Cover

Eslovênia, 1990.


Músicos:
Mr. Doctor?!: Vocal (Homem das mil vozes) Órgão, Piano, Celesta, Acordeom.
Edoardo beato: Piano Teclados.
Roberto Dani: Bateria.
Kátia Giubbilei: Violino
Rick Bosco: Bateria
Albert Dorigo: Guitarra
Bor Zuljan: Guitarra
Jurni Tonil: Tuba
The Devil Chours: Conduzed by: Marian Bunic


Faixas:
01. Mr. Doctor (20:18)
02. Eliogabalus (24:43)


Avaliação: rank4[1].gif 4,5


Devil Doll

Eliogabalus

 
Dados da resenha:
Autor: Gabriel Camargo Rodriguês (Gabriel Schmitt); recebida em: 01/08/2006.
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Seguindo uma evolução natural do debut “The Girl Who Was... Death” (1989), “Eliogabalus” (1990) segue as mesmas características. Porém quem ouviu o primeiro se surpreende com esse por ser um álbum muito ‘light’. O espírito macabro de antes fora substituído por um outro muito mais teatral, e limpo do que antes. Ainda há passagens mais metálicas, assim como no anterior, porém essa se limitam a pequenos momentos nas músicas.

O álbum tem um formato muito conhecido no progressivo, é composto por duas grandes músicas, com mais de 20 minutos cada uma, seria uma por lado do vinil, entretanto são as menores músicas feitas em toda a carreira da banda que só fez músicas que tranquilamente ultrapassam 40 minutos. Eliogabalus é por muitos considerado o melhor álbum da banda, porem eu o considero inferior ao debut, e ao Dies Irae (1996). Porem não pense que isso faz do disco menos essencial. É um álbum diferente de tudo que a banda já fez e faria, na estrutura das músicas, instrumentistas diferentes etc... Pode ser um belo começo para quem não conhece a banda ou uma belíssima curiosidade para os fãs.

A primeira faixa intitulada “Mr. Doctor” é a ‘menor’ música lançada em discos do Devil Doll, contendo ‘apenas’ 20 minutos de duração. É uma das melhores coisas feitas pela banda. É como se sentir em um teatro assistindo a uma peça extremamente rica em cenas barrocas, celestiais e góticas. A música não tem aquelas frescuras de part 1, 2, 3, porém há muita quebra de ritmo e vários temas todos muito bons e coesos. Os vocais como sempre são muito técnicos torturantes, mas LINDOS, não há e nunca haverá melhor conjunto entre música/voz do que o que encontramos nessa banda. Nesta música o vocal de Doctor é simplesmente sensacional. As partes que eu mais destaco são o começo, uma introdução muito bem executada, um belíssimo tema barroco ainda nos primeiros 10 minutos, com violino e belíssima atuação vocal, um tema mais metálico, que conjura ao mesmo tempo vocais death, guitarras pesadas, com violinos e corais (!!!), e o final, um belíssimo desfecho circense apenas com acordeom tocado pelo próprio Mr. Doctor.

A segunda faixa que leva o titulo do Cd “Eliogabalus”, é outro épico, maior com 25 minutos, equivalente, e em alguns momentos melhor a faixa de abertura. A faixa se mostra apenas boa nos primeiros dez minutos, mas ai nos já temos um excelente tema de piano e cello no inicio, uma belíssima progressão de baixo que surge das profundezas lá pelos 5 minutos. Porem é nos últimos 14 minutos que o caldo engrossa (stoned.gif), explodindo por vários temas, hora fúnebres, vanguardistas, circenses, góticos, medievais, folk... Mas uma vez belíssima atuação vocal. Destaque para uma parte intitulada “The Mirror”, que tem seu inicio aos 18 minutos e explode no final da canção. É indescritível a sensação que o coral de varias vozes todas lamentosas recitando repetidamente “The mirror! The mirror! The mirrored life!. O belíssimo dueto de Doctor e Paolo Zizic nesse trecho, rumo a um final com um dos vocais mais impressionantes que eu já vi e uma atmosfera delirante, explodindo em um final com muito tecaldo piano, e uma percussão grave de muita força, com o uso de bumbos. Curiosamente nesse final, os bumbos são IGUAIS aos de Rouages-The Second Rotation, peça essa registrada pelo Univers Zero no álbum Rythmix 12 anos depois.

Life
Is a state
Of mind


É um ótimo disco, faltou pouco para ser o melhor disco da banda, altamente recomendado, se você não os conhece, pode ser um bom começo. Ouça...

Gabriel Schmitt