Robert Fripp - guitara, violão, melotron e efeitos. Greg Lake - vocais. Michael Giles - baterias, percussão. Peter Giles - baixo. Keith Tippett - piano. Mel Collins - saxofones e flautas. Gordon Haskell - vocal em "Cadence and Cascade". Peter Sinfield - letras.


Faixas:
1. Peace - A Beginning - 0:37
2. Pictures a city - 8:12
3. Cadence and cascade - 4:32
4. In the wake of Poseidon (inclui Libra´s theme) - 8:26
5. Peace - a theme - 1:14
6. Cat food - 4:52
7. The Devil´s Triangle - 11:25
a. Merday morn
b. Hand of Sceiron
c. Garden of worm
8. Peace - an end - 1:58


King Crimson  - In The Wake Of Poseidon (1970)

Por Steve Hillage

Este album do King Crimson começa a trazer algumas "perturbações" a um dos fundadores e membros da banda, o guitarrista Robert Fripp. Na realidade o que passou a incomodar a Fripp a partir deste trabalho era a dificuldade de manter a estabilidade da banda que nos albums seguintes as formações são totalmente diferentes, tanto é que Fripp "suportou" esse problema nos anos 70 até em 24 de setembro de 1.975 quando anuncia a paralização das atividades da banda sem um futuro definido, e posteriormente, "gerações" do King Crimson surgiriam nos anos 80 e outra nos anos 90. Em 1.969, quando foi fundada a banda e saiu também o album "In the court of the Crimson King", o trabalho de estréia, a formação era impecável e houve uma boa recepção da banda por parte tanto do público como da crítica. Quando Fripp pretende reunir com os companheiros também fundadores do grupo para o segundo trabalho, já começa as "pertubações": Ian McDonald (tecladista, flautista, saxofonista) e Michael Giles (baterias e percussão) resolvem juntos gravar um album no que surgiu uma dobradinha "McDonald and Giles" que sai também no ano de 1.970, mas a pior "gota d´água" foi a saída de Greg Lake (vocais, baixo) que recebeu um convite de Keith Emerson que vinha do "The Nice" para formar uma banda no que resultou no Emerson, Lake & Palmer (ELP) e acabou gravando também um album naquele mesmo ano de 1.970 entitulado de "Emerson, Lake & Palmer". Emerson inclusive conheceu Lake numa ocasião em que o The Nice e o King Crimson se encontram fazendo show num evento no ano de 1.969. Imagine só: Quem que estivesse na "pele" de Fripp, poderia acreditar numa situação dessas? Quem teria algo a perder depois de lançar uma obra exemplar como o "In the court of the Crimson King" se desassociar da banda quando é muito bem recebida por parte do público e crítica? Robert Fripp não conseguia acreditar em tal situação que se encontrava, entre outras palavras totalmente "abandonado" dos amigos. Mas no ano de 1.970 outra banda importante que começa a pregar o rp também passava por mudanças e era o Yes, pois o guitarrista e fundador da banda Peter Banks se desentendia da banda e o vocalista Jon Anderson, outro fundador do Yes convida Fripp para prencher a vaga já que o King Crimson aparentava ter a aparência de uma banda sem futuro algum, o guitarrista recusa o convite e como "agradecimento" convida Anderson para participar dos vocais no album "Lizard" (1.971) após o "In the wake of Poseidon" e teima em continuar com o seu grupo, reformular a equipe e entrar no estúdio para iniciar as gravações. Existiam boatos de que Robert Fripp chegou ao exagero de "Pedir pelo Amor de Deus" para que Greg Lake e Michael Giles cooperassem neste trabalho o que foi aceito, Giles se encarregou de fazer as baterias e percussão e Lake fazer apenas os vocais exceto numa única faixa onde Fripp convida um colega dos tempos de sua infância chamado Gordon Haskell. Além destes contaria também com a ajuda de Peter Giles, no baixo, sendo que este e mais o irmão Michael antes mesmo do King Crimson chegaram a gravar uma "semente" do King Crimson formando o "Giles, Giles & Fripp" resultando num único album chamado "The cheerfully of insanity of Giles, Giles & Fripp" (1.968) mas ai são outras estórias. Participaria também o pianista Keith Tippett, o saxofonista e flautista Mel Collins (oriundo de uma banda chamada "Circus"), além do letrista e também membro original Peter Sinfield. Uma curiosidade é que McDonald que tocava o melotron do album de estréia, neste album no caso Fripp passa a ser o responsável em tocá-lo e impressionantemente é justamente este instrumento que possui uma presença muito forte neste album e ficou melhor editado do que no album anterior, diferente de se pensar que no caso é a guitarra que "daria conta do recado" por causa da modificação dos integrantes da banda. Fripp inclusive chegava a segurar a guitarra com uma mão e tocar o melotron com a outra. A gravação continuou pelo selo da Eg Records (posteriormente foi editado também pela Atlantic Records) com produção do próprio guitarrista e Peter Sinfield com auxílio de Robin Thompson, Tony Page e Jeff. Entretanto, Fripp teve outra "pertubação" no que diz a ilustração da capa; Barry Godber e amigo de Fripp, o ilustrador do album anterior falecia de ataque cardíaco aos 24 anos de idade naquele ano de 1.970 e Peter Sinfield se encarrega de fazer a ilustração interna da capa e o cover frontal que resultou da idéia baseada na pintura "12 caricaturas" de Tammo de Jongh (tanto é que são de fato 12 ao todo na ilustração da capa) sobre as leituras de Richard Gardeners em "O propósito do amor" e de Jongh em "O círculo mágico" e cada caricatura é associada a um determinado tema das músicas do trabalho e em especial todas na faixa-título. Peter Sinfield argumentou que a idéia era possivelmente associar o trabalho que relacionasse especialmente com o elemento água mas não chegou a ser seguramente comprovado, já que no anterior era o elemento ar (vide exemplos como: "Moonchild" e "I talk with the wind"). O trabalho, bonito de maneira geral tem seus pontos fracos e fortes ao mesmo tempo, ainda tem várias características que se assemelham ainda no album anterior com partes em jazz, música experimental, tranquilidade e sobretudo criatividade em musicas curtinhas e faixas longas. Em resumo, é King Crimson mesmo que muitos não pensem pois o que venceu durante o tempo no caso do conjunto com as mais diversas modificações foi a música da banda que sempre possui a "alma" do King Crimson. Pelo menos prova disso está presente nesta obra.

"Peace - a beginning" - gravada em tres seções, foi elaborada sob o efeito na época em relação da guerra do Vietnã e logo no primeiro verso já associa o elemento água confome esclarecido anteriormente; esta primeira parte é a menor do trabalho com um pouco mais de 30 segundos, muito calma com Lake soando no vocal bem baixinho e aos poucos vai graduando no fim com acordes de violão para dar entrada a próxima
"Pictures of a city" - com um pouco mais de 8 minutos de duração, é uma faixa bem tipicamente jazzistica que soa um tanto como na "21st century schizoid man" do album anterior tanto o vocal e os instrumentos tocados. Mas essa faixa já havia sido apresentada nos concertos ao vivo em 1.969 com o nome "A man, a city" e pode ser escutada no album ao vivo "Epitaph" (1.997), no caso a de estúdio sai bem melhor do que ao vivo. Detalhe: a banda italiana Premiata Forneria Marconi também fazia "cover" da mesma época em que eles estavam tambem estreando no cenário de rp. Dá se a uma introdução razoavelmente barulhenta com bateria, guitarra, baixo e saxofone que este por sinal é a vedete principal nos 3 refrões da música. Quando Lake inicia o vocal a guitarra fica bem agressiva a medida que ele vai citando os versos e quando conclui um refrão a guitarra vai ficando em tom crescente. Na parte instrumental que tem momentos progressivos e jazzisticos percebe-se o virtuosismo de Fripp na parte que contem a "correria" de arranjos e fica calma repentinamente por um tempo dando uma impressão que a faixa termina mas vai lentamente ficando crescente o tema antes deles entrarem no último refrão.
"Cadence and cascade" - é a única faixa que Lake não faz o vocal e o convidado é o amigo de Fripp, Gordon Haskell, que faz com uma sonoridade muito suave ao longo de toda a faixa que de fato é uma música calma, está ao mesmo nível de "I talk to the wind" do album anterior. Inicia sob as dedilhadas de um violão e Haskell citando de início o nome da faixa e acompanha o violão de Fripp quando termina o refrão observa-se um delicado piano de Tippett nos dois refrões. No tema do meio que continua calmo surge a flauta de Collins também suave até aguardar de volta o vocal de Haskell que então finaliza a faixa. Detalhe: a mesma melodia desta faixa pode ser ouvida em "Flight of the Ibis" do album McDonald and Giles (1.970) que citam que foi criada no ano de 1.969 em nota. Pura coincidência?
"In the wake of Poseidon" - aqui nesta faixa com pouco mais de 8 minutos de duração é que o King Crimson faz praticamente a associação das "12 caricaturas" nos versos da música citando um por um e do elemento água que está presente na letra juntamente com mais os outros 3 elementos (terra, fogo e ar). Interessante que retrata sobre a insinuação de um naufrágio, e o Van der Graaf Generator outra banda do cenário rp, um ano depois no album "Pawn hearts" (1.971) apresenta na gigantesca faixa "A plague lighthouse keepers" a situação semelhante também sobre um naufrágio, mas ai no caso é outra situação. O melotron é o instrumento que "carimba" a música, muito forte a presença e sendo executado por Fripp e além do violão acústico que também toca !!! Nos 3 refrões Lake demonstra a dramatização das letras com uma eficácia estupenda e Giles ainda mostra o peso de sua percussão muito bem sincronizada com relação aos demais instrumentos. No tema final após os versos vai sendo repetido os arranjos tornando-se crescente e posteriormente decrescente no meio a um coro de vocais que lembra um momento da faixa "In the court of the Crimson King", do album anterior. A mesma melodia de coro também lembra por incrivel que pareça no hit "Lucky man" do ELP no album de estréia. A faixa lembra bem o estilo "Epitaph" e até aqui já na metade do album, será que existe alguma dúvida de que o trabalho não é tão semelhante quanto ao anterior, mesmo com reforço de Fripp com seus colegas?
"Peace - a theme" - é a segunda parte daquela faixa que fez a abertura do trabalho aqui só é executado o violão de Fripp tem um pouco mais de 1 minuto de duração
"Cat food" - como todas as faixas são de autoria de Fripp e Sinfield, é a única que McDonald tem participação da elaboração. Meio jazzistica, com entrada de um baixo e a tranquilidade da bateria aguardando o vocal de Lake que quando termina as letras de um refrão repete numa forma em coro "Cat food". O piano de Tippett faz uns arranjos meio malucos, sinal do presente jazz em questão com vária arpejadas de guitarra-violão, risadas lembra inclusive a "Indoor games" do Lizard (1.971), mas gravada posteriormente depois deste trabalho.
"The Devil´s Triangle" - essa faixa já é um tanto polêmica porque no caso é semelhante até em exagero com a "Mars, the bringer of war" do classiscista Gustav Holst, da obra "Os planetas" de 1.915 e Fripp não creditou ao compositor no caso, o que acabou tornando uma faixa não autorizada. Tanto que no album ao vivo "Epitaph" o King Crimson executa essa mesma trilha mas sob o nome "Mars" e ao crédito dos integrantes na época no ano de 1.969. Como a faixa está dividida em três partes numa delas McDonald também tem crédito e claro que a faixa foi "composta" por exclusivamente por Fripp inteiramente ao longo de seus quase 11:30 minutos de duração, sendo a maior portanto do album. Uma parte do trecho da faixa chegou a ser utilizada em um documentário retratando sobre o Triângulo das Bermudas e é óbvio que o elemento água está sendo retratado no tema em questão segundo as argumentações de Sinfield com relação ao trabalho como um todo e não um ataque de alienígenas como sugere no nome "Mars..." (Marte) e induz ao ouvinte imaginar tal situação conforme a faixa vai sendo tocada. A música inicia de uma forma calma que vai ficando crescente e crescente com sobre a presença do melotron em ritmo meio de bolero e aos poucos vai se observando efeitos sonoros feitos pelo piano e saxofone até que determinado momento ouve-se ruídos de ventanias que induz serem demônios (Ou o Triangulo das Bermudas?) quando fica pouco calma voltam os instrumentos que fazem a faixa ficar novamente crescente e o baixo fica tornando destaque junto do melotron e do saxofone escutando um barulho do piano/cravo de Tippett que aparenta estar perdido sem melodia para acompanhar, repentinamente ouve-se um curtissimo trecho da faixa "In the court of the Crimson King" do album anterior no refrão que cantam em forma de estilo coro, assim aos poucos finalizando a faixa.
"Peace - an end" - associa também o elemento água e é a seção final da faixa que inicia de abertura do album, mas no caso um pouquinho mais longa em forma de duração e claro que calma e muito suave encerrando o album "In the wake of Poseidon".