Itália, 1972.


Músicos:

Antonio Bartoccetti - guitarra e vocais
Fiamma Dallo Spirito (pseudônimo de Doris Norton) - vocais, violino e flauta
Charles Tiring - teclados


Faixas:

01 U.F.D.M
02 Praesentia domini
03 Jacula valzer
04 Long black magic night
05 In old castle


Jacula  

Tardum Pede in Mangiam Versus

 
Dados da resenha:
Autor: André (Junius Expulso); recebida em: 29/04/2004.
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Antonio Bartoccetti, nasce em Milão em 1968. Funda os grupos Jacula e Antonius Rex com o objetivo de colocar na música uma série de observações teológicas, filosóficas e esotéricas, fruto da sua amizade com o místico Franz Parthenzy. Em 1969, em Londres, Bartoccetti consegue criar o seu primeiro LP "In cauda semper stat venenum". Sabendo que a obra não tem mercado, o produtor Travers estampa poucas centenas de cópias em envelopes preto e branco e os dá, numa mágica homenagem, para monastérios e confraternizações. Não procurando, assim, nenhuma distribuição para o LP. É sabido que os mesmos, hoje em dia, custam muitíssimo dinheiro, exatamente o contrário da época, justamente pela raridade que são. Em 1972, os mesmos músicos, Bartoccetti (voz, guitarra e baixo), Norton (voz, piano, synth, tiring, church, organ), criam o segundo chamado "Tardo pede in mangiam versus": A ópera é qualitativamente válida e extremamente inovativa. Porém é um desastre comercial. O grupo acaba e renasce ao mesmo tempo como Antonius Rex. Em 1973 Antonio Bartoccetti, durante o serviço militar, pensa no novo grupo e no novo álbum, muitas músicas das quais já estavam compostas por ele e por Doris Norton em 71. Em 1974 os dois músicos voltam para Londres onde conhecem Albert Goodman, um nobre amante do oculto, proprietário de um imenso castelo, e da etiqueta independente Darkness e percussionista por hobby. Os três, seguidos pelo fidelíssimo Coldweis, depois de dez anos de assíduas provas entram nos estúdios milaneses Mondial Sound, notáveis pela tecnologia avançada, e realizam o terceiro álbum (o primeiro como Antonius Rex) com o título "Neque semper arcum tendit rex". A produção é de Mr. Albert Goodman... As seis músicas interpretadas são tipicamente progressive-darks. Albert, entusiasta do trabalho, não olha as despesas e o álbum é totalmente criado depois de 38 tentativas nas quais dez dias são usados para operações de mixagem efetuadas pelo excelente Coldweis. Albert Goodman volta pra Londres com os masters, estampa o LP com uso demo, o corrige, de acordo com os outros membros da banda, com uma estranhíssima capa preta e branca com símbolos mágicos e uma carta "diabólica" de 1624. A casa discográfica Vertigo acha o álbum absolutamente grandioso mas diz que a capa com aquela carta e com aqueles símbolos, seja muito extrema. Propõe também eliminar a música "Devil Letter", mas o grupo não aceita e muito menos modificar nada. Albert fica completamente contrariado. Em realidade, o estudioso romeno de esoterismo Giulio Tasnad declara abertamente em 1975 que, durante a escuta de "Devil Letter", a quem lê a carta ao contrário na noite de sexta e coloca na mesa oito dos símbolos presentes da capa, aparece decerto o Príncipe das trevas. Depois deste evento, seja como for, o grupo se desfaz, o interesse discográfico se atenua, não há mais a vontade de criar e também quando o facultoso discográfico hebraico Mr. Daniele, apaixonadíssimo, junto aos seus dois partners americanos, do álbum Neque semper arcum tendit rex, quer a todo custo o grupo para novos álbuns. Eles, então, optam por uma escolha econômica. O imperativo de 1977 se torna "só dinheiro' porque como declarará Antonio Bartoccetti: "Quando tem um filho a vida muda e deve pensar também nele". Por isso o álbum Zora (já sumariamente feito em estúdio privado em 75), primeira e segunda edição resultam em uma obra não criativa, decididamente absurda... São inseridos músicas parecidas com o segundo disco, só com a ajuntamento de pequenas frases de bateria de Albert. Doris Norton toca os teclados mas entre um turno e outro segue seu filho, ainda que se o piano progressivo de Necromancer seja grandioso, Bartoccetti toca as guitarras ao vivo em um banco fumando e não vendo a hora de acabar. Diz duas palavras em Necromancer mas depois faz cantar Zora ao seu amigo Franco Mussida (PFM). Dinheiro, que a Tickle continua a embolsar, só dinheiro, parte do qual será utilizado para a auto-produção do álbum Anno demoni definido pelo grupo como um bom documento de electronic-dark... A mesma coisa se repete com o seguinte, Ralefun, criado em 1979. Boas composições mas criadas meio sem cuidado, sonoridades verdadeiramente feias e mixagem (não obra de Colin Coldweis), seguramente indignas. Apesar disso, o disco Ralefun consegue um certo sucesso. Para não desiludir os fãs, em maio de 1980, a banda com o dinheiro ganho e liberado por Emanuele Daniele, entra no estúdio milanês Zanibelli Regson e produz, de maneira totalmente livre e criativa, o último trabalho discográfico denominado Praeternatural, que foi estampado limitadamente pela etiqueta M.R. e que vem autografado para os fãs de todo o mundo.
A banda ainda iria mudar de nome mais duas vezes num intervalo pequeno. Em 1971, para a gravação do single "Morti vident 1999 mundi finis", a banda se chamaria Invisible Force. E no mesmo ano, na gravação do single "Dentro me Aiuto" viria a se chamar Dietro Noi Deserto, voltando a ser Jacula em seguida.
O álbum que é objeto desta resenha "Tardo pede in mangiam versus" de 1972 possui uma procura interior por mundos mágicos. Contaminações clássicas versus o progressivo. Primeiro documento ecológico (U.F.D.M.), órgão de igreja, baixo, mini-moog, violinos, flautas, vozes celebrantes.