Robert Fripp - guitarra, violões acústicos, vocais de apoio. Michael Giles - bateria, percussão, vocais. Peter Giles - baixo, vocais. Nick Hopkins/Mike Hill - teclados, piano. The Breakaways - vocais de apoio. Ivor Raymonde - arranjos de orquestra.Ted Barker/Cliff Hardie - trombones. Charles Tunnell/Anthony Ford - violoncelos. John Coulling/Rebecca Patten - violas. R. Cohen/W. Reid/K. Isaacs/G. Salisbury/B. Pecker/G. Fields - violinos.


Faixas:

1. North meadow - 2:29
2. The saga of Rodney Toady, Pt. 1 - 0:29
3. Newly-weds (versão do album original em estéreo) - 2:07
4. The saga of Rodney Toady, Pt. 2 - 0:27
5. One in a million (versão do album original em estéreo) - 2:25
6. The saga of Rodney Toady, Pt. 3 - 0:19
7. Call tomorrow - 2:32
8. The saga of Rodney Toady, Pt. 4 - 0:25
9. Digging my lawn - 1:50
10. The saga of Rodney Toady, Pt. 5 - 0:15
11. Little children - 2:47
12. The crukster - 1:34
13. Thursday morning (versão do album original em estéreo) - 2:50
14. How do they know - 2:15
15. Just George, Pt.1 - 0:12
16. Elephant song - 3:15
17. Just George, Pt. 2 - 0:10
18. The sun is shining - 3:07
19. Just George, Pt. 3 - 0:13
20. Suite n. 1 - 5:34
21. Just George, Pt. 4 - 0:14
22. Erudite eyes - 5:02
23. She is loaded - 3:19
24. Under the sky - 4:07
25. One in a million (versão de compacto mono) - 2:30
26. Newly-weds (versão de compacto mono) - 2:49
27. Thursday morning (versão de compacto mono) - 2:58
28. Thursday morning (versão de compacto estéreo) - 2:57


Giles, Giles & Fripp - The Cheerful Insanity of Giles, Giles & Fripp (1968)

Por Steve Hillage

Não existem dúvidas que este é o trabalho que deu origem a um dos grupos de rock progressivo do tipo sinfônico do cenário inglês e que no ano posterior de seu lançamento o mundo conheceria sob o nome de King Crimson. Sob o título de "The cheerful insanity of Giles, Giles and Fripp" praticamente é um trio formado pelos irmãos Peter Giles no baixo e vocais, Michael Giles nas baterias, percussão e vocais e Robert Fripp na guitarra e alguns vocais além de diversos convidados. Mas as raízes deste trio estão no início dos anos 60.

Tudo começou a partir dos irmãos Giles que tocaram em diversas bandas do cenário do rock como "Johnny King & the Raiders", "Dave Anthony & the Rebels", "Dowland Brothers", e "Trendsetters Ltd.", este último, que tiveram um período de duração maior (isso tudo entre o início de 1.960 até a metade 1.967) fazendo diversas apresentações e lançando vários compactos a dupla começou a se incomodar com a paupérrima fama que praticamente não saia do "zero" e resolveram formar uma banda própria e este integrante estaria para satisfazê-los em princípio a saber por quê.

Voltando mais ao tempo em 1.946 nascia na Inglaterra Robert Fripp e sua infância escolar era interessada na literatura, mas não a música em momento; a experiência inicial de sua vida era a disciplina (tanto que Fripp relaciona esta analogia como vital ao ser humano quaisquer que seja determinado assunto, locais e momentos). A palavra disciplina fez inclusive com que Fripp renascesse o King Crimson no início dos anos 80 como o nome de "Discipline", mas os membros desta época preferiram que se mantivesse o nome original da banda.

No Natal de 1.956, seus pais lhe presentearam o primeiro violão e Fripp começou a descobrir que a música iria fazer parte de sua vida tendo experiência tocando em restaurantes, hoteis e acompanhando diversos cantores já que não tinha preferência por fazer os vocais. Suas influências musicais eram os americanos como Little Richard, Elvis Presley, Chuby Checker, Chuck Berry além de jazz e blues que iam desde Robert Johnson até Django Reinhardt (nesta época que Fripp se desenvolvia a sua paixão pela música o cenário do rock ainda não era até então extremamente forte mundialmente porque o jazz ainda cativava a milhões de pessoas. Nem sequer ainda existiam "The Beatles" ou "The Rolling Stones"). O jovem Fripp ficou numa banda de um hotel por onde acabou sendo contratado e harmonizando com ritmos de valsas, tangos, foxtrots, twists, polcas sendo neste meio conhecendo o também jovem Andy Summers (que mais tarde fundaria o conhecidíssimo "The Police" fazendo também as guitarras, além de gravar nos anos 80 dois albums em forma de duo).

Entretanto seu pai o requisitou para tomar conta de seus negócios o que deu uma oportunidade de Fripp se ingressar na Universidade Bournemouth por onde estudou economia e política tirando notas altíssimas (observe que além de Fripp manter o que ele considera em sua carreira a disciplina musical, associa-se que em tempo está também obviamente relacionado a área econômica e política no que diz respeito ao meio musical).

O jovem guitarrista "encara" o pai dizendo que irá seguir a carreira como músico já que provaria que seria possível colher a disciplina que lhe foi ensinada dentro de sua família e forma uma banda chamada "Cremation" que fez poucas apresentações e mudaria de nome se chamando "The League of Gentlemen" (em 1.981 Fripp lançava um album solo com este título) que tinha também o músico Gordon Haskell (que mais tarde viria ser membro do King Crimson a partir de 1.970 no lançamento do album "In the wake of Poseidon") e tomaram a liberdade de lançar um compacto em 1.965.

A satisfação dos irmãos Giles seriam por volta da metade de 1.967 quando Fripp fez um teste com eles e enviando demos que na realidade estavam procurando por um tecladista e fizesse também os vocais, mas se interessaram pelo talento de Fripp. Detalhe: conta-se que Michael Giles ficava olhando Fripp acima e embaixo várias vezes nos testes até que Fripp tinha questionado se Michael (que na realidade era o mais velho desses três integrantes) havia gostado da "audiência" e se encaixava no perfil desejado quando o baterista respondeu um tanto desconfiado que não deveria se tirar conclusões apressadas entre eles, mas acabou topando contratar Fripp.

O trio repentinamente chegou a ser um quarteto pois havia também um tecladista/acordeonista chamado Doug Ward que ficava regularmente dando apoio aos três até que sofreu um acidente de automóvel o que impediu de continuar na banda e então espertamente eles se batizam com um nome de banda óbvio; "Giles, Giles and Fripp" ou simplesmente "GGF" seriam chamados posteriormente apesar da banda durar pouco tempo. Observe que apareceriam um pouco mais tarde bandas de rp que adotaram as iniciais tanto como nomes de bandas e de nomes próprios como por exemplo o "Emerson, Lake & Palmer" (ELP), "Premiata Forneria Marconi" (PFM), "United Kingdom" (UK) (e note que estas bandas citadas curiosamente tem também relações com o GGF pois já citado anteriormente é a pré-formação do King Crimson).

Criam um repertório próprio com músicas elaboradas entre os anos de 1.965 e 1.968 quando conseguem um contrato com a gravadora Deram, uma "holding" pertencente a Decca Records que tinha grupos como o "The Moody Blues", "Caravan" e lançando em setembro de 1.968, esse trabalho que vendeu no primeiro ano menos de 600 cópias (para se ter uma idéia do prejuízo que a Decca teve com eles por exemplo apenas uma cópia foi vendida na Suécia!!!!) chegou a ser lançados 2 compactos, mas também em compensação nenhuma apresentação ao vivo foi realizada a não ser audiências nas rádios o que resultou num album chamado "The Brondesbury tapes" (2.001), mas ai é outro caso.

O lançamento posterior deste album fez com que a Decca dispensasse os músicos, mas o que a gravadora não botaria fé é que no ano seguinte em 1.969, já com outra formação e outro nome (King Crimson) Fripp junto com Michael Giles gravariam um album sensacional e muito conceituado no gênero do rock (inclusive progressivo) chamado "In the court of the Crimson King". Aliás a Decca também não apostou no sucesso dos "The Beatles" e no no de 1.970 dispensaria o "Genesis" que acabou gravando o album de estréia "From Genesis to revelation" no ano de 1.969.

Na prática da realização do trabalho não é exclusivamente um trio como muitos pensem quem não conhece a banda; o GGF possui vários músicos como o apoio dos vocais de "The Breakaways" (auxiliaram nos vocais também para Dusty Springfield, Burt Bacharach além de outros), Nick Hopkins (já tinha tocado com "The Kinks", "The Beatles" e especialmente com "The Rolling Stones" o qual seria considerado o sexto integrante da banda infelizmente falecido nos fins de 1.994 por problemas de saúde) e Mike Hill nos teclados, sobre a regência de Ivor Raymonde (trabalhou na mesma época junto com Dusty Springfield, Alan Price e Cat Stevans) que conta uma seção de metais formada por Cliff Hardie e Ted Barker nos trombones, e outra de cordas formada por Charles Tunnell/Anthony Ford nos violoncelos, John Coulling/Rebecca Patten nas violas e R. Cohen/W. Reid/K. Isaacs/G. Salisbury/B. Pecker/G. Fields nos violinos.

Em termos de produção do trabalho tem como Wayne Bickerton, o principal mentor sendo auxiliado por Bill Price. Nas faixas bonus em CD possui auxilio de Martin Smith e Terry Johnson. Teve um relançamento de vinil em 1.975 e em CD foi relançado com bonus-tracks em 1.992 e em 2.001; existem 2 capas diferentes sendo uma original inglesa com o trio fotografado sorridentemente com um fundo claro e a americana com o trio fotografado mais seriamente sob um fundo de cor escura.

A música de maneira geral difere daquilo que o King Crimson inaugurou no mercado musical, tem pouquíssimos momentos progressivos; imagine uma situação que o King Crimson estivesse entrando em cena a uns 5 anos antes de sua estréia em 1.969 num ano de 1.964 por exemplo. A sonoridade soa como se fosse competir com bandas do tipo "The Kinks", "The Beach Boys", "The Moody Blues" ou "Manfred Mann" bem estilo dos anos 60. Se não houvesse apoio da grande quantidade de músicos participantes e apenas como trio talvez GGF estaria naquele ano de 1.968 bem próximos ao lado de bandas como "Soft Machine", "The Nice" ou "Cream" (também nas ocasiões em momentos como trios).

A pergunta é: o que será que eles estavam pensando no resultado deste album? O trabalho em maneira geral com uma listagem muito numerosa em termos de quantidade se diversifica em músicas muito simples (a grande maioria em média de 2 minutos de duração) que vão desde um simples pop, jazz do tipo leve, folk, psicodélico, rythym blues e até música brasileira !!!! Pelo resultado tido com a orquestração e ao mesmo tempo com a música em si tornaram a sonoridade divertida que se solidifica em comédia esparsa, estranha e excêntrica.

Possui duas estórias divididas em trechos introdutórios junto as faixas comuns alternadamente que variam desde a casa de 10 segundos e que não ultrapassam os 30 segundos de duração e a grande maioria das composições foram elaboradas pelos irmãos Giles e o interessante é que outras pessoas que já possuem e já escutaram associam-o como o primeiro solo de Robert Fripp sendo que oficialmente o primeiro trabalho solo composto pelo guitarrista é "Exposure" de 1.979 e neste trabalho ele compôs apenas 3 músicas do album original lançado na época descontando os compactos; o curioso é que não é bem a guitarra de Fripp que está fortemente no trabalho, ela aparece sim bastante, mas é mais a presença esforçadíssima do baterista Michael Giles que além disso também faz boa parte dos vocais. Muitos ouvintes ficarão ora decepcionados e ora surpresos a primeira vez que escutarem o album pois justamente citado anteriormente não soa como o King Crimson (a grande verdade é que o King Crimson não possui ao longo da carreira tanto nos anos 70, 80 e 90 uma forma única de som e estilo pois todos os trabalhos são completamente diferentes uns dos outros) e este trabalho pode ser nada menos para uma boa maioria um mero item de colecionador.

GGF como uma maioria das bandas sem estabilidade musical teve mudanças após o lançamento deste trabalho: a banda encontrou com a ex-vocalista Julie Dyble (da banda "Fairport Convention") sendo que esta cantora tinha consigo o multi-instrumentista Ian McDonald que escrevia composições chegando a ficarem juntos por um tempo até que a cantora sai do GGF e Peter Sinfield um poeta e amigo de McDonald se integra na banda depois de deixar o cargo de operador de computador numa empresa que estava trabalhando por anos. Detalhe: "I talk to the wind" que foi lançado no album de estréia do King Crimson, "In the court of the Crimson King" em 1.969 foi tocado no GGF em audições executadas nas rádios inglesas. E a partir da saída de Peter Giles para ser um executivo de negócios que tem como substituto Greg Lake o GGF planejaria o próximo passo que seria então nascer o King Crimson em janeiro de 1.969.


"North Meadow" - a faixa de apresentação retrata sobre a vinda da primavera e o balanço das árvores ao vento. É esparsa e completamente sonora do início ao fim. A seção de metais, especialmente acompanha o baixo, bateria e surgem simples acordes de piano sendo que surgem os vocais e a medida que termina o refrão Fripp sola a guitarra de maneira muito simples acompanhada pela seção de metais, especialmente o trombone. No fim do segundo refrão a guitarra é acompanhada pelo restante da banda assim como o restante dos músicos e em algumas ocasiões interrompidas pelo trombone até finalizar o fim da faixa.

"The saga of Rodney Toady" - é uma estorinha engraçada que relata sobre o drama de um gordo que nunca teve oportunidade de namorar com mulheres e garotas por ser justamente o que é além de ser feio. Detalhe: é possível que os integrantes decidiram utilizar essa estória como um meio de orientar o que eles definiriam mais tarde nos futuros albums do King Crimson. Esta é uma das faixas (se é que poderíamos de chamar de música pois só tem vocais) compostas por Fripp que inclusive participa dos vocais interrompendo o principal. Na realidade é composta por 5 partes introdutórias que se dividem alternadamente antes de uma determinada faixa musical e faz parte do primeiro lado do album são nada menos que minúsculas faixas que vão entre 15 e não ultrapassam a casa de 30 segundos de duração.

"Newly-weds" - tem participação do vocal de apoio nitidamente de Fripp; imagine Fripp cantando...é um tanto desafinado que talvez seje engraçado para alguns ao ouvirem ou ridículo para outros. Daí entende-se porque Fripp não faz questão alguma desde quando ingresso no universo da música fazer os vocais e sim tocar. Saiu num compacto junto com a faixa "One in a million" com uma versão um pouco diferente tendo guitarras um tanto mais pesadas e piano incluso no início e fim da faixa e pouca presença de órgão que está mais presente na versão do album original. Os versos da música retratam sobre os princípios do casamento e é tipo uma valsa-jazz (observem Michael Giles tocando bateria com escovas de vassourinhas do que com as baquetas). Tem boas presenças de órgão e um curto solo de bateria no fim da faixa.

"One in a million" - A pergunta é quem toca flauta nesta faixa? Mas a outra questão é qual seria o objetivo da faixa em relação sobre as letras? Pois num ano de 1.968 que o mundo estava entrando numa guerra, no caso do Vietnã, pessoas protestando sobre a forma de vida e uma grande quantidade de pessoas se aderindo ao movimento Hippie (isso sem contar diversas bandas que faziam músicas sobre protesto e mudanças na sociedade) e a faixa comenta sobre convservar valores morais, celebrar a classe média por um sujeito de meia idade que tem de se preocupar com o seguro de pensão de um casal. Parece sem significado, mas é o que estava ocorrendo naquela época. Observem que inclusive nos albums do King Crimson Robert Fripp parece não dar muita atenção ao movimento Hippie, e acaba sendo muito conservador socialmente. A explicação mais possível seria porque foi composta por Michael Giles em 1.965 bem antes do GGF. A faixa de maneira geral é bem de um estilo feito estruturalmente de música pop. Inicia sob acordes simples de guitarra e bateria junto com o baixo e o vocal do baterista que coordena e aos poucos surge uma flauta quando a guitarra trabalha mais dedilhada e surge uma seção de cordas que completa o refrão e é repetido por uma segunda vez finalizando a faixa. Foi lançaa em compacto em versão mono.

"Call tomorrow" - é uma faixa meio estilo dessas tocada em igreja, bem de paróquia e não possui baterias/percussão, baixo e guitarra e apenas possui um órgão como principal instrumento com algumas notas de piano tocadas fortemente. O órgão e os vocais por sinal estes tornam um ambiente bem característico a medida que a faixa vai sendo tocada.

"Digging my lawn" - outra faixa estilo valsa-jazz também muito tranquila com simples acordes de guitarra acompanhadas pelo baixo, bateria e vocais. O destaque fica por conta do órgão que está após o final do primeiro refrão.

"Little children" - será que Robert Fripp acompanhava a música brasileira naquela época? Esta faixa foi composta por ele e por mais incrível que pareça o resultado é nada menos do que uma pura bossa nova, pois também pudera os anos 60 no Brasil foram tomados muito por conta deste estilo e grandes compositores estrangeiros se obsecaram por esse estilo que era uma "moda" especialmente aqueles que estavam mais enquadrados ao estilo do jazz como Stan Getz, Oscar Peterson, Dizzy Gillespie e outros... mas Robert Fripp que fundaria uma banda como o King Crimson? Será que é a única que o guitarrista compôs na sua vida desse gênero? Pois o GGF chegou a gravar um outro trabalho já anteriormente citado chamado "The Brondesbury tapes" com mudanças na formação mas com várias faixas inéditas. O mais curioso é que naquele ano de 1.968 (lançamento deste album) o Brasil em termos de cultura musical estava entrando na chamada era "Tropicália". A faixa retrata sobre a inocência infantil, a repugnância e afeições desse período do ser humano. Aqui nesta faixa pode se perceptível a paixão de Fripp pelo uso do melotron que seria também uma das marcas registradas do King Crimson do qual também se encarregaria em alguns momentos na banda tocando este instrumento. Há também uma participação dos "The Breakaways". Começa com o ritmo da bossa nova com o baixo e vocais em conjunto com acordes de guitarra de Fripp e conforme o refrão vai sendo executado observa-se o uso do melotron e posteriormente aparece um reforço de vocais que termina o refrão e o ritmo se muda repentinamente por uns instantes até retornar o estilo bossa nova com os vocais dos "The Breakaways" finalizando a faixa.

"The crukster" - essa faixa tem apenas guitarra acompanhada pelos vocais de Michael Giles. Lembra até a faixa "Neurotica" do album "Beat" (1.982) do King Crimson claro que ai seria apenas levando em conta a guitarra e alguns momentos tem recordações de faixas como "21st century schizoid man" do album de estréia e "Pictures of city" do album "In the wake of Poseidon" (1.970) e ainda parece lembrar elementos quando Robert Fripp fundou também nos anos 80 "The League of Crafty Guitarrists". Michael Giles dá uma impressão de se preocupar em citar as letras que contam sobre angústia e perda de esperança já que a guitarra de Fripp parece um tanto "nervosinha" e observa-se ruídos de "explosões" feitos pela guitarra em duas vezes, o que no caso a torna uma das faixas psicodélicas do album com um pouco mais de 1:30 de duração e a menor do album como música. Aqui neste caso mesmo com os efeitos de época bastante primitivos é bem provável que o guitarrista desenvolveria sua afinidade com a música de uma maneira disciplinar que pode ser constatada ainda que em exclusividade em seus albums solos.

"Thrusday morning" - foi também realizada num compacto. Em CD foi realizada a do album orginal assim como mais outras duas como bonus-tracks (o total de 3 faixas deste mesmo título num mesmo CD - versões de compactos lançado em forma estérea e mono). É uma das músicas mais melódicas e bonitas inclusive do album. Adere a um estilo clássico possuindo um estilo meio barroco e o motivo é que ao longo da faixa explicitamente tem arranjos idênticos do músico barroco Antonio Vivaldi de "Concerto em Ré - Segundo movimento" de Fripp na guitarra solando em conjunto com um violoncelo. Curiosidade: Steve Howe, guitarrista do Yes gravou esta canção no album "The Steve Howe album" (1.979) e coincidentemente com arranjos de cordas, igualmente tocado neste trabalho (apesar de acrescido de arranjos de sopro) !!!! E olhe que neste caso a orquestração é de um punhado de músicos amadores, mas até então quem vai se incomodar com este detalhe? A faixa prencheu em cheio uma energia muito positiva que lembra "The Moody Blues" em "The days future passed" (1.967), também apresentado por orquestra. Os irmãos Giles cantam de uma maneira muito emocionante e muito crescente conforme o andamento desta música. Para se ter uma idéia até aqui é praticamente a metade do album e os ouvintes irão perceber que realmente o album citado anteriormente não tem uma mesma sonoridade, porque em quase todas essas faixas já comentadas são de ritmos e estilos muito diversificados. Como questionado anteriormente: "o que será que eles estavam pensando no resultado deste album?"

"How do they know?" - é uma faixa que mistura marcha e fanfarra com apenas os três integrantes. Começa com fortes acordes de guitarra de Fripp em acompanhado por varios toques de baixo repetitivos de Peter Giles e seu irmão Michael na bateria por alguns instantes quando param repentinamente e iniciam uma melodia tranquilamente num meio ritmo de jazz com os vocais que coordenam os instrumentos variando numa ocasião também a sua sonoridade de vozes um tanto ruidosa e sinistra quando entram em ritmo marcha, lembra um pouco os de Steve Hackett fazendo da mesma maneira no meio da faixa "Carry on up the vicarage" do album "Please don´t touch !" (1.978) ou de Peter Hammill com o Van Der Graaf Generator proximo dos temas finais em "A plague of lighthouse keepers" no album "Pawn hearts" (1.971), mas claro que são situações em épocas diferentes. Retornam novamente repetindo o refrão com vários momentos que tocam os acordes inicais.

"Just George" - "I know a man, and his name is George." "George is his name, and a man I know." "Know I George, his name and a man?" "Man his name is George and I know." Bem, essa(s) é(são) praticamente a(s) letra(s) desta(s) faixa(s) que se subdividem em 4 partes e mal ultrapassam míseros 15 segundos de duração e foram colocadas alternadamente mediante as outras faixas musicais num esquema igual ao de "The saga of Rodney Toady". Não existem instrumentos tocando, apenas os vocais dos irmãos Giles. Ao mesmo tempo é bizzara, hilária e ridícula a impressão que se tem parece que conforme o andamento total das 4 faixas juntas os vocais que inicialmente são junevis se tornam envelhecidos com o tempo.

"Elephant song" - o que faixas como "Elepahnt talk" do album "Discipline" (1.981) e "Cirkus" do album "Lizard" (1.971) ambos do King Crimson tem associado com esta música? Apenas o animal (elefante) mas música por si só praticamente quase nada. Quase, porque no caso de "Elephant talk" existem alguns efeitos sonoros que lembram um ruído de um elefante e esta aqui no caso possui uma sonoridade feita pelos trombones que induz um ruído também de elefante. Aliás a banda inglesa "Nektar" embora formada na Alemanha tem uma música chamada "Nelly, the elephant" do album "Down to Earth" (1.974) e a sonoridade dos instrumentos de sopro que incluem um trombone também faz com que lembre o ruído do animal. Em termos de sonoridade esta faixa tem mais que um lado folk e country que fica também uma outra questão: quem toca a gaita? Michael Giles descreve as letras nos vocais sobre um bilhete de entrada de uma apresentação de circo que inclui sobre a respeito de um elefante e outros personagens que durante o intervalo aparecerão lindas garotas. O destaque é a sonoridade folk-country, a gaita e a guitarra "competindo" com os trombones.

"The sun is shining" - tem uma característica inicial da década de 20 do século passado com um piano acompanhando os vocais de Michael Giles. Em termos de sonoridade em aspecto geral lembra também musiquinha de paróquia. A grande maioria dos fãs brasileiros do King Crimson discordariam, mas a faixa como um todo lembra artistas como Vanderlei Cardoso, Odair José ou Valdick Soriano pois tem a característica de um estilo de música do tipo Brega, portanto deve ser ouvida atenciosamente com muita calma. Nesse ponto, o GGF não deve ter tido o estudo cauteloso de criar algo que está relacionado com este ultimo estilo diferente de no caso da faixa "Little children" (que apresenta bossa nova brasileira), pode sim se tratar de uma coincidência com o passar dos anos. O futuro membro e fundador do King Crimson, Greg Lake, chegou a dar uma entrevista na revista chamada "Goldmine" alguns anos atrás e quando questionado sobre este album do GGF, ele ironizou o tempo todo dizendo ser a coisa mais ridícula e breguérrima que os 3 integrantes responsáveis desta banda tinham feito em toda a face do planeta. Lake de fato estava seguro nesta afirmação (até as fotos do encarte provam da maneira como foram fotografados) porque este trabalho do GGF dá muitas dificuldades para o ouvinte saber qual direção definitiva a banda seguiria. Possui presença novamente de vocais de apoio dos "The Breakways" e um bonito arranjo de cordas.

"Suite n.1" - é a maior faixa do album com um pouco mais de 5:30 de duração. Aqui neste caso mostra o lado clássico de Robert Fripp na guitarra lembrando desde um John Sebastian Bach até Chet Atkins que segura o ouvinte de King Crimson do início ao fim da faixa. Instrumental parece estar dividida em 4 partes: a primeira começa com a guitarra com uma velocidade sendo dedilhada rapidamente em um tempo de 4/4 com 148 toques por minuto e acompanhada pelos irmãos Giles com algumas melodias de piano tocada por Hopkins. A segunda mais tranquila e suave com um melotron ao fundo (deve ser tocado por Fripp, já que o músico possue uma paixão muito grande por este instrumento) junto a toques de baixo e bateria muito delicados dos irmãos Giles com um coro de vozes lembrando "Swingle Singers". Esse trecho também lembra próximo do final da faixa "Birdman" que foi gravado por Michael no album "McDonald and Giles" em 1.970. A terceira parte retorna numa forma meio barroca com um cravo e a guitarra de Fripp por um curto momento sendo que repentinamente (a quarta parte) os músicos retornam acompanhando a rapidez da guitarra de Fripp que deu o inicio a faixa finalizando-a de vez.

"Erudite eyes" - outra valsa mistura ao jazz mas com um pouquinho de psicodelismo ao longo da faixa. A letra comenta sobre sonhos e perseguições misturada meio a música que seria algum início a ser explorado em "Moonchild" do album de estréia do KC. É um tanto estranha mas possivelmente foi feita de uma maneira ambiciosa. Inicia com a guitarra de Fripp que recebe os irmãos Giles citando os vocais da faixa num ritmo declarado anteriormente como uma valsa-jazz e quando as letras são totalmente citadas a faixa começa a entrar num clima de estilo psicodélico por algum tempo até finalizar a faixa.

"She is loaded" - a pergunta é: quem toca saxofone nesta faixa? A resposta é simples: Ian McDonald !!!! Na realidade seria já como se o King Crimson estivesse nascendo porque como foi inclusa em CD como bonus e McDonald inclusive contribui nos vocais. Possui uma estrutura bem em forma de rock de maneira geral que a melodia é às vezes interrompida pelo saxofone e guitarra.

"Under the sky" - e agora quem toca a flauta? Ian Mcdonald também !!!! Apesar da faixa ter sido creditada a Robert Fripp, foi composta por Ian McDonald e Peter Sienfield e inclusive possui uma versão no album solo de Sinfield em "Still" (1.973). Muito melódica pode-se perceber que era o King Crimson já nascido antes mesmo de "In the court of the Crimson King" (1.969). Observe aqui neste caso a guitarra sendo tocada ao mesmo tempo que o violão também é no início da faixa. E os acordes tocados quase não mudam muito independentemente na forma que o ritmo vai se tornando lentamente crescente. O próximo passo a partir daqui seria a substituição de Peter Giles que toca o baixo ainda aqui com a presença de McDonald carregando junto Sinfield entrando posteriormente Greg Lake.