
EUA, 2004.
Músicos:
Mike Patton / vocais, ruídos diversos
Buzz Osborne / guitarra elétrica
Trevor Dunn / baixo elétrico
Dave Lombardo / bateria
Faixas:
1) Surgical Sound Specimens From The Museum Of
Skin (74:16)
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Fantômas
Delirium
Cordia
Dados da resenha:
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Durante muito tempo
li/ouvi panegíricos em prosa e verso à carreira
de Mike Patton, todos salientando o progressivo
alopramento experimental do supracitado cidadão.
Além de ter criado bandas como Mr. Bungle,
Fantômas, Tomahawk, Lovage e Peeping Tom, Patton
lançou escalafobéticos álbuns solos pela Tzadik
do mastermind
John Zorn, gravou com notórios terroristas
sônicos como Masami Akita (Merzbow), Billl
Laswell, o próprio Zorn, produziu Deus e o Diabo
no âmbito da esmiralhação sônica, etc, etc, etc;
nada disso, todavia, lograva superar minha
arraigada desconfiança, cevada pelo hórrido
pop rock
metido a 'alternativo' do Faith No More, sua
primeira e mais notória banda; aliás, já no
escopo de seu
sejour com o FNM, Patton brindou-nos com
os dois primeiros álbuns do Mr. Bungle (Mr.
Bungle - 1991 e
Disco Volante
- 1995), onde exercitava de forma brilhante um
avant metal
zappiano pós holocausto nuclear, sobretudo no
segundo disco, quando assimetrias jazzísticas à
R.I.O
foram adicionadas à receita. Confesso, todavia,
que não prestei atenção a tais discos na época
em que foram lançados.
Qual foi não, portanto, minha gratíssima
surpresa quando
Delirium Cordia (2004), penúltimo petardo
do Fantômas, caiu por acaso em minhas mãos, o
que célere me fez correr atrás do
back catalogue
'pattoniano'! O álbum em tela seria algo como a
trilha-sonora para um filme de horror
imaginário, uma suíte de 75 multiformes e
surpreendentes minutos: trata-se, minhas
senhoras e meus senhores, de um glorioso
cataclisma sonoro, uma avassaladora fusão
termonuclear cujos principais elementos são uma
espécie de
heavy metal ultra-hiper-mega
avant garde
do, sei lá, século XXIV ou XXV,
turbinado/violentado por rajadas furiosas de
free-jazz
a la Zorn (Naked City, Masada), por matizes de
R.I.O,
inflexões demoníacas de
Zeuhl/Gothic
Rock, ruídos ambientais, sussuros
ameaçadores e silêncios sepulcrais. A parte
gráfica do CD é, vale dizer, um caso a parte
cujo impacto visual não quero vulgarizar nesta
breve resenha. Em suma: um dos melhores discos
de rock experimental a assombrar a Terra nos
últimos anos!
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