
Holanda, 1973.
Banda:
Kristian Pommer:
Guitarra, Órgão, Piano elétrico, Sintetizadores
Lars Bisgaard:
Vocais
Poul Snitker:
Trompete, Flauta, Baixo
Anders Gaardmand:
Sax, Flauta
Lars Rasmussen:
Guitarra, Violino
Vagn Hansen:
Baixo
Niels Christensen:
Bateria
Bent Clausen:
Bateria, Vibrafone
Faixas:
1.
1. Opening "Hello"
2. Essentia I, Sanquine
3. Essentia II, Choleric
4. Essentia III, Melancholic
5. Essentia IV, Phlegmatic
6. Quinta Essentia: Vita
7. Ouverture: Absorbia
8. a) Heart-Theme, Solaria
9. b) Brain-Theme, Lunaria
10. c) Liver-Theme, Jupiter
11. d) Kidney-Theme, Venus
12. VI: The Complete Pentagram
total: 25:04
2.
Samelam-Samelam
4:10
3.
Entree's 3:54
4.
Spring-Theme-Summer-Theme
3:55
5. In The
Morning 2:01
6.
Desserts:Forest-Flower-Picking-Prelude
7:29
|
Dr. Dopojam
Entree
Dados da resenha:
Autor:
Rodrigo
Guabiraba (R.
Guabiraba);
recebida em:
28/07/2005.
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aqui.
Excelente banda
holandesa, formada em 68, liderada por Kristian
Pommer e que lançou apenas dois albums na época,
ambos excelentes.
Altamente influenciados por
Frank Zappa &
the Mothers of Invention,
Gong e
David Allen,
Magma e
até Jethro
Tull, além de elementos de psicodelia, o
Dr. Dopojam consegue criar um progressivo de
vanguarda altamente recomendado para qualquer fã
das bandas e/ou estilos anteriormente citados.
Os arranjos são deveras complexos e a princípio
podem soar incômodos para os ainda não iniciados
no estilo
Zappa de ser e tocar. Os vocais são
cantados em inglês e, por incrível que pareça,
apresentam pouco ou nenhum sotaque. Os destaques
individuais ficam com a liderança de Pommer,
guitarrista versátil e de bom gosto, além do
naipe de metais - muito preciso e melódico,
conseguindo passear pelo free jazz e pela bossa
nova como se fosse algo realmente "comum". O
Baterista Bent Clausen dá um show a parte cada
vez que toca vibrafone, nas dezenas de passagens
complexas que norteiam o album
Entree,
remetendo, obviamente, a fase do
Mothers
com Ruth
Underwood.
Entree
é recheado de ironia e passagens que oscilam do
virtuosismo vanguardista ao bucolismo medieval,
sendo também muitas vezes bizarro, como ainda
será citado. Deliciosos trechos flautísticos
reiteram a mensagem de que a banda quer sim
carimbar o album com um acento jazzístico
contemporâneo. E consegue.
A primeira faixa, bastante extensa, se iniciando
com fragmentos
Zappa-like em escalas e em tempo
complexos e bem marcados, reforçados pelo naipe
de metais grandioso, é bastante divertida, e
agrada imediatamente os fãs do estilo. As
harmonias em tom maior que caem em tons menores
assustadores remetem a Magma, mas os vocais
"performáticos" de Bisgaard (que brinca com
falsetes operísticos, graves e gritos rasgados)
resgatam o ouvinte para o início de cada trecho
da faixa. A primeira metade é dominada pelo
vanguardismo; uma conexão bastante excitante,
com um belo dueto vibrafone e flauta, conecta o
ouvinte com a segunda metade, bastante regular,
com Bisgaard duetando hora com os metais, hora
com a guitarra. A "cozinha", até aqui ainda não
citada, é competentíssima, e o timbre de bateria
e baixo são bastante setentistas, assim como a
qualidade geral da gravação (um viva a
tecnologia analógica!). Trechos operísticos
permeiam os trechos finais da faixa, um ou outro
vocal e percussão latinos são apresentados,
criando um quê
bizarro que dá um charme especial ao
album. Um solo límpido de guitarra sustentado
pelo naipe de metais, e mais vibrafone e
virtuosismo percussivo encerram a faixa com
certa grandiloqüência. Ao final, o flautista
Gaarmand evoca Ian Anderson e sublima.
Destaques, afinal, para os vocais marcantes e
surpreendentes e para a competência do arranjo
geral. Memorável e disparada a melhor do álbum.
Friso aqui ser indispensável as comparações com
outros artistas para uma melhor compreensão do
trabalho.
Samelam-Samelam
é um rock
Zappa-like típico da fase Waka-Jawaka,
onde, pela letra, a banda brinca com o próprio
nome e outras divagações. Soa como
big-band
em muitos trechos, com ótimo trabalho
tecladístico.
Entree's
tem ritmo
funkeado e bastante original, com
percussão latina e humor pastelão. Neste ponto a
banda me surpreende pela originalidade, quando o
arranjo se torna um fusion arrebatador, com belo
solo de sax.
Spring-Theme-Summer-Theme vem logo na
seqüência, com mais um tema típico de Zappa,
onde aqui, desta vez, a vedete é o piano
elétrico bossa novístico bastante
cretino
acompanhado pela bateria 60´s
cool
maravilhosa, onde é impossível ficar parado. Do
piano elétrico super bem colocado ao arranjo
datado mas muito criativo, um jazz-rock
perfeito.
In The Morning
não traz uma mensagem especial, com vocais
dramáticos e arranjos
cinematográficos bobos. Nada realmente
atrativo. Zappa se diferenciava por pegar estas
características e sublimá-las, o que o Dr.
Dopojam, aqui, não consegue.
Desserts:Forest-Flower-Picking-Prelude
fecha o album com primor, abrindo com um arranjo
quase folclórico imendado em um jazz
vanguardista altamente complexo. O compasso é
muito similar aos trabalhos do Zappa no Grand
Wazzo, onde aqui a flauta é o instrumento da
vez, com uma sonoridade impecável. Variações
percussivas a acompanham junto a pequenos
trechos de sax bizarros e altamente envolventes.
Um solo de guitarra bastante virtuoso quebra o
ritmo latinizado durante pelo menos 3 minutos,
em um trecho altamente recomendado, onde é
impossível não lembrar Di Meola e Santana em
alguns de seus melhores momentos. Para variar, o
final Mothers
é anunciado com uma ou outra bizarrice vocal,
realmente "inconveniente".
Para quem gosta de se aventurar por jazz rock de
vanguarda, Dr.
Dopojam é um achado.
Entree,
tanto pela originalidade como pela qualidade de
gravação, merece a audição dos companheiros
interessados em progressivo altamente complexo e
bem-humorado. Nenhum trecho do album passa por
cópia barata de nenhum dos outros artistas
citados e, convenhamos, todas as referências são
também altamente recomendadas.
Dr. Dopojam
bebeu na fonte do
Zappa.
E se embriagou.
Obrigatório.
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