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Michael
Lee Firkins, Steve Hunter, Jason Becker:
guitarras
Matt Bissonette: baixo
Gregg Bissonette, Rick Walker: percussão
Danny Alvarez: teclados
Mike Bemensderfer: teclados, koto
Gary Becker: clavinete
Steve Perry (Primal), Brett Tuggle (Meet Me In
The Morning): vocais
Faixas:
1- Primal - 7:03
2- Rain - 3:14
3- End of the Beginning - 11:47
4- Higher - 5:28
5- Blue - 4:47
6- Life and Death - 9:11
7- Empire - 5:16
8- Serrana - 8:39
9- Meet Me In the Morning (Bob Dylan) - 5:26
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Jason
Becker
- Perspective (1995)
Por guitarzeus
"It has crippled my body and speech, but not
my mind..."
Este é um disco que eu já vi ser apropriadamente
catalogado como "symphonic art rock" e
tem uma história bem especial por trás dele,
parte pode ser vista como complemento do que
escrevi na resenha do disco Introduction de Marty
Friedman. Por incluir um pouco da biografia do
artista, peço desculpas por ser essa uma longa
resenha.
Nascido em um ambiente bastante artístico, Jason
Becker desde cedo recebeu amplo suporte dos pais
para iniciar-se na música. Inspirado por músicos
tão diversos quanto Nicolo Pagani, Jeff Beck,
Yngwie Malmsteen ou mesmo Bob Dylan, ainda
adolescente já mostrava uma técnica refinada,
impressionante e promissora a qual ele
definitivamente levaria aos limites da sua
capacidade. Com apenas 17 anos já estava ao lado
de Marty Friedman tocando no Cacophony, causando
forte impacto no meio com suas guitarras
impossíveis. Realmente prodigioso, foi destaque
em grande parte das revistas especializadas em
rock ou dedicadas a guitarra. Tem um vídeo dele
gravado em 89 no Japão onde ele faz um solo de
guitarra absurdo, eu só conhecia o áudio desta
mas quando descobri que ele fazia aquilo ao mesmo
tempo em que brincava com um ioiô na mão
direita, foi assustador, além de tudo ele era um
show-man! Lançou dois discos com o Cacophony com
pouca recepção, inspirado na onda virtuoso/
shred/ neoclassical/ prog/ fusion/ metal (quanta
coisa!) estimulado por Mike Varney e o selo
Shrapnell que serviu para descobrir grandes
talentos e lançar guitar-heroes em escala
industrial, sendo que a maioria foi devorada pelo
próprio ego e por uma grande carência de senso
melódico, feeling, musicalidade, inovação ou
criatividade.
Em 1988 lançou um disco solo, Perpetual Burn,
cujo conteúdo é basicamente prog metal
neo-clássico com ênfase no virtuosismo e
passagens intrincadas, pode ser considerada como
tese de doutorado para qualquer aspirante a guitar
hero. Muito novo, com 19 anos ele recebia o
convite para integrar a Dave Lee Roth band
substituindo um consagrado Steve Vai, lançado o
disco A Little Ain't Enough, um glam rock cujo
resultado ficou aquém das expectativas do
próprio Jason.
Eu costumo brincar dizendo que tanta obstinação
em torno do instrumento provavelmente tenha
"fritado os nervos dele", pois em 1990
descobriu que tinha uma doença degenerativa,
crônica e incurável afetando o sistema nervoso
conhecida como ALS. Apesar de todos os
prognósticos negativos e da curta expectativa de
vida cujas previsões eram de 3 a 5 anos em 1990,
ele teve algumas melhoras no estado de saúde como
resultado de grande busca espiritual, paz e da
obstinação e capacidade de superação que ele
já mostrara como instrumentista, de alguém que
nunca desiste ou se dá por vencido. Hoje sua
comunicação é possibilitada utilizando um
software baseado em IA capaz de reconhecer
movimentos dos olhos, mas as dificuldades em
compor algo novo hoje são imensas devido a
inequação dos softwares existentes.
Bastante limitado para fazer as partes de
guitarra, a realização deste disco foi um fato
notável diante de tantas adversidades. Algumas
músicas foram aproveitadas a partir de demos
(notadamente as partes em que Jason toca), a maior
parte foi composta usando um Macintosh, tecnologia
MIDI, teclados, sequenciadores, antes de serem
passados para as mãos dos músicos que tornariam
as idéias de Jason em realidade, entre eles o
multi-instrumentista Mike Bemensderfer.
O resultado foi um disco que mesmo não sendo uma
obra-prima ou uma das melhores coisas que já ouvi
na vida, é dotado de grande diversidade e riqueza
musical, com bons momentos que por si já o
recomendam.
As melhores faizas ficam por conta da tribal e
misteriosa Primal que conta com a voz do vocalista
do Journey, Steve Perry (música que dizem ser
inspirada em Passion, de Peter Gabriel), a
sinfônica Life and Death, a beleza de Higher e a
neo-clássica End Of The Beginning, cujas
guitarras são tocadas por Seve Hunter e Michael
Lee Firkins.
Higher, cujas notas (não tem letras) são
inspiradas pela Voicestra de Bob MacFerrin, tem
tanto a melodia quanto a harmonia formadas em
multi-camadas, uma erudição capaz de lembrar um
meditativo coral de igreja. Um momento de paz,
lirismo, inspiração e beleza indescrítíveis
que por si só já valem o disco.
Outras músicas que valeriam a pena comentar:
Empire é um progressivo sinfônico que lembraria
um bom ELP moderno cujo tema gira em torno de
"guerra e paz". Serrana foi extraída de
um solo que Jason costumava fazer durante os
tempos do Cacophony mas é tocada inteiramante por
seu próprio pai no Clavinete. Meet Me In The
Morning é um contagiante blues composto por Bob
Dylan, a única faixa com sonoridade rock. O
restante do disco não é de qualidade tão boa
uma vez que foram extraídas de demos, mas é onde
mais pode ser ouvida a guitarra de Jason Becker.
"As my guitar playing dwindled, something
else in my music got better, many times in music,
if you are given limitations, it expands the
creativity." Jason Becker
Quem quiser saber mais, samples MP3, novidades
sobres o estado de saúde ou alguma outra
curiosidade, pode conferir em
www.jasonbecker.com
Marcus
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