
EUA, 1978.
Andy West -
baixo, ‘frettless’ baixo
Mark Parrish - teclados, sintetizadores
Rod Morgenstein - bateria, percurssão
Steve Morse - guitarra, violão, guitarra
sintetizada
Allen Sloan - violino elétrico
1. Take It Off The Top (4:07)
2. Odyssey (7:35)
3. What If (5:01)
4. Travel Tunes (4:34)
5. Ice Cakes (4:39)
6. Little Kids (2:03)
7. Gina Lola Breakdown (4:00)
8. Night Meets Light (7:47)
|
Dixie Dregs
What If
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
É certo que o som do
Dixie Dregs sempre teve um predomínio principal
do jazz-rock, mas também com nítidas influências
progressivas e fortes pitadas da música country
de sua terra natal. As músicas, tremendamente
bem executadas e com harmonias altamente
complexas, sempre tiveram inerentes doses
saudáveis de um senso de humor típico do caipira
norte-americano. O fabuloso guitarrista e
‘leprechaun’ Steve Morse, de personalidade
musical carismática e técnica refinadíssima, é
também o mentor da banda e responsável pelo
estilo extremamente pragmático, preciso e
intrincado de todas as composições e arranjos.
Para se tocar as ‘fantásticas’ idéias que surgem
de sua mente, somente um time composto por
músicos de grande talento e versatilidade como
Andy West (velho amigo da academia militar),
Allen Sloan (da philarmônica de Miami), o
criativo Mark Parrish e o excepcional baterista
Rod Morgenstein, poderiam tornar concreto. Vale
lembrar que o embrião da banda chamava-se ‘Dixie
Grits’, formada em Miami e da qual fizeram parte
Morse, West e Parrish.
Como ‘The Great Spectacular’ (75) é considerada
apenas uma demo, ‘What If’ vem a ser o segundo
álbum oficial da banda, posterior ao mais alegre
‘Freefall’ (77). A partir de ‘What If’, o som da
‘Escória do Sul’ (significado do nome da banda
em português) amadureceria, se tornaria mais
entrosado e um pouco mais pesado. A se julgar
pelo estilo de som instrumental e virtuoso, a
presença de violino e as influências no estilo
de Morse (grande fã do venerado guitarrista
inglês John McLaughlin), a banda absorve um
conceito musical semelhante ao da cultuada
Mahavishnu Orchestra, só que com sonoridade
menos dissonante, mais divertida e inclinada
para o southern rock. Todos os trabalhos do
grupo até ‘Unsung Heroes’ (81) são de grande
expressão e importantes aquisições para os fãs
dos áureos tempos do fusion.
Seja na mais imponente ‘Take It Off The Top’,
nas mais progressivas ‘Odyssey’ e ‘Night Meets
Light’, na funkeada ‘Ice Cakes’, na bucólica e
barroca ‘Little Kids’ ou ainda na ótima ‘Travel
Tunes’ (única escrita por West), a qualidade e
perfeccionismo das performances é admirável,
visto inclusive que a tecnologia e recursos de
estúdio da época não possibilitavam ajustes das
notas após a execução (coisa que com os
‘Protools’ de hoje é perfeitamente possível). As
músicas possuem um aspecto ‘solar’ bastante
intrínseco, a palhetada da guitarra de Morse é
rude e veloz, Parrish exibe grande variedade de
timbres de seus teclados e os solos e improvisos
de todos os músicos costumam ser sempre
vibrantes e bem espirituosos. A faixa ‘What If’
(que junto com ‘Ice Cakes’, está presente na
primeira demo do grupo) leva bons toques de jazz
e é a de estilo mais
cool do
disco. E, como não poderia faltar em um trabalho
da banda, o country-boogie ‘Gina Lola Breakdown’
marca aqui a presença desse estilo.
A partir do mais
jazzy
‘Dregs of The Earth’ (80), a banda assinaria
seus trabalhos apenas como ‘The Dregs’. O último
disco antes de um longo período de silêncio
seria ‘Industry Standart’ (82), mais comercial e
que conta com a participação de vocais. Após
integrar o Kansas (lançou dois discos com a
banda), e montar sua
Steve Morse
Band com Dave LaRue e Van Romaine, Morse
só viria a lançar um álbum inédito com o Dixie
Dregs no ano de 1994: o bom ‘Full Circle’, que
conta com a notória participação do
ex-Mahavishnu Jerry Goodman. Também no ano de
94, como sabemos, o guitarrista inicia sua
participação no ‘dinossauro’ do hard-rock Deep
Purple (substituindo a lenda Ritchie Blackmore).
Diga-se de passagem, uma outra banda, bem mais
atual, que segue um caminho bem similar ao do
Dixie Dregs (mas com traços de atonalidade
krimsoniana
e de estilos mais ‘avant’) seria o também
virtuoso (e conterrâneo) Boud Deun, quarteto ao
qual pertence o guitarrista Shawn Pershinger.
|