Jeff Beck - Guitarra. Max Middleton - Teclados. Phil Chenn - Baixo. Richard Bailey - Bateria, Percurcao.
George Martin - Produção e Arranjos Orquestrais.


Faixas:
01-You Know What I Mean (04:07)
02-She's A Woman (04:31)
03-Constipated Duck (02:48)
04-Air Blower (05:10)
05-Scatterbrain (05:40)
06-Cause We've Ended As Lovers (05:43)
07- Thelonius (03:16)
08- Freeway Jam (04:59)
09- Diamond Dust (08:26)


Jeff Beck - Blow by Blow (1975)
 

Gravado em 1974 e lançado em 1975 pela Epic, o disco Blow By Blow talvez não seja um disco essencialmente de rock progressivo, mas esse tópico se justifica devido à relevância do fato de que Jeff Beck, que nunca esteve ligado a rótulos, fez um disco considerado um clássico na linha instrumental, onde se unia basicamente o fusion combinada com bom gosto e virtuosismo. Com certeza um disco que soa a frente do que faria Steve Howe ou David Gilmore em suas investidas solo.

Beck naquela altura do campeonato, vinha de um `longo caminho`. Tinha uma carreira estabilizada mas cujo forte eram os shows, onde sua performance incendiaria faziam com que cada vez mais os garotos guardassem suas mesadas para irem direto a loja de instrumentos mais próxima comprar uma guitarra e um amplificador valvulado. Podemos dizer que Beck teve uma carreira meteórica pois ainda garoto montou sua primeira guitarra tocando de maneira ant-convencional, sem palheta, onde logo depois já estava tocando na banda The Tridents. Com a saída de Eric Clapton dos Yarbirds, sobra uma vaga que logo trata de assumir a posição. não se inibiu a comparação com o já considerado `Deus da Guitarra` e dai para diante inovava sempre. Guitarras pesadas transformaram uma banda de blues em uma banda pesada. Beck parecia não querer ficar para traz em nada.

Ate mesmo Jimi Hendrix chegou a dizer que Jeff Beck era para ele o melhor guitarrista da Inglaterra, o que fez com que os holofotes das cordas, como a famosa GuitarPlayer americana destacassem sua figura. No entanto, seu `alto-ego` também era muito conhecido por todos, o que desencadeou algumas situações curiosas para o mesmo, como levar um soco na cara, dado por Rod Stewart, apos se encher de seus excessos, coisas que faria qualquer Blackmore ou Malmsteen virar um garoto comportado perto dele (chegar atrasado em estúdio, cancelar ensaios sem avisar, não acatar opiniões de colegas de banda, etc). Chegou a receber um convite de Roger Waters para ser um membro do Pink Floyd, que recusou. Muitos anos depois se redimiu de Waters e Stewart, gravando com os mesmos.

Depois de Yarbirds (onde brigou com Jimmy Page), Jeff Beck Group (brigou com Rod Stewart), e Beck, Bogert & Appice (brigou com Bogert), Beck queria coisas novas para seu trabalho. Nada de rock eletrizado ou blues tradicional. Sabia que não podia ser como Capton que era um excelente compositor e cantor, mas sabia também que era capaz de fazer algo inovador. E sua paixão pelo Jazz já vinha de longa data, admirava seu colega John Maclaughn, que também inovou com uma nova linguagem o Fusion (rock, blues e jazz) no revolucionário disco de Miles Davis, Beach Brews - 68, e pensou o que fazer. Foi assim, no dia em que ele, Beck acordou de manha, tomou um café, acendeu o cigarro e refletiu sobre o que gosta e o que sonhava..... `Bom, deixa-me ver (pensara ele) , quem sabe se eu troca-se de guitarra, pega-se minha Gibson e encosta-se um pouco a Fender, e se tive-se algum repertorio interessante, algo como Steve Wonder e Beatles, sim !! por falar em Beatles, será que George Martin (o quinto Beatles) entraria nessa....Santo deus !!`.

Com o tempo (final de 73 e inicio de 74), estava quase tudo na cabeça de Beck, iria gravar no estúdio londrino Airstudio. O empresário de Beck contatou Martin e este a principio não se mostrou muito empolgado com a idéia e estava demais ocupado com outros trabalhos como a produção de discos com a banda América, mas logo depois se convenceu de que seria também um desafio para ambos e topou. E assim se seguiu já que os ensaios com a nova banda já estava a todo vapor e Beck estava empolgado para ver o resultado dessa ousadia.

Os ensaios eram constantes e Beck tinha problemas freqüentes com equipamentos. Nunca parecia se satisfazer facilmente com um som ou com uma regulagem de ampli. Para não correr o risco levou diversas guitarras, rascunhou no papel o que faria e depois de algumas reuniões foram para o estúdio e registraram então o disco que muitos hoje consideram o melhor disco de Beck, talvez não o seja, mas foi um dos mais influentes da musica instrumental. Fez com que Joe Satriani e Steve Vai ficassem em seus quartos horas a fio a desvendar acordes e notas do álbum.

O disco, todo instrumental, abre com o prato de entrada `You Know What I Mean` que parece preparar `She's A Woman ` de Lennon e MacCartney cujo arranjo nada tem haver com o original. Beck e banda fazem a musica se tornar outra, ouve-se ritmos parecidos com reague, mas o que deve ter deixado muito guitarristas careca de curiosidade foi o fato de Beck fazer a guitarra `literalmente` cantar !!!! SIM !! Ela canta como se fosse uma voz humana as seguintes partes `She’s a woman who understands.
She’s a woman who loves her man.` - Fantastico.
Depois vem `Constipated Duck`, um tema que serviria bem como trilha sonora para filmes policiais dos anos 70, um sintetizador bem colocado fazendo linhas melódicas rápidas andando junto com um baixo superbem-tocado. Beck vai seguindo o disco com a longa `Air Blower` , sempre caprichando na parte rítmica, depois vem uma das perolas do repertorio de Beck `Scatterbrain `, a musica já começa com uma guitarra fazendo uma seqüência de notas como se fosse um padrão cromático, que vai subindo ate atingir um clímax, depois se repete, ate se subdividir, dando espaço para que todos os músicos improvisem, como fazem os Jazzistas. Logo mais, vem talvez a melhor faixa do disco, a emocionante `Cause We've Ended As Lovers ` de Steve Wonder. não ha ninguém nesse mundo que não fique tentado a chorar como uma criança ao ouvi-la. É puro coração !! É uma daquelas musicas feita para ouvirmos quando estamos sozinho, descansado e refletindo sobre a vida !! Beck nessa faixa faz uma justa homenagem ao guitarrista Roy Buchanan, usando uma técnica criada por ele, dar um bend enquanto o volume da guitarra esta baixo e ir aumentando depois. Muitos se perguntaram o que ele tinha feito ali, já que não se ouve a pegada da palheta em muitos trechos, uma novidade para época. `Thelonius` uma homenagem ao grande gênio do Jazz, o pianista Thelonius Monk , com um fraseado de baixo virtuoso, na seqüência `Freeway Jam` é onde Beck se solta bastante, fazendo um som para cima, mais alegre depois de tanta reflexão e trabalho. Improvisos e floreios melódicos incrementam a faixa que se torna freqüente em atuações ao vivo. Depois de tanto deleite, o disco encerra com a linda `Diamond Dust `, sofisticada e bem arranjada, fecha com chave de ouro e faz a gente querer ouvir mais mesmo sendo uma longa canção. Enfim, este disco que supera o carater de "básico", não é só para guitarristas . É para amantes da boa musica. Mesmo por que naquele tempo não havia guitarristas que pensa-sem em vender "musicas elaboradas " apenas para músicos ou estudantes de música, que estive-sem dispostos a desvende-as. Coisa que viria ser comum nos anos 80 e 90, e que se tornou uma formula cansativa e quase anti-musical.

Mais que uma obra de arte, é um disco que merece estar em qualquer estante. O casamento perfeito entre o 5º Beatle e o guitarrista mais arrojado que esse mundo ja viu.