em “Paint it Black”. Porem, em Revolver, a coisa foi muito mais alem do que qualquer critico musical da época pude-se supor. Revolver foi feito num momento onde os Beatles, cansados das intermináveis e estressantes turnês, estavam quase dando um basta definitivo dos shows, já que havia mil e um problemas acorrendo, como não ouvir o próprio retorno do som no palco devido aos equipamentos precários da época e os gritos da multidão enlouquecida, fora o fato de que já eram milionários os suficientes só com as vendas dos discos, foi assim que foi se encerrando um ciclo de apresentações ao vivo que acabou fazendo com que se focalizassem mais em experimentos e pesquisas se sons no estúdio.

As seções de “Revolver” foram marcadas pela inclusão de elementos nada comum para os padrões da época, como usar instrumentos orquestrais em canais paralelos as guitarras, alem de metais, guitarras tocadas ao contrario, distorção nos vocais e bastante reverb nos solos, alem de recortes de fitas, colagem de estúdio entre outros feitos. Tudo isso usando uma imaginação criativa quase beirando a genialidade. E não é nenhum exagero dizer que esse disco tem aspectos geniais já que grandes músicos, produtores e especialistas na área musical moderna não titubeiam em dizer que só mesmo, uma banda que tinha um cérebro inquieto e inesgotável de idéias como Lennon, uma mente musical apurada, detalhista e criativa como McCartney, um gênio discreto mais aberto para diversas influencia como Harrison e um musico tecnicamente modesto, mais rico em senso de humor e vontade musical como Ringo e claro, um maestro e produtor que sabiam tirar deles melhor do que ninguém, que era George Martin, seriam capazes de elaborar um trabalho surpreendente, desbravador e único.

É claro que ao longo dos anos, Revolver ficou sendo mais respeitado e não ficou a sombra de outros discos deles. Ao invés de ser apenas conhecido como um antecessor do clássico psicodélico Stg. Peppers, ele ganhou uma notoriedade que o fez se tornar uma peça chave para se entender o inconformismo com um estilo de rock que já estava se esgotando de possibilidades. É claro que Revolver não surgiu como do nada, ele veio com aspectos ligados ao do disco anterior, mas também tinha um o fato de que em 66, a banda americana Beach Boys, lançava seu melhor álbum “Pet sounds” e estes sim eram considerados rivais para os Beatles em termos de vendas e qualidade dos seus trabalhos. Seu álbum tinha sonoridades orquestrais e um trabalho privilegiando os vocais e isso estimulou os Beatles a fazerem o mesmo, porem, a forte personalidade do grupo não fez com que soassem como uma cópia de nenhum outro grupo, como aconteceu com os Rolling Stones em alguns momentos, no seu “Between the Buttons” e mais adiante, na sua quase-cópia de Sgt. Peppers, o disco “ Their Satanic Majesties Request”.

As gravações começaram em 6 de abril de 1966, e enquanto estavam trabalhando no processo de arranjos dos takes que iriam ser lapidados, lançaram duas musicas inéditas no mercado que era o compacto, "Paperback Writer /Rain". Em um dos dias de gravação, Lennon convidou Mick Jagger para visita-los e este esteve no estudio apenas acompanhando, algum tempo depois Lennon diria que os Stones copiavam tudo dos Beatles 4 meses depois, o que criou para o publico algo ligado a uma rivalidade entre as bandas que na verdade não havia. Depois de 4 meses, o disco estava pronto, junto com o compacto "Eleanor Rigby/ Yellow Submarine". O Album no inicio chamou também muita atenção pela arte da capa psicodélica de Klaus Voormann com fotos de Robert Whitaker. Em menos de uma semana, o disco e o compacto já estavam em 1º lugar, e simultâneos a isso, no começo de agosto de 66, eles fariam seu ultimo show no Candlestick Park de Chicago. Daí para diante, só se dedicariam as musicas superelaboradas que normalmente não se podia gravar apenas com os instrumentos básico de costumes. Inclusive, em Revolver ficava mais evidente que as parcerias já quase não havia. Os integrantes vinham com as musicas prontas em estúdio e depois a banda trabalhava os arranjos juntos com um palpitando aqui e ali. Normalmente quem cantava a canção era o compositor dela, com raras exceções.

Taxman, o disco abre com essa composição de Harrison, que é um rock cadenciado e envolvente, onde no backing-vocal de George e John, eles fazem meio que uma brincadeira com o tema de abertura de um seriado de sucesso da época, dos heróis “Batman e Robin”. Curiosamente o solo de guitarra é de Paul, já que George achou que as caídas de notas lembrava algo de indiano e assim preferiu não fazer outro.

Eleanor Rigby, é um dos maiores clássicos de todos os tempos ao lado de outra musica do quarteto de Liverpool, Yesterday composta por McCartney. Uma musica feita intencionalmente para soar melancólica já que Paul queria compor algo sobre solidão e tristeza. Paul pensou em um nome e lhe veio a cabeça uma atriz que participou do filme “Help”, e usou apenas seu primeiro nome para descrever uma narração. Há um quarteto de cordas e só Paul participa dessa gravação.

I'm Only Sleeping, cantada por Lennon, é uma linda balada acústica com alguns solos de guitarra gravados ao contrario o que dá um clima meio oriental. George teria registrado o solo num take a parte e sem querer, na hora do operador de som voltar a fita, John e George pediu para que ele fizesse aquilo novamente, e assim incluíram desta maneira. Outra história por traz dessa musica é que seria no fato de que Paul acordava John sempre por volta do meio dia, o que teria inspirado alguns versos.

Love You To, aqui a influencia do mestre indiano Ravi Shankar sobre Harrison atinge seus limites, onde há somente Harrison tocando citara indiana e um tocador de Tabla chamado Anil Bhagwat. Talvez essa tinha sido sem duvida a maior ousadia de George em gravações até aquele momento, feito esse que ainda seria repetido em outras gravações da banda posteriormente.

Here, There and Everywhere, balada suave de Paul que equilibra um possível estranhamento de excessos de experimentalismo para a época. É sem sombra de duvida uma das melhores canções produzida pela banda e sempre relembrada até hoje. Há um arranjo sofisticado alem de um cuidado com o timbre, alem de uma excelente cadencia harmônica que envolve sua rica sonoridade.

Yellow Submarine, Narra uma história de um marinheiro e seu submarino amarelo, bem ao estilo infantil, e se tornou uma das musicas mais simpáticas do grupo por isso. Alem de ser um presente para Ringo, foi a musica mais promovida comercialmente e tema de um desenho animado na época, onde as vozes dos Beatles não são feitas pelos mesmos (!). Mas ainda assim agradou muitos fãs e teve sua trilha sonora em disco alguns anos depois com o lado B só com musicas incidentais de George Martin.

She Said, She Said, Ótima canção, uma balada suave e tranqüila e que foi inspirada em uma história passada com o ator Peter Fonda, por essa razão o titulo original seria “He Said, he Said”. John se inspirou para escrever depois do ocorrido, quando ele e George estavam numa festa com Fonda e ambos resolveram tomar ácidos, e Fonda disse algo como “Eu Sei o que é estar morto” e daí saiu a letra. John se irritou com Fonda, mas não se sabe ao certo se ele descreve mesmo sobre o LSD na letra quando diz: “'Cause you're making me feel like I've never been born”.

Good Day Sunshine, Uma canção com breves citações de musicas dos anos 30 e solo de piano onde Paul mantem sua assinatura pop mas com requintes de sofisticação onde segundo consta, seria uma homenagem dele a outra canção de uma banda chamada Lovin' Spoonful, "Daydream".

And Your Bird Can Sing, Esta musica tem um solo de guitarra dobrado que é sensacional, alem de uma condução de harmonia muito boa. É um dos momentos pop mais interessante do álbum. Ainda assim, quando John mostrou a imprensa quem escreveu o que na banda, ele disse que a maior parte era dele, mas que era horrível. Já Paul acha o contrario.

For No One, Outra pérola da banda composta por Paul, que é uma balada melancólica hipnotizante. Para esta musica, estiveram em estúdio somente ele, tocando cravo, baixo e piano, Ringo na percussão, e Alan Civil que fez aquele famoso solo de trompa.

Doctor Robert, Essa musica inspirada num médico de Nova York chamado Robert Freyman que na época estava nas manchetes por medicar aos famosos e ricos injeções de Anfetaminas, é um rock com riffs básicos, com breves momentos lentos, e seria um dos ultimos rock na linha de Chuck Berry que Lennon faria no fim da primeira fase da banda.

I Want to Tell You, Outra bela musica de George só que desta vez sem abordagem oriental. Inclusive ela seria tocada em turnês solo do mesmo. Não chega a ser um grande destaque com relação as outras perolas do álbum, mas não deixa tambem de ser menos clássica que as outras por isso.

Got to Get You into My Life, Com arranjos de metais e um volume de energia contagiante essa musica teria sido composta por Paul enquanto estava de férias na Suíça e apesar de na época ninguém desconfiar disso, muitos anos depois Paul diria em uma entrevista que essa musica fala dos “benefícios” da maconha, como relaxante, e tranqüilizante melhor até que bebida. No ano em que morreu, Lennon disse que essa era uma das melhores de Paul.

Tomorrow Never Knows, pode-se dizer que esta é uma das maiores viagens psicodélicas já registrada, tamanha ousadia para a época. A inclusão de uma espécie de mantra em que a sua letra fala sobre desligar a mente é uma alusão direta aos alucinógenos e sensações ligadas ao acido. O resultado da faixa foi parceria de Lennon que escreveu a letra e idealizou quase totalmente, e do assistente de produção Geoff Emerick que microfonou os instrumentos e conseguiu tirar um efeito interessante da voz de John através de uma façanha com um amplificador, alem de colocar os loops gravados por Paul. A letra teria saído do Livro dos Mortos tibetano que Lennon estava lendo. John depois diria que ela era a sua canção psicodélica. O curioso é que todos pensavam que Lucy in the sky... Seria sobre LSD, por causa da sigla, quando na verdade essa sim era sobre o assunto e ninguém perceberia. Só mesmo gênios seriam capazes de tal façanha.