Inglaterra, 2006.


Credits:
David Gilmour - Guitars, Vocals
Zbigniew Preisner - Orchastration
Crosby And Nash - Vocals
Robert Wyatt - Cornet
Caroline Dale - Cello
Alasdair Molloy - Glass Harmonica
Richard Wright - Hammond Organ 


Track List:
01. Castellorizon
02. On An Island
03. The Blue
04. Take a Breath
05. Red Sky at Night
06. This Heaven
07. Then I Close My Eyes
08. Smile
09. A Pocketful Of Stones
10. Where We Start


David Gilmour

On An Island

 
Dados da resenha:
Autor: Bruno (B.Nunes Playmobil Cafetao); recebida em: 27/04/2006.
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2006.

Mesmo sendo um entusiasta da descrição discográfica dos conjuntos, nunca me dei ao trabalho de fazer um resenha propriamente dita. Mas penso estar no momento oportuno de fazê-la. Obviamente, expressarei minha opinião no que absorvi do disco, levando em consideração o menos possível de meu gosto pessoal e minhas opiniões sobre Gilmour e o Floyd.

Vejamos então:

A primeira faixa é apenas uma introdução onde o Senhor Gilmour sola algumas notas sobre uma orquestra. A união de guitarra e orquestra sempre me pareceu coesa, mas já nesta faixa percebe-se o quão deslocada foi a composição deste disco. A orquestra é monótona, não possui matizes sonoras, não preenche o espaço que lhe cabe. A guitarra soa pretensiosa, insistindo ser capaz de mostrar-se sentimental sob harmonia pobre e clichê.

On An Island, a faixa título, tenta a todo custo trazer a tona os trabalhos do Floyd, mas frustra-se ao pretender expressar o que não é de competência do compositor. Novamente percebo um amontoado de clichês, uma orquestra linear, reta, sem sofisticação qualquer. Os vocais são exageradamente dobrados , dando a impressão de que a gravação dos mesmos foi tecnicamente prejudicada por Gilmour, ao tentar cantar aquilo que não consegue. Como faixa título, penso que deveria ter sido mais bem acabada.

A terceira faixa, The Blue, novamente abusa das dobras vocais e de melodias macambúzias, tristes e revoltantes para quem esperava inspiração latente. Por vezes jura-se que a música vai parar ou vão desligar o marcapasso do Gilmour, pois a música não transmite o sentimento apregoado pela letra e muito menos é interessante melodicamente ou bem construída. O solo é clichê e há um uso excessivo de efeitos e artifícios técnicos para que o mesmo dure, dure, dure... 5 vezes mais do que era necessário.

Take A Breath é a tão proclamada masterpiece do disco. Mas lamento desapontar os fãs, pois aqui há o uso no mínimo anti-ético da construção harmônica de Kashmir do Led Zeppelin. Infelizmente a criatividade já decadente das faixas anteriores culmina na utilização excessiva de elementos que remetem a outro grupo. Até o som de bateria é parecido com Kashmir, diferente do resto do disco. A orquestra novamente segue reta, pedante e precária, limitada a executar uma base simples que seria perfeitamente adequada a outra guitarra ou teclado. No solo, Gilmour usa artifícios que eram constantes no Floyd, como o Fade de Volumes. São varios instrumentos nesta música, todos cuidadosamente incluídos para que não distanciassem muito de Kashmir. Não gostei.

Red The Sky At Night foi composta sobrescrevendo os rascunhos de Shine On Your Crazy Diamond. A mesma harmonia claustrofóbica, os teclados em crescendo, a melodia tensa. Foi de longe a música que mais me agradou no disco inteiro, realmente belíssimo uso de Sax e de teclados. Coincidência ou não, Gilmour não canta e não toca nessa faixa.

A 6ª Faixa, This Heaven é um Blues safado com orquestrações e solos que tentam a todo custo cativar o ouvinte. Os vocais são afetados, o som de bateria é altíssimo, encobrindo um largo espectro instrumental. A orquestra novamente segue linear, sem conseguir preencher o que lhe cabe. Em suma, a pior faixa do disco. Realmente, compor um Blues que não faça o ouvinte ter SEQUER vontade de bater os pés é uma vergonha. A música destoa do restante da obra, depõe contra a falta de unidade e não colabora com nenhuma pretensão criativa inovadora.

Then I Close My Eyes é mais uma faixa instrumental, mas diferente da bela Red Sky At Night, é um amontoado de clichês e sobreposições instrumentais preguiçosas. Aqui a hipótese configura-se como certeza: A composição e a feitura deste álbum deve ter sido fruto de muita insistência, pois não há vestígio algum de que Gilmour compôs o disco naturalmente. Soa forçado, acomodado. Não gostei dessa faixa.

A 8ª Faixa, Smile é uma levada ao violão que muito lembra as obras setentistas e oitentistas de Tom Waits. Apesar de momentos onde o crescendo instrumental e os pequenos solos de violão mostram-se pouco inspirados, a faixa é agradável. Se o disco fosse todo nesta linha, pelo menos serviria de música ambiente ou trilha sonora para um whisky solitário num boteco sujo no fim da noite. Obviamente, como no resto da obra, a letra não condiz com o que interpretei da musicalidade da obra.

A Pocketful Of Stones , como penúltima faixa, anuncia que o martírio há de terminar. Basicamente uma música composta ao piano e que perece querer embasar-se em uma versatilidade vocal não presente. A orquestra aqui limita-se tanto, que a certeza da utilização mediana de sintetizadores se concretiza. Acrescento que sintetizadores são ferramentas utilizadas para os músicos para expor suas criações; portanto, a pobreza das orquestrações não é culpa dos mesmos. O solo final de guitarra tenta novamente comover o ouvinte. Infelizmente, outra tentativa em vão, principalmente quando tentou explorar uma versatilidade vocal que Gilmour definitivamente NÃO TEM.

A derradeira faixa, Where We Start é a harmonicamente típica composição de Gilmour, a guitarra não é excessiva, as vozes não intentam peraltices incompatíveis com as possibilidades e a musicalidade baseia-se em melodia oscilante que agrada. Nesta faixa, o solo de guitarra parece não ter sido composto com pretensões tão grandes de emocionar ou evocar lágrimas, mas apenas como um adendo à música. Sendo assim, o disco termina com uma boa faixa, que não decepciona, apesar de não trazer nenhuma novidade.

Ouvi o disco várias e várias vezes até concluir minhas análises e realmente fiquei decepcionado, transtornado com a construção desse disco. Não imagino como alguém pode compor uma obra e mostrar no decorrer dela que o processo não foi nada agradável ou satisfatório. E é assim que o ouvinte também se sente ao terminar de ouvir o disco: INSATISFEITO. A utilização de orquestrações é das mais pedantes que já ouvi. Nunca uma música orquestrada pode ser construída sobre tamanha linearidade, sob pena de finalizar peças de gosto altamente duvidoso.

O Sr. Gilmour deveria ouvir os discos do Uli Jon Roth para entender como juntar orquestras a guitarra; e também ouvir novamente as obras do Floyd, principalmente até o The Wall, e quem sabe atinar que não é necessário se repetir para compor com qualidade e nem é necessário dar grandes passos para ser criativo, basta ter BOM GOSTO!

Abraços,

Bruno.