
Estados Unidos, 1974.
Músicos:
Herbie Hancock
- Fender Rhodes piano elétrico, Hohner D-6,
clavinete, sintetizadores
Bennie Maupin - saxophones tenor &
soprano, saxello, baixo-clarinete, flauta
Paul Jackson - baixo elétrico
Mike Clark - bateria
Bill Summers - percussão
1. Palm Grease
(10:37)
2. Actual Proof (9:40)
3. Butterfly (11:17)
4. Spank-a-Lee (7:12)
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Herbie Hancock
Thrust
Dados da resenha:
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O estudante de engenharia
eletrônica Herbert Jeffrey Hancock (diz-se que
daí vem o seu gosto pela eletrônica na música
que começou a criar no começo dos anos 70)
forma, junto com Chick Corea e Keith Jarret, a
santíssima trindade dos pianistas mais
influentes do jazz da era pós-Bill Evans e seu
estilo “cool”. Tocou na famosa banda de Miles
Davis entre 1963 e 1968, juntamente com vários
outros músicos talentosos do free-jazz (que,
como ele, também iriam despontar posteriormente
para um maior reconhecimento), gravando com eles
álbuns clássicos do post-bop e do free, tais
como “Nefertiti”, “Miles In the Sky” e “In a
Silent Way”.
A partir dos anos 70 (após 2 ótimos trabalhos
solo - “Mwandishi” e “Crossings” - porém ainda
bastante experimentais em relação ao que estaria
por vir), quando realmente emerge o estilo
“fusion” através de pilares do movimento como a
Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return to
Forever e o “jazz-elétrico” de Miles, Hancock
foi pegando cada vez mais o gosto por pianos
elétricos, teclados eletrônicos e sintetizadores
(apesar de nunca ter abandonado o jazz acústico
por completo), lapidando e consolidando de vez
sua bem-sucedida mistura de jazz-funk-electro
nessa época, principalmente a partir do álbum “Sextant”,
de 1972. Muitos inclusive o consideram o único
pianista do jazz contemporâneo no qual se fez
perceber sensível influência de Jimi Hendrix em
seu som nos anos 70, talvez no que diga respeito
à explorações de novas sonoridades, timbres e
ruídos de seus teclados eletrônicos,
principalmente nos seus intuitivos improvisos em
sintetizadores.
“Thrust”, de 1974, poderia ser considerado o
álbum onde ele alcança o auge desta nova química
musical proposta em “Sextant”, tanto em termos
de inovação e elaboração, quanto de bom gosto -
assim como os álbuns posteriores, “Man-Child” e
a trilha do filme “Death Wish” (este com
expressão mais orquestral) que, contudo, apesar
de ótimos também, já seriam apenas uma
continuidade da chama de originalidade trazida
por “Thrust”. O disco foi lançado logo após o
estrondoso sucesso do fabuloso “Headhunters” e,
além de novamente apresentar revolucionários
grooves e novas linhas rítmicas de Mike Clark
(sugerindo um novo conceito dentro do fusion),
nos traz músicas com arranjos mais intrincados e
trabalhados, além de performances mais complexas
que o seu antecessor. O line-up é praticamente o
mesmo de “Headhunters” (à exceção de Mike Clark
no lugar de Harvey Mason).
Principalmente nas 2 primeiras músicas, “Palm
Grease” e “Actual Proof”, e também na última, “Spank-a-Lee”,
as criativas e elásticas linhas do saliente
baixo de Paul Jackson (fundamental na estrutura
musical) aliados aos quebrados andamentos da
segura bateria de Mike Clark, se entrelaçam e se
combinam de modo sinérgico às swingadas
harmonias e timbres repletos de efeitos do tipo
“phaser”, “flanger” e “wah-wah” dos teclados de
Hancock e as melodias dos metais de Bennie
Maupin, de maneira a propôr uma espécie de
diálogo bastante inventivo e sugestivo entre os
instrumentos. Os sofisticados improvisos,
principalmente por parte de Hancock (em seu
Fender Rhodes) e Maupin, são, como sempre, muito
competentes. “Butterfly” seria o som mais “cool”
do disco, apresentando um ótimo improviso de
Bennie Maupin em seu sax soprano.
Desta maneira, é proposta à música uma
sonoridade bem inovadora (para a época),
descontraída e por vezes um tanto “cômica” (um
traço típico da música negra norte-americana): É
o puro “jazz-funk” em ação.
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