
EUA, 1967.
Jimi Hendrix -
Guitarra ,vocais
Noel Redding
- Baixo, Guitarra, backing-Vocal
Mitch Mitchell
- Bateria, backing-Vocal
01. Foxy Lady
02. Manic Depression
03. Red House
04. Can You See Me
05. Love Or Confusion
06. I Don't Live Today
07. May This Be Love
08. Fire
09. Third Stone From The Sun
10. Remember
11. Are You Experienced?
12. Hey Joe
13. Stone Free
14. Purple Haze
15. 51st Anniversary
16. The Wind Cries Mary
17. Highway Chile
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Jimi Hendrix Experience
Are You
Experienced?
Dados da resenha:
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Desnecessário grandes
comentários sobre Jimi Hendrix que em apenas 4
anos de carreira revolucionou a maneira de se
tocar guitarra, expandindo seu vocabulário de
maneira nunca antes feita e se tornou um
rock-star tendo que fazer primeiro sucesso na
Inglaterra para só depois ser reconhecido nos
EUA, seu pais de origem. Hendrix foi mestre na
busca por possibilidades em seu instrumento e
inovou tanto com pedais de efeitos e "feedback"
na amplificação, fazendo com que o som
distorcido fizesse parte de um contexto musical
sendo que antes dele, distorções eram problemas
técnicos que tinham que ser corrigidos como a
microfonia. Seu visual e presença de palco o
diferenciavam de todos, e sua fama de “queimador
de guitarras” no palco fez com que as
quebradeiras de guitarra de Pete Townshend do
Who ficassem monótonas e sem um "vigor tribal"
para o público. Só que mais do que coisas
estranhas que fazia, é importância de Hendrix
tanto como artista, compositor, intérprete e
músico veio do Blues, ou mais especificamente o
Blues Elétrico que estava sendo feito já algum
tempo por caras como John Mayall e Buddy Guy,
que bebiam da fonte de John Lee Hooker e T-bone
Walker. Na Inglaterra o Blues estava sendo muito
mais respeitado e os discos americanos faziam a
alegria de jovens do começo dos anos 60, como os
integrantes dos Animals, Yarbirds (de Clapton) e
Stones.
Um pouco antes de formar o grupo The Jimi
Hendrix Expirience, ele já tinha trabalhado como
side-man de artistas como Little Richard, The
Isley Brothers e King Curtis. Inclusive com o
Isley Brothers em 1964 há um registro de uma
música chamada "Testify". Com Little Richard
também há trabalhos registrados que depois de
famoso foram lançados. Há quem diga que Hendrix
foi demitido por estar roubando mais atenção que
Little Richards nas apresentações. Depois de
algum tempo resolve parar de ser acompanhante de
artistas e passa a tocar em clubes Nova Yorkinos
chegando a tocar com artistas como John Hammond
Jr.'s band. Num desses clubes, ele foi visto
pelo baixista dos Animals, Chas Chandler, que o
convenceu a tocar na Inglaterra gravar em
Londres. E assim conhecendo os músicos Mitch
Mitchell (baterista que já vinha de longa
experiência, tocando nas bandas: Pete Nelson and
the Travellers, The Coronets, Pretty Things 'no
segundo disco desse grupo' e Georgie Fame and
the Blue Flam), e o Baixista e também
guitarrista Noel Redding, gravam um dos maiores
discos de estréia da história do rock, agradando
tanto a psicodélicos quanto blueseiros. Não
demorou muito, as músicas "Hey Joe," "Purple
Haze," e "The Wind Cries Mary" já estavam no
“Top” da Inglaterra e com esse disco Jimi seria
a sensação do Festival Pop Monterey festival em
Junho de 1967 o que marcou de vez seu nome.
"Are You Experienced?" é mais do que um
documento dessa época. Ele é o disco que define
melhor todos os elementos da era psicodélica,
influenciando músicos até hoje. Na época o disco
atingiu a marca dos cinco primeiros mais
vendidos nos EUA. Seu lançamento veio com todo
poder de força de um jovem, mas veterano musico
do R&B, que já tinha um material autoral antes
mesmo de formar o The Experience. Não demorou
muito para que sua fama de virtuose espantou
caras como Jeff Beck, Pete Townshend e Eric
Clapton. Até Bob Dylan que sempre tocou folk com
uma Harmônica e um violão resolveu experimentar
a guitarra, episódio que, por sinal, desagradou
inclusive seus fãs inicialmente. Não havia
dúvida de que a psicodelia que estava presente
nas roupas, nas ações e principalmente nos
discos estava revolucionando pensamentos que
passaram a ser cada vez mais politizados e
abertos para a situação americana, como fica
explícito nos protestos contra a guerra no
Vietnã.
Foxy Lady, Já começa surpreendendo com guitarras
pesadas tocadas com bastante pegada e
desenvoltura. As famosas levadas sincopadas se
tornaram marca registrada e fariam história. O riff inicial feito na região grave das cordas
sempre agradou Jimi que nunca se intimidou com
uma corda que quebra-se no meio da música e
tocava sempre com bastante vontade dando depois
muito trabalho para seus roadies. Não poderia
ter começado melhor o disco com essa que logo se
tornaria indispensável em qualquer coletânea do
guitarrista.
Manic Depression, Aqui Hendrix mostra seu poder
de fogo também em criatividade criando uma das
pérolas guitarrísticas que influenciaria na
maneira de tocar contemporâneos como Johnny
Winter, Frank Zappa e Robin Trower. As linhas de
solos são sempre aleatórias, o que gerou
comentários do tipo de que Hendrix foi
influenciado pelo Jazz. O riff se tornaria algo
antológico para os padrões da época "como quase
tudo de Jimi". O poder de força dessa música é
alucinante e surpreendente tanto pelos feed-back
como pela cozinha baixo-bateria. Enfim, audição
mais que obrigatória.
Red House, Um blues "arrasa quarteirão" com
solos tão inspirados que até hoje é decifrado
por estudantes do instrumentos e na época deixou
muita gente de queixo caído. O vocal de Hendrix
é excelente, mostrando que ninguém melhor para
interpretar a canção que seu próprio autor. Esta
música é ideal para se ouvir a qualquer hora e
em qualquer lugar. Há outras versões ao vivo
conhecidas como a de Woodstook que segundo
muitos fã são superiores que esta.
Can You See Me , Grande som e ótimo momento do
disco. Apesar da estrutura roqueira clássica da
música, Jimi inovou ao por breves paradas e
colocar um solo curto mais incendiante. Vale a
pena por pra tocar com o som bem no alto !
Love Or Confusion , bem ao estilo psicodélico da
época há uma guitarra berrante com um timbre
lindíssimo, porém ficou um pouco poluída de
notas em meios ao vocal, mas vale a pena pelo
solo hipnótico que influenciaria caras como
Robert Fripp a fazer estudos nessa matéria. O
tipo de música que melhor funciona ao vivo.
I Don't Live Today , outra pérola do repertório
do guitarrista e não é pra menos. Pegada
furiosa, atitude roqueira e uma bela seqüência
de ritmos suingantes não deixou por menos e
mostra o que melhor Jimi soube fazer no momento.
Grande momento ! Destaque para a bateria de
Mitchell.
May This Be Love , Como pode parecer de fato
pelo título, é uma balada porém muito cheia de
clichês harmônicos que não condizem muito com o
restante do disco. É claro que a música é
"salva" pelos solos viajantes, mas não é lá um
dos grandes momentos. A composição é meio fraca
demais para um disco tão importante.
Fire, Esta que é uma das mais swingadas e tem
quebradas de bateria alá Keith Moon também tinha
presença obrigatória no check-list dos shows.
Impossível não bater os pés ao ouvi-la. Possui
uma letra provocante e solos econômicos e
focalização mais nas bases.
Third Stone From The Sun , a mais psicodélica
talvez do disco com um andamento
médio-lento no início e com breves momentos
estranhos e apocalípticos. Esquisitices porém
sem bizarrices.
Remember , Tema mais caído para o Soul que se
não acrescenta nada de novo, em termos de música
que se produzia pelo menos dá uma dose meio
diferente no disco perto das outras faixas. Só
peca pelo final meio Van Morrison (aquela coisa
de ficar tagarelando em cima da base).
Are You Experienced?, A faixa titulo é uma das
coisas mais revolucionárias que a música já
produziu "sem exagero nenhum" haja vista que
naquele momento em qual disco poderíamos ouvir a
guitarra daquela maneira ? Os efeitos e a voz de Jimi são sublimes e encantadores. É uma pena não
funcionar tão bem ao vivo, mas podemos dizer que
do que foi feita em estudio por Jimi ela bate
sempre em nos primeiros lugares. Jimi conseguiu
desvincular nessa faixa sua influência bluseira
e fazer uma espécie de folk-pscodélico de
primeira como pouca vez se viu. Existe até um
vídeo promo dessa faixa que também é ótima.
Hey Joe , "que muita gente acha que é composição
de Jimi" foi a regravação que em outras palavras
foi como se Jimi "Toma-se emprestada e não
devolve-se". A roupagem nova com os backings
vocals e os acordes cadenciados fizeram com que
a música fosse re-batizada. Imprescindível em
qualquer coletânea obviamente. Uma balada com
peso nos solos. Belíssima!
Stone Free , umas das músicas mais "para cima" é
como se fosse uma irmã de "Fire", só que começa
meio folk e desanda num rock pra cima. É
engraçado como a sonoridade dessa faixa lembra
as músicas que Jimi gravou antes do Experience e
só foram aparecer muitos anos depois. É claro
que a ousadia do disco é impressionante perto
daqueles momentos, algo como se Jimi estivesse
mais independente e menos preocupado em ser
politicamente correto.
Purple Haze , Um clássico absoluto, com um
empolgante e explosivo riff é sem duvida um dos
maiores clássicos de Jimi e famosa pela frase "when
I kiss the skie" já fazendo uma alusão a
entorpecentes. A dinâmica rítmica varia
maravilhosamente bem entre fúria e beleza. Solos
de ótimo gosto além de um vocal despojado foi a
fórmula certa para o clássico. Qual o estudante
de guitarra que nunca tocou sua introdução ??
51st Anniversary , bom momento do álbum, porém
com seqüências de acordes pouco inspiradas. É
uma faixa mediana que seria melhor se não fosse
estilo festa. Sem desmerecê-la, ela é meio
cansativa. Tem um breve inicio parecido com "Hi-Ho
Silver" de Jeff Beck.
The Wind Cries Mary , uma das mais belas canções
feitas na época, onde a guitarra esta a serviço
do feeling, e viajando pelo consciente do
ouvinte com um timbre limpo e rico, sendo até
difícil de acreditar que foi produzido a tanto
tempo por causa da qualidade sonora trabalhada
por Eddie Kramer. Talvez a coisa mais cristalina
que Hendrix fez e um dos maiores tesouros que a
música já proporcionaram.
Highway Chile, Outro grande momento do disco com
um início marcante e influente. "Deep Purple que
o diga, ouça Demons Eyes deles !". É o tipo de
faixa que deve ter deixado um certo Ritchie
Blackmore pirado na época. Ela também tem um
andamento que lembra muito "The Jean Genie" do
David Bowie. Grande momento para um memorável
disco !!!
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