Estados Unidos, 1976.


Músicos:

Jean-Luc Ponty - violino elétrico e acústico, sintetizadores
Allan Zavod - teclados eletrônicos, sintetizadores, piano acústico
Tom Fowler - baixo elétrico
Mark Craney - bateria
Daryl Stuermer - guitarra, violão acústico


1. New Country (3:07)
2. The Gardens of Babylon (5:06)
3. Wandering on the Milky Way (1:50)
4. Once upon a Dream (4:08)
5. Tarantula (4:04)
6. Imaginary Voyage, Pt. 1 (2:22)
7. Imaginary Voyage, Pt. 2 (4:05)
8. Imaginary Voyage, Pt. 3 (5:28)
9. Imaginary Voyage, Pt. 4 (8:00)


Jean-Luc Ponty  

Imaginary Voyage

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital-signs); recebida em: 15/09/2004.
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Filho de músicos (o pai era professor de violino e a mãe, de piano), este violinista francês começou na área musical ainda quando pequeno, por incentivo de seus progenitores. Começou a tocar aos 11 anos, completando seus estudos no final de sua adolescência, no Conservatório Nacional de Paris. Apesar de sua sólida formação erudita, foi no post-bop e no fusion que Ponty encontrou seu verdadeiro caminho, tocando na mítica banda "The Mothers of Invention" de Frank Zappa, fazendo colaborações junto à seu conterrâneo e também influenciador Stephanie Grappelli e passando pela segunda formação da Mahavishnu Orchestra de John Mclaughlin.

Depois disso (e já morando há algum tempo nos EUA), partiu para carreira-solo e consolidou-se de vez como um dos expoentes no desenvolvimento e evolução do violino elétrico (a Zeta Violin desenvolveu, em certa época, um moderníssimo modelo de interface MIDI especialmente para ele), bem como na introdução deste instrumento na vanguarda do jazz-rock nos anos 70, além de inspirada exploração de texturas eletrônicas em sequencers e sintetizadores, que se intensificaram a partir do começo da década seguinte através de trabalhos como "Individual Choice", de 1983.

Gravado na Califórnia em 76, "Imaginary Voyage" é seu terceiro disco inteiramente de composições próprias, e juntamente com os ótimos "Enigmatic Ocean" (77) e "Cosmic Messenger" (78), compõe a sua fase áurea e mais progressiva. Como nos demais discos de Ponty, todas as peças desta "viagem imaginária" foram cuidadosamente compostas e arranjadas por ele, resultando, como de costume, num trabalho bem acabado e de grande bom gosto.

A primeira música do disco, como o próprio nome sugere, remete à um estilo country e tem como ponto alto um ótimo duelo de violino com violão acústico, este último a cargo do norte-americano Daryl Stuermer, que posteriormente chegou a acompanhar o grupo Genesis em turnês ao vivo, após a saída de Steve Hackett. Em "The Gardens of Babylon" há uma variação mais lenta e serena do principal trecho melódico da agitada "New Country". A pequena "Wandering on the Milky Way" é uma etérea introdução de violino, repleta de um lento delay (eco), efeito este muito usado por Ponty desde o disco "Upon Wings of Music". Em "Tarantula", ouve-se um nervoso improviso de Ponty, mostrando bem o seu potencial no violino elétrico enquanto Stuermer, em sua guitarra, usa e abusa do wah-wah, um efeito típico dos anos 70.

Mas o ponto alto mesmo se encontra na suíte (de praticamente 20 minutos) que dá nome ao disco, e que está dividida em 4 partes interligadas entre si: A primeira começa com um desenvolvimento melódico seguido de escalas mais dissonantes e quebras de compasso, que se repetem em 3 velocidades diferentes; a segunda parte se introduz com uma levada em estilo jazz-funk, apresentando um solo de violino e ótimo solo de teclado executado pelo "insano" Allan Zavod (que também tocou com Frank Zappa); a terceira parte, a mais melodiosa, abre espaço para os improvisos do violino (muito bonito), guitarra e teclado, respectivamente. A quarta e última parte nos apresenta longos e progressivos improvisos da guitarra crua de Stuermer e do límpido violino de Ponty, com um tema de caráter apreensivo entre os dois improvisos e no fim.

Há de se destacar também o criativo e seguro trabalho da cozinha, composta por Tom Fowler no baixo (também da escola de Zappa) e Mark Craney na bateria (que viria a gravar com o Jethro Tull o álbum "A", de 80).

Apesar de se tratar de jazz de uma forma geral, os trabalhos de Ponty costumam ter muito boa aceitação por parte do público menos acostumado e iniciante à este estilo. Por esse motivo, alguns críticos acabaram por lhe aplicar, em determinada época, o apelido de "popstar do jazz-rock", e discos como "Mystical Adventures" (82), "Individual Choice" (além do próprio "Imaginary Voyage"), viriam a se tornar trabalhos bastante populares mesmo fora do restrito círculo jazzístico. O músico, todavia, divide opiniões da ferrenha crítica especializada no gênero: há os que o consideram um gênio e admiram sua capacidade criativa, e há os que menosprezam seu trabalho por completo. Mas é certo que este álbum pode ser visto como de grande expressão dentro do inventivo universo fusion dos anos 70.