Robert Fripp - guitarras elétricas e acústicas, violões. Ian McDonald - flauta, saxofone, melotrom, teclados e vocais de apoio. Greg Lake - baixo, vocal principal. Michael Giles - baterias, percussão e vocais de apoio. Peter Sinfield - letras, iluminação de palco, ilustrações.


Faixas:
Volume 1
1. 21st century schizoid man - 7:06
2. In the court of the Crimson King - 6:27
3. Get thy bearings - 5:59
4. Epitaph - 7:08
5. A man, a city - 11:41
6. Epitaph - 7:42
7. 21st century schizoid man - 7:16
8. Mantra - 3:47
9. Travel weary Capricorn - 3:15
10. Improv - Travel weary Capricorn - 2:23
11. Mars - 8:53

Volume 2
1. In the court of the Crimson King - 7:13
2. Drop in - 5:14
3. A man, a city - 11:19
4. Epitaph - 7:31
5. 21st century schizoid man - 7:37
6. Mars - 9:42

Volume 3
1. 21st. century schizoid man - 7:14
2. Get thy bearings - 10:32
3. In the court of the Crimson King - 6:43
4. Mantra - 8:46
5. Travel weary Capricorn - 3:57
6. Improv
including By the sleeping lagoon (Coates) - 8:54
7. Mars - 7:23

Volume 4
1. 21st. century schizoid man - 7:57
2. Drop in - 6:20
3. Epitaph - 7:22
4. Get thy bearings - 18:10
5. Mantra - 5:29
6. Travel weary capricorn - 4:54
7. Improv - 4:34
8. Mars - 5:37


King Crimson - Epitaph (1997)

Por Steve Hillage

Esse não é o mais novo album do King Crimson em termos de gravação, mas sim de edição que foi lançado oficialmente no mês de Abril de 1.997 e por se tratar de um trabalho ao vivo é inteiramente de shows da banda que ocorreram em 1.969, quando neste mesmo ano nascia uma banda na Inglaterra em janeiro e ficariam marcados na história do gênero do rock progressivo (ou até do rock para muitos), além de gravarem e estreiarem um trabalho muito conceitual que seria lançado em outubro com o nome "In the court of the Crimson King" e também uma obra-prima como um todo do genêro do rock progressivo (ou até do rock para muitos). É justamente neste trabalho que está apresentado a trajetória da banda do que ocorreu naquele ano até mesmo antes da gravação do album de estréia.

A formação da banda definitiva se deu próxima do final de 1.968 a partir de uma mini-banda chamada "Giles, Giles & Frip" que tinha como Michael Giles nas baterias/vocais, Peter Giles no baixo/vocais e Robert Fripp nas guitarras e numa ocasião encontraram e admitiram por um curto período a cantora Judy Dyble (que fez parte da banda "Fairport Convention") e esta vinha junto com o multi-instrumentista Ian McDonald e um colega e poeta/letrista Peter Sinfield que chegou a trabalhar como operator numa empresa de computação. Mudanças no GGF fazem com que Dyble saísse por espontaneidade e Peter Giles (irmão de Michael) para se tornar um operador de computador (Detalhe: será que Giles queria ocupar o lugar de Sinfield? Curiosidade: naquela época nos finais dos anos 60 e início dos anos 70 a área de engenharia de computação estava começando "pequenos passos" para a elaboração e pesquisa de computadores domésticos já que era fortmente predominado a uso comercial das empresas na época).

Surge então para substituir Giles no baixo, um importante nome: Greg Lake. Lake já conhecia Fripp desde a adolescência e chegaram a estudar violão com uma mesma professora de música, e o futuro baixista passaria por bandas chamadas "Unit Four", "Time Checks" e "The Shame" que chegou a gravar um compacto em 1.968 e além ter participação de uma banda chamada "The Shy Limbs". Ainda em 1.968, Lake estaria com a banda "The Gods" junto com Mick Taylor (que foi integrante dos "The Rolling Stones"), mas não chegou a gravar porque receberia o convite de Fripp para se associar ao King Crimson, e além disso seria encarregado de fazer também os vocais, já por ser muito melodioso e as bandas que Lake tinha participado também davam preferência pelo seu vocal e durante o ano de 1.969 Fripp chegou a dividir um pequeno apartamento junto com Lake.

O nome King Crimson para quem não sabe foi inicialmente uma idéia de Peter Sinfield, apesar de que "crimson" quer dizer carmesim em português (vermelho muito vivo), mas por outro lado Sinfield estava aproximando a palavra "crimson" com o de um sinônimo chamado "Beelzebub" (Beelzebub, principe dos demônios). Assustador? Talvez pela capa do album (externa e interna) de estréia da banda pode demonstrar essas teorias de Sinfield. As letras retratam o elemento ar, embora tecnicamente ainda não foi comprovada esta hipótese segundo o próprio letrista do trabalho e da banda. Sinfield além de ser o letrista do King Crimson, também seria o iluminador dos shows nos palcos. Vale uma ressalva que o King Crimson não foi a única banda de progressivo que possuia um letrista exclusivo; o "Procol Harum" tinha um também chamado Keith Reid.

Naquele ano de 1.969, o King Crimson competia com poucas bandas de rock progressivo como "The Moody Blues", "Pink Floyd", "The Nice", "Procol Harum" que já estavam neste cenário um pouco ano e nascia também outras como o "Genesis", "Yes", "Jethro Tull", mas o grupo teve uma simpatia pelo público e crítica em aspectos gerais. E justamente neste trabalho aqui que esta fielmente com uma das formações mais clássicas ocorridas pela banda e justamente em sua estréia.

Com apresentações na Europa e Estados Unidos, o trabalho entretanto é encontrado originalmente em 4 volumes (4 CDs), mas é mais facilmente visto em sua metade (2 volumes, 2 CDs - primeiro e segundo volumes respectivamente), e para quem tem dificuldades e não consegue encontrar os dois últimos volumes (3 e 4) é aconselhável fazer contato com a gravadora. O album corresponde nas seguintes apresentações: volume 1 possui Sessões Rádio BBC, Filmore East feito nos dias 21 de novembro e 14 de dezembro; o volume 2 corresponde exclusivamente a mesma apresentação do Filmore East mas ocorrido no dia seguinte (15 de dezembro) e com o concerto tocado inteiramente naquele dia; o volume 3 é dedicado ao Festival Plumpton em 9 de agosto e finalizando o volume 4 que corresponde a apresentação do Clube Jazz Chesterfield em 7 de setembro.

As apresentações do Filmore East foram uma das mais importantes daquele ano em 1.969 para o King Crimson possuindo nomes até conhecidos e desconhecidos como "Iron Butterfly", "Poco", "Jefferson Airplane", "Joe Cocker", "Fleetwood Mac", "The Rolling Stones", "Johnny Winter", "Country Joe and the Fish", "Janis Joplin", "Sly and the Family Stone", "Grand Funk Railroad", "The Nice" e outros e justamente num dias desses do festival que Greg Lake recebeu uma proposta de Keith Emerson do "The Nice" para no ano seguinte formar o "Emerson, Lake & Palmer" e o guitarrista Jimi Hendrix deu um grande aperto de mão, além de esticar um bom papo com o mesmo pelo talento observado por este numa das apresentações. A ansiedade e insatisfação talvez dos amantes do King Crimson deste período em relação a edição deste trabalho seria a omissão do show do concerto gratuito em Londres, o famoso Hyde Park em 5 de julho de 1.969 promovido pelos "The Rolling Stones" numa homenagem a morte de seu companheiro Brian Jones que faleceu dois dias antes e o King Crimson faz a abertura do evento de frente para aproximadamente 650.000 pessoas.

Editado pelo selo DGM (Discipline Global Mobile) fundado por Robert Fripp (!!), o curioso é que "discipline", quer dizer em português, "disciplina" e esta palavra Fripp sempre carregou-a consigo desde seu comportamento familiar na infância por parte de seus pais. "Discipline", inclusive quase foi o nome do King Crimson quando ressurgiu nos anos 80, mas foi mantido o nome original da banda e acabou se tornando o nome de um album na re-estréia do King Crimson em 1.981. Repare inclusive que o simbolo da gravadora DGM é parecido com o deste album.

Em se tratando de lançamentos ao vivo, o King Crimson lançou trabalhos curiosos como "Earthbound" (1.972) (apesar de mal gravado), "USA" (1.976) e "The great deciever" (1.992) e além de outros lançados a partir do final dos anos 90 e do início do século XXI, mas nenhum que evidentemente tivesse justamente a primeira formação da banda e "Epitaph" foi lançado também porque o King Crimson (assim como inúmeras bandas) tinha problemas com a pirataria e para compensar aos amantes do grupo justamente foi uma estratégia muito bem acertada, porque a edição é muito luxuosa composta de uma caixa, um livreto com uma história detalhada sobre a banda a respeito daquele ano, apresentada ilustrativamente com muitas fotos e com catálogo da gravadora que apresenta seus trabalhos lançados por artistas do selo (boa parte tem proximidades no King Crimson) e vídeos. A capa do trabalho foi elaborada por P.J. Crook sob o nome "The four seasons" do qual resgata um tanto da arte de Paul Whitehead que elaborava as capas do Genesis, com auxílio de Bill Smith Studio.

Com o avanço tecnológico musical pode ser resgatado e trabalhado em cima de faixas que na ocasião dispunham de pelo menos 28 anos de duração, algumas quase perdidas em demos e outras feitas por gravações caseiras no local, isso sem contar com faixas inéditas. Algo foi resgatado na coletânea composta por uma caixa de 4 CDs "Frame by frame" (1.991) e algumas faixas que chegam a ser repetidas chegam a soar próximo com as originais de estúdio, mas não perfeitamente, inicialmente o ouvinte pode estranhar a qualidade, mas anteriormente comentado boa parte do trabalho é formado de gravações caseiras que forma muito bem trabalhadas, redigitalizadas e remasterizadas (observe que o Led Zeppelin gravou "BBC sessions", também em 1.997 contendo diversas faixas também gravadas no ano de 1.969 e não estão com 100% de perfeição).

Vai uma outra curiosidade sobre a escolha das gravações: não estão presentes nem mesmo na totalidade dos 4 volumes as faixas "I talk to the wind", que chegou a ser tocada até mesmo pelo GGF, época em que fazia parte Ian McDonald e Peter Sinfield e "Moonchild" (considerada por muitos uma faixa muito polêmica pelo tipo de exploração e finalização que o King Crimson criou) e as duas fazem partem do album de estréia da banda. Mesmo com a ausência destas faixas e a repetição de outras, ainda assim, o trabalho é muito atraente e gostoso de ser ouvido apesar de que mesmo como um album destes que tem uma das formações consideradas por muitos ouvintes sendo "impecáveis", ainda assim a banda soam melhor em estúdio do que ao vivo. Poderia ter sido ainda mais proveitoso se incluissem uma faixa que apresentasse o GGF e o GGF com a inclusão de McDonald, Sinfield (mas é bem possível que Lake não ia gostar nem um pouco da idéia se é que eles tiveram esta intenção...), pelo menos o público teria uma idéia do que era o King Crimson antes de sua formação.

Mostra o esforço de uma banda completamente cheia de energia e que ser tornaria "infeliz" no final de 1.969 com a saída da boa parte dos membros fundadores e obtendo tentativas do membro fundador Robert Fripp em se preocupar com o que foi a banda no início de sua existência, mas demonstrando ser um músico que estava com o tempo sempre aceitando os mais diferentes desafios. O King Crimson tocou em 78 apresentações oficilmente tendo uma agenda bem tensa e lotada no ano de 1.969 a partir do dia 9 de abril daquele ano.

E quanto ao King Crimson no palco? Quem acreditava que apenas Steve Hackett, guitarrista do Genesis, era um dos únicos músicos de rock progressivo que tocava sentado se enganou; a partir do momento que o King Crimson entra em cena ao vivo, os espectadores puderam testemunhar um guitarrista de rock progressivo que tocava sentado; Fripp muito pouco gostou de tocar em pé e o motivo é dele não se manter concentrado o suficiente e que pudesse fazer uma apresentação suficientemente competitiva com o meio musical; o público acompanharia também McDonald, um dos poucos multi-instrumentistas de época que curiosamente aprendeu a tocar os instrumentos que sabia tocar, quando fazia parte do exército inglês na banda musical desta força armada, e tampouco seria comparado a músicos como Vangelis ou Mike Oldfield; do público que conhecia o GGF perceberia de Giles, a autoridade (por ser o mais idoso dos integrantes) e seriedade unidas ao senso de humor por trás das baterias e percussão; Lake demonstrava a sonoridade como um todo na banda apresentada em seu baixo e vocais e que se limitavam entre tristeza e alegria no mesmo tempo que Sinfield confirmava este detalhe em seus poemas apresentados nas letras da banda que retratavam o elemento ar, além de mistério levando o público a ser convencido pela suas idéias na forma de arte impressa que combinavam com a coordenação da iluminação de palco.

O que foi um pecado para banda quando lamentavelmente no final do ano de 1.969, McDonald se retira junto com Giles e gravando um trabalho entitulado "McDonald and Giles" (1.970). E por fim, como se não bastasse Greg Lake conheceria Keith Emerson, na época com o "The Nice" e presente também no evento Filmore West recebendo um convite para então em 1.970 surgir com a formação do "Emerson, Lake & Palmer" gravando também naquele mesmo ano seu album de estréia "Emerson, Lake & Palmer" (1.970). O futuro a partir destas saídas dependeria muito do planejamento de Fripp em re-estabelecer o King Crimson para o ano de 1.970 e gravar ainda naquele ano o album "In the wake of Poseidon".


AVISO IMPORTANTE - EMBORA O TRABALHO ORIGINALMENTE POSSUI 4 VOLUMES, AS FAIXAS COMENTADAS ESTÃO MAIS EXCLUSIVAMENTE REFERIDAS AOS VOLUMES 1 E 2.

"21st century schizoid man" - numa totalidade de 5 versões (é a faixa que possui mais versões no trabalho), está presente duas no primeiro volume e uma no restante dos outros volumes. É a primeira faixa que abre o album de estréia "In the court..." e comunica sobre a instabilidade mundial do final dos anos 60 formado por guerra, tortura, assassinatos políticos, consumismo, fome e outros e o medo é uma das únicas "soluções" de poder "negociar" com a vida em parte do mundo que seria paranóico e esquizofrênico. Esta faixa do King Crimson se extende em limites do jazz e do rock o que faz com o ouvinte fique atento do início ao fim. A primeira versão (BBC) foi retirada de um album pirata, tem falhas claro; Lake parece fazer os vocais de uma forma mais amena e delicada, mas em compensação Fripp faz um espetáculo com a guitarra no solo que corresponde após os dois refões citados por Lake e sem discartar McDonald no saxofone duelando a guitarra de Fripp. As pausas feitas pelos músicos juntos parecem ser um pouco mais lentas que as da original. A segunda versão, feita no Filmore East, foi resgatada de uma fita demo possuida por Michael Giles antes que a "pirataria" aproveitasse da oportunidade enquanto este album ao vivo não saia e como uma das melhores versões já gravadas pela banda nos Estados Unidos. Aparenta ser um tanto mais "barulhenta" e "pesada", bem ao estilo que agrade aos amantes do rock do que a primeira, em termos de sonoridade pois está melhor gravada também. Os vocais de Lake estão mais agressivos e empolgantes se dedicando mais na faixa. A parte solo está também um tanto diferente do que a primeira e parece estar mais rápida (a faixa tem quase 8 minutos de duração, mas termina com quase 6:30 minutos) e em alguns momentos percebe o público estar contente com que estava ouvindo ao vivo e ao fim da faixa recebem um caloroso aplauso. A terceira versão tocado em outra ocasião no Filmore East tem como McDonald querendo ter um pouco mais de presença conforme Lake cita os versos da faixa dos três refrões e na parte solo de McDonald com seu saxofone aparece um pouco mais do que do solo de guitarra de Fripp. No final do terceiro refrão e na recepção final dos aplausos do público a gravação perde por uns instantes perda de volume. Nas três versões são observados os seguintes detalhes da faixa original: a introdução logo no início não se observa com os efeitos sonoros que dão a aparência de um trânsito, os vocais de Lake que estão bem sinistros não tem as mesma compatibilidade da maneira como é cantada nas versões ao vivo, não se observa o ruído ao fundo de algumas percussões que possuem no original conforme Lake cita os refrões e no final eles deixam de fazer a curtíssima barulheira tensa antes de encerrar a faixa de vez.

"In the court of the Crimson King" - possui uma versão pra cada um dos 3 primeiros volumes. É considerada como um épico do King Crimson e a faixa-título do album de estréia e tem um uso considerável do melotrom e não e uma música muito comum que o King Crimson acostumou a elaborar no decorrer do tempo em termos de elaboração, talvez por se tratar de uma das quase que pouquíssimas faixas que não são de sua autoria e tem uma sonoridade que corresponde próximo ao "Donovan" de letras citando sobre uma corte medieval da qual não fazem boas recepções com imagens de bruxos de fogo, marcha fúnebre e uma rainha negra com os vocais de preferência intensamente dramáticos e em algumas ocasiões numa forma de uma espécie de coral com os versos às vezes interrompidos pela percussão de Giles. Apesar de ser uma melodia praticamente repetitiva é ainda muito apreciada pelos fãs do King Crimson. A primeira versão aparenta estar mais próxima com a de estúdio, embora feito num volume meio alto e não toca um certo trecho da flauta após o segundo refrão. A segunda versão que abre o segundo volume tem por observado o anúncio da banda. Como citado anteriormente foi justamente o concerto total feito naquele dia e foi gravado de uma forma de um gravador estéreo e o público daquela audiência pode perceber a guitarra de Fripp num volume muito alto e na gravação está muito silenciosa. Nestas duas versões são observados os seguintes detalhes da faixa original: a minúscula entrada da bateria de Giles sozinha e o final instrumental que não é feito quando na original subentende-se ao ouvinte de que ela será finalizada de vez, mas faz um suspense com toques ralentosos delicados nos pratos da bateria de Giles que aguardam a entrada de singelos acordes da flauta de McDonald para receber o restante dos outros instrumentos.

"Get thy bearings" - Possui versão no volume 1, 3 e 4. A que pertence ao primeiro volume tem quase 6 minutos de duração, mas no volume 3 tem pouco mais de 10:30 minutos e o volume 4 com pouco mais de 18 minutos de duração e portanto sendo a faixa de mais longa duração do trabalho totalmente completo com os 4 volumes. Possivelmente, esta é uma das faixas que foram retiradas da coletânea "Frame by frame" foi gravada por um fã da banda de uma das sessões da BBC. A faixa é limitada muito a característica do jazz com as letras que retratam drogas e sexo. O vocal de Lake é terrível, mas em compensação o baixo tocado faz esquecer o que ele canta, com a presença de McDonald no saxofone que fazem empatar os "vacilos" da gravação. As baterias de Giles e a guitarra de Fripp também não estão muito bem nítidos. O interessante é que a maneira que foi feita este "cover" esta faixa desenvolveria também uma outra chamada "Pictures of a city" do album "In the wake of Poseidon" (1.970) e por coincidência tem versões exploradas neste trabalho com o nome de "A man, a city".

"Epitaph" - em 4 versões totais, possui duas no volume 1, uma no volume 2 e outra no volume 4. É uma faixa que possui uma sonoridade do que era o "The Moody Blues" no final dos anos 60 e uma das melodias mais bonitas também do album de estréia que possui uma sonoridade em conjunto com o vocal feitos de uma maneira que se torna muito apaixonante, imagine uma música romântica e relativamente lenta de ser dançada por casais de uma banda de rock progressivo e que surgia no final dos anos 60 justamente porque a faixa praticamente mesmo sendo um outro épico do King Crimson, é também uma "balada" (e que balada !!!!). O texto serve como falta das verdades antigas em trazer para o significado da existência dos dias atuais. A primeira versão parece ser a melhor em aspecto de gravação, o som ficou bem mais acústico e nítido e as outras duas parecem ser um tanto mais "barulhentas" inclusive logo no início e as baterias de Giles tem uma sonoridade que ficou longe e "isolada" do restante dos outros instrumentos. Detalhes que diferenciam as versões da original do album: a apresentação do melotrom muitíssimo frequente nas 3 versões por McDonald e a parte solo instrumental quase ao meio da música onde McDonald faz mais solos com a flauta.

"A man, a city" - possui duas versões sendo uma apresentada no volume 1 e a outra no volume 2. Na realidade esta faixa é nada menos do que seria "Pictures of a city" do album "In the wake...". O curioso é que neste caso a faixa ficou creditada para todos integrantes desta formação e na do album citado em referência foi creditado apenas para Fripp e Sinfield (talvez porque Fripp ficou insatisfeito com a saída de todos os integrantes que deram adeus ao King Crimson, mas mesmo assim isso não seria justa uma atitude destas por parte do guitarrista). A primeira versão também provêm de uma fita cassete original adquirida por Michael Giles e na parte solo instrumental é perceptível que o público estava gostando do que assistia e pode-se ouvir ao fundo fazendo comentários de pessoas que estavam próximas do palco sobre a música visto que McDonald é que "rouba" a cena com o solo de saxofone, no terceiro refrão a faixa não é cantada se tornando instrumental diferente do que o King Crimson faria no album posterior. Na segunda versão o antes e depois de Lake cantar o segundo refrão existe uns pequenos improvisos de saxofone de McDonald que inclusive estão bem frequentes na parte solo instrumental. O terceiro refrão é cantado por Lake diferente da primeira versão que é instrumental. Detalhes que diferenciam as versões da original do album: a duração destas faixas resgatadas possuem aproximadamente 3 minutos de duração a mais do que o do estúdio chegando a próximos 12 minutos. O solos de saxofone de McDonald são mais frequentes e mais participativos nestas versões do que no caso da original de estúdio tocada por Mel Collins.

"Mantra" - possue 3 versões sendo uma para o volume 1, 3 e 4 e a mais longa possuindo quase 9 minutos de duração e a menor com quase 4 minutos de duração. Esta faixa é interessante pois é provável que originaria uma outra chamada "Exiles" do album Larks´ tongues in aspic" (1.973) e foi gravada de uma forma muito improvisada e lembra um estilo um tanto parecido como o de "Trio" no album "Starless and bilble black" (1.974). Instrumental, muito calma e tranquila não apresenta a presença de Lake no baixo tendo uma entrada com uma percussão um tanto meio a um estilo psicodélico, mas tocado de uma forma muito suave solada por quase meio minuto recebe primeiramente a guitarra acústica de Fripp tocando acordes da faixa citada em referência e recebendo a flauta de McDonald que é justamente que faz a melodia da música até ser finalizada sendo emendada com a próxima que será comentada.

"Travel bleary capricorn" - possue 3 versões sendo uma para o volume 1, 3 e 4; no caso do volume 4 foi feita de uma maneira muito mais improvisada do que as outras duas. Também é possível que originaria a faixa "Happy family" do album "Lizard" (1.971). É também calma e tranquila em certas partes e a medida que a faixa vai ganhando intensidade com os instrumentos fica numa forma de jazz tendo Fripp solando com a guitarra e repentinamente retorna a tranquilidade, está emendada também com a próxima que quase nem sequer muda o nome.

"Improv - Travel bleary capricorn" - com 3 versões, sendo uma para o volume 1, 3 e 4 e a primeira versão tem pouco menos de 2:30 minutos, sendo inclusive a menor do album "Epitaph". Também instrumental apresenta o talento de Fripp tocando num estilo espanhol em alguns instantes como também o de McDonald tocando piano no final da faixa, mas possui alguns improvisos que a tornam psicodélica e experimental.

"Mars" - em 4 versões, sendo uma para cada volume e todas finalizam cada volume por ser a última faixa. A música pertence ao classissista Gustav Holst datado em 1.915, mas ganhou uma versão de Fripp quase que idêntica no album posterior de estréia sendo chamada de "The Devil's Triangle" mas não foi creditada ao músico. A sonoridade que da forma que foi explorada é bem interplanetária amendrontante do tipo bem difícil de ouvir sentado porque causa muita ansiedade ao ouvinte e se possível o mesmo tiver uma experiência com os fones de ouvido, observará o quanto isto é verdade, o clima de tensão vai ficando surpreendentemente mais misterioso conforme vai progredindo a sonoridade. Quem conhece o compositor Holst, sabe que é verdade essa observação. A segunda versão, a última faixa ao vivo que o King Crimson tocaria com essa formação é encerrada com McDonald dando "Adeus" ao público (e talvez até ao King Crimson de vez).

"Drop in" - com duas versões, uma no volume 2 e outra no volume 4, praticamente é o que o King Crimson gravaria na faixa "The letters" no album "Islands" (1.972) e curiosamente foi composta pelos membros desta formação sem a presença de Sinfield e em "Islands" as letras estão um tanto modificadas com a autoria de Fripp e Sinfield. Inicia com Lake solando o vocal sendo acompanhado pelo saxofone de McDonald e o baixo ao fundo e aos poucos conforme a melodia vai ficando crescente surge Giles com as baterias e simples acordes de guitarra de Fripp até que todos os músicos encontram num ritmo únicos os seus instrumentos numa forma um tanto meia-pesada e depois ficando tranquilamente num clima de "jazz-cool" com uma participação muito grande de McDonald solando o saxofone terminando o refrão e partindo para o segundo um pouco mais variado em forma de instrumentos e o mesmo ocorrendo com o terceiro onde o vocal de Lake parece ser um tanto mais "confiante" e forte finalizando a música.