EUA, 1981.


Andy West - baixo, ‘frettless’ baixo
T. Lavitz - piano elétrico e acústico, orgão, sintetizadores, clavinete, saxophone
Rod Morgenstein - bateria, percurssão
Steve Morse - guitarra, violão
Allen Sloan - violino elétrico e acústico


1. Cruise Control (3:36)
2. Divided We Stand (4:58)
3. I'll Just Pick (3:58)
4. Day 444 (7:05)
5. Rock & Roll Park (4:36)
6. Attila The Hun (4:01)
7. Kat Food (5:00)
8. Go For Baroque (3:58)


The Dregs   

Unsung Heroes

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital signs); recebida em: 08/07/2005.
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Quinto álbum oficial da banda (uma vez que ‘The Great Spectacular’, de 75, é considerada apenas uma demo) e último grande trabalho até o lançamento de ‘Full Circle’, em 94. A formação norte-americana, liderada pelo virtuoso e carismático guitarrista Steve Morse, apresenta em ‘Unsung Heroes’ uma sonoridade semelhante à do disco anterior, ‘Dregs of the Earth’ (80), além de contar com o mesmo elenco de músicos deste. T. Lavitz, quarto tecladista a participar da banda (o teclado foi o único instrumento a mudar de componente desde o primeiro disco até aqui), já havia participado do disco anterior e, sem dúvida, possui os mesmos atributos de virtuosismo e versatilidade de Mark Parrish, Steve Davidowski e Frank Josephs.

Ainda há tinturas progressivas neste trabalho, só que mostradas mais timidamente. As composições e arranjos em ‘Unsung Heroes’ continuam complexos e executadas com maestria (o álbum foi indicado na época para o Grammy de melhor performance instrumental de rock), e a sonoridade, mais jazzy e sucinta, é também menos visceral que a dos primeiros trabalhos oficiais: ‘Freefall’, de 77, e ‘What If’, de 78 (quando ainda se chamavam ‘Dixie Dregs’). Mas ainda existe aqui a mesma energia, vibração e senso de humor que é peculiar na maioria das formações do southern rock. A fórmula do som iria desandar bastante no disco posterior, ‘Industry Standard’ (82), tornando-se mais comercial (há vocais inclusive) e seguindo uma linha parecida com a do Kansas dos anos oitenta (banda esta em que Morse viria a participar após o lançamento de ‘Industry Standard’). Também em meados dos anos 80, Steve Morse montaria um trio, a Steve Morse Band, com Dave LaRue (baixo) e Van Romaine (bateria).

Este ainda é um dos discos da banda mais difíceis de se encontrar (pelo que sei, só é possível comprá-lo em edição japonesa). A primeira música de ‘Unsung Heroes’ é a clássica ‘Cruise Control’, que pertence originalmente ao disco ‘Freefall’. Aqui, ela ganha uma regravação mais curta (foram retirados alguns trechos) e menos rústica, mas executada por um The Dregs mais amadurecido e entrosado. O solo de bateria de Morgenstein continua tão furioso quanto na versão original. ‘Divided We Stand’ possui um certo tom marcial, que se introduz através de baixo e bateria. A ingênua ‘I’ll Just Pick’ é um típico country de levada boogie, estilo este que está sempre presente nos discos do grupo. A árida e melancólica ‘Day 444’ começa com uma belíssima introdução de violão de 12 cordas metálicas, executado por Morse: a música, como praticamente toda a obra do grupo, expressa notadamente um típico sentimento sulista norte-americano, das terras desérticas e quentes de cowboys. ‘Rock & Roll Park’, como o próprio nome sugere, possui toques do rock mais tradicional (com direito a um solo de sax de Lavitz) e a heróica e viril ‘Attila de Hun’, é também a mais frenética de todas as faixas. A ótima ‘Kat Food’ põe os músicos à prova, pois talvez seja a música com arranjos mais intrincados e execução mais complexa do disco. E ‘Go for Baroque’ dá aquele toque de erudição barroca que também sempre se encontra nos trabalhos do grupo (com os recursos contrapontísticos que comumente notamos em muitas das músicas do The Dregs).

De uma forma geral, a banda tende a soar como uma espécie de ‘Mahavishnu Orchestra com acento country’, com um maior teor melódico e menor dissonância (apesar de o som ser igualmente enérgico e contagiante). É mais um trabalho impecável sob a batuta de Steve Morse, e que leva as marcas registradas da banda: performances virtuosas, melodias vibrantes, harmonias límpidas e precisas, arranjos elaborados, improvisos radiantes e espirituosos; a guitarra é veloz e vigorosa, são variados os timbres dos versáteis teclados, o violino de Sloan é enfático e em geral alegre, o baixo de West se faz presente e não raro se sobressai dentro do contexto harmônico e, como sempre, a bateria de Rod Morgenstein é enérgica e extraordinária. ‘Unsung Heroes’ é, com toda certeza, um grande trabalho para os amantes do notório fusion estadunidense.

Em 1994 (época do lançamento de ‘Full Circle’), Morse substituiria o lendário Ritchie Blackmore na banda Deep Purple, além de continuar com sua Steve Morse Band na ativa, lançando trabalhos de grande qualidade.