EUA, 1978.


Andy West - baixo, ‘frettless’ baixo
Mark Parrish - teclados, sintetizadores
Rod Morgenstein - bateria, percurssão
Steve Morse - guitarra, violão, guitarra sintetizada
Allen Sloan - violino elétrico


1. Take It Off The Top (4:07)
2. Odyssey (7:35)
3. What If (5:01)
4. Travel Tunes (4:34)
5. Ice Cakes (4:39)
6. Little Kids (2:03)
7. Gina Lola Breakdown (4:00)
8. Night Meets Light (7:47)


Dixie Dregs   

What If

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital signs); recebida em: 01/04/2005.
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É certo que o som do Dixie Dregs sempre teve um predomínio principal do jazz-rock, mas também com nítidas influências progressivas e fortes pitadas da música country de sua terra natal. As músicas, tremendamente bem executadas e com harmonias altamente complexas, sempre tiveram inerentes doses saudáveis de um senso de humor típico do caipira norte-americano. O fabuloso guitarrista e ‘leprechaun’ Steve Morse, de personalidade musical carismática e técnica refinadíssima, é também o mentor da banda e responsável pelo estilo extremamente pragmático, preciso e intrincado de todas as composições e arranjos. Para se tocar as ‘fantásticas’ idéias que surgem de sua mente, somente um time composto por músicos de grande talento e versatilidade como Andy West (velho amigo da academia militar), Allen Sloan (da philarmônica de Miami), o criativo Mark Parrish e o excepcional baterista Rod Morgenstein, poderiam tornar concreto. Vale lembrar que o embrião da banda chamava-se ‘Dixie Grits’, formada em Miami e da qual fizeram parte Morse, West e Parrish.

Como ‘The Great Spectacular’ (75) é considerada apenas uma demo, ‘What If’ vem a ser o segundo álbum oficial da banda, posterior ao mais alegre ‘Freefall’ (77). A partir de ‘What If’, o som da ‘Escória do Sul’ (significado do nome da banda em português) amadureceria, se tornaria mais entrosado e um pouco mais pesado. A se julgar pelo estilo de som instrumental e virtuoso, a presença de violino e as influências no estilo de Morse (grande fã do venerado guitarrista inglês John McLaughlin), a banda absorve um conceito musical semelhante ao da cultuada Mahavishnu Orchestra, só que com sonoridade menos dissonante, mais divertida e inclinada para o southern rock. Todos os trabalhos do grupo até ‘Unsung Heroes’ (81) são de grande expressão e importantes aquisições para os fãs dos áureos tempos do fusion.

Seja na mais imponente ‘Take It Off The Top’, nas mais progressivas ‘Odyssey’ e ‘Night Meets Light’, na funkeada ‘Ice Cakes’, na bucólica e barroca ‘Little Kids’ ou ainda na ótima ‘Travel Tunes’ (única escrita por West), a qualidade e perfeccionismo das performances é admirável, visto inclusive que a tecnologia e recursos de estúdio da época não possibilitavam ajustes das notas após a execução (coisa que com os ‘Protools’ de hoje é perfeitamente possível). As músicas possuem um aspecto ‘solar’ bastante intrínseco, a palhetada da guitarra de Morse é rude e veloz, Parrish exibe grande variedade de timbres de seus teclados e os solos e improvisos de todos os músicos costumam ser sempre vibrantes e bem espirituosos. A faixa ‘What If’ (que junto com ‘Ice Cakes’, está presente na primeira demo do grupo) leva bons toques de jazz e é a de estilo mais cool do disco. E, como não poderia faltar em um trabalho da banda, o country-boogie ‘Gina Lola Breakdown’ marca aqui a presença desse estilo.

A partir do mais jazzy ‘Dregs of The Earth’ (80), a banda assinaria seus trabalhos apenas como ‘The Dregs’. O último disco antes de um longo período de silêncio seria ‘Industry Standart’ (82), mais comercial e que conta com a participação de vocais. Após integrar o Kansas (lançou dois discos com a banda), e montar sua Steve Morse Band com Dave LaRue e Van Romaine, Morse só viria a lançar um álbum inédito com o Dixie Dregs no ano de 1994: o bom ‘Full Circle’, que conta com a notória participação do ex-Mahavishnu Jerry Goodman. Também no ano de 94, como sabemos, o guitarrista inicia sua participação no ‘dinossauro’ do hard-rock Deep Purple (substituindo a lenda Ritchie Blackmore).

Diga-se de passagem, uma outra banda, bem mais atual, que segue um caminho bem similar ao do Dixie Dregs (mas com traços de atonalidade krimsoniana e de estilos mais ‘avant’) seria o também virtuoso (e conterrâneo) Boud Deun, quarteto ao qual pertence o guitarrista Shawn Pershinger.