Jean-Luc Ponty - violino elétrico, violino 5 cordas, piano, violectra. Allan Holdsworth - guitarra. Daryl Stuermer - guitarra. Allan Zavod - hammond, sintetizadores, piano acústico e elétrico, clavinete. Ralphe Armstrong - baixo, baixo fretless. Steve Smith - bateria, percussão.


Faixas:
1. Overture (0:47)
2. The Trans-Love Express (3:56)
3. Mirage (4:51)
4. Enigmatic Ocean (12:02)
a) Part I (2:20)
b) Part II (3:35)
c) Part III (3:43)
d) Part IV (2:24)
5. Nostalgic Lady (5:20)
6. The Struggle Of The Turtle To The Sea (13:10)
a) Part I (3:32)
b) Part II (3:33)
c) Part III (6:05)

 

Todas as faixas compostas, arranjadas e conduzidas por Jean-Luc Ponty


Jean-Luc Ponty  - Enigmatic Ocean (1977)

Por guitarzeus

Um pouco da biografia:

Jean-Luc Ponty nasceu em Avranches, França, recebendo treinamento clássico em clarinete, violino e piano com seus próprios pais. Ao 16 anos foi admitido no Conservatoire National Supérieur de Paris, formando nesta instituição com grau máximo. No mesmo ano foi contratado por uma orquestra sinfônica onde permaneceu por algum tempo.

A partir deste momento começou a tocar com bandas de jazz, chegou a tocar saxofone mas acabou voltando os interesses para o violino, instrumento no qual se identificava mais. Mesmo deixando a orquestra, ganhou notoriedade e logo recebeu convite para participar no Monterey Jazz Festival, vindo depois a tocar ao lado de George Duke Trio.

Foi em 1969 que surgiu a parceria com Frank Zappa no álbum King Kong, que renderia em 1972 um convite e a consecutiva efetivação com The Mothers of Invention. Ponty então deu uma virada na sua carreira e fixou residência em Los Angeles. Com Zappa, participou do famoso Festival de Jazz de Montreaux de 1973 - registrada no disco Piquantique, quando através do Deep Purple a banda virou letra de uma das mais conhecidas músicas de rock de todos os tempos, Smoke On The Water.

Em 1974 e 1975 gravou dois discos com John McLaughlin e a Mahavishnu Orchestra, Apocalypse e Visions of the Emerald Beyond, quando conseguiu assinar junto a Atlatic Records um raro contrato como artista solo. A partir deste momento consolidou uma reconhecida carreira solo com álbuns de jazz-rock de excelente qualidade e fama mundial, que segue até hoje. Em 1995 gravou o maravilhoso The Rite Of Strings ao lado de Al Di Meola e Stanley Clark.

sobre Enigmatic Ocean:

Sempre tive a impressão de que Jean-Luc Ponty era um úsico bastante conhecido, respeitado e falado, mas muito pouco ouvido. O fato é que no ano de 1977 ele lançou este disco que resiste ao tempo e permanece como um dos melhores discos de jazz-rock e fusion da história, Enigmatic Ocean.

Este disco conta com o suporte uma banda estelar e foi minha introdução a três extremamente talentosos músicos, Allan Holdsworth, Allan Zavod e o próprio Ponty, na época sem ainda imaginar que ele já tivera boa participação com Frank Zappa & The Mothers e também na Mahavishnu Orchestra até meados dos anos 70.

a música:

Enigmatic Ocean traz uma sonoridade jazz-rock de estrutura bastante complexa aliada a excelentes composições, onde todas as faixas são maravilhosas, é difícil destacar alguma.

Overture abre com uma linha ascendente e descendente de arpejos de difícil execução. The Trans-Love Express é bem alegre e leve, traz uma levada jazz-funk adorável e um tema que por complexo que seja, em poucas audições já fica guardado na memória. Presença de solos de Ponty e Daryl Stuermer.

Mirage é a faixa mais viajante e introspectiva do disco, bastante progressiva, sendo uma das melhores. Possui uma cadência que pode ao mesmo tempo ser considerada dançante, inspiradora e relaxante.

Enigmatic Ocean é uma suite maravilhosa repleta de solos e nuances jazzísticas e progressivas, alternando momentos de intensidade e energia com outros mais calmos ou até dançantes, graças ao groove proporcionado pela excelente 'cozinha' de baixo e bateria. Os melhores momentos estão na parte II (um fast fusion onde Steve Smith esbanja técnica) e na parte III, esta tendo destaque para o baixo funk de Armstrong fazendo a cama para solos de Ponty e Holdsworth. A parte IV é forte e emotiva.

Nostalgic Lady é introspectiva e romântica, conta com uma bela melodia onde Ponty e Holdsworth alternam saborosos solos.

A suite que fecha o disco, The Struggle Of The Turtle To The Sea (um tema bastante ecológico), abre com um lento movimento, tem momentos bem viajantes e presencia boas jams, sendo que na parte final tem um solo magnífico de Armstrong ao baixo, que termina 'enlouquecido' adicionando wah-wah e distorção.

Resumo: as levadas de funk no baixo de Ralphe Armstrong são maravilhosas, matadoras, o trabalho de bateria de Steve Smith é soberbo (ficou famoso com Journey, trabalhou também com Montrose, Frank Gambale, etc). Os solos de Zavod, Holdsworth e Ponty são sublimes e magníficos a cada ínfimo momento e a cada simples nota na qual se fazem presentes. Daryl Stuermer tem uma pegada mais convencional mas também é muito bom instrumentista. Ao invés de uma disputa de egos, a qualidade técnica de um músico serve para puxar a dos outros para 'cima', o que explica performances tão inspiradas.

Na minha opinião este é um dos melhores discos de Jean-Luc Ponty, um clássico do fusion indispensável a quem aprecia o estilo.

Marcus
28/01/2003