Ian Anderson: vocais líder, flauta, violão. Martin Barre: guitarras, violões. David Pegg: baixo, bandolins, vocais. Peter-John Vettese: piano, sintetizadores, vocais.  Gerry Conway: bateria, percussão.


Faixas:
Beastie
01- Beastie (03:55)
02- Clasp (04:17)
03- Fallen On Hard Times (03:13)
04- Flying Colours (04:37)
05- Slow Marching Band (03:37)

Broadsword
06- Broadsword (05:02)
07- Pussy Willow (03:52)
08- Watching Me Watching You (03:38)
09- Seal Driver (05:10)
10- Cheerio (01:08)


Tempo Total (38:29)

Jethro Tull - Broadsword And The Beast (1982)

Por mirage

Esse álbum, considerado ruim por muitos críticos, é mais um ótimo disco dessa excelente banda de folk progressivo, que conta com mais uma de suas várias formações, mas, sempre com a dupla Anderson e Barre. Apesar de ser feito nos fracos anos 80, década perdida para o rock progressivo, é um disco que mantém a mesma sonoridade progressiva e medieval que a banda vinha fazendo ao longo dos anos 70, exceto o álbum anterior “A”, que lançado em 1980, apresentava a inclusão de muitos sintetizadores, tocados por Eddie Jobson (ex-Roxi Music e U.K.) e, pouca flauta, que é a marca registrada do Jethro Tull.
“Broadsword And The Beast” é dividido em dois sub-títulos principais, assim como “Aqualung”, um de cada lado do velho e bom LP. O primeiro sub-título é “Beastie”, que começa com a música de mesmo nome.”Beastie” é iniciada com sombrios sons dos sintetizadores de Peter-John Vettese, bateria e Ian cantando. A bateria vai crescendo e a música recebe um bom baixo e ótimos riffs de guitarra até que surgem notas de sintetizador abrindo espaço para um ótimo solo de Martin Barre, voltando à parte cantada logo depois. No final a faixa ganha boas batidas de bateria e um rápido acorde de guitarra.
“Clasp” começa com um coro e sintetizadores seguidos de um inconfundível solo de flauta, vibrantes batidas de bateria, curtos solos de bandolim e Anderson cantando. A música ganha um ritmo mais forte com a excelente bateria de Gerry Conway (ex-Fairport Convention), acompanhada de bons acordes de baixo, ótimos acordes da Gibson de Barre e pequenas, mas, bonitas notas de piano e sintetizador, retornando ao refrão mais tarde. Termina com um lindo solo de flauta, coro e sintetizador de timbre grave.
A excelente faixa “Fallen On Hard Times”, começa com um belo solo de violão que é precedido de uma maravilhosa melodia feita na flauta, boa bateria, o ótimo e bem encaixado som do sintetizador e a maquiavélica voz do duende do progressivo. Ao longo de sua contagiante parte cantada, a música apresenta ótimos acordes de guitarra e uma excelente linha do baixo de David Pegg ( também ex-Fairport Convention). Chegando ao fim, aparecem retumbantes batidas de bateria e mais acordes de guitarra.
“Flying Colours” abre com um belo piano e Anderson cantando melancólicamente. Subitamente, a música fica bem revolta, assim como o mar da capa do álbum, com uma bateria agitada, solos de guitarra, baixo constante, boas notas de sintetizador e Peter e David cantando junto com Ian. Possui excelentes solos de sintetizador e de guitarra acompanhada de flauta, culminando com fortes batidas de bateria para voltar ao tema da música, que termina com Ian, Peter e David cantando repetidamente o título da faixa e, um bom acorde de guitarra.
“Slow Marching Band”, talvez a música mais bela do disco, que chega a nos comover, é iniciada com um bonito solo de flauta acompanhado de violão, bandolim e piano. Anderson começa a cantar acompanhado desses instrumentos, até massacrantes batidas de bateria seguidas da bela melodia cantada por ele e, também, por David e Peter, acompanhados de piano. A melodia se repete com Barre fazendo ótimos solos. A música vai ficando acelerada até terminar com piano e mais boas notas de sintetizador.
“Broadsword”, o lado B do LP, é iniciado com a música de mesmo nome. “Broadsword” começa como “Beastie”, com sombrias notas de sintetizador, criando um clima místico e misterioso, acordes de guitarra, bateria e Ian cantando, até entrar ótimos riffs de guitarra e excelentes solos de sintetizador. Após boas batidas de bateria, Barre executa um excelente solo de guitarra, que termina com o retorno da parte cantada, sempre acompanhada de baixo, sintetizador e guitarra. A música acaba lentamente com o som da guitarra, da bateria e do sintetizador.
“Pussy Willow” começa com uma ótima flauta acompanhada de guitarra. Logo, Ian começa a cantar acompanhado de piano, violão e bateria, até a entrada do refrão, que possui ecos. Mais um solo de flauta é seguido de um solo de sintetizador e algumas notas de piano. Um trecho mais forte surge, até, novamente, entrar a parte mais calma da música. O trecho forte retorna com guitarra, bateria, um coro de Pegg e Vettese, mais uma boa linha de baixo e, vai terminando lentamente.
“Watching Me Watching You” é a música mais eletrônica do disco. Começa com sintetizadores, que se mantém constantes durante toda a faixa, seguidos de pequenos solos de flauta, guitarra e boas batidas de bateria. Os bons acordes de baixo acompanham os sintetizadores. Anderson canta e Peter e David fazem segunda voz. Antes de terminar, possui um curto solo de flauta e uma parada estratégica. A música volta e termina de repente.
“Seal Driver” é iniciada com um sintetizador de timbre grave, deixando espaço para um excelente solo de guitarra e a boa voz de Ian. Apresenta sintetizadores ao fundo, riffs de guitarra e um bom baixo seguidos de excelentes batidas de bateria, que por sua vez, são seguidas de um extraordinário solo de Martin Barre. Esse solo de guitarra é acompanhado de excelentes acordes de baixo e uma nervosa bateria, até um solo grave de sintetizador, que depois imita um órgão. Novamente, o sintetizador abre para mais um trecho cantado. No final, uma bateria mais comportada acompanha a repetição do refrão.
“Cheerio”, a menor música do disco, é uma bela e melodiosa faixa cantada por Anderson e acompanhada de sintetizador e um curto e lindo solo de flauta, finalizando esse pequeno, mas, bem trabalhado álbum, que ao meu ver, não possui ressalvas.
É um excelente disco, que além de contar com a excelente atuação de todos os músicos, apresenta ótimas letras do também compositor Ian Anderson. Para mim, um álbum indispensável, que considero como um dos melhores do Jethro Tull, que sempre está fazendo ótimos discos e se mantendo fiel ao gênero, chegando à compará-lo com os ótimos “Minstrel In The Gallery” e “Songs From The Wood”. Recomendo esse disco à todos, principalmente àqueles que gostam do som da banda e, que antes de escutar e tirar suas próprias conclusões, seguem as opiniões de críticos.

Detalhe: destaque também para a excepcional capa feita por Iain McCaig, que nada mais é que a caricatura do duende Ian Anderson, que guarda uma flauta, apoia em uma espada e é emoldurado pelas caricaturas dos outros integrantes, tendo ao fundo um navio pirata, que aparece na contra-capa apresentando as músicas e os créditos, caligrafados por Jim Gibson, em suas velas. Tudo combinando com o conteúdo do disco.

mirage
12/07/2003