Estados Unidos, 1976.
Músicos:
Jean-Luc Ponty
- violino elétrico e acústico, sintetizadores
Allan Zavod - teclados eletrônicos,
sintetizadores, piano acústico
Tom Fowler - baixo elétrico
Mark Craney - bateria
Daryl Stuermer - guitarra, violão
acústico
1. New Country
(3:07)
2. The Gardens of Babylon (5:06)
3. Wandering on the Milky Way (1:50)
4. Once upon a Dream (4:08)
5. Tarantula (4:04)
6. Imaginary Voyage, Pt. 1 (2:22)
7. Imaginary Voyage, Pt. 2 (4:05)
8. Imaginary Voyage, Pt. 3 (5:28)
9. Imaginary Voyage, Pt. 4 (8:00)
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Jean-Luc Ponty
Imaginary
Voyage
Dados da resenha:
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Filho de músicos (o pai era professor de violino e a mãe, de piano),
este violinista francês começou na área musical ainda quando pequeno,
por incentivo de seus progenitores. Começou a tocar aos 11 anos,
completando seus estudos no final de sua adolescência, no Conservatório
Nacional de Paris. Apesar de sua sólida formação erudita, foi no
post-bop e no fusion que Ponty encontrou seu verdadeiro caminho,
tocando na mítica banda "The Mothers of Invention" de Frank Zappa,
fazendo colaborações junto à seu conterrâneo e também influenciador
Stephanie Grappelli e passando pela segunda formação da Mahavishnu
Orchestra de John Mclaughlin.
Depois disso (e já morando há algum tempo nos EUA), partiu para
carreira-solo e consolidou-se de vez como um dos expoentes no
desenvolvimento e evolução do violino elétrico (a Zeta Violin
desenvolveu, em certa época, um moderníssimo modelo de interface MIDI
especialmente para ele), bem como na introdução deste instrumento na
vanguarda do jazz-rock nos anos 70, além de inspirada exploração de
texturas eletrônicas em sequencers e sintetizadores, que se
intensificaram a partir do começo da década seguinte através de
trabalhos como "Individual Choice", de 1983.
Gravado na Califórnia em 76, "Imaginary Voyage" é seu terceiro disco
inteiramente de composições próprias, e juntamente com os ótimos
"Enigmatic Ocean" (77) e "Cosmic Messenger" (78), compõe a sua fase
áurea e mais progressiva. Como nos demais discos de Ponty, todas as
peças desta "viagem imaginária" foram cuidadosamente compostas e
arranjadas por ele, resultando, como de costume, num trabalho bem
acabado e de grande bom gosto.
A primeira música do disco, como o próprio nome sugere, remete à um
estilo country e tem como ponto alto um ótimo duelo de violino com
violão acústico, este último a cargo do norte-americano Daryl Stuermer,
que posteriormente chegou a acompanhar o grupo Genesis em turnês ao
vivo, após a saída de Steve Hackett. Em "The Gardens of Babylon" há uma
variação mais lenta e serena do principal trecho melódico da agitada
"New Country". A pequena "Wandering on the Milky Way" é uma etérea
introdução de violino, repleta de um lento delay
(eco), efeito este muito usado por Ponty desde o disco "Upon Wings of
Music". Em "Tarantula", ouve-se um nervoso improviso de Ponty,
mostrando bem o seu potencial no violino elétrico enquanto Stuermer, em
sua guitarra, usa e abusa do wah-wah, um efeito típico dos anos 70.
Mas o ponto alto mesmo se encontra na suíte (de praticamente 20
minutos) que dá nome ao disco, e que está dividida em 4 partes
interligadas entre si: A primeira começa com um desenvolvimento
melódico seguido de escalas mais dissonantes e quebras de compasso, que
se repetem em 3 velocidades diferentes; a segunda parte se introduz com
uma levada em estilo jazz-funk, apresentando um solo de violino e ótimo
solo de teclado executado pelo "insano" Allan Zavod (que também tocou
com Frank Zappa); a terceira parte, a mais melodiosa, abre espaço para
os improvisos do violino (muito bonito), guitarra e teclado,
respectivamente. A quarta e última parte nos apresenta longos e
progressivos improvisos da guitarra crua de Stuermer e do límpido
violino de Ponty, com um tema de caráter apreensivo entre os dois
improvisos e no fim.
Há de se destacar também o criativo e seguro trabalho da cozinha,
composta por Tom Fowler no baixo (também da escola de Zappa) e Mark
Craney na bateria (que viria a gravar com o Jethro Tull o álbum "A", de
80).
Apesar de se tratar de jazz de uma forma geral, os trabalhos de Ponty
costumam ter muito boa aceitação por parte do público menos acostumado
e iniciante à este estilo. Por esse motivo, alguns críticos acabaram
por lhe aplicar, em determinada época, o apelido de "popstar do
jazz-rock", e discos como "Mystical Adventures" (82), "Individual
Choice" (além do próprio "Imaginary Voyage"), viriam a se tornar
trabalhos bastante populares mesmo fora do restrito círculo jazzístico.
O músico, todavia, divide opiniões da ferrenha crítica especializada no
gênero: há os que o consideram um gênio e admiram sua capacidade
criativa, e há os que menosprezam seu trabalho por completo. Mas é
certo que este álbum pode ser visto como de grande expressão dentro do
inventivo universo fusion dos anos 70.
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