Keith Emerson - piano acústico, piano elétrico, sintetizadores, moog, órgão elétrico. Greg Lake - violões acústico, guitarra elétrica, baixo, vocais. Carl Palmer - baterias, percussão.


Faixas:
1. The barbarian - 4:27
2. Take a pebble - 12:32
3. Knife edge - 5:04
4. The three fates - 7:46
a) Clotho
b) Lachesis
c) Atropos
5. Tank - 6:49
6. Lucky man - 4:36


Emerson, Lake & Palmer  - Emerson, Lake & Palmer (1970)

Por Steve Hillage

O Emerson, Lake & Palmer é talvez uma das bandas mais conceituadas no cenário do rock progressivo a nivel de trio. A origem do nome é o obvio: são tres integrantes sendo Keith Emerson nos pianos e teclados; Greg Lake no baixo, guitarra, violão e vocais; e finalmente Carl Palmer na bateria e percussão e então o nome que se batizaram um pouco mais tarde seria também chamados simplesmente de ELP. Fundada em 1.970 na Inglaterra, o ELP não se formou a toa. Tudo começa por volta dos meados dos anos 60 quando Keith Emerson tinha uma intenção de se apresentar no cenário musical por meio de uma banda de estilo rythm blues chamada The Nice, muito importante também no cenário do RP. O The Nice acompanhava uma cantora chamada Pat Arnold e alem de Emerson existiam David O´List na guitarra, Lee Jackson no baixo e Brian Davidson na bateria. O The Nice tinha algo incomum com as demais bandas de época e esse incomum era justamente Keith Emerson porque ele fazia nos teclados e piano as coisas mais absurdas, bizzarras e malucas na face da terra quando os mesmos se apresentavam ao vivo de pular sobre os teclados, apunhalar as teclas, tocar ao contrário e enfim misturando além do rythm blues, o jazz e o erudito, pra alguns Emerson era e ainda é considerado o "Hendrix dos teclados". No estúdio musicamente não tinham muita sorte nas edições dos trabalhos e as chances de conquistar o público era boas quando se tratava de ser ao vivo. Com o passar do tempo por outro lado, o guitarrista O´List sai do conjunto, este se sentia magoado pois na mesma época eram os guitarristas que dominavam ao se manifestarem quando se dizia a respeito a palavra "rock". Melhor pra Emerson que roubaria mais atenção ao público em relação ao restante da banda. Por volta do ano de 1.969 Emerson começa a dissolução do que restou do conjunto que se tornou um trio e pensa em reformular algo mais atrativo, quando naquele ano conhece Greg Lake no posto de vocalista e baixista no King Crimson que tinha nascido naquele ano e lançava um album importantissimo para o rock que nada mais é o "In the court of the Crimson King" (1.969). Num determinado encontro musical de Keith Emerson com o The Nice junto com o King Crimson, Emerson convida Lake para compartilhar seus ideais e reformular o The Nice que estava então finalizando suas atividades, Lake não pensa duas vezes e sai do King Crimson. Detalhe: o King Crimson estava logo de estréia vivendo a melhor uma das melhores fases e tanto que o guitarrista Robert Fripp, outro membro desta poderosissima banda pedia e insistia que não o abandonasse sendo o mesmo ter sido supostamente também convidado por Emerson para fazer parte de seu novo conjunto, mas ai isso são outras estórias. Faltava o baterista e em 1.970, surge Carl Palmer oriundo do Atomic Rooster, uma banda meio hard-prog do organista Vicent Crane e Palmer dividia seu conhecimento sobre o leve e o pesado. Pronto, estava formado o Emerson, Lake & Palmer ou o ELP. Eles assinam com a Atlantic Records onde já existia bandas como o Led Zeppelin, o Yes ambas no caso em início de carreira também. Intitulado simplesmente de "Emerson, Lake & Palmer" é tambem conhecido como o "disco da pomba" que é a ilustração aparente da capa. Esse primeiro trabalho ficou muito bom para uma estréia de um trio e eles inclusive tem oportunidade de se apresentar e se estrearem como banda no Festival da Ilha de Wight em 1.970, muito bem recebidos por sinal. Os músicos de alto calibre embora com ideais musicais distintos tinham objetivos iguais em resultados e a partir deste trabalho em diante o ELP é uma banda de estilo sinfônico que destaca muito jazz, clássicos e rock sobretudo. Este album foi produzido pelo próprio Greg Lake com assistência de Eddie Offord.

"The barbarian" - o trio esbanja muito sincronismo e virtuose de sobra. Começa com uma entrada fabulosa no início da faixa com muito órgão acompanhado por muita percussão de Palmer vai sendo crescente até que ai é o piano que entra em cena na metade da faixa se apresentando e solando até que iniciam novamente finalizando a faixa aquilo que iniciaram nos primeiros arranjos da música. O único erro gravíssimo do ELP, que é justamente a única faixa composta pelos tres é de não ter creditado para o erudito barroquista J. Sebastian Bach por ser de sua autoria a melodia "Fuge" e é evidente isso no meio da faixa. Mas agora já foi editado o trabalho é claro que J.S.Bach não iria gostar de ter sido "excluido" no crédito. Alias, vale uma ressalva rápida de um outro exemplo foi no album Love beach (1.978) na segunda parte da faixa "Memoirs of an officer and a gentleman"; - Love at first sight que nada menos que os arranjos em conjunto são do classisista Frederich Chopin "Prelude op.10", mas ai convenhamos que eles não são também os únicos que cometem esse tipo de "infração".
"Take a pebble" - é a maior faixa do trabalho com pelo menos 12 minutos e meio de duração e relativamente progressiva. Começa calmamente com a entrada de uma harpa (!?), que são nada menos que as cordas do piano fazendo o ruído lembrando o instrumento. Estas são dedilhadas ao mesmo tempo que são executados as primeiras notas das teclas do piano. Lake então inicia sua "estréia" no vocal do trabalho balbuciando as primeiras letras sendo acompanhados por acordes do piano e são repetidos nos dois refrões até que começa até bem antes mesmo da metade da faixa mais arranjos de piano sendo acompanhados pela percussão de Palmer vai crescendo e se acalmando até que a faixa fica tão tranquila que é a vez de Lake começar a solar no violão acústico de tal maneira que o trecho fica até meio country acompanhado por palmas e alguns assobios e posteriormente volta a ficar tranquila quando vem outra etapa da música que aí é Emerson voltando a mostrar seus dotes no piano em repetitivos acordes na mão esquerda que vai ficando crescente acompanhdos pelo baixo e a bateria. Depois volta o último refrão da música com o vocal de Lake do mesmo início da faixa finalizando então a música de vez.
"Knife Edge" - Composta por Edgar Frase, com uma melodia muito bem trabalhada em diversos arranjos esta faixa geralmente é apresentada nas apresentações ao vivo do conjunto, muito requisitada aliás por sinal pelo próprio público que os admira. Possui muito órgão elétrico e a entrada da faixa demonstra o que vem a frente sempre acompanhada pelo leve e pesado na percussão de Carl Palmer e tem bons arranjos elaborados no meio da música com muitas fugas de órgão.
"The three fates" - é uma instrumental com quase 8 minutos de duração e de autoria exclusiva de Keith Emerson, está dividida em 3 partes. Esta peça sem sombra de dúvida já prova o profissionalismo que Keith Emerson possui como um pianista e tecladista e nem precisa ter dúvidas de suas habilidades com relação aos outros demais trabalhos que ao longo da carreira o músico editou. Para aqueles que são tecladistas/pianistas é a melhor pedida para avaliar o músico. A primeira parte "Clotho" é só apresentações de órgão, bem do tipo de igreja, muitas fugas e arranjos partindo posteriormente para a segunda parte "Lachesis" apresenta piano solo exibindo um virtuosismo impressionante de Emerson. Por fim é a terceira parte "Atropos" com arranjos que induz serem tres pianistas ao mesmo tempo acompanhados pelo baixo e bateria, bem fusion incrementa pouquinho de melodia latina.
"Tank" - outra instrumental que desta vez o destaque fica valendo para Carl Palmer que no meio da faixa apresenta seu talento fora do comum solando a bateria e os instrumentos de percussão. Inicia com a entrada da bateria solando acompanhado pelo baixo de Lake e entrando posteriormente Emerson com sintetizadores no modo de harpischord (cravo) e piano simultaneamente e vai ficando crescente o acompanhamento dos mesmos antes da entrada do solo de Carl Palmer. Depois que termina este solo os músicos entram juntos novamente e os arranjos começam a ficar progressivamente crescentes por meio de um moog e mais a bateria.
"Lucky man" - é uma balada de Greg Lake e ainda é tocada até hoje inclusive sempre nas apresentações ao vivo com refrões muito bonitos, o pop do trabalho é justamente esta faixa com Lake tocando um violão. No meio da música percebe-se uma guitarra e um coro no fundo. Este coro vocal lembra até que relativamente Lake nos tempos em que ele ainda era membro no King Crimson no primeiro trabalho a exemplo das faixas "the court of the Crimson King" e "In the wake of Poseidon" do album In the wake of the Poseidon (1.970), ainda tendo Lake participando pelo King Crimson no ano de 1.970 para dai formar o ELP. No fim desta baladinha repete mais dois refrões e a faixa é finalizada pelo moog de Emerson mais a bateria de Palmer.
 


Por Dinix

O Emerson Lake and Palmer já começa arrebentando no seu trabalho de estréia; indubitavelmente um dos melhores discos de estréia de todos os tempos. Tento imaginar a sua repercussão na época, com o grupo trazendo ao cenário do rock um som completamente inovador. Quando escutei este disco pela primeira vez, surpreendi-me bastante com o seu material insólito, e ainda mais que na ocasião eu pouco conhecia o universo progressivo, só mesmo algumas bandas mais digeríveis. Keith Emerson já mostra de cara que veio para ficar na história do rock; é certamente um dos maiores tecladistas a nível mundial com uma agilidade simplesmente assustadora. Carl Palmer também não fica atrás em sua bateria, e o baixo de Gregg Lake sempre dá conta do recado. A voz de Lake também sempre foi tida com uma das mais seguras do progressivo.
O álbum abre com a extraordinária "The Barbarian" onde o grupo dá um show de virtuosismo e sincronia. Música de tema um tanto sinistro com muitos arranjos de primeira linha; a bateria do desfecho é surpreendente. "Take a Pebble" é muito boa também com uma melodia de arrasar, enquanto o piano faz arranjos magníficos. O baixo também está muito em evidência. Alguns trechos instrumentais são ótimos com perfeita sincronia entre bateria, baixo e piano. A única falha da música, ao meu ver, é um trecho no meio só no violão em que os arranjos deste são muito fracos, não estando à altura dos demais arranjos da música. Esta parte acaba ficando arrastada e sem graça, mas mesmo assim não compromete tanto o restante da faixa.
"Knife-Edge" é muito boa também, tem melodia muito bem trabalhada e ótimos arranjos - alguns já com uma das marcas registradas da banda que é o arranjo com dois pequenos trechos que se alternam de forma rápida, sendo que geralmente um deles é constituído somente por órgão e o outro por bateria, baixo e outro teclado. Veremos muito disso no disco seguinte, "Tarkus (71)".
"The Three Fates" é um instrumental bem irregular só de autoria de Emerson dividido em três partes. A primeira, "Clotho", só num órgão parecendo daqueles de igreja (a faixa especifica que é o órgão do Royal Festival Hall) é muito sem sal não dispondo de um tema definido. A segunda, "Lachesis", é um piano solo que serve mais para Emerson exibir o seu talento; os arranjos são extremamente bem elaborados mas não chegam a agradar muito. A terceira parte, "Atropos", é a melhor com peculiares arranjos bem dissonantes de três pianos e muita percussão menos comum. A faixa toda acaba valendo a pena por esta última parte muito interessante.
"Tank" é uma música também instrumental que pode praticamente ser dividida em três partes bem distintas. No final da primeira há algumas frases bem rápidas tocadas em perfeita sincronia entre o baixo e dois teclados de timbres incomuns enquanto a bateria faz as intercalações até no momento em que todos se juntam. A segunda parte infelizmente é um solo de bateria que por mais interessante que seja não deixa de incomodar um pouco. Mas ele fica muito mais tolerável quando sabemos que ele vai dar na terceira e ótima parte onde o tema principal vai sendo tocado em várias alturas diferentes no teclado e elas vão se juntando aos poucos até que aparece um saliente moog fazendo um solo bem eloqüente.
O disco fecha com "Lucky Man", sem dúvida a faixa mais fraca de todas. É uma balada bem simples, mas com refrão até bonito e com o moog de novo aparecendo no final. Ela tem um desfecho até interessante onde a bateria e o moog ficam sozinhos durante um tempinho.
Na minha opinião, o maior problema no grupo sempre foi Gregg Lake com a sua tendência pop. Todo disco tem sempre uma baladinha sua; geralmente elas são até simpáticas, mas o problema é que não têm nada a ver com o trabalho progressivo de altíssima qualidade do conjunto. Acho até que Gregg Lake deve ter sido o maior responsável pela decadência absoluta da banda na segunda metade da década de setenta. Haja visto a gravação de "C'ela vi", de sua autoria, que é uma das coisas mais horríveis que já escutei em toda a minha vida. Perto dela baladas como "Lucky Man" ficam até boas demais.