
John
Coltrane: Tenor Saxophone, Vocal. McCoy
Tyner: Piano. Jimmy Garrison: Baixo. Elvin
Jones: Bateria.
Faixas:
1.Acknowledgement(J.
Coltrane)7:39
2.Resolution (J. Coltrane) 7:21
3.Pursuance (J. Coltrane) 10:40
4.Psalm (J. Coltrane) 7:00
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John Coltrane - A Love Supreme (1964) Por
bobblopes
John Coltrane sem sombra de dúvida foi um dos músicos
de jazz mais ousados, talentosos, espirituais e
inspirados da história do estilo. Sua morte
prematura de Câncer aos 42 anos em 1967 foi um
golpe muito duro para o gênero, principalmente
por ter iniciado com esse álbum uma fase
assustadoramente criativa e genial de sua carreira
a partir desse clássico. Mas o pouco tempo em que
se dedicou exclusivamente a sua carreira solo
(1960-7) conseguiu deixar sua marca não só no
jazz, mas em muito músicos que seguiriam no
genero progressivo (é só ouvir bandas como o
Soft Machine ou o King Crimson de 1969-71 para
perceber sua influência).
Coltrane durante os anos 50 havia participado de vários
projetos e de grupos de qualidade, tocando em
bandas de ninguem menos do que Miles Davis e
Thelonious Monk, participando também da gravação
de clássicos como kind of blue de Miles em 1959.
Com o suporte de ambos, iniciaria sua empreitada
solo em 1960. Inicialmente os resultados obtidos não
chegavam aos pés da qualidade e a excelência do
músico, em parte explicado pelos abusos
constantes de Coltrane com o álcool e a heroína.
No inicio de 1963, contudo, Coltrane decidiu dar
uma guinada brusca em sua vida e carreira e
decidiu se converter (parcialmente) ao budismo,
largar (temporariamente) do álcool e das drogas e
adaptar seu som ao free jazz de Ornette Coleman,
impondo longos e hipnotizantes solos de saxofone
com pitadas de um teor religioso em suas canções.
Ao entrar em estúdio no ano seguinte, após uma série
de aclamadas apresentações, Coltrane e seu
excelente trio em algumas sessões gravariam o que
para muitos é junto com Free Jazz (de Coleman de
1960) e Bitches Brew (de Davis de 1969), como um
dos 3 melhores álbuns de jazz dos anos 60 e um
dos mais influentes discos do estilo.A Love
Supreme. O disco, na verdade um longo tema
dividido em quatro partes, seria uma adaptação,
uma evolução do estilo free jazz iniciado em
1959-60. Aqui percebe-se uma clara intenção de
se colocar longas, complexas as vezes dissonantes
improvisações e solos, mas também de se criar
um clima diferente nas canções, dando a elas um
estranho aspecto espiritual, cativante, isso por
que elementos budistas (orações, bases de
melodias religiosas) foram embutidos de forma
discreta, porém fundamental para dar um aspecto
totalmente diferente a canção, fazendo-a fugir
do virtuosismo vazio as vezes imposto pelo estilo
free-jazz.
As quatro partes do álbum em sua totalidade, são
excelentes, cada uma com uma peculiaridade sonora
em sua estrutura. Seja pela climática, espiritual
e sombria Acknoledgment, onde coltrane por vezes
deixa seu sax e solta suaves preces, como se
fossem uma espécie de mantra em forma de jazz.
Seja pelas altamente improvisadas Resolution e
pursuance, onde aqui vemos coltrane despejar todo
o seu talento no sax e ainda nos brindar com ótimas
performances de Mccoy Tiner no piano e Elvin Jones
na batera, lembrando por vezes o jazz sem
compromissos e free de ornette, mas com uma
roupagem completamente diferente oferecida por
Coltrane. E com a altamente empolgante Psalm,
Coltrane encerra sua viagem pelo free jazz e a sua
suíte de mais de 30 minutos.
Ao ser lançado, coltrane iria experimentar e
utilizar essa composição em apresentações ao
vivo, as vezes ao extremo, testando suas
habilidades, de seus músicos e a capacidade do
publico e critica de enxergar e assimilar toda
essa nova e ousada proposta musical (o que neste
ultimo aspecto foi obtido apenas alguma aprovação
e apoio).
Um Clássico do jazz e uma boa porta de entrada
para entender a curta porém brilhante carreira
desse excelente artista.
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