
Inglaterra, 2006.
Credits:
David Gilmour
- Guitars, Vocals
Zbigniew Preisner - Orchastration
Crosby And Nash - Vocals
Robert Wyatt - Cornet
Caroline Dale - Cello
Alasdair Molloy - Glass Harmonica
Richard Wright - Hammond Organ
Track List:
01.
Castellorizon
02. On An Island
03. The Blue
04. Take a Breath
05. Red Sky at Night
06. This Heaven
07. Then I Close My Eyes
08. Smile
09. A Pocketful Of Stones
10. Where We Start
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David Gilmour
On An Island
Dados da resenha:
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2006.
Mesmo sendo um entusiasta da descrição
discográfica dos conjuntos, nunca me dei ao
trabalho de fazer um resenha propriamente dita.
Mas penso estar no momento oportuno de fazê-la.
Obviamente, expressarei minha opinião no que
absorvi do disco, levando em consideração o
menos possível de meu gosto pessoal e minhas
opiniões sobre Gilmour e o Floyd.
Vejamos então:
A primeira faixa é apenas uma introdução onde o
Senhor Gilmour sola algumas notas sobre uma
orquestra. A união de guitarra e orquestra
sempre me pareceu coesa, mas já nesta faixa
percebe-se o quão deslocada foi a composição
deste disco. A orquestra é monótona, não possui
matizes sonoras, não preenche o espaço que lhe
cabe. A guitarra soa pretensiosa, insistindo ser
capaz de mostrar-se sentimental sob harmonia
pobre e clichê.
On An Island,
a faixa título, tenta a todo custo trazer a tona
os trabalhos do Floyd, mas frustra-se ao
pretender expressar o que não é de competência
do compositor. Novamente percebo um amontoado de
clichês, uma orquestra linear, reta, sem
sofisticação qualquer. Os vocais são
exageradamente dobrados , dando a impressão de
que a gravação dos mesmos foi tecnicamente
prejudicada por Gilmour, ao tentar cantar aquilo
que não consegue. Como faixa título, penso que
deveria ter sido mais bem acabada.
A terceira faixa,
The Blue,
novamente abusa das dobras vocais e de melodias
macambúzias, tristes e revoltantes para quem
esperava inspiração latente. Por vezes jura-se
que a música vai parar ou vão desligar o
marcapasso do Gilmour, pois a música não
transmite o sentimento apregoado pela letra e
muito menos é interessante melodicamente ou bem
construída. O solo é clichê e há um uso
excessivo de efeitos e artifícios técnicos para
que o mesmo dure, dure, dure... 5 vezes mais do
que era necessário.
Take A Breath
é a tão proclamada
masterpiece
do disco. Mas lamento desapontar os fãs, pois
aqui há o uso no mínimo anti-ético da construção
harmônica de Kashmir do Led Zeppelin.
Infelizmente a criatividade já decadente das
faixas anteriores culmina na utilização
excessiva de elementos que remetem a outro
grupo. Até o som de bateria é parecido com
Kashmir, diferente do resto do disco. A
orquestra novamente segue reta, pedante e
precária, limitada a executar uma base simples
que seria perfeitamente adequada a outra
guitarra ou teclado. No solo, Gilmour usa
artifícios que eram constantes no Floyd, como o
Fade de Volumes. São varios instrumentos nesta
música, todos cuidadosamente incluídos para que
não distanciassem muito de Kashmir. Não gostei.
Red The Sky At
Night foi composta sobrescrevendo os
rascunhos de Shine On Your Crazy Diamond. A
mesma harmonia claustrofóbica, os teclados em
crescendo, a melodia tensa. Foi de longe a
música que mais me agradou no disco inteiro,
realmente belíssimo uso de Sax e de teclados.
Coincidência ou não, Gilmour não canta e não
toca nessa faixa.
A 6ª Faixa,
This Heaven é um Blues safado com
orquestrações e solos que tentam a todo custo
cativar o ouvinte. Os vocais são afetados, o som
de bateria é altíssimo, encobrindo um largo
espectro instrumental. A orquestra novamente
segue linear, sem conseguir preencher o que lhe
cabe. Em suma, a pior faixa do disco. Realmente,
compor um Blues que não faça o ouvinte ter
SEQUER vontade de bater os pés é uma vergonha. A
música destoa do restante da obra, depõe contra
a falta de unidade e não colabora com nenhuma
pretensão criativa inovadora.
Then I Close
My Eyes é mais uma faixa instrumental,
mas diferente da bela
Red
Sky At Night, é um amontoado de clichês e
sobreposições instrumentais preguiçosas. Aqui a
hipótese configura-se como certeza: A composição
e a feitura deste álbum deve ter sido fruto de
muita insistência, pois não há vestígio algum de
que Gilmour compôs o disco naturalmente. Soa
forçado, acomodado. Não gostei dessa faixa.
A 8ª Faixa,
Smile é uma levada ao violão que muito
lembra as obras setentistas e oitentistas de Tom
Waits. Apesar de momentos onde o crescendo
instrumental e os pequenos solos de violão
mostram-se pouco inspirados, a faixa é
agradável. Se o disco fosse todo nesta linha,
pelo menos serviria de música ambiente ou trilha
sonora para um whisky solitário num boteco sujo
no fim da noite. Obviamente, como no resto da
obra, a letra não condiz com o que interpretei
da musicalidade da obra.
A Pocketful Of
Stones , como penúltima faixa, anuncia
que o martírio há de terminar. Basicamente uma
música composta ao piano e que perece querer
embasar-se em uma versatilidade vocal não
presente. A orquestra aqui limita-se tanto, que
a certeza da utilização mediana de
sintetizadores se concretiza. Acrescento que
sintetizadores são ferramentas utilizadas para
os músicos para expor suas criações; portanto, a
pobreza das orquestrações não é culpa dos
mesmos. O solo final de guitarra tenta novamente
comover o ouvinte. Infelizmente, outra tentativa
em vão, principalmente quando tentou explorar
uma versatilidade vocal que Gilmour
definitivamente NÃO TEM.
A derradeira faixa,
Where We Start
é a harmonicamente típica composição de Gilmour,
a guitarra não é excessiva, as vozes não
intentam peraltices incompatíveis com as
possibilidades e a musicalidade baseia-se em
melodia oscilante que agrada. Nesta faixa, o
solo de guitarra parece não ter sido composto
com pretensões tão grandes de emocionar ou
evocar lágrimas, mas apenas como um adendo à
música. Sendo assim, o disco termina com uma boa
faixa, que não decepciona, apesar de não trazer
nenhuma novidade.
Ouvi o disco várias e várias vezes até concluir
minhas análises e realmente fiquei decepcionado,
transtornado com a construção desse disco. Não
imagino como alguém pode compor uma obra e
mostrar no decorrer dela que o processo não foi
nada agradável ou satisfatório. E é assim que o
ouvinte também se sente ao terminar de ouvir o
disco: INSATISFEITO. A utilização de
orquestrações é das mais pedantes que já ouvi.
Nunca uma música orquestrada pode ser construída
sobre tamanha linearidade, sob pena de finalizar
peças de gosto altamente duvidoso.
O Sr. Gilmour deveria ouvir os discos do Uli Jon
Roth para entender como juntar orquestras a
guitarra; e também ouvir novamente as obras do
Floyd, principalmente até o The Wall, e quem
sabe atinar que não é necessário se repetir para
compor com qualidade e nem é necessário dar
grandes passos para ser criativo, basta ter BOM
GOSTO!
Abraços,
Bruno.
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