Herbie
Hancock - teclados, piano e sintetizadores.
Bennie Maupin - saxofones soprano e tenor
, clarinete e flauta.
Paul Jackson - baixo.
Harvey Mason - bateria.
Bill Summers - percussão.
Faixas:
1. Chameleon
(P. Jackson-H. Mason-B. Maupin-H. Hancock) 15:41
2. Watermelon Man (H. Hancock) 6:29
3. Sly(H. Hancock) 10:18
4. Vein Melter(H. Hancock) 9:10
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Herbie Hancock- Headhunters (1973)
Das crias advindas do
movimento Fusion, o tecladista Herbie Hancock
talvez tenha sido o artista que mais tenha caído
em extremos em busca de uma fusão do jazz com o
rock. Como resultado, sua discografia obteve um
resultado excelente, porém irregular, nos
brindando com pérolas como Thrust ou Future 2
Future ou com exageros, mais especificamente na
triologia eletrônica Future Shock (1983), Sound
System (1984) e Perfect Machine (1988).
Porém foi em Headhunters que Hancock não só
atinge seu melhor trabalho no estilo, como
consegue imprimir uma característica
particularmente negra ao Fusion, aproximando o
jazz ao funk e ao soul de Isaac hayes, Sly and
the family Stone e Funkadelic. Base para uma
empreitada nesse sentido, ele tinha de sobra.
Talento precoce , iniciou sua carreira aos 20
anos em 1963 e sua estréia impressionou crítica
e público pela sua habilidade em compor músicas
tão criativas como Maiden Voyage ou Cantaloupe
Island. Um desses admiradores foi ninguém menos
que o mestre Miles Davis, que em 1965 o
convidaria para participar de shows com seu novo
grupo, Hancock entre 1965-68 participa então do
famoso quinteto de Miles, tocando com feras como
Wayne Shorter. Posteriormente, Hancock pode não
só assistir mas também participar do nascimento
e desenvolvimento do Fusion entre 1968-72,
contribuindo em clássicos do estilo com In A
Silent Way e Bitches Brew e tocando com músicos
como John Mclaughlin e Chick Corea.
Sua empreitada inicial ao fusion, porém, não foi
exatamente com o pé direito. Tentando imprimir
uma sonoridade própria misturando o jazz com
pitadas de soul e toques de melodias
budistas/orientais, Hancock lançaria trabalho
fracos como The Prisoner (1969) e Mwandishi
(1970). O problema talvez fosse achar uma
identidade própria ao seu som, criando assim um
estilo característico e diferente. Em 1972,
contudo, o tecladista finalmente descobre o
caminho a ser seguido. Em meados desse ano,
recruta um grupo de músicos talentosos e
experientes e resolve cair de cabeça numa
mistura entre o jazz e a black music, diferente
do comedido passeio entre os estilos feito por
Miles Davis em On The Corner nesse mesmo ano. E
após um período de ensaios e gravações, surge um
dos principais trabalhos do gênero.
O disco começa com a grandiosa e excelente
Chameleon, uma das mais conhecidas musicas do
artista. Ali Hancock se utiliza de uma batida
altamente dançante, por vezes comedida, por
vezes um pouco mais agitada recheado por ótimos
solos de teclado e saxofone. O grande mérito do
artista é conseguir fazer com que essa música
com mais de 15 minutos não perca o ritmo em um
só momento, pelo contrário, dando ao ouvinte um
gostinho de quero mais ao terminar de escutar a
faixa.
A segunda faixa, Watermelon Man é uma releitura
bastante dançante da versão original da mesma,
de 1964. A escolha da música e os arranjos
feitos pelo artista e sua banda mostram que a
escolha dessa canção foi certeira e que a
releitura, com doses maciças de um soul a la
James Brown, caia como uma luva para a canção.
Já Sly, clara referência ao grupo Sly and the
Family Stone, é aonde o artista realmente cai de
cabeça numa melodia black. Com fortes pitadas de
funk, a música poderia ser colocada numa pista
de dança, tamanho seu ritmo e batida fortemente
dançavel.
Vein Meiter fecha o disco como a única musica em
que o soul-funk dá (pequeno) espaço para uma
melodia mais ligada ao Jazz, terminando o
trabalho com chave de ouro.
Hancock ainda lançaria trabalho de excelente
qualidade utilizando essa mesma fórmula em
discos como Thrust (1974) e Secrets (1976)
Um dos grandes trabalhos do gênero fusion e
parada obrigatória para quem quer conhecer o
estilo.
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