
Itália, 1972.
Músicos:
Antonio Bartoccetti -
guitarra e vocais
Fiamma Dallo Spirito (pseudônimo de Doris
Norton) - vocais, violino e flauta
Charles Tiring - teclados
Faixas:
01 U.F.D.M
02 Praesentia domini
03 Jacula valzer
04 Long black magic night
05 In old castle
|
Jacula
Tardum Pede
in Mangiam Versus
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
Antonio Bartoccetti,
nasce em Milão em 1968. Funda os grupos Jacula e
Antonius Rex com o objetivo de colocar na música
uma série de observações teológicas, filosóficas
e esotéricas, fruto da sua amizade com o místico
Franz Parthenzy. Em 1969, em Londres,
Bartoccetti consegue criar o seu primeiro LP "In
cauda semper stat venenum". Sabendo que a obra
não tem mercado, o produtor Travers estampa
poucas centenas de cópias em envelopes preto e
branco e os dá, numa mágica homenagem, para
monastérios e confraternizações. Não procurando,
assim, nenhuma distribuição para o LP. É sabido
que os mesmos, hoje em dia, custam muitíssimo
dinheiro, exatamente o contrário da época,
justamente pela raridade que são. Em 1972, os
mesmos músicos, Bartoccetti (voz, guitarra e
baixo), Norton (voz, piano, synth, tiring,
church, organ), criam o segundo chamado "Tardo
pede in mangiam versus": A ópera é
qualitativamente válida e extremamente inovativa.
Porém é um desastre comercial. O grupo acaba e
renasce ao mesmo tempo como Antonius Rex. Em
1973 Antonio Bartoccetti, durante o serviço
militar, pensa no novo grupo e no novo álbum,
muitas músicas das quais já estavam compostas
por ele e por Doris Norton em 71. Em 1974 os
dois músicos voltam para Londres onde conhecem
Albert Goodman, um nobre amante do oculto,
proprietário de um imenso castelo, e da etiqueta
independente Darkness e percussionista por
hobby. Os três, seguidos pelo fidelíssimo
Coldweis, depois de dez anos de assíduas provas
entram nos estúdios milaneses Mondial Sound,
notáveis pela tecnologia avançada, e realizam o
terceiro álbum (o primeiro como Antonius Rex)
com o título "Neque semper arcum tendit rex". A
produção é de Mr. Albert Goodman... As seis
músicas interpretadas são tipicamente
progressive-darks. Albert, entusiasta do
trabalho, não olha as despesas e o álbum é
totalmente criado depois de 38 tentativas nas
quais dez dias são usados para operações de
mixagem efetuadas pelo excelente Coldweis.
Albert Goodman volta pra Londres com os masters,
estampa o LP com uso demo, o corrige, de acordo
com os outros membros da banda, com uma
estranhíssima capa preta e branca com símbolos
mágicos e uma carta "diabólica" de 1624. A casa
discográfica Vertigo acha o álbum absolutamente
grandioso mas diz que a capa com aquela carta e
com aqueles símbolos, seja muito extrema. Propõe
também eliminar a música "Devil Letter", mas o
grupo não aceita e muito menos modificar nada.
Albert fica completamente contrariado. Em
realidade, o estudioso romeno de esoterismo
Giulio Tasnad declara abertamente em 1975 que,
durante a escuta de "Devil Letter", a quem lê a
carta ao contrário na noite de sexta e coloca na
mesa oito dos símbolos presentes da capa,
aparece decerto o Príncipe das trevas. Depois
deste evento, seja como for, o grupo se desfaz,
o interesse discográfico se atenua, não há mais
a vontade de criar e também quando o facultoso
discográfico hebraico Mr. Daniele,
apaixonadíssimo, junto aos seus dois partners
americanos, do álbum Neque semper arcum tendit
rex, quer a todo custo o grupo para novos
álbuns. Eles, então, optam por uma escolha
econômica. O imperativo de 1977 se torna "só
dinheiro' porque como declarará Antonio
Bartoccetti: "Quando tem um filho a vida muda e
deve pensar também nele". Por isso o álbum Zora
(já sumariamente feito em estúdio privado em
75), primeira e segunda edição resultam em uma
obra não criativa, decididamente absurda... São
inseridos músicas parecidas com o segundo disco,
só com a ajuntamento de pequenas frases de
bateria de Albert. Doris Norton toca os teclados
mas entre um turno e outro segue seu filho,
ainda que se o piano progressivo de Necromancer
seja grandioso, Bartoccetti toca as guitarras ao
vivo em um banco fumando e não vendo a hora de
acabar. Diz duas palavras em Necromancer mas
depois faz cantar Zora ao seu amigo Franco
Mussida (PFM). Dinheiro, que a Tickle continua a
embolsar, só dinheiro, parte do qual será
utilizado para a auto-produção do álbum Anno
demoni definido pelo grupo como um bom documento
de electronic-dark... A mesma coisa se repete
com o seguinte, Ralefun, criado em 1979. Boas
composições mas criadas meio sem cuidado,
sonoridades verdadeiramente feias e mixagem (não
obra de Colin Coldweis), seguramente indignas.
Apesar disso, o disco Ralefun consegue um certo
sucesso. Para não desiludir os fãs, em maio de
1980, a banda com o dinheiro ganho e liberado
por Emanuele Daniele, entra no estúdio milanês
Zanibelli Regson e produz, de maneira totalmente
livre e criativa, o último trabalho discográfico
denominado Praeternatural, que foi estampado
limitadamente pela etiqueta M.R. e que vem
autografado para os fãs de todo o mundo.
A banda ainda iria mudar de nome mais duas vezes
num intervalo pequeno. Em 1971, para a gravação
do single "Morti vident 1999 mundi finis", a
banda se chamaria Invisible Force. E no mesmo
ano, na gravação do single "Dentro me Aiuto"
viria a se chamar Dietro Noi Deserto, voltando a
ser Jacula em seguida.
O álbum que é objeto desta resenha "Tardo pede
in mangiam versus" de 1972 possui uma procura
interior por mundos mágicos. Contaminações
clássicas versus o progressivo. Primeiro
documento ecológico (U.F.D.M.), órgão de igreja,
baixo, mini-moog, violinos, flautas, vozes
celebrantes.
|