Keith Emerson - teclados, piano acústico e elétrico, sintetizadores. Greg Lake - vocais, guitarra e baixo. Carl Palmer - Baterias e percussão.


Faixas:
1. Hoedown - 4:27
2. Jerusalem - 3:19
3. Toccatta - 7:24
4. Tarkus - 27:33
5. Take a pebble - 5:05
6. Still...you turn me on/Lucky man (Medley) - 6:12
7. Piano improvisations - 11:58
8. Take a pebble - 3:00
9. Jeremy Bender/The sheriff (Medley) - 5:37
10. Karn Evil 9 - 35:33


Emerson, Lake & Palmer  - Welcome back my friends to the show that never ends - Ladies and Gentlemen (1974)

Por Steve Hillage

Este não é o primeiro trabalho ao vivo do ELP e sim o segundo; o primeiro feito pelo trio foi "Pictures at an exibihithion" (1.972) em aparição feita no ano anterior em 1.971 quando foi lançado "Tarkus" num período muito frutífero do ELP em seu pouqíssimo início de carreira; "Pictures..." entretanto não era uma "exclusividade" em se tratando de trabalho ao vivo porque era material inédito que foi aproveitado pela banda, mas são outras estórias no que diz a respeito deste trabalho no caso. "Welcome back my friends to the show that never ends ladies and gentlemen" lançado na metade de 1.974 teve a ousadia da banda em ter sido editado na época como um album triplo em vinil (duplo em CD), seguindo um mesmo esquema que outra banda de rock progressivo havia feito também neste tipo de padrão, no caso o "Yes" em "Yessongs" (1.973). Existiam rumores na época que o trabalho deveria ter sido editado em 1.973, mas possivelmente não aconteceria porque primeiro o album de estúdio anterior "Brian salad surgery" (1.973) estava sendo lançado neste ano e segundo que o ELP estava começando a ter uma certa queda de vendas em "Trilogy" (1.972) o que fez com que a banda fundasse um selo próprio que foi a Manticore Records mas ainda continuavam com o contrato na Atlantic Records e possivelmente por estes motivos que "Welcome back..." acabaria não sendo feito também em 1.973, mas de qualquer modo o trio extendeu a turnê como pode durante os anos de 1.973 após o lançamento de "Brian..." e atingindo o ano de 1.974, não perdeu grandes oportunidades por causa destes fatos e mantendo os 3 integrantes numa agenda muitíssimo ocupada. A partir deste album também o trio iria ficar um tempo longe dos fãs num profundo silêncio total sem se manifestarem publicamente descansando e fazendo trabalhos independentes próprios que só retornariam 3 anos mais tarde em 1.977 com o lançamento e divulgação dos 2 volumes de "Works" (1.977) em parceria com orquestra num outro esquema completamente diferente desta primeira fase do trio, muitos fãs na época acompanharam esta dissolução da banda em meio de muita expectativa durante este período de ausência do grupo. A qualidade de som de "Welcome back..." é muito respeitada pela época quando foi lançado o trabalho dando até a sensação de imaginar o ouvinte como se estivesse assistindo ao trio (dando "asas" em sua imaginação); pouquíssimos fãs do ELP desagradam pela gravação. O repertório é aprovado e reprovado (em alguns aspectos) por grande parte dos fãs e inclui desde o album de estréia "Emerson, Lake & Palmer" (1.970) até o "Brian...", excluindo o "Pictures..." que não tem nem uma nota sequer tocada aqui neste exemplo de trabalho ao vivo. Mas o que contém no "Welcome back..." ? 2 suites: a "Tarkus" do album "Tarkus" (1.971) e a "Karn Evil 9" do "Brian..." que inclui um solo de Palmer em suas baterias e percussão, solos de Emerson tanto no piano como em sintetizadores em uma suite, a de Lake também numa outra suite tanto em canto como em violão acústico e outras músicas singelas de "covers" tendo o trio em evidência. Vamos por partes: "Welcome back..." deveria se chamar "Brian salad surgery live" ou algo do tipo pois impressionantemente está 90% do album aqui apresentado (se é que poderia dizer 90% pois a única faixa que ficou de fora foi "Benny, the bouncer" que contém apenas 2 miseros e poucos minutos de duração !!!!), "Trilogy" está muito pouqíssimo apresentado, "Tarkus" um tanto mais do que a metade do album e "Emerson..." apresentado um pouquinho mais do que o "Trilogy". Outro aspecto também um tanto reprovado por ser um album triplo em vinil é que o ELP não aproveitou o suficiente o espaço oferecido do qual foi editado, ou seja o lado 1 tem apenas 15 míseros minutos, a suíte "Tarkus" além de ocupar o lado 2 de um disco com também apenas 16 minutos faz o que é pior: ela ainda utiliza uma parte de outro disco para finalizar a suite, isto sem contar com o último disco, o terceiro que dá prioridade apenas exclusivamente para a suite "Karn Evil 9" e atinge a 35 minutos; alías vale aqui até uma ressalva pelo menos no caso da suite "Tarkus" que poderia ser apresentada em seus 27 minutos totais de duração num único lado, valeria apostar sim, mesmo sabendo que as gravadoras de maneira geral recomendavam até 20 minutos por lado, mas existem alguns casos válidos ao jazz e clássicos/eruditos de gravadoras como a ECM Records, MPS Records, Philips, Deutsche Grammophone e até inclusive a Atlantic Records (em alguns casos de alguns artistas e que é o caso do ELP do qual são pertencentes) que sempre apostaram em casos de artistas que atingiam 30 a 35 minutos de duração por lado com uma excelente gravação sonora. Isto significa que neste trabalho o ELP "perdeu" pelo menos uns 20 a 30 minutos para apresentar mais alguma coisa talvez sugerida do album "Emerson...", "Trilogy" essencialmente, ou fazer um sumário modesto de "Pictures at an exibihithion" algo como foi feito numa versão característica em "Hot seat" (1.994) relativamente resumida, ou até mesmo apresentar algo também inédito tanto de material próprio ou "covers" (por que não ?), e até mesmo se fosse preciso alguma coisa dos tempos do "The Nice" (banda de Keith Emerson antes do ELP) ou "Atomic Rooster" (banda de Palmer antes do ELP). King Crimson ? Talvez nem seria necessário, neste aspecto Lake foi inteligentíssimo e garantiu um trechinho quando foi integrante da banda e que valeu a iniciativa desta sua aparição (pequeníssima até por sinal). Para os ouvintes iniciantes até que é uma boa pedida para começar ouvindo o trio e justamente pelo repertório que foi atribuido pela banda (mesmo com as desvantagens descritas anteriormente) e recomendado para aquelas pessoas que gostam de sentir de perto nos ouvidos a "alma" ao vivo de uma determinada banda. A grande maioria dos fãs considera o repertório escolhido até que se sobressaiu melhor do que as músicas originais de estúdio; certa ocasião Carl Palmer chegou a declarar numa entrevista o quanto realmente o trio se dá muito mais proveitoso ao vivo do que em estúdio e quem já foi em alguma apresentação do ELP sabe muito bem que isto é puramente a verdade: vide as ocasiões quando o ELP esteve no Brasil em 1.993 e 1.997. No caso de "Welcome back..." as apresentações que promoveram o trabalho provêem especialmente das turnês ocorridas exclusivamente nos Estados Unidos logo após o lançamento de "Brian..." de novembro de 1.973 até fevereiro de 1.974 com a inclusão de mais outros shows extras durando até abril do mesmo ano tendo um dos eventos mais importantes ocorridos em 6 de abril chamado "California Jam" que é considerado o maior de público em toda a carreira do ELP de frente para 350.000 pessoas junto com o "Deep Purple" (incluia também "The Eagles", "Earth, Wind & Fire", "Black Oak Arkansas" e "Black Sabbath" no festival) que abriram a apresentação para o ELP e ainda por cima foi também filmado e televisionado pela televisão através da Rede ABC. Detalhe: o guitarrista do "Deep Purple", Ritchie Blackmore, ficou furioso com um cinegrafista atirando uma de suas guitarras acertando o equipamento e consequentemente o ELP teve de se contentar com uma câmera cinematográfica a menos na apresentação, mas mesmo assim o vídeo desta aparição é uma das mais procuradas e memoráveis para os colecionadores. Em maio retornam para Inglaterra fazendo últimas apresentações antes que o trabalho fosse editado. As mesmas apresentações deste trabalho podem também ser encontradas em versões muito pouco diferentes em albums como "King Biscuit Flower Hour Live" (1.997) e "Then & now" (1.998). Não existem registros de gravações de compactos deste trabalho e incrivelmente atingiu a quarta colocação de paradas em vendas e sucessos nos Estados Unidos (para um album triplo em vinil era óbvio que isto acontecesse pelo fato da turnê ser quase que inteiramente naquele país) e quinta na Inglaterra. O que dizer dos músicos naquela ocasião? Keith Emerson possivelmente era um dos pianistas-tecladistas mais talentosos que se tinham em momento que fazia a medida do possível de não ser um músico "padronizado" tocando mesmas sonoridades e estilos diferentes e ainda que qualquer ouvinte que o conhece em estúdio apostaria que ele poderia fazer tudo aquilo que compôs com o tempo de forma cada vez mais eficaz; Greg Lake estava como sempre mantendo ser a cada dia mais aprimorado com o seu vocal, baixo e violão acústico sem igual (aqui neste album é uma das últimas oportunidades de escutar especialmente o vocal de Lake em suas melhores condições: observe muito atentamente como do "Works" em diante os vocais deste vai se descaracterizando), nada muito fácil encontrar um músico com mesmas características e por fim Carl Palmer para alguém de sua idade na época era muito talentoso de sua geração e não tão simplesmente se encontraria algum músico do tipo com precisão de ritmos mais complicados do que este profissional. Enfim, "Welcome back..." é antes de tudo definitivamente o ápice da carreira do ELP, um tempo que não existirá igual para o trio. Já comentado anteriormente o ELP lançou este album pela Atlantic Records e a Manticore Records e a produção do trabalho ficou por conta de Greg Lake com o auxílio de Peter Granet que já trabalhou também com muitos nomes desconhecidos ao meio de rock progressivo como Curt Boetcher, Papa John Creach, Bruce Haack, David Porter, Nitzinger e entre outros e somado com também o auxílio de Andy Hendriksen que teve oportunidade de cooperar no album de estréia do "Roxy Music" (1.972), a banda italiana de progressivo "Premiata Forneria Marconi" em "Photos of ghosts" (1.973) (curiosidade: este trabalho de muita importância do progressivo também estreou na recém inaugurada gravadora Manticore Records do ELP). A arte gráfica do trabalho (apesar de muito simples na "aposta" de um album triplo) ficou por conta de Michael Ross que fez também para Elton John e "The Beach boys" (e coincidentemente também albums ao vivo) e foi fotografado por Carl Dunn.


"Hoedown" - "Welcome back my friends to the show that never ends, ladies and gentlemen: Emerson, Lake & Palmer!!!!!!", que significa "Sejam bem-vindos meus amigos ao show que nunca termina, senhoras e senhores: ELP" em inglês, a frase pertencente ao título do album e considerada uma "marca registrada falada" muito famosa nas aberturas dos eventos ao vivo do ELP. Esta frase inclusive faz parte de um trecho da suite "Karn Evil 9" do album "Brian salad surgery" (1.973), último trabalho de estúdio antes deste album ao vivo e estando mais precisamente na faixa do tema "First impression - part 2" em seu início. Antes da frase ser dita já se observa algum "alvoroço" do público que já tem o ELP no palco e o trio faz um rapidíssimo teste de som com os instrumentos. Então eis que vem "Hoedown" pertencente do album "Trilogy" de autoria do americano Aaron Copeland (falecido em 1.990) datado de 1.942, como umas das obras mais conhecidas e entituladas como "Rodeo", peça de balé. Foi dedicada para Agnes de Mille e demonstrou ser o sucesso mais duradouro de coreografia sobre o enredo de uma mulher jovem realizada com as mesmas habilidades de um caubói que tem a esperança de chamar a atenção de um vaqueiro de uma fazenda e numa atitude anti-feminista e impressionado pela agilidades da moça, ignora todo qualquer tipo de charme e aproveita as falhas do mesmo com um vestido mostrando no espetáculo o lado mais feminino no rodeio. O tema "Hoedown" é sem dúvida a parte mais conhecida e preferida deste balé. Copeland deve ser muito adorado pelo ELP porque alem da versão de estúdio do ELP está no "Trilogy" desta faixa, teve uma outra que é considerada até um "hit" pelo público chamada "Fanfare for the common man" presente em "Works" (1.977) tem a tendência de sonoridade do tipo "velho-oeste" e a versão do trio claro que virou em forma de rock curta e simples ganhou esta versão ao vivo com uma velocidade muito mais rápida (parece que os teclados e sintetizadores de Emerson foram pré-programados, mas claro que não acontece isto) do que em "Trilogy" e além disso parece ter ficado com uma duração um tanto maior também. Curiosidade: ao ser colocada a versão de estúdio em rotação de 45 rpm em vinil observará uma velocidade muito parecidíssima com o resultado desta verão ao vivo. Imagine a emoção na época do ELP tocando esta faixa de frente ao público americano em suas próprias terras. Neste album o ELP irá fazer durante os 15 primeiros minutos apenas versões de "covers" que estão presente esta faixa e mais outras duas posteriores a seguir.

"Jerusalem" - é possivelmente neste album um "hino", outra "cover" que faz foi elaborada por Willian Blake no século 19, mesmo admirado pelos britânicos mais conservadores existentes não causou polêmica quando a princípio foi gravada em "Brain..." onde a versão de estúdio feita pelo ELP se encontra. Esta coloca em dúvidas em muitos ouvintes se sobressaiu melhor ou não do que a do estúdio justamente pelo fato de que estão muito próximas uma da outra em termos de perfeição quando foram gravadas, o que importante sobretudo é que as duas versões causam muita emoção aos ouvidos de um ouvinte.

"Toccatta" - outra "cover", composta pelo classiscista argentino Alberto Ginastera (falecido em 1.983), e apresentada também no album "Brian...". Detalhe: no album de estúdio do ELP "Toccatta" vem a ser logo em seguida após a faixa "Jerusalem", mesma ordem mantida neste album ao vivo. Ginastera inclusive na época do lançamento deste trabalho de estúdio notificou o seu entusiamo da versão gravada pelo trio. Composta em 1.961, "Toccatta" faz parte mais precisamente da obra "Concerto para piano n.01, op.28 - quarto movimento" que combina harmonias dramáticas e dissonantes com momentos de algumas passagens até românticas por sinal (de rápidas escalas para piano em mãos separadas e arpejos complexos) e chegando a ter a sonoridade numa forma até feroz tipicamente rítmica. E justamente foi re-elaborada nesta versão do compositor por Emerson e Palmer por onde se observar uma espécie de "duelo" entre os dois músicos, alías os dois se "duela" mais precisamente entre sintetizadores/baterias e piano/percussão. O momento ápice da faixa é quando existe uma tranquilidade de apenas Palmer solando por alguns curtos instantes em meio de sinos num ambiente extremamente sombrio que repentinamente se retorna numa energia completamente furiosa até finalizar a faixa. Sem dúvida destaque para Palmer; observe o "nervosismo" de Emerson deslizando em algumas ocasiões as mãos sobre seus sintetizadores. O ELP encerra as atividades do show da apresentação das "covers" aqui neste primeiro lado do disco. O primeiro aspecto negativo de "Welcome back..." quando lançado em vinil se inicia aqui porque o primeiro lado contém apenas pouco mais de 15 míseros minutos, muito pouco para uma banda como o ELP que tinha um excelente material já gravado anteriormente sob a forma de um trio e seria possível ser muito bem melhor aproveitado.

"Tarkus" - a suite aproveitada no album "Tarkus" que é representado como uma faixa-título ocupando um lado inteiro do disco, considerada por uma grande maioria dos fãs do ELP uma das mais favoritas deste trabalho ao vivo. Ganhou uma extensão de aproximadamente 7 minutos a mais porém observe 2 aspectos negativos na edição que foi feita em "Welcome back..." em vinil a seguir: 1) o primeiro lado chega a pouco mais de 16:30 minutos de duração ocupando o lado 2 do primeiro disco o que é pior finalizando-se no penúltimo tema da faixa em "Battlefield" e 2) ocupando uma metade do segundo disco para a continuação da "Tarkus" com o tema "Aquatarkus". Isto significa que a versão total atingindo 27 minutos de duração se houvesse ousadia por parte dos músicos e produtores do album poderia ser aproveitado um lado inteirinho ocupando este tempo total da gravação, o que novamente poderia o ELP apresentar mais outras músicas no album, uma pena neste quesito não ter sido feito este desafio porque provavelmente um grande público do ELP agradeceria profundamente ao trio. Um outro exemplo de banda de rock progressivo que ocorreu algo muito parecido foi com o "Yes" em "Yesshows" (1.981) da faixa "Ritual" do album "Tales from topographic oceans" (1.974) e dividiram a mesma em duas partes uma em cada lado de um disco em sua versão ao vivo de 28 minutos de duração. A seguir algums detalhes que diferenciam a faixa com a da original: a) "Eruption" não inicia como a original com a melodia crescente de ambiente sonoro criado por Emerson com os teclados que vão aumentando de volume e sim com um dos integrantes dando um sinal de entrada para o trio iniciar juntos sob forma de teclados/sintetizadores, baixo e baterias. No tema b) "Stone of years" o que diferencia da original é mais a parte solo instrumental de Emerson que fica um tanto mais nos seus sintetizadores e o coro do segundo refrão antes de iniciar esta parte solo instrumental. c) "Iconoclast" aparenta se tornar mais rápida a sua "programação" eletrônica do que na original e quando vem d) "Mass" não se observa a guitarra elétrica que Lake toca na faixa de estúdio e Emerson "briga" com os sintetizadores na parte solo instrumental procurando fazer a sonoridade também como se fosse de uma guitarra. Observe também a presença do baixo-sintetizador tocado pelo tecladista. f) "Manticore" tem poucas alterações apenas aparenta estar sendo tocado numa velocidade um pouquinho maior, e ouve-se uma empolgação de um dos membros durante uma determinada pausa. g) "Battlefield" aqui Lake também não utiliza a guitarra que se apresenta em algums primeiros momentos do tema e sim mais adiante junto com também um baixo-sintetizador tocado por Emerson. Praticamente neste tema está uma das partes mais emocionantes que cativa muitos ouvintes do ELP quando Lake dá os primeiros passos na parte solo instrumental utilizando então a guitarra fazendo a suite se tornar mais calma e tranquila apenas com a presença de Lake cantando o segundo refrão e de uma tal maneira que parece que irá finalizar de vez a "Tarkus", mas inesperadamente ele canta um minúsculo trecho da faixa "Epitaph" do album de estréia do "King Crimson" em "In the court of the Crimson King" (1.969), banda inclusive que Lake foi fundador o que propõe o público ao vivo em um delírio. É um dos momentos mais adorados da grande maioria dos fãs do ELP, sem dúvida e inclusive o ambiente da maneira conduzido por Lake põe o ouvinte em expectativa se irá continuar a suite ou não e justamente aqui nesta parte que é o ponto negativo do album em vinil pois em alguns casos de situação emocional do usuário, este pode perder até sua vontade de continuar a ouvir a restante da "Tarkus" porque está no lado de um outro disco o tema g) "Aquatarkus" e o único quesito que faz o ouvinte a ter a iniciativa de continuar a ouvir é a improvisação do trio que extente o tema maior do que é o original chegando a variar em rock e fusion, sem contar a manifestação do público que pode ser ouvido também. Neste tema o trio extendeu a melodia de uma maneira interessante com a variação dos sintetizadores de Emerson e ficou extremamente imporvisada. Se o ouvinte observar atenção detalhadamente poderá escutar o primeiro tom forte que o trio faz da mesma maneira de entrada da faixa "The barbarian" do album "Emerson...", quando o trio termina de executar a suite estranhamente anunciam o nome de Carl Palmer (Keith Emerson "duetou" bastante com Palmer no último tema da "Tarkus").

"Take a pebble" - a suite original que possui mais de 12 minutos de duração, recebeu 8 minutos nestas versões ao vivo, mas existe um detalhe: está dividida em 2 partes uma primeira com quase 5 minutos e a outra com os outros 3 minutos restantes que vem logo após a faixa "Piano improvisations" que está em "Welcome back...". Ficou relativamente diferente da original dos temas do meio contendo Lake solando acusticamente sozinho e a parte solo instrumental de piano tocada por Emerson. Esta peça entretanto foi tocada no Festival da Ilha de Wight e turnê do album "Brian..." e mostrando-se inclusive em estúdio e um tanto a frente do "King Crimson" quando gravou "In the court..." em alguns aspectos. A estrutura é razoavelmente jazzística e com uma forma de "Etude" por alguns instantes por parte de Emerson quando Lake cita os dois refrões, isto porque no clima acústico do violão na original só virá após esta forma de melodia encerrando a primeira parte que dará chance a Lake ficar sozinho cantando com o violão e cantando. Na segunda parte após "Piano improvisations" o trio se entende tendo Lake cantando o último refrão da faixa original e encerrando a música deste trabalho ao vivo.

"Still...you turn me on" - oriunda do album "Brian...", na verdade esta faixa que se acaba tornando até um medley junto com a próxima a ser tocada "Lucy man", está "embutida" em "Take a pebble" deste trabalho; ou seja o que isto significa? Significa que como se fosse Lake fazer o solo instrumental acústico de violão que é executado nesta faixa anteriormente comentada do album original, mas é evidente que a melodia não tem nada a ver em aspecto de ser tocada propriamente dita. É praticamente a balada do album "Brian...". O tópico é evidente que se trata de amor e nada mais com muita ternura em letras muito paupérrimas, mas mesmo assim é considerado também um "hit" do trio. O público tem uma aparição depois do primeiro refrão se manifestando em euforia. Completamente sozinho e uma melodia totalmente acústica ao extremo e muito aplaudido por sinal.

"Lucky man" - pertence ao primeiro album e pode ser considerada também outro "hit" do trio, aliás o primeiro que o ELP tenha composto em seus albums ao longo de sua carreira e possivelmente tornando o trio também conhecido ao meio musical. "Lucky man" tem uma estória curiosa e ainda mais para um album de estréia; quando o ELP assinou o contrato com a Atlantic Records e gravou o material rapidamente eles ainda não tinham material suficiente próprio para a banda como ELP e por uma exigência da gravadora em chegar em um lado do disco com 20 minutos em média, a banda precisava fazer mais um e o trio já tinha gravado tudo o que possiam a princípio na ocasião. Greg Lake havia composto esta música aproximadamente no ano de 1.957 ainda quando adolescente contando a respeito de um homem que tinha de tudo e morre e de um ritmo meio estilo folk ele começou a tocar no estúdio e o trio pressentiu que aquela faixa seria perfeita para o album gravado. Juntos começaram a improvisar os arranjos. Esta versão ao vivo é bem a maneira quando Lake compôs na época que ainda não era músico. O moog de Emerson que dá uma característica muito marcante na faixa não está presente porque aqui é apenas Lake sozinho no palco. "Lucky man" teria uma melodia futuramente muito aprecidada também em "From the beggining" do "Trilogy". Esta faixa geralmente sempre foi tocada nas apresentações ao vivo mesmo com o "diferente" vocal de Lake nos anos 90. Observe a euforia do público nesta versão. O único quesito negativo até em momento destas duas faixas tocadas exclusivamente por Lake é que o mesmo fica apenas por 6 minutos aproximadamente, ruim para quem admira muito este profissional em seus momentos ainda mais se tratando de apresentação acústica.

"Piano improvisations" - uma apresentação puramente tocada em piano acústica por Keith Emerson e esta faixa com uma duração de aproximadamente 12 minutos de duração já prova o suficiente que Emerson é um pianista muito bom. O único aspecto negativo é que Emerson faz improvisações que ora se tornam empolgantes ao ouvinte mas muito repetitivas para outros ouvintes como tocando acordes que lembram muito os de "Take a pebble" tocada já anteriormente. O que dá a impressão é que Emerson tinha a intenção de demonstrar ao público seus dotes tocando uma espécie de "Eteude" e é o que ocorre nesta improvisação. Descontando as etapas no piano de um Keith Emerson repetitivo, tem-se por outro lado um Keith Emerson virtuoso e glamouroso e justamente é quando o músico toca uma peça do clascissista e jazzista austríaco Friedrich Gulda (falecido em 2.000) em "Fugue" do album "The long road to freedom" (1.971), que aliás é um trabalho muito conceitual deste profissional. Quando Emerson encerra um trecho deste tema vem a seguir o que induz ser a parte solo instrumental de "Take a pebble" e logo a seguir o trio vem de uma maneira bem "mansinha" apresentando um trecho de "Little rock getaway" do jazzista-bluesista Joe Sullivan (falecido em 1.971) datada de 1.933 e que virou ao mesmo tempo na época um sucesso altamente comercial neste gênero musical e uma espécie de padrão da música de Sullivan. O mais curioso é a inclusão da palavra "rock" no título da faixa em que esta categorial musical só viria 2 décadas depois e o ELP consegue manter com Emerson impressionantemente o jazz de uma forma muito crescente muito ao lado do blues e tocada timidamente numa forma de rock. Daí um dos momentos de "Welcome back..." com a apresentação de Emerson neste trecho pode também ser considerado como o ápice do trabalho. Curiosidade: quando Emerson se apresentava neste momento o público podia observá-lo sendo levantado com piano e tudo fazendo acrobacias aéreas e tocando!!! Houve uma ocasião que a peça que protege as teclas do piano chegou a bater com força nas mãos de Emerson ao tocar mas este não perdeu o "rebolado" e continuou tocando; isto ocorreu num dos shows do California Jam.

"Jeremy Bender/The sheriff (Medley)" - o trio fez uma mesclagem de faixas do tipo honky-tonk, retirada dos albums "Tarkus" e "Trilogy" respectivamente. Só faltava a "Benny, the bouncer" do album "Brian...", que por sinal é a única faixa que o ELP não toca neste album ao vivo, talvez não incluiram devido ao motivo de que sabiam que era uma música superflua e justamente para os ouvintes adquirirem "Brain...", provavelmente uma jogada de marketing. Muitos fãs do ELP não gostam muito deste medley porque o instrumento que Emerson toca (que não é da época do início do século XX) é executado em sintetizador e verdadeiramente dizendo tem uma sonoridade muito regular, mas isso não impediu de que o trio pudesse ter simpatia pelo público que estava assisitindo na ocasião com o estilo de faroeste. Observe Emerson com Palmer no final da "The sheriff" ambos se duetando e fazendo "graça" parecendo não quererem terminar a faixa e a receptividade do trio antes de tocar este medley.

"Karn Evil 9" - considerada a maior faixa do trabalho com 35 minutos de duração (ficou 6 minutos maior da original) e também uma das maiores suites que o ELP já compôs em sua carreira estando presente em "Brain...", a extensão é mais devido em um determinado instante que Carl Palmer faz sua execução solo nas baterias e percussão dando uma nítida impressão de que provêm da faixa "Tank" do album de estréia, onde também tem um solo muitíssimo parecido, e quando Palmer termina sua aparição é anunciado o seu nome e recebidíssimo por sinal ao público presente. Aqui também está a famosa frase do ELP: "Welcome back my friend to the show that never ends" e tudo isto citado anteriormente faz parte do tema "First impression". Aqui a suite ocupa todo o terceiro disco tendo a "First impression" estando permanecida num lado só e as outras duas sessões no outro lado do disco. O único aspecto negativo é justamente os 35 minutos que poderiam ter sido aproveitados no caso com uma faixa pequena-média sendo apresentada antes do início da suite num lado e outra faixa pequena-média ao término da suite. Claro que nada disso ocorreu mas valia sim a tentativa de investir em duas faixas que se posicionassem nestas condições. Em "Second impression" há um Emerson mais uma vez um tanto eufórico ao tocar o piano acústico e a versão ao vivo aparenta ter ficado um pouco melhor do que a original o que só não apresenta da original são algumas "resmungadas" feitas pelos integrantes da banda um pouco antes da faixa entrar no momento em que existe uma calmaria absoluta do trio e sendo mais uma vez muito aplaudidos pelo público. Note como a melodia da faixa nas partes do piano lembram um tanto da faixa "Mr nine till five" do album "Photos of ghosts" (1.973) da banda italiana de rock progressivo "Premiata Forneria Marconi". A "Third impression" em alguns instantes se tornando agressiva por parte do trio e observe como o vocal de Lake é muito distorcido do que a versão original tanto na parte inicial do tema como próximo do final da faixa. Quando surge a parte programada pelos sintetizadores de Emerson que vão ficando cada vez mais rápidos, o trio sai de cena neste momento até a programação encerrar e nesta ocasião da turnê eles voltavam com o pedido de "bis" tocando um considerável trecho da "Pictures at an exihibithion". E por que não poderia ter sido incluso também neste trabalho ?

Ficha técnica: Emerson, Lake & Palmer - Welcome back my friends to the show that never ends - Ladies and Gentlemen" (1.974)


Músicas: