Geoff Leigh: soprano,
tenor, flauta, clarinete, recorder, vocais; Tim
Hodgkinson: piano, orgão, alto, clarinete,
vocais; Fred Frith: guitarra, violino,
viola, piano, vocais; John Greaves:
baixo, piano, vocais; Chris Cutler:
bateria, toys, piano, vocais; Sarah Greaves:
vocais; Maggie Thomas: vocais; Cathy
Williams: vocais; Jeremy Baines :
pixiphone; Lindsay Cooper : bassoon.
Faixas:
1. Nirvana For Mice(Frith)4:53
2. Amygdala(Hodgkinson)6:47
3. Teenbeat Introduction(Henry Cow)4:32
4. Teenbeat(Frith, Greaves)6:57
5. Nirvana (reprise)(Frith)1:11
6. With The Yellow Half-Moon And Blue
Stat(Frith)2:26
7. Teenbeat (reprise)(Frith)5:07
8. The Tenth Chaffinch(Henry Cow)6:06
9. Nine Funerals Of The Citizen King
(Hodgkinson)5:34
10.Bellycan(Henry Cow)3:19
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Henry Cow - Legend (1973)
Em maio de 1968, dois
estudantes da Universidade de Cambridge (e exímios
músicos) decidem montar uma banda. Os dois
rapazes, um chamado Fred Frith e outro Tim
Hodgkinson, inicialmente pretendiam montar
apenas uma banda ou de jazz ou de blues,
principal influência dos dois, porém, ambos
tinham um gosto e uma visão musical muito mais
ampla e diversificada para aprisionar seu
recente projeto num só estilo.
Ambos também decidiram que não precisavam de mídia
para bajular ou serem bajulados, o que eles
queriam mesmo era mostrar seu trabalho com total
liberdade, expondo suas visões musicais e políticas
sem rotulações ou preconceitos. Mas apesar de
avessos a se "venderem" ou a
aprisionar seu som, ambos nunca tiveram nenhum
problema em tocar com outros grupos ou artistas
que tivessem uma relação comercial melhor ou
de mais sucesso que eles (como o Soft Machine,
Pink Floyd e Mike Oldfield), ou que tivessem uma
visão musical ainda mais radical que o grupo
(como os percussores do Krautrock, o grupo alemão
Faust), e isso posteriormente seria de grande
valia para o engrandecimento artístico e
musical da banda, que seria muito bem utilizada
por eles.
Decidiu-se também que outros músicos de igual
calibre fossem chamados para fazer parte desse
projeto e que seguissem da mesma influência política-musical
de seus fundadores. Em 1972, Chris Cutler, um exímio
baterista inglês, o baixista John greaves e o
instrumentista Lindsay Cooper entram para o time
do Henry Cow, se não fechando a formação clássica
do grupo, pelo menos servindo de base para a
primeira (e maravilhosa) aventura da banda em
estúdio.
Gravado entre o final de 1972 e meados de 1973,
Legend sem dúvida é o marco inicial do
movimento que iria ser definido no final dos
anos 70 como RIO, ou Rock In Oposition. Aqui,
mesmo ainda sofrendo de uma influência da
escola fusion Canterburiana e do Crimson de
1969, os elementos tão peculiares ao grupo
(Quebra de tempos sonoros, misturas de vários
estilos musicais, melodias extremamente
complexas e às vezes até difíceis de
acompanhar) já se encontravam (e muito) nesse
trabalho.
A primeira música, a clássica "nirvana
for mice" nos parece mostrar que a banda
percorreria um som mais convencional em seu
inicio, mas já nos surpreendendo pelos efeitos
sonoros e musicais que a mesma nos mostra no
decorrer de sua duração. Ao decorrer do álbum,
percebemos então que Frith, Hendkinson e seus
asseclas querem mesmo é fugir de qualquer
estilo sonoro definido, como podemos perceber
nas três partes de "Teenbeat" e mais
especificamente em "With The Yellow
Half-Moon And Blue Stat", onde solos
descompassados se unem a ritmos precisos e
complexos ao mesmo tempo. O grupo no final do
disco nos coloca o caráter político que o
mesmo apresentava, de forma às vezes radical,
em seu som e performance (em alguns shows da
banda, a bandeira da antiga União Soviética
era hasteada no palco) na sombria "Nine
Funerals Of The Citizen King", nela a banda
canta de uma forma melancólica, porém
altamente sombria, sobre as mazelas do
capitalismo e os efeitos danosos que o mesmo
impunha para com a sociedade, sem duvida
fechando com chave de ouro esse trabalho
diferente e inovador.
A capa do álbum também é feita para fugir de
qualquer visão estética convencional,
colocando na capa apenas a foto de uma meia,
fugindo da grandiosidade visual de Roger Deans,
Hipgnosis e Paul Whiteheads tão vigentes no período.
Sem dúvida, um disco maravilhoso, mas também
um precursor, onde a partir dele, uma nova forma
de se fazer o som progressivo seria realizada.
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