Gary Green - guitarras elétricas, violões, vocais de apoio. Kerry Minnear - teclados, piano elétrico, percussão, vocais principais. Derek Shulman - vocais principais, saxofones, percussão. Ray Shulman - baixo, violino, percussão, vocais de apoio. John Weathers - baterias, percussão, vocais.


Faixas:
1. Just the same - 5:29
2. On reflection - 5:28
3. Free hand - 6:15
4. Time to kill - 5:10
5. His last voyage - 6:23
6. Talybont - 2:43
7. Mobile - 4:47


Gentle Giant - Free Hand (1975)
 

Quando a gravadora WWA Records pediu ao Gentle Giant na ocasião de "The power and the glory" (1.974) que enviassem uma demo como o propósito de ter canções comerciais e se tornarem mais pop, a banda enviou uma demo que acabou se transformando num compacto (a faixa é bonus em CD) com o nome do título do album e em resposta a WWA entregou uma que a gravdora pensando ser algo bom para entre eles retiram no mesmo momento o que acabou fazendo um desrespeito e insulto ao GG e ocorrendo uma troca de xingamentos e ofensas que fez com o grupo fosse expulso do selo. Dias melhores para o GG vieram não muito tardar e com as apresentações feitas de "The power..." nos Estados Unidos, extendidas até o ano de 1.975, lhes causou um fornecimento de um telegrama para serem convidados a fazerem parte da Chrysalis Records que posuia o "Jethro Tull" (banda também folk, assim como o GG que abriam as apresentações ao JT), "Procol Harum" e outros mais e contratados teriam novo trabalho chamado "Free hand".

A contratação pela Chrysalis não foi a toa, tudo foi pelo o motivo de o GG abrir as apresentações para o "Jethro Tull" o que fez com que o dono, Terry Ellis se surpreendesse por uma banda que dificilmente havia visto pelo tipo de música da qual tocavam. Minnear citou mais tarde que se não fosse por Ellis o GG não estaria na estrada da música e o relacionamento entre a banda e Ellis era muito amistoso. A contratação da nova gravadora começaria a afastar o GG daquilo que eles faziam desde o album de estréia "Gentle Giant" (1.970) e começariam por ventura uma outra mudança na música que criavam e além disso o grupo precisava pagar as dívidas que possuiam com a gravadora anterior, a WWA Records que deu possibilidade de fazerem 2 trabalhos também muito bons por sinal.

Aproximadamente em abril de 1.975, o GG estaria indo a estúdio para fazer gravações com o seu novo trabalho saindo em julho daquele ano nos Estados e antes que fosse divulgado mesmo na sua terra natal na Inglaterra chegando as mãos deste público em setembro e possuem pouco tempo para descansar pois novamente retornam aos palcos para as apresentações e divulgação do trabalho e num pique que só dariam uma pausa a medida que fosse para os estúdios novamente para que no início de 1.976 eles gravassem o album "Interview" (1.976). No caso de "Free hand" com respeito da gravadora anterior está aproximadamente um tanto daquilo que estreiaram em "In a glass house" (1.973) e assim o grupo deu a um resultado que também os facilitou de um acesso maior ao público com a música que eles elaboravam, portanto para a grande maioria dos ouvintes, fãs e crítica este é considerado um album mais viável para aquelas pessoas novas que tem interesse de conhecer o que é o GG e também sendo como o melhor até então gravado para estas pessoas que já conhecem a obra completa do grupo.

"Free hand" é considerado o album que mais vendeu no mundo e que de certa forma é bem possível que o GG estava pretendendo ter ambição de querer a partir daí "conquistar" o mundo com sua música. Uma ressalva no que diz a respeito de vendas do album: só pra se ter uma idéia em CD este album do GG foi realizado por 4 das 6 distribuidoras que comercializam este trabalho do grupo em 5 anos!!!!!! Os brasileiros também podem encontrar o trabalho que já saiu em edição nacional embora em vinil, uma pérola para os amantes do GG e dos bolachões.

Com o sucesso de "Free hand" o GG realmente se equilibrou na sua ascenção comercial, porém as coisas não foram tão simples assim como eles haviam imaginado; eles tiveram que continuar trabalhando e viajando mundo afora numa excursão árdua na Europa e America do Norte (tendo o Canadá também incluso), mas independentemente das dificuldades que tinham o grupo continuou numa boa totalmente nivelado e equilibrado com o novo material e daquilo que já havia sido gravado desde quando eles surgiram no mercado fonográfico. A estrela não escureceu, porém não se iluminou mais ainda. A banda ainda de qualquer maneira tem a sua complexidade ao caminho que geralmente trilhavam, mas observa-se que o conjunto parece ter refletido sobre aquilo que a indústria da música exigia, uma pena que por outro lado, não haveria outro grupo semelhante (exceto raros exemplos como "Amazing Blondel", "The Albion Band", "Steeleye Span", "Gryphon" e entre outros pouqíssimos deste esquema musical) que fizesse o mesmo que o GG criou no seu tempo.

Pode não ser o maior album definitivo de rock progressivo, mas sem sombra de dúvidas "Free hand" ficou comercialmente acessível pelo menos para aquelas pessoas que seriam novos ouvintes desta banda estilo medieval. Por falar em medieval que ainda está presente neste album, a sonoridade também não se deixa levar com o renascentismo, algo muito incomum de bandas que fazem o estilo de folk-prog o que caracteriza "Free hand" um trabalho tão adorado para aquele público na época que incrivelmente das 7 faixas existentes apenas 3 delas foram inclusas no set-list do GG. Não ocorreram compactos lançados na época só mais posteriormente num tempo que foi lançado "The missing piece" (1.977), uma outra era da banda e um dos pontos positivos do album é novamente a duração final com apenas 36 minutos de duração, o que novamente o GG poderia ter sido mais ousado em colocar pelo menos mais uma faixa.

A produção foi feita novamente por Gary Martin do mesmo album anterior, "The power and the glory" (1.974) com o auxílio de Paul Northfield que já havia trabalhado com a cantora Roberta Flack e o ex-guitarrista e fundador do "Yes", Peter Banks em "The two sides of Peter Banks" (1.973). A arte gráfica partiu da idéia do GG com a colaboração de Richard Evans dando uma impressão de que o GG estava precisando se livrar de um conceito próprio para facilitar a outras pessoas também a terem possibilidades em receber satisfatoriamente a música do grupo em seus ouvidos e infiltrar em seus sentimentos. A versão em CD fez uma tiragem em que ocorre um erro gráfico de impressão do qual afirma que o album é de 1.972, sendo que na realidade é de 1.975 a gravação.


"Just the same" - faixa de abertura de do album "Free hand" foi colocada no set-list do GG nas apresentações ao vivo, alias as 3 primeiras faixas de "Free hand" são as únicas que impressionantemente aparecem aos palcos. Esta neste caso acabou por sendo utilizada até a turnê de 1.977 e foi empregada por um período como abertura nas apresentações como numa versão ao vivo interessante editada em "Playing the fool" (1.977) seguida da "Proclamation" do album "The power...". A faixa tem um pouquinho também do gênero funk com sessões de acordes um tanto repetidos num esquema um parecido como em "Proclamation". "Just the same" é uma faixa considerada favorita de boa parte do público do GG, só o início da mesma que apresenta um começo surpreendente com simples estalos de dedos provocando o ouvinte a também a fazer o mesmo (apesar de que aparenta ser de um ritmo 7/4) com canais de som que ficam numa alternância recebendo o teclado de Minnear numa repetência de acordes e recebendo também a guitarra de Green (detalhe: em CD é necessário que o ouvinte tenha um aparelho com equalizadores que possa fazer distribuição de canais porque senão um deles não escuta a guitarra e outros instrumentos) e repentinamente entram o baixo e as baterias com o vocal de Derek que irá fazer 2 refrões com vários toques de sopros de saxofones, na parte solo instrumental a melodia é relativamente suave com a guitarra e depois vindo os sintetizadores quando é interrompido novamente pelo ritmo que iniciou a faixa e aí Derek parte para mais um terceiro refrão finalizando a música aos poucos deixando apenas os estalos dos dedos apenas. Pelo visto é considerada uma faixa muito adorada pelos fãs tanto que existe também uma versão feita em tributo no album "Giant tracks" (1.997).

"On reflection" - provavelmente esta é uma das faixas que tem o melhor momento de desenvoltura do GG deste album, alías do conjunto também. A faixa mostra que o conjunto tem um ótimo entrosamento entre os vocais de 4 dos 5 integrantes do GG, e o equilíbrio destes 4 vocais sendo executados é muito emocionante feito sobre a forma medieval. Uma espécie de "canto Gregoriano" dos anos 70 em pleno século XX. Acredita-se que o GG aqui neste caso tenha sido uma das pouqíssimas bandas contadas nos dedos (bandas de rock progressivo relacionado ao gênero sinfônico e folk) tenha feito algo parecido. O grupo explorou algo até parecido em "Knots" do album "Octopus" (1.973) ou um meio sonoro próximo daquilo que o "Yes" gravou em "I´ve seen good people" no "The Yes album" (1.971) ainda que da forma melodiosa que também é existente para estes casos. Como se não bastasse a medida num determinado momento tem cada integrante cantando as frases da faixa em seus momentos certos e tocando um instrumento. Foi uma das faixas que o GG incluiu no set-list deste trabalho. A primeira parte inicia apenas em vocais começando com um depois entrando junto um segundo, vindo mais um terceiro e acrescentando finalmente um quarto vocal. A ordem dos vocais são de Derek, Ray, Kerry e Gary e após o primeiro refrão cada músico fará o mesmo processo de vocais com cada qual executando um instrumento até ficarem 4 vocais tocando 4 instrumentos (3 instrumentos melodiosos sob a forma de percussão e um piano elétrico). Vindo a segunda parte estará apenas Kerry cantando numa tranquilidade até que é conduzido apenas pelos instrumentos como o violino, flauta, vibrafone, e outros. A última parte recebe um riff de Green recebendo outros instrumentos da banda até possuir em conjunto as baterias de Weathers que só aparecerão nesta ocasião finalizando aos poucos a faixa. A desvantagem em CD é que o usuário deve ter um bom equipamento contendo equalizadores porque não está bem proporcionado os canais de gravação. Uma versão ao vivo desta faixa foi feita um tanto improvisada e bem dramática e emotiva no album "Playing the fool".

"Free hand" - a faixa título se manteve no set-list do grupo até que eles finalizassem suas atividades em 1.980, sua última turnê. Ela também permanece como uma das faixas que resultaram um efeito muito esforçado do grupo no aspecto da forma como o album "Free hand" propunha ao público pela facilidade de ouvir. Possivelmente foi elaborada a fim de demonstrar a expressão de otimismo que a banda teve com a saída na gravadora WWA Records. Os teclados se tornam uma espécie de "enchimento" de vida no GG para esta música junto com os vocais um tanto "nervosos" de Derek (Minnear faz os vocais da sessão do meio da faixa). O estilo meio jazzístico é bombástico conforme vai se obtendo o crescimento da melodia e o mais interessante é que quando a banda entra na sessão mediana da faixa eles ficam numa espécie de orquestra como se estivessem tocando uma valsa (na parte do solo instrumental). Sem dúvidas é uma das músicas deste album que também merecem um crédito muito grande para a apreciação do ouvinte.

"Time to kill" - aqui inicia o outro lado do album. "Time to kill" é algo pelo visto daquilo que o GG já fez muito proximamente em "Working all day" em "Three friends" (1.972) e possivelmente nunca mais retornariam a fazer algo parecido já que comentado anteriormente o album aqui em questão é muito mais acessível no aspecto de sonoridade para um ouvinte. Curiosamente a faixa também se tornou coincidentemente uma das já elaboradas pelo grupo de rock progressivo "UK" no album de estréia "UK" (1.978). Apresenta também curiosamente no início efeitos sonoros de um jogo de video-game antes da febre da Atari, o "Pong", o mesmo parecido com aqueles dos anos 70 que não eram insediros cartuchos e já continham jogos com as matrizes feitas só em linhas horizontais e verticais. E pode se escutar alguns dos membros (!?) gritando "Gol" quando antes fazem um ponto ao seu favor. Um outro tempo e a faixa aqui é o que diga!!!! Ao mesmo tempo também é um tanto agressiva com a entrada da guitarra junto com as baterias, mas aos poucos vai cedendo a sonoridade se tornando suave e melódia com um notável coro dizendo "Ah-ah-uh-uh". O destaque vale ao baixo de Ray se variando em várias linhas conforme os temas que vão surgindo.

"His last voyage" - é a maior faixa do album com 6:30 de duração. Muito melodiosa, tranquila e algo já feito anteriormente como em "Aspirations" e/ou "No God´s man" do album anterior "The power..." pelo menos nas partes as quais antendem aos refrões da faixa. Já na seção do meio da música se torna como se fosse uma melodia meio de estilo canon dividos os vocais em 3 partes como algo já feito também em "Advent of Panurge" do album "Octopus", além disso apresenta também um notável solo de guitarra de Green. Tem como o vocal de Kerry Minnear sendo o principal e novamente o baixo também já surpreende o ouvinte em sua linha melódia junto com instrumentos de percussão.

"Talybont" - é a menor faixa do album com pouco mais de 2:30 de duração e também sendo a instrumental do album já que a última até então foi feita no album "Octocpus" em "Boys in the band". Ficou moldada em um estilo bem do que é o GG, em forma medieval, longe de qualquer coisa que designe a palavra "pop" no meio cultural musical e sendo inclusive trabalhada de uma maneira muito simples e simpática. Uma curiosidade: se o ouvinte observar calmamente a faixa perceberá que a melodia como um todo é quase que parecida quando a "Just the same", deste album, se estivesse sendo tocada no momento em que Derek canta. Segundo a banda "Talybont" foi um pequeno aposento onde o baterista John Weathers viveu na Britânia. Outro detalhe seria que esta faixa seria feita para um filme retratando a estória de Robin Hood num suposto filme a ser lançado porém como isto não ocorreu o GG se garantiu aqui no "Free hand" gravando a mesma. Se isto acontecesse, possivelmente o GG seria muito mais conhecido do público e além disso nada impediriam que eles gravassem coisas mais além do que este material aqui apresentado em "Talybont".

"Mobile" - a faixa retrata o sentimento do GG que tinham de insegurança e incerteza na vida da estrada da música. Esta música é um tanto interessante, apesar de ser agressiva musicalmente a sonoridade parece ser como se fosse de um estilo "punk-medieval" e olhe que em meados da década de 70 o gênero "punk" estava começando a dar suas caras. O GG só se entregaria facilmente em aspecto de sonoridade em faixas como "For nobody" do album "The missing piece" (1.977), não muito tardar do album "Free hand", mas por enquanto o público que apreciasse coisa parecida queira ou não teria de "enfrentar" esta faixa, que a princípio é até simpática já que tem várias presenças de violinos e logo ao início da faixa. A percussão pesada de Weathers provoca praticamente o clima deste resultado que encerra o album "Free hand".