Estados Unidos, 1974.


Músicos:

Herbie Hancock - Fender Rhodes piano elétrico, Hohner D-6, clavinete, sintetizadores
Bennie Maupin - saxophones tenor & soprano, saxello, baixo-clarinete, flauta
Paul Jackson - baixo elétrico
Mike Clark - bateria
Bill Summers - percussão


1. Palm Grease (10:37)
2. Actual Proof (9:40)
3. Butterfly (11:17)
4. Spank-a-Lee (7:12)


Herbie Hancock  

Thrust

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital-signs); recebida em: 08/07/2004.
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O estudante de engenharia eletrônica Herbert Jeffrey Hancock (diz-se que daí vem o seu gosto pela eletrônica na música que começou a criar no começo dos anos 70) forma, junto com Chick Corea e Keith Jarret, a santíssima trindade dos pianistas mais influentes do jazz da era pós-Bill Evans e seu estilo “cool”. Tocou na famosa banda de Miles Davis entre 1963 e 1968, juntamente com vários outros músicos talentosos do free-jazz (que, como ele, também iriam despontar posteriormente para um maior reconhecimento), gravando com eles álbuns clássicos do post-bop e do free, tais como “Nefertiti”, “Miles In the Sky” e “In a Silent Way”.

A partir dos anos 70 (após 2 ótimos trabalhos solo - “Mwandishi” e “Crossings” - porém ainda bastante experimentais em relação ao que estaria por vir), quando realmente emerge o estilo “fusion” através de pilares do movimento como a Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return to Forever e o “jazz-elétrico” de Miles, Hancock foi pegando cada vez mais o gosto por pianos elétricos, teclados eletrônicos e sintetizadores (apesar de nunca ter abandonado o jazz acústico por completo), lapidando e consolidando de vez sua bem-sucedida mistura de jazz-funk-electro nessa época, principalmente a partir do álbum “Sextant”, de 1972. Muitos inclusive o consideram o único pianista do jazz contemporâneo no qual se fez perceber sensível influência de Jimi Hendrix em seu som nos anos 70, talvez no que diga respeito à explorações de novas sonoridades, timbres e ruídos de seus teclados eletrônicos, principalmente nos seus intuitivos improvisos em sintetizadores.

“Thrust”, de 1974, poderia ser considerado o álbum onde ele alcança o auge desta nova química musical proposta em “Sextant”, tanto em termos de inovação e elaboração, quanto de bom gosto - assim como os álbuns posteriores, “Man-Child” e a trilha do filme “Death Wish” (este com expressão mais orquestral) que, contudo, apesar de ótimos também, já seriam apenas uma continuidade da chama de originalidade trazida por “Thrust”. O disco foi lançado logo após o estrondoso sucesso do fabuloso “Headhunters” e, além de novamente apresentar revolucionários grooves e novas linhas rítmicas de Mike Clark (sugerindo um novo conceito dentro do fusion), nos traz músicas com arranjos mais intrincados e trabalhados, além de performances mais complexas que o seu antecessor. O line-up é praticamente o mesmo de “Headhunters” (à exceção de Mike Clark no lugar de Harvey Mason).

Principalmente nas 2 primeiras músicas, “Palm Grease” e “Actual Proof”, e também na última, “Spank-a-Lee”, as criativas e elásticas linhas do saliente baixo de Paul Jackson (fundamental na estrutura musical) aliados aos quebrados andamentos da segura bateria de Mike Clark, se entrelaçam e se combinam de modo sinérgico às swingadas harmonias e timbres repletos de efeitos do tipo “phaser”, “flanger” e “wah-wah” dos teclados de Hancock e as melodias dos metais de Bennie Maupin, de maneira a propôr uma espécie de diálogo bastante inventivo e sugestivo entre os instrumentos. Os sofisticados improvisos, principalmente por parte de Hancock (em seu Fender Rhodes) e Maupin, são, como sempre, muito competentes. “Butterfly” seria o som mais “cool” do disco, apresentando um ótimo improviso de Bennie Maupin em seu sax soprano.

Desta maneira, é proposta à música uma sonoridade bem inovadora (para a época), descontraída e por vezes um tanto “cômica” (um traço típico da música negra norte-americana): É o puro “jazz-funk” em ação.