Keith Emerson - teclados, piano acústico e elétrico, sintetizadores. Greg Lake - vocais, guitarra e baixo. Carl Palmer - Baterias e percussão.


Faixas:
1. Tarkus - 20:39
a) Eruption
b) Stones of years
c) Iconoclast
d) Mass
e) Manticore
f) Battlefield
g) Aquatarkus
2. Jeremy Bender - 1:41
3. Bitches crystal - 3:50
4. The only way (Hymn) - 3:47
5. Infinite space (Conclusion) - 3:20
6. A time and a place - 2:55
7. Are ou ready Eddy? - 2:09


Emerson, Lake & Palmer  - Tarkus (1971)

Por Steve Hillage

Depois de estrearem, e bem por sinal, em seu primeiro album "Emerson, Lake & Palmer" (1.970) que aparentava até então ser simplesmente um mero "ensaio", a banda parte para o segundo trabalho que surpreenderia ainda mais o público e crítica quanto ao primeiro e este seria no caso o "Tarkus" que começou a ser elaborado no final de 1.970 e início de 1.971 e lançado na metade deste ano. No Brasil foi lançado e relançado nos anos de 1.975, 1.977, 1.979, 1.983 e 1.991 em vinil e em CD em 1.996 e 1.999, no caso da versão em CD importada foi lançada também em 1.996 numa série em ouro muito luxuosa pela Castle Records.

A formação continuava evidentemente a mesma do primeiro com os integrantes do ELP; Keith Emerson nos teclados, Greg Lake no baixo, guitarra e vocais e Carl Palmer nas baterias e percussão. "Tarkus" simplesmente fez de um teste de conhecimentos ao ELP de seus integrantes fazendo o extremo de novos horizontes e caminhos porque no caso do anterior foi um tanto difícil até acertar aquele trabalho pois era uma coleção de trabalhos "individuais" do que "coletivo" (geralmente os novos ouvintes e os fãs do ELP percebem a grande diferença do primeiro para este segundo em questão de trabalho em conjunto). Ou seja "individuais" devido ao fato de que Keith Emerson tinha recentemente finalizado o "The Nice", Greg Lake havia abandonado o "King Crimson" e Carl Palmer deixado o "Atomic Rooster" (bandas das quais inclusive cada membro foi também fundador).

Considerado pela grande maioria dos fãs do ELP como uma obra-prima, uma "opera-rock" que possui sonoridades que vão desde o próprio rock progressivo, além do jazz, erudito, clássico, marcha, rock n roll, e até sonoridade de velho-oeste; o que demonstra o quanto a banda varia em sua sonoridade e prova que não é exclusivamente uma banda de rock progressivo. Muito dificilmente se encontra alguém que odeia o trabalho em forma de contexto geral e justamente a ousadia e criatividade devem ter feitos com que na época no ano de 1.971 fez com que o trio alcançasse facilmente o primeiro lugar de parada de sucesso no país de origem na Inglaterra e o "Top 10" (nona colocação) nos Estados Unidos. O curioso é que por mais que o sucesso tomou conta do trabalho nos dois extremos do planeta, não foi realizado compacto algum e estavam a frente de bandas como o "Yes", "Genesis" e "King Crimson" e meramente reconhecidos como o "Pink Floyd" ou "Jethro Tull".

Emerson continuava expondo o seu virtuosismo como um músico se dividindo ora ao lado rock e ora ao lado erudito, Lake demonstrava também o seu vocal melodioso e cativante e Palmer parecia ser um músico apesar de ser o mais novo da banda (estava com 20 anos na época) aparentava ter a experiência de percussionistas e bateristas 10 anos mais velhos que este.

Por outro lado divide uma opinião de certa parte dos fãs neste album; alguns preferem uma "metade" de "Tarkus" que possui uma suite que ocupa um lado inteiro de um disco de vinil e outros preferem a outra "metade" que é formado de singelas faixas numa média de 2 e 3 minutos de duração; mas ainda assim, essa outra metade fica até uma tanto perdida porque a sonoridade alcança o extremo de um "inferno" (músicas agressivas) e o "céu" (músicas tranquilas). É um trabalho que uma grande parte dos fãs radicais que adoram ELP acima de tudo não recomendam para ser escutado em primeira instância a menos que seje por uma leviana curiosidade, mas sim ter este album na discoteca do ouvinte obrigatoriamente em sua aquisição.

"Tarkus" inclusive foi inspirado por um nome de uma banda brasileira surgida no final dos anos 90 também de rock progressivo (mas não extremamente sinfônico, como é o caso do ELP que é puramente do gênero das "superbandas") e fundada por Valdir Zamboni (Keith Emerson mesmo tendo Greg Lake como o elaborador das letras, ainda assim mesmo no ELP percebe-se sendo o líder do trio desde a finalização do "The Nice").

Com o contrato pelo selo Atlantic Records, a produção foi feita por um membro da banda, Greg Lake, e com o auxílio de Eddie Offord o mesmo colaborador do "Yes", Yoko Ono, John Lennon (ambos também da banda "The Plastic Ono Band"), Brian Auger e entre outros.

A arte da capa (dupla por sinal) foi feita por William Neal baseado numa estória comovente de um tanque de tatu pré-histórico que se estoura de um orifício vulcânico dentro de um ovo e vai afora num confronto de uma batalha mortal destruindo e assassinando primeiramente um gigantesco gafanhato automatizado e posteriormente um cavalo-pássaro de grosso metal antes que seje preso em um acirrado combate cara-a-cara com um leão contendo um rabo de escorpião. Aqui vai um detalhe muito interessante e enigmático a este respeito sobre esta "batalha" entre o leão e o tatu: no ano de 1.973 quando a banda gravou o album "Brain salad surgery" o ELP criou a Manticore Records (a mesma inclusive que contratou a banda italiana de rock progressivo "Premiata Forneria Marconi" no lançamento do album "Photos of ghosts") e justamente tem a figurinha de um leão com o rabo de um escorpião e fica uma pergunta: será que o ELP estava tendo logo de início problemas no que diz a respeito da Atlantic Records supostamente sendo o tanque tatu, ou seja ter a liberdade de possuir uma gravadora própria com o sucesso do primeiro album e de estréia por sinal ? Somente alguém do trio para responder verdadeiramente a esta questão... o ELP ainda em 1.971 com uma agenda muito atarefada e ocupada se apresentaria para expor "Tarkus" além do que gravariam também um próximo album e ao vivo chamado "Pictures at an exibithion" (1.972), mas ai é outra estória.


"Tarkus" - é a maior faixa do album com mais de 20:30 minutos de duração e evidentemente a maior do trabalho, e na realidade se trata de ser a suite uma das principais composições do trabalho. Na verdade, está dividida em 7 temas e é uma das atrações da banda na grande parte dos shows ao vivo que carregaram durante a sua carreira. Ficou de fora do set-list de shows mais durante a época quando foi lançado os 2 volumes de "Works" (1.977) por apresentar uma orquestra sinfônica e que possivelmente não combinava nem um pouco a colaboração da mesma, não tinha "feeling" ouvir a orquestra com esta faixa, a grande verdade. Em muitas diversas ocasiões o ELP a partir dos anos 90 executava os 3 primeiros temas, mas nem por isso impedia de que uma grande parte do público tivesse desgosto pela banda sobre o feitio; um exemplo está no album "Live at the Royal Albert Hall" (1.993) época inclusive que o ELP tinha deixado durante um intervalo de 12 anos uma saudade enorme aos fãs. Uma excelente versão ao vivo desta faixa pode ser testemunhada no album triplo "Welcome back my friends to the show that never endes ladies and gentlemen" (1.974) onde inclui no tema "Battlefield" uma pequeníssima versão cantada por Lake de "Epitaph" do album "In the court of the Crimson King" (1.969) do "King Crimson", banda fundada por Greg Lake. Já citado anteriomente o único aspecto negativo desta faixa é que uma grande parte de ouvintes não tem paciência de ouvir faixas (suites) com aproximadamente 20 minutos de duração e um outro detalhe é que a música deste lado do disco tem altos momentos de tensão como também seus baixos, como se fosse uma montanha russa que sobe e desce. Justamente que a outra metade do album ajuda e muito para a apreciação destes tipos de ouvintes e mesmo assim os mesmos ouvintes também dividem-se suas opiniões porque tem vários estilos diversificados. No mesmo ano em 1.971, o "King Crimson" também estava vivenciando sua experiência do tipo no album "Lizard" com a faixa-título e até mesmo o Van Der Graaf Generator em sua sonoridade de "A plague of lighthouse keepers" em "Pawn hearts" e pelo menos o ELP se garantiu em fazer sua música que ocupasse um lado inteiro de um disco, mas futuramente o tempo que diria porque viria no próximo album em "Pictures at an exibithion" (1.972) e a suite neste caso já empregava praticamente os dois lados de um disco, assim como outro exemplo também em "Brian salad surgery" na faixa "Karn Evil 9" de qualquer maneira pelo visto o trio se garantiu manifestando-se com a longa suite sem imaginar o que estariam pra oferecer aos fãs. A suite inclusive se baseia nas idéias das ilustrações feitas por Willian Neal a respeito do tanque tatu. Muitíssimo bem arranjada estruturalmente e composta praticamente por Emerson com a colaboração de Lake nas letras, se alterna em 4 partes instrumentais ("Eruption", "Iconoclast", "Manticore", e "Aquatarkus") com as 3 restantes cantadas por Lake ("Stones of years", "Mass" e "Battlefield") não possuindo um enredo definitivo e sem lógica tendo até algumas espertas e inteligentes passagens que se baseiam no tema principal de abertura da faixa, mas o mais importante é que Emerson já demonstrava aqui a sua forma de compor a música. Talvez a idéia de "Tarkus" foi pensada de que era um trabalho contra as guerras humanas, ou uma "censura" contra a tecnologia de como caminha a humanidade e afasta ao mesmo tempo os seres humanos uns dos outros ou a hipótese de que mesmo a humanidade naquele ano da gravação se avançava com a máquina num tempo que a sociedade ainda era da idade da "pedra", daí alguns motivos que as ilustrações passam de animais em forma de máquinas aterrorizando um planeta. Mas agora imagine você num ano de 1.971 onde o rock progressivo estava tendo o seu crescimento e num bailinho de colégio colocar esta faixa inteira onde se subentende-se que seriam feitas as mais possíveis possibilidades de dança; provavelmente o público acostumado com o rock ficaria completamente perdido em como dançar algo como esta música e quem já conhecesse possivelmente iria rachar de dar tanta risada até morrer de ver a reação deste público de como iriam protagonizar os primeiros passos de dança nos primeiros minutos (como no tema de abertura "Eruption"). A faixa é verdadeiramente acústica em todos os sentidos, mesmo no tema instrumental "Iconoclast" que induz ser algo feito "eletronicamente". O tema de abertura que inicia a apresentação do trio a) "Eruption, começa num clima de muita expectativa criando um ambiente muito tenso que segura o ouvinte até o desenrolar da mesma com os teclados de Emerson que vão surgindo num volume baixo e vão ficando crescentes a medida que o volume vai também se aumentando quando entra junto Lake e Palmer e este também tornam a faixa relativamente crescente com o uso de sintetizadores de Emerson e só nestes primeiros instantes iniciais já são até suficientes e implacáveis de um considerável peso, isto porque os 3 integrantes estão muito bem sincronizados quando partem para a tranquilidade e calmaria do tema b) "Stone of years" que agora recebe o vocal de Greg Lake de uma forma muito carismática, doce e romântica inclusive chegando a emocionar e empolgar durante a medida que vão sendo executadas as suas palavras o que faz com que o ouvinte preste mais atenção em Lake do que Emerson em seus teclados em seus dois refrões exceto na parte solo instrumental que tem Emerson solando seu sintetizador ficando ao poucos de uma forma crescente a sua melodia instrumental do solo e quando o trio finaliza o segundo refrão com o trio sendo coordenado por Lake; observe que também é um dos momentos agradáveis relembrando algo do que foi em "Lucky man" executado no album anterior de estréia, trata-se em outras palavras sendo a "balada" da suite "Tarkus". Repentinamente a banda vai para a terceira parte da faixa título em c) "Iconoclast" que a sonoridade se trata de ser puramente acústica por mais incrível que parece e não eletrônica, mesmo de uma maneira aparentemente programada. Aqui fica um detalhe: pense num ano de 1.971 uma programação acústica sendo executada; a medida do tempo com a tecnologia foi possível observar que deu facilidade muito maior para um músico poder elaborar a sua sonoridade e nesta época era início dos anos 70, o ELP não tinha a facilidade que dispunha por exemplo de uma decáda como nos anos 90 (ou até dos anos 80 se fosse o caso) e em apresentações do trio os espectadores podiam ver atrás de Emerson uma espécie de sintetizador do tamanho de um armário que controlava essa melodia exatamente aqui deste tema, o mesmo equipamento também chegou a coordenar o finalzinho da faixa "Karn Evil 9 - Third impression" em "Brian salad surgery" (1.973) e aqui justamente está um dos momentos mais tensos que a banda toca tendo esta sonoridade programada e no fundo os sintetizadores de Emerson sendo executado acompanhado pela maestria do baixo de Lake e a precisão de Palmer nas baterias durante um pouco mais de 1 minuto de duração, sendo o menor trecho dos temas existentes na faixa-título "Tarkus". A seguir vem d) "Mass" e só justamente agora que Lake toca guitarra além de cantar (algo não muito comum do trio, já que o ELP utiliza em termos de instrumentos de cordas o baixo) e como Lake apresenta a guitarra na faixa quando é finalizado o segundo refrão onde ocorre a parte instrumental solo do tema Emerson faz ruídos com os teclados e sintetizadores em pausas imitando uma possível guitarra também sendo duetado por Palmer na bateria (mas tem também a guitarra de Lake neste trecho instrumental). Observe o seguinte: na época que Emerson tinha consigo o "The Nice" antes do ELP existia um guitarrista chamado David O`List e um baixista chamado Lee Jackson; O´List se sentiu com o tempo sem muitas chances de continuar no "The Nice" porque como muitos fãs sabem Emerson é que predominava nos teclados em todos os extremos e aí fica interessante saber que Emerson parece criar um meio de uma sonoridade que para ele mesmo não faz falta alguma ter guitarrista no trio porque ele sendo um tecladista também poderia com seus instrumentos fazer sonoridades também do instrumento que possui apenas 6 cordas. O ELP retorna ao tema citando os últimos 2 refrões indo para e) "Manticore" o nome deste tema já diz o que futuramente estaria por vir, uma nova gravadora do ELP a partir do album "Brian...", isso sem contar já dito anteriormente sobre o leão com rabo de escorpião e aqui sendo instrumental e um tanto "divertida" também aparenta dar sonoridades de ambiente em espécie de um "campo de batalha" (calma, ainda não é a "Battlefield" !!!) em meio de tempo 9/8 e tocada de uma maneira extremamente progressiva passando para f) "Battlefield" que contém quase 4 minutos de duração e sendo o maior tema dos trechos existentes da faixa-título e tem o retorno de Lake nos vocais com a guitarra e em alguns momentos tocado de uma maneira como se estivesse "chorando" (será a respeito no que diz a respeito de batalhas e guerrilhas ?) a cada toque de suas cordas e é justamente neste tema que existe uma versão muito adorada pelos fãs que Greg Lake cita um trechinho da "Epitaph" do King Crimson que permanece no album ao vivo "Welcome back..." sendo que neste caso leva além do público ao delírio, também hipnotiza a um meio de muita tranquilidade. A sonoridade deste tema orignial na verdade tem bem um espírito de algo relacionado a batalhas, zonas de combate, campos de concentração e algo do tipo pois "Battlefied" quer dizer "batalha, guerrilha" em inglês e antes de finalizar a suite o trio vai para o tema instrumental g) "Aquatarkus" que curiosamente parece se unir em termos de sonoridade com o tema anterior tocado na forma de ritmo de uma marcha que vai ficando cada vez mais crescente conforme o andamento e crescimento da melodia como se o trio estivesse acompanhando atrás de um esquadrão de forças armadas. Mas o mais interessante se o ouvinte prestar muita atenção, Emerson faz o solo do sintetizador como se fosse de um pato (seria o pássaro que o tatu enfrenta ?) e assim posteriormente o trio retorna sincronizado voltando a uma melodia que deu o início da "Tarkus" do primeiro tema em "Eruption" finalizando a suite. Os arranjos inclusive lembra muito a mesma composta por Elmer Bernestein no filme "The great escape" (1.963) - "Fugindo do inferno" dirigido por John Stroghes que retrata ironicamente sobre um campo prisional de concentração na Alemanha ocorrido na segunda guerra mundial da fuga de presos de exércitos de outras nações munidais. Detalhe: na versão do album ao vivo "Welcome back..." este tema tem uma improvisação maior do que a original que extendeu a faixa numa versão maior do que esta original.

"Jeremy Bender" - Aqui inicia a outra metade do album e de outro público que prefere o ELP do que a faixa-título que pertence a outra metade de público preferencial. Tem uma sonoridade que gira em torno de música de velho-oeste, mas o ELP ainda teria mais a mostrar para os fãs em exemplos como "The sheriff" no album "Trilogy" (1.972) ou "Benny, the bouncer" em "Brain..." (pelo visto o ELP gostou muito de gravar algo parecido...), além de ser a primeira faixa de uma série do que Emerson gravaria em termos de rhythm blues (do tipo honky tonk) com o ELP (observe que inclusive no meio do rock progressivo é muito incomun encontrar tecladistas ou até uma determinada banda propriamente dita que realiza algo parecido igual a este tipo de música), mostrando inclusive o lado divertido do que o trio executava, possivelmente porque eram uma das maneiras de "marketing" de comercializar o album (ou os albums). A faixa retrata sobre meramente uma piada tanto que no fim da faixa se escutam risos dos integrantes pois retrata sobre um homem (Jeremy Bender) que decide se tornar uma noviça disfarçada para que ficasse completamente rodeado de mulheres. Ele se dá de cara com a freira responsável do local e depois que dá um beijo na mesma percebe que é também um outro homem disfarçado (!!!) fazendo com que se desgostasse pela idéia e tomar outro rumo; "packed up his suitcase and decided to go" que é justamente esta frase final da faixa também aparece em "Benny, the bouncer". Existe uma versão no album "Welcome back..." que se emenda com a "The sheriff", mas sem sombra de dúvida esta de estúdio aparenta ser muito melhor por causa dos recursos que em estúdio ofereceu ao ELP para que a faixa fosse assim executada como se fosse feita em um outro tempo. É a menor faixa do album como todo com pouco mais de 1:30 de duração.

"Bitches crystal" - muito cheia de energia com algumas "pegadas" que fazem o ouvinte associar o que a suite "Tarkus" já havia apresentado e razoavelmente agressiva pelo conjunto do trio. As letras de Lake são um tanto sombrias denunciando sobre bruxos, espíritos e sepulturas, isso sem contar que num determinado momento Lake grita de uma maneira tão forte que parece com a intenção de estourar os ouvidos de um ouvinte. O piano acústico de Emerson é bem constante com um singelo sintetizador aparecendo em poucas ocasiões. Pode ser encontrada uma versão interessante de um tributo do ELP em "Encores, legends and paradox" (1.999) que ficou num tamanho um tanto maior do que este. Inicia com o trio se apresentando aos poucos se crescendo conforme o volume da sonoridade vai sendo aumentada até que surge finalmente Emerson no piano junto com Lake cantando e mais as baterias de Palmer fazendo 2 refrões quase que repetidos sendo que na parte instrumental solo se observa um domínio por completo no piano se extendendo no solo até que ele vai sendo acalmado quando faz a melodia que dá o início da faixa por alguns instantes fazendo a banda retornar a mais um último refrão que finalizará a faixa.

"The only way (Hymn)" - algo que o ELP fez correto: creditar a faixa no compositor J. Sebastian Bach da "Toccata em fá" e "Prelúdio n. 6" em dois temas; o primeiro tocado em órgão e o segundo em piano. O trio não havia feito o crédito com a faixa "The barbarian" (primeira por sinal) no album de estréia de Bela Bartok e se por um lado surpreendeu um determinado público, por outro teve a sua crítica o que induziria ao ELP ter feito um plágio, mas aqui neste caso não há motivos para o tal julgamento por ter sido feito da maneira certa. Identificado como um "hino" (Hymn), muito majestosa, graciosa e acima de tudo celestial, a melodia desta peça composta por Bach é relacionado com a celebração de Deus (o compositor barroquista Bach tem diversas obras que relacionam sua música com a religião); o ambiente sonoro inicial é bem clima de igreja. Lake elaborou letras que se enquadram contra os princípios religiosos como na seguinte frase "Can you believe God makes you breathe? Why did He lose six million jews?" que significa "Você pode acreditar que Deus permite-lhe respirar? Por que Ele perdeu seis milhões de judeus?" em inglês e além de afirmar "how can you just obey?" que significa "Como pode você apenas só obedecer?" em inglês. O que Lake justifica em frases como estas é que os dogmas cristãos são normas que ora não tem significado algum na passagem da vida real e que os humanos fazem as regras de uma maneira própria. Imagine uma situação pela qual os religiosos não aprovariam Greg Lake com suas frases citadas nesta faixa, ou generalizado ainda mais reprovando o ELP numa tacada só (e ainda numa melodia propícia de estilo de igreja) !!!! Detalhe: Lake demonstra sua sensatez ao que diz a respeito de religião na faixa "Lend your love to me tonight" no album "Works: Volume 1" (1.977) na frase "No crucifix, I am not lame!" que significa "Não me crucifixe, eu não sou fracote" em inglês. O tema inicial com as letras seria adequado suficiente para que isto acontecesse então espertamente o ELP tratou a melodia se dividir em outro tema mais jazzístico com a inclusão do piano, baixo e bateria (representado pelo "Prelúdio n. 6") para que os ouvintes se "amarrassem" mais a música do que nas letras de Lake. Ignorada por parte do público pelas letras e adorada pela sonoridade.

"Infinite space (Conclusion)" - instrumental, que se emenda com a faixa anterior e no trio piano, baixo e baterias tem arranjos em forma de ritmo 7/4 que atende a um padrão que vai desde o início ao fim e relativamente repetitivo de forma jazzística, mas com muitos elementos de rock progressivo muito bem contrabalanceados.

"A time and a place" - apesar de ser relativamente um tanto lenta é a faixa mais agressiva e selvagem do album em que o ELP tem como um aparente objetivo colocar o ouvinte ao meio de um "inferno musical". Aqui já é bem suficiente observar como a segunda metade do album é bem eclética se dividindo entre melodias "inocentes" com as "infernais" (que esta é um exemplo assim com a "Bitches crystal" do mesmo trabalho, ou "The barbarian" do album de estréia da banda). Apesar das letras de Lake não possuir lógica (cita algo sobre não existir o dia seguinte) e significado algum quem rouba a cena é o baterista Carl Palmer seguido de Emerson com seus teclados com suas sonoridades que ficam ocupadas e ferozes prontos até para "atacar" o dono dos mesmos. Em meio de melodias densamente distorcidas, retorcidas com os deslizamentos que Emerson faz vire e mexe (isso porque geralmente em cada album do ELP é também uma marca registrada do músico). É uma das mais favoritas dos fãs, tirando a suite "Tarkus" possuindo uma versão de turnês feitas pelos anos de 1.997/1.998 foi arquivada no album "Then & now" (1.998); observe que quase 30 anos após a gravação da versão original como Emerson perdeu uma agilidade tremenda durante este tempo, sendo sinais caracterizados pelo problema que obteve com o tempo na mão e braço direito. Uma outra versão também pode ser encontrada no tributo de "Legends...".

"Are you ready Eddy?" - foi feita sob uma homenagem ao engenheiro de estúdio Eddie Offord que colabora neste album "Tarkus" do ELP. O trio esbanja uma ousadia em gravar esta faixa que é puramente rock-n-roll mas ao mesmo tempo o trio também é odiado por uma grande quantidade de fãs do ELP e ouvintes do rock progressivo. Por que? Justamente porque para estas pessoas o trio não teve criatividade suficiente e também porque uma certa parte destes ouvintes e fãs do ELP são da época quando o rock-n-roll foi posto em cena no final dos anos 50 através de gente como Little Richard, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e entre outros visto que ainda nos anos 60 surgiriam "The Beatles" ou "The Rolling Stones", algo que em termos de músicas destes artistas muita repetição em suas melodias e justamente o que acontece nesta faixa que tem pouco mais de 2 minutos de duração e o suficiente muitas vezes até chegar ao ponto de pouquíssimas pessoas deste tipo citadas anteriormente odiar impressionantemente o album "Tarkus" inteirinho por causa desta música. Se pessoas deste tipo que experimentavam ouvir inovações no meio musical vivenciaram em suas vidas o segmento de rock-n-roll, não teriam de fato paciência realmente para ouvir uma melodia deste tipo. Seria o mesmo que uma banda tipicamente de rock progressivo brasileiro pusesse num determinado trabalho uma faixa com uma sonoridade de um puro axé ou pagode e ainda ficaria uma simples pergunta: que amantes do rock progressivo brasileiro aprovariam uma proeza destas? Corajoso mesmo foi Eddie Offord possivelmente para ouvir, gravar e acima de tudo virar motivo de críticas pelo resultado...(isto porque é o homenageado do trio !!!). O trio pelo visto adorou pois pode ser ouvido risadas ao fundo na faixa.