Cover

EUA, 1967.


Músicos:
John Coltrane / sax soprano, sax tenor
Alice Coltrane / piano
Rashied Ali / bateria
Jimmy Garrison / contrabaixo
Pharoah Sanders / sax tenor
Jumma Santos / percussão
Billy Taylor / mestre de cerimônias


Faixas:
01) Introduction (0:32)
02) Ogunde (28:35)
03) My Favorite Things (34:36)


John Coltrane

The Olatunji Concert: The Last Live Recording

 
Dados da resenha:
Autor: Alfredo RR de Sousa (Hizbollah); recebida em12/07/2006.
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The Olatunji Concert: The Last Live Recording sem sombra de dúvida integra, ao lado de Machine Gun (Peter Brotzmann) e Spiritual Unity (Albert Ayler), a trinca dos mais DEVASTADORES e GENIAIS discos de jazz que tive a oportunidade de conhecer até hoje. É decerto um registro mal gravado, com muitas oscilações de volume e até mesmo alguns drop outs na fita master, mas a meu ver tal característica contribui decisivamente, por incrível que pareça, para a aura de inaudita e sobrenatural intensidade cósmica que emana do álbum, uma vez que o mergulho sem volta nos mais abscônditos báratros da Arcana Coelestia almejado por Coltrane não poderia ser traduzido, creio eu, por uma sonoridade harmônica, cristalina, mas tão somente pela própria materialização sonora do caos primordial dos páramos deíficos; destarte, me parece de sobejo razoável asseverar que se Coltrane alguma vez conseguiu transfigurar em termos estéticos sua a um só tempo extática e agônica demanda por transcendência espiritual, tal intento foi logrado com pleno e assustador êxito em The Olatunji Concert: The Last Live Recording, vero dérèglement absolu de tous les sens nos píncaros do SAGRADO.

Ogunde é a encarnação estética de um ritual de magia arcana no imo do mais recôndito heart of darkness africano: irracionalista, brutal, incontrolável, selvagem, obscura, um avassalador tornado de solos e ritmos veramente indescritíveis de tão intensos e arrebatadores; e a propósito de My Favorite Things.... bem, o que dizer de tamanho colosso....? A versão presente em Live in Japan (1966) pode ter 23 minutos a mais e, de uma certa maneira, ser até mais intrincada, mas em termos de puro desvario, de obliteração sônica in extremis de tudo aquilo que o senso comum classificaria como 'música', de blasfema conjuração de miríades de Supernovas explodindo nos vórtices mais remotos do espaço sideral, simplesmente empalidece diante de sua co-irmã 1967: de facto, trata-se de algo tão inacreditável e estratosfericamente visceral, tão esmagador em sua vulcânica energia vital, que é capaz de mergulhar o ouvinte num estado de profunda desorientação mental, beirando mesmo a mais obnubilante ataraxia de todos os sentidos. O maelstron 'transjazzístico' tem início de forma aparentemente despretensiosa e contida, com um envolvente solo de baixo urdido pelo saudoso Jimmy Garrison; ao fim e ao cabo de quase 8 minutos de hipnose, faz-se anunciar, ameaçador, o primeiro uivo espectral do sax de Coltrane, e então hell breaks loose num dos mais walpúrgicos sabbath supersônicos que este escriba já escutou. O que temos aqui não são meros músicos, mas sim ciclópicas deidades lovecraftianas, Coltrane convertido em Surtr; Sanders em Kali; Rashied Ali em Ahriman; e assim sucessivamente, todos de súbito convertidos em titânicos espíritos de aniquilação / recriacão do kháos transmutado em kósmos e da cosmogonia desintegrada em inefável kháosmosis, trovejante polifonia de clarins descomunais vertendo catadupas de magma incandescente e AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!!!!!!!!...