Giacomo "Mino" Di Martino (vocais, guitarra). Francesco "Checco" Marsella (vocais, teclados). Sergio Di Martino (vocais, baixo). Enrico Maria Papes (vocais, bateria).


Faixas:
1-Largo iniziale
2-Avanti tutto
3-Plim plim al parossismo
4-Rumori
5-Fine lontana
6-Tanto va la gatta al lardo
7-Larghissimo
8-Alba di note
9-Rimbalzello compiacente


I Giganti - Terra in Bocca (1971)

Por Junius

Corre o ano de 1964 quando Sergio Papes na bateria, Giacomo Di Martino na guitarra e seu irmão Sergio no baixo, então na faixa dos 20 anos, fundam o histórico grupo musical "I Giganti" (os gigantes).

Depois de uma experiência musical com o grupo I Califfi, Papes e Mino decidem de dar uma apronta musical inovativa às suas vidas artísticas.

Estamos no crepúsculo de uma época a qual começam os primeiros sinais de uma radical mudança no costume e no pensamento de milhões de pessoas. O movimento estudantesco de Berkley, a Crise Cubana, a recusa de muitos para ir à Guerra do Vietnam produzem uma atmosfera de contestação jovem que mistura elementos políticos a temáticas sociais e que afetarão o conformismo das famílias na Itália e do outro lado do Atlântico. A música respira este ar, e se nutre, desenvolve tons políticos e se torna o catalizador de protesto.
I Giganti a exemplo de outros cantores italianos como Fabrizio De Andrè e Giorgio Gaber acolhem o vento de novidades que chega dos EUA, escrevem textos de estilo beat como "La bomba atomica", primeira canção antinuclear no mundo. "Giorni di festa", "Il castello di Samuele". Alguns dos textos ficarão só como ensaios.

Neste período I Giganti iniciam uma interessante colaboração com o grande Ghigo Agosti (que havia feito várias canções de rock) e junto com ele se exibem em Milão.

Em 1965 se une ao trio, nos teclados, Francesco Marsella, dito Checco. É um encontro que imprime um toque de originalidade e refinez à personalidade musical da banda. O difícil projeto de combinar vozes diferentes entre eles, leva a um resultado insólito e originalíssimo. A escolha musical do grupo cai no início em temas melodicamente educados e sugestivos tons baritonais cadenciados por alegres coretos com rotação do papel da voz condutora. Ou seja, todos cantam.

O look exprime uma elegância anticonvencional, um ar culto modelo existencial. Uma normalidade distante do clichê do músico, típico da tradição dos anos 60, mas anticonformista.

Estavam em moda os covers e I Giganti começaram a escolher músicas de alta popularidade e de seguro sucesso para readaptá-las com uma apronta musical inconfundível. Como exemplo "Solo per voi" ("Bad boy" di Louis Arnmstrong) e "Fuori dal mondo"(Keep Searching" de Del Shannon). O salto artístico se cumpre no ano sucessivo quando a música "Tema" se classifica em terceiro lugar no "Disco per l'estate" (o disco do verão). E fica em primeiro lugar no Hit-Parade dos discos mais vendidos no verão italiano. É um hino ao amor, à pureza dos bons sentimentos , uma melodia trabalhada.

Inicia o sucesso e... chega a censura!

I Giganti são requisitadíssimos em todos os locais da Itália, desenvolvem ao vivo um sound sofisticado. O tam tam do povo do rock leva longe o eco de emocionantes concertos de repertório cuidado nos minimos detalhes, arranjado para entusiasmar um público apaixonado. O impacto com a música "Una ragazza in due" (Down came the rain de Mitch Murray) é chocante. O título malicioso escandaliza uma sociedade que parece envelhecida. A RAI boicota a música definindo-a "exagerada". Mas o discos explode nas vendas. É um triunfo que finalmente abre as portas da televisão para os grupos musicais e aos gêneros musicais então esnobados e censurados.

O megafono dos movimentos pacifistas:

O grupo participa de importantes manifestações como a exibição ao Festival de Napolli com "Ce vò tiempo" em dupla com Peppino Di Capri, confirma o espírito eclético da banda.

O sucesso explode com a participação no Festival de Sanremo de 67 com a música "Proposta", primeiro exemplo de canto a capela na música italiana.

"Mettete dei fiori nei vostri cannoni" (coloquem flores nos vossos canhões) é um slogan de paz lançado com a música "Proposta" que se torna o megafone de uma geração raivosa. É como um hino de revolta contra toda a ordem constituida.

Participam ao Cantagiro com o single "Io e il presidente" que cria um ciclone de polêmicas porque o texto faz implícita referência a Giovanni Leone. Rádio e TV censuram a música e aconselham I Giganti de queimar a peça. Resultado? Terceiro lugar no Cantagiro. Nenhum corte na letra, aplausos da crítica mas, poucas vendas. O obstrucionismo da mídia se faz sentir.
O crescimento se faz sentir em 68: I Giganti estão novamente em Sanremo e cantam em dupla com Massimo Ranieri a canção "Da bambino". É seguramente um momento feliz para o grupo: Saem dois 45 rotações com "Summertime", divertida versão do brano de Gershwin mudado para "Un uomo va" e "Sixteen tons" genial adaptação de uma cover dos The Platters.

Os anos difíceis: os caminhos se dividem...

São anos de grande mudança no mundo. O 68 é um rio em plena transgressão e fermentos revolucionários. Explode o movimento hippie. Os jovens sentem pertencer a grande família dos "filhos das flores". O aparecimento do Beatles tem na música o impacto de um grande big bang.

Inesperadamente chega nos Giganti uma grave crise artística e existencial.

O estresse do sucesso acumulado nos últimos anos unido ao desejo de imprimir uma reviravolta decisiva na carreira os induz a saudar bruscamente o público do rock. Os jornais de escândalo contam uma briga dentre Papes e Sergio por motivos fúteis. É bela mas díficil a vida para quatro jovens rapazes que chegam a ganhar cem mil numa noite e conseguem ter um cachet que supera um milhão!

Conta Papes: "Tínhamos carros exagerados e gastávamos o dinheiro pagando jantares até para quem não conhecíamos! Nada de drogas, no máximo alguma maconha... mas não era uma montanha para nós..." (L'Italia del rock-La Reppublica, 1995). Neste momento a vida artística de cada um dos quatro percorre caminhos diferentes.

Mas a vontade de tocar e a energia aprisionada das 4 personalidades ecléticas e criativas levam o grupo a reunir-se em 70. I Giganti criam dois branos "Voglio essere una scimmia" com o qual participam ao Cantagiro, "Charlotte" e "Tutta tutta" que faz parte da trilha sonora do filme "Venga prendere un caffè da noi" com Ugo Tognazzi no papel principal, um filme muito engraçado mas que infelizmente nao chegou ao Brasil.

A coragem da contestação e o empenho social:

A verve artística do grupo re-explode em 71 com Terra in bocca, um álbum conceitual no qual palavra e notas se fundem à perfeição, que afronta um tema espinhoso: A máfia.

O grupo parece estar mais avante. Corajosamente fazem temas sociais e são mais uma vez censurados. Neste disco colaboram Vince Tempera, Elliade Bandini, Ares Tavolazzi, Marcello Della Casa e Gigi Razzi. O disco ainda nasceu para ser levado ao teatro e será transmitido pela rádio apenas uma vez inteiro.

Novamente a banda se desfaz em meio a brigas e amarguras.

Em 28 de fevereiro de 96, depois de uma longa doença, morre Sergio Di Martino, baixista da voz formidavel e coração pulsante do grupo.

I Giganti na ribalta!


Em 1998 o cantor Paolo Rossi, que conduz a transmissão "Scatafascio", pede a Checco e Papes de participarem do programa na qualidade de hóspedes. A atenção e a simpatia do público que o revê depois de tantos anos e os escuta novamente é tal que i Giganti são convidados a muitas outras transmissões televisivas (Buona Domenica, Maurizio Costanzo Show, La vita in diretta, In famiglia,Taratatà ....).

Decidem assim, depois de 28 anos de ausência, de dar vida novamente ao histórico grupo.