Inglaterra, 1984.


Músicos:
Adrian Belew – Guitarras, guitarras fretless, vocal principal
Robert Fripp – Guitarras elétricas
Tony Levin – Stick, baixos acústico e sintetizado, vocal de apoio
Bill Bruford – Baterias e percussão acústica e eletrônica


Músicas:
1. Three of a perfect pair – 4:11
2. Model man – 3:46
3. Sleepless – 5:18
4. Man with an open heart – 3:01
5. Nuages (That which passes, passes like clouds) – 4:46
6. Industry – 7:22
7. Dig me – 2:59
8. No warning – 3:28
9. Larks tongues in aspic III – 6:01


King Crimson

Three of a perfect pair

 
Dados da resenha:
Autor: Ricardo (Steve Hillage); recebida em: 21/01/2006.
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A trilogia do King Crimson finaliza com o álbum “Three of a perfect pair” do qual foi gravado durante o ano de 1.983 ao mesmo num momento em que o grupo estava fazendo algumas turnês já apresentando músicas relacionadas dos outros 2 álbuns restantes desta trilogia, “Discipline” (1.981) e “Beat” (1.982), obviamente gravados numa determinada seqüência e dando continuidade a esta terceira que seria lançada oficialmente no início de 1.984, e além de encerrar esta trilogia, encerra também um outro período histórico ocorrido musicalmente pelo King Crimson.

Lançado pelo selos EG Records (o mesmo que o grupo foi contratado desde o início de sua origem em 1.969) e Polydor Records é possível encontrá-lo na edição nacional em vinil resultando em 7 compactos na época (somente importado), aqui já é um tanto mais difícil ainda de encontrar completo com o encarte das letras. Em CD (encontrado apenas em versões importadas a trilogia do grupo) saiu em 1.991 e mais tarde masterizado em 2.001 em edição especial comemorativa possuindo um dizer “Three of a perfect pair: 30th Anniversary”, ou seja, sendo em referência ao lançamento dos 30 anos de “Three...” (!?). É outro caso onde há a existência de um mal entendido, que a gravadora DGM Records (Discipline Global Mobile) teve a intenção de realizar os 30 anos com relação ao aniversário de lançamento do álbum de estréia, “In the court of the Crimson King” (1.969), e então a discografia da banda também sairia completamente remasterizada a partir daquele instante da época; portanto o dizer valeria para o “Three...” apenas no ano de 2.014. Esta edição em CD inclui bônus tracks, além das letras, fotos e comentários a respeito do disco. Em 2.004 a DGM novamente voltou a re-editar a versão remasterizada. O resultado do álbum também gerou uma fita de VHS lançada naquele ano de 1.984 chamada “Three of a perfect pair – Live in Japan”, devido à turnê que o grupo fez naquele país antes que os admiradores do grupo não observassem o King Crimson na ativa a partir do segundo semestre de 1.984.

Novamente a banda grava um disco pela terceira vez consecutiva com o mesmo line-up dos 2 álbuns anteriores fechando, portanto esta trilogia do grupo, algo inclusive que na história do grupo naquele tempo era tido como considerado um fator inédito jamais ocorrido pelo King Crimson desde a fundação do grupo nos finais dos anos 60 (cada álbum da banda sempre existia uma mudança de formação de integrantes). A presença, entretanto seria: Robert Fripp (o único membro fundador do grupo que permaneceu na banda) nas guitarras elétricas, efeitos sonoros incluindo o “frippertronics” (elementos musicais desenvolvidos pelo artista em equipamentos de sua aquisição); Tony Levin no baixo stick, sintetizador e vocais de apoio, Bill Bruford nas baterias e percussão tanto acústicas como eletrônicas e Adrian Belew nos vocais principais, guitarras além de ser o letrista exclusivo do conjunto (algo que como se tornado um “padrão” da banda, onde antes dele estiveram também Peter Sinfield (outro membro fundador do grupo) e depois posteriormente Richard Palmer-James (que foi fundador do “Supertramp”).

Durante o período intercalado entre o “Beat” e o “Three...” também ocorreram algumas coisas entre os integrantes, a saber, especialmente no ano de 1.983: Belew saia do estúdio gravando seu segundo disco solo chamado “Twang bar king”, Tony Levin estava em uma árdua turnê solo do cantor Peter Gabriel, fundador do “Genesis” que acabou resultando no álbum duplo ao vivo “Plays live”. Levin já conhecido ao meio musical como um excêntrico e competente profissional de estúdio não perde oportunidades e com muita disponibilidade quando tinha algum tempo livre durante aquele ano colaborou com Carly Simon, Joan Armatrading, na trilha sonora “Local hero” realizada pelo guitarrista e fundador da banda de rock “Dire Straits” e também com o guitarrista jazzista fusion Al Di Meola (que foi pertencente ao grupo fusion americano “Return to Forever” do pianista e tecladista Chick Corea) no álbum “Scenario” onde coincidentemente participa Bill Bruford ao lado de Levin.

Bruford por sinal estava se associando a uma parceria em forma de duo completamente inesperada e inusitada e ainda mais para os fãs do “Yes” (banda de rock progressivo que também foi concorrente do King Crimson durante os anos 70); ele se ajuntava com o tecladista suíço Patrick Moraz (que gravou um único álbum de estúdio da banda chamado “Relayer” (1.975) ao substituir Rick Wakeman na época) e lançando ao público “Music for piano and drums”, lembrando que estes 2 profissionais nunca haviam gravado juntos em alguma gravação do “Yes” desde que o grupo surgiu em 1.968. E por falar em duo, finalmente temos Robert Fripp que grava no mesmo ano de “Three...”, um segundo álbum entitulado “Bewitched” junto com o fundador e guitarrista do “The Police”, Andy Summers

As 9 faixas foram escritas musicalmente novamente pela terceira vez consecutiva por todos os integrantes participantes do grupo. Este também pode ser considerado como um outro fator inédito na banda, sendo que nos álbuns gravados pelo King Crimson durante a década anterior são creditados por determinados membros, a salvo de algumas exceções (mas não inteiramente para um disco inteiro). Outro aspecto a ser observado sobre a trilogia é que a cada álbum que o King Crimson ia gravando ia sendo acrescido uma faixa a mais, ou seja, no “Discipline” tem 7 faixas, no “Beat” tem 8 faixas e agora em “Three...” estava apresentando 9 faixas; bem algo característico seguindo uma trilogia, pelo menos numericamente!!!!! Ao garantir a sua trilogia, o King Crimson se igualaria da mesma maneira como já havia sido feito por artistas como David Bowie, Rick Wakeman, “Gong” e entre outros. Com o resultado desta quantidade de músicos tornou “Three...” um álbum que diretamente acabou possuindo um aspecto positivo sobre os outros da trilogia que seria a duração total chegando a 41 minutos de duração (a boa maioria das faixas estão na casa dos 3-4 minutos de duração na média a salvo de uma ou outra fora deste padrão), já que os 2 anteriores a este ficavam na proximidade dos 35 minutos de duração.

Com a formação aqui meramente uma das mais respeitadas “Three...” atende ao mesmo tempo a adoração dos ouvintes que gostam do “Discipline” e outros que adoram o “Beat”, embora seje reconhecido por uma boa parte do público que na trilogia este seria o segundo álbum aprovado estando atrás do “Discipline” e a frente de “Beat”. O que isso torna a manter a segunda posição desejada pelo público do King Crimson nessa trilogia ? Simplesmente porque a forma de que foi gravada se repartiu em sonoridades que são pertencentes aos 2 albuns anteriores a este, ou seja, possui a presença do experimentalismo que fortemente está presente no “Discipline” e a presença da música pop presente no “Beat”; o que torna “Three...” uma mistura daquilo que o grupo inovou consigo na década de 80 como se ajuntasse antônimos ou opostos (bonito e feio, certo e errado, branco e preto, e assim por diante) e guardassem dentro de um ambiente fechado onde não existe um local de saída. Isso inclusive é muito facilmente perceptível ainda mais para quem possui o álbum em vinil onde no lado 1 é determinado como o que caracteriza o pop da banda (chamado de “Left side” que significa “Lado esquerdo” em inglês – essas 2 palavras estão escritas acima de suas músicas respectivas do lado do disco) e no lado 2 é determinado como o que caracteriza o experimentalismo da banda (chamado de “Right side” que significa “Lado direito” em inglês).

Os 2 lados do álbum também não descartam a possibilidade de como se fosse uma balança equilibrando algo; no encarte do trabalho Robert Fripp os admiradores da banda poderão observar dizeres do artista citando em artigo que ele sentia-se estando do lado mais correto de determinado equilíbrio (a balança comentada anteriormente) de acessibilidade e excesso e provavelmente “Three...” pode ser o álbum em que o ouvinte consiga perceber essa “mistura” de sonoridade feita a partir dos 2 primeiros trabalhos da trilogia. Em relação a cada lado do álbum há de se notar que 2 membros do conjunto (50% da banda) e são os que destacam e formalizam a maneira de como “Three...” foi gravado sendo estes nada menos que Adrian Belew (em quase todo o lado 1) que representaria as canções mais voltadas ao pop, ou as de músicas com sonoridade mais acessível para os ouvintes e Robert Fripp (no lado 2) que representaria as canções mais voltadas ao experimentalismo musical, ou as de música com sonoridade que mantém a marca registrada do conjunto desde o seu álbum de estréia. Obviamente os outros 2 membros restantes (Tony Levin e Bill Bruford) cumprem seus papeis de profissionais tornando o time de 4 integrantes a não decepcionar pelo menos na maneira que eles tocam seus instrumentos e eles parecem ser os auxiliares perfeitos para o resultado de “Three...”. Vale ressaltar que dos 4 elementos, Belew foi o único que se manteve fiel a Robert Fripp o acompanhando nas gravações com o King Crimson até “The power to believe” (2.003), embora após “Three...” já são outras muitas estórias...

O terceiro álbum da trilogia teve uma importância muito marcante na carreira da banda porque já comentado anteriormente o quarteto encerraria as atividades musicais a partir do segundo semestre de 1.984, mas Fripp só viria a comunicar oficialmente a paralisação do King Crimson no início de 1.985. Praticamente com a divulgação desta paralisação acabou deixando muitos fãs do grupo completamente entristecidos, desolados e chateados, pois se tratava de umas das formações consideradas como a mais admirada já ocorrida na história do King Crimson e ainda que foi muito rápida esta paralisação porque só teve algo em torno de 3 anos de existência aumentando mais ainda a tristeza dos admiradores do grupo. É um tanto difícil de saber ao certo porque ocorreu este encerramento de atividades do King Crimson e especulam-se várias hipóteses que isso possa ter acontecido. Segundo uma informação extraída de um texto do escritor brasileiro Valdir Montanari (autor de diversos artigos relacionados ao assunto do rock progressivo) oriunda da revista Downbeat (especializada hilariamente na música jazz) Fripp classificou esta parada num seguinte comentário: “Penso que o King Crimson reconstituído foi, possivelmente, a melhor banda performática de rock no mundo. Foi um fenômeno em 1.981, mas em 1.982, 1.983 e 1.984 não era mais o mesmo conjunto. De 1.982 para cá, se tornou numa coleção de individualismos. Não compartilhávamos mais os mesmos interesses.”

Será que este “individualismo” que Fripp se refere seria algo que evidente aqui neste trabalho, como de um lado termos a sonoridade pop discreta representada nitidamente por Adrian Belew e de um outro lado termos a sonoridade experimental perceptível representada nitidamente por Robert Fripp ? No álbum anterior, “Beat” era possível perceber isso, embora ali os outros 2 membros, Tony Levin e Bill Bruford tendo seus momentos musicais naquele trabalho e notoriamente também em “Discipline”. Belew seria o culpado disso tudo ? Não necessariamente, porque em paralelo ele gravava seus álbuns solos ao mesmo tempo em que o King Crimson ia gravando. O outro fator pode ter sido seria o lançamento do álbum “Bewitched” lançado próximo da metade do ano de 1.984 (o mesmo período do fim das atividades musicais do King Crimson) para promover o disco ao público. Aqui há um aspecto muito interessante sobre este álbum que tem o Andy Summers, e já comentado anteriormente era um integrante e fundador do “The Police” valendo inclusive uma ressalva: este poderoso grupo de peso em forma de trio (embora originalmente era um quarteto chamado anteriormente como “Strontium 90”) criado nos finais dos anos 70 contendo Gordon Matthew Sumner, ou popularmente conhecido como Sting. O “The Police” passava uma fase de transição muito delicada entre os membros do grupo depois do lançamento do álbum “Synchronicity” (1.983), se estendendo por uma enorme turnê que se finalizaria em 1.984 e o trio então finalizaria de uma vez por todas suas atividades praticamente naquele mesmo ano que o King Crimson (embora esta banda retornaria suas atividades anos mais tarde) também parava. Coincidentemente o “The Police” segundo ao que se sabe parou suas atividades devido à mesma circunstância que Fripp veio a fazer com o seu grupo: o individualismo (o que Fripp cita na sua frase na revista Downbeat).

Há também um outro aspecto que também pode ser levado em conta, e nada menos do que o lucro monetário envolvido no grupo em relação à gravadora EG Records pela qual a banda estava contratada. Desde a fundação da banda em 1.969 estando ao lado junto a esta gravadora nos anos 70 à medida que o grupo sofria mudanças constantes de músicos e gravando algo em torno de um álbum por ano chegou a um determinado momento que a gravadora EG Records estava dificultando o pagamento e as finanças da banda especialmente a partir da época do lançamento e da turnê do álbum “Larks tongues in aspic” (1.973) e somente em 1.981 a gravadora colocou em dia as suas finanças com os músicos e os envolvidos. Pode ser possível que Fripp tivesse receio de que isso acontecesse (um outro endividamento da gravadora com relação aos músicos do King Crimson) especialmente neste período envolvendo 3 discos com os mesmos integrantes e numa década que musicalmente era tida como uma das mais comerciais independentemente do artista.

Também há o fator do equilíbrio musical entre os integrantes no resultado destas composições que está no quesito nacionalidade já que Levin e Belew são americanos enquanto que Fripp e Bruford são ingleses, daí poderia ter ocorrido um conflito musical na demanda de tornar por completo a música do King Crimson puramente ao estilo americano, já que a banda quando surgiu em cena era puramente inglesa musicalmente. Visto que se encontra na sonoridade deste álbum tanto o pop quanto o experimentalismo musical, há também alguns momentos que lembram um pouquinho o jazz, improvisação, em meio de “baladas” sonoras, técnicas de percussão e ritmo e um tanto de presença do rock progressivo.

A produção da banda desta vez voltou aos moldes anteriores que o King Crimson fazia ou de ser feito pelo próprio grupo ou então pelo grupo acompanhado por um profissional do meio. No álbum anterior, “Beat”, foi uma exceção unânime porque não foi produzido pela banda e sim por um produtor exclusivo, neste caso o engenheiro de som Rhett Davies junto com o grupo. Em “Three...” foi produzido pelo grupo em junto com Brad Davis (pelo que se sabe não tem nenhum parentesco com Rhett Davies) que já havia trabalhado com Stanley Clarke, Glenn Hughes, Cheryl Lynn e entre outros. Detalhe: não confundir este Brad Davis com um músico guitarrista de country e também com um famoso artista americano de cinema.que fez filmes como “Midnight express” – “Expresso da meia noite” (1.978), “Chairots of fire” – “Carruagens de fogo” (1.981) e entre outros vindo a falecer em 1.991. Brad Davis é auxiliado também por Nick James, Ray Niznik e Peter Hefter (será que havia tanta necessidade de ter tantos auxiliares na parte da produção ? Talvez seria uma das únicas oportunidades que estes auxiliares teriam de acompanhar artistas do meio cultural musical que finalizariam uma trilogia musical.).

Por que o King Crimson pretendeu trabalhar na parte da produção e ter um produtor à parte para auxiliar neste trabalho ? Pode ser que o grupo ficou um tanto inseguro de si, já que “Beat” não agradou muito tanto quanto “Discipline”. Pode ser que Fripp já estava premeditando antes no momento de gravação deste trabalho que pretenderia encerrar as atividades do grupo já que “Three...” finalizaria além de uma trilogia musical do conjunto, ao mesmo tempo uma nova etapa do grupo e assim ele estaria seguro encerrando essa trilogia o mais satisfatório para os ouvintes do King Crimson.

A capa foi elaborada por Timothy Eames que até em momento havia feito um trabalho artístico para o cantor Jimmy Cliff, apesar de que a simples imagem que aparece nesta capa do “Three...” foi criada por Peter Willis. Vai ai algumas curiosidades sobre esta capa: é a mesma pertence de um VHS que foi lançado na época do lançamento deste álbum apresentando a banda ao vivo no Japão em “Live in Japan”, o mesmo título lançado em VHS em 1.998 apresentaria uma única diferença contendo o fundo da capa de “Three...” e uma foto de cada integrante do grupo (naturalmente desta formação); chegando a sair também em versão CLV (Compact Laser Vídeo – aqueles discos em formato de tamanho em vinil, mas que são de vídeo e que mais tarde se transformariam nos famosos DVDs). Apesar do título do vídeo existe também uma capa que saiu diferente apresentando uma foto de apenas a banda no palco e que só foi lançado exclusivamente no Japão (também pudera, pelo título...). Em algumas edições que saíram em CD pode ser observado a imagem tomando conta de boa parte do espaço da capa. Aqui inclusive além de o grupo encerrar a sua trilogia musical, eles também enceraram a terceira cor primaria, que neste caso é o amarelo, visto que nos dois álbuns anteriores as simples ilustrações existentes estavam em fundo vermelho e azul, do “Discipline” e “Beat” respectivamente.


“Three of a perfect pair” – a faixa-título de abertura faz apresentação do grupo onde aos pouco pode ser observado uma presença de música pop e onde ao mesmo instante pode ser observado que Adrian Belew é o protagonista principal desta sonoridade e isso será inclusive percebido pelo menos até as 4 primeiras faixas deste álbum. Apesar das letras não serem grandes possuindo apenas um único refrão é considerado como uma escrita bem bolada por uma boa parte dos fãs do King Crimson. As letras parecem retratar a respeito do relacionamento de um casal onde existe uma terceira pessoa no meio deste relacionamento (seria um amante ?). É muito evidente que existe este terceiro indivíduo no meio (seje homem ou mulher), pois “Three of a perfect pair” significa “3 de um par perfeito” em inglês. A mulher está num crítico estado de depressão e esquizofrenia, enquanto que o homem é um indivíduo abusado. A terceira pessoa seria a solução da depressão e esquizofrenia da mulher e o abuso do homem. Apesar da data do lançamento do álbum feito em 1.984 existe uma frase que parece identificar o King Crimson como a banda foi e é desde o momento de sua aparição no meio musical que se encontra em “One, one too many schizophrenic tendencies” que significa “Alguém, alguém com muitas tendencias esquizofrênicas” em inglês; lembrando que em 1.969 quando o King Crimson gravou o seu primeiro álbum “In the court of the Crimson King”, a primeira faixa se chama “21st century schizoid man” e a palavra “schizoid” é muito próxima de “schizophrenic” – pelo menos ao que parece, esquizofrenia é o que não falta na música do King Crimson!!!!!! Aparenta ser uma espécie de continuação de estilo de compor música vindo através dos álbuns “Discipline” e “Beat”. O vocal de Belew soa aqui não só lembrando David Byrne do “Talking Heads” banda que Belew chegou a colaborar no álbum “Remain in ligth” (1.980), assim como lembra ele lembra um pouquinho o vocal de Roy Orbison, artista falecido em 1.988 que era do “The Travelling Willburys”. A faixa começa com a primeira linha do refrão numa espécie de “capella” onde Belew estende a primeira palavra “Sheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee is susceptible” (aqui é um momento muito adorado pelos fãs da banda) e então entra toda a banda junto, mas Belew geralmente na primeira palavra de cada frase sempre permanece estendendo as palavras como “He”, “They” e “Three”. Belew intercala suas guitarras junto com as de Fripp chegando a fazer algo próximo em musicas que o grupo já tinha atuado anteriormente como “Frame by frame” do “Discipline” e “Neal and Jack and me” do “Beat”. Na parte solo instrumental percebemos Belew fazendo alguns ruídos bizarros com suas guitarras elétricas enquanto que Fripp o acompanha em acordes e até que Belew volta a repetir novamente as letras da música finalizando a música aos poucos deixando a melodia se acalmando. Na parte do coro, Belew tem um reforço de Levin nos vocais. Deve ser percebido se for bem observado pelo menos nos primeiros 30 segundos desta faixa que Fripp não abandonou a sonoridade acústica embora é sabido que a boa parte do trabalho tem instrumentação voltada ao eletrônico, ou entre outras palavras, instrumentos mais modernos. Esta música saiu em um compacto promocional na época e também saiu nas versões ao vivo dos álbuns “Absent lovers: Live in Montreal 1.984” (1.998) (versão ao vivo que ficou melhor do que a original e muito recomendada pelos admiradores do grupo), “On Broadway: Live in NYC 1.995”(1.999), “Heavy construKction” (2.000) e “Vrooom vroom” (2.001). Quando Belew lançou seu álbum solo “Comming attractions” em 2.000, esta faixa chegou a ser inclusa no repertório de set-list que ele se apresentou ao vivo sozinho.

“Model man” – é considera uma das faixas extremamente fracas do trabalho, onde inclusive novamente as letras também são pequenas tendo apenas um único refrão que será repetido após um simples solo instrumental. O enredo da faixa aparenta narrar algo sobre um manequim que sente o mesmo que um ser humano. É praticamente uma balada com uma sonoridade até que romântica, embora é distante daquilo que esta formação fez em algo como “Matte Kudasai” do “Discipline” onde a estrutura musical basicamente é extremamente simples nada muito extravagante que o King Crimson sempre costumou fazer nos seus trabalhos da década de 70. A primeira instância é de ser um outro momento em que se tem em mente o “Talking Heads”. Apesar de que poderia ser outro momento exclusivamente de Belew onde ele toca uma guitarra fretless Roland sintetizada (para quem não sabe o fretless é uma variação onde o instrumento fica com uma melodia do tipo meio “chorão”), o baterista Bill Bruford numa melodia simples contracena as baterias e percussão de uma forma acústica que ora se esquece que ele toca em determinados momentos baterias e percussão eletrônica e nessa faixa o baixo de Tony Levin também possui linhas fortes que são muito perceptíveis (talvez sejem o Stick que ele esteje tocando), a melodia é uma levada meio próxima discretamente meio que ao funk. Pelo que se sabe o King Crimson nunca colocou essa faixa em seu set-list em apresentações ao vivo.

“Sleepless” – continuando no lado um do álbum temos uma faixa que a grande maioria dos ouvintes do grupo considera extremamente sensacional e reforçando que esta no meio das canções voltadas ao pop!!!! Foi a faixa que possuiu 6 compactos lançados entre os quais tendo versões tanto remixadas assim como versões exclusivamente instrumentais. Na edição do CD lançado em 2.001 há 3 versões diferentes desta mesma música, além da original do álbum. Apesar do King Crimson possuir credito de todas as faixas feito pelos 4 membros da banda, a impressão que se tem é de ter sido elaborada apenas por Tony Levin que praticamente é o destaque principal desta música do início ao fim, um momento muito memorável onde a forma que ele toca o seu instrumento dificilmente é esquecido aqui pelos ouvintes na primeira audição. A quantidade de linhas de baixo que este instrumentista faz é impressionante. Levin elaborou uma versão diferente sozinho, assim como tem uma versão que ele foi ajudado por Bob Clearmountain (tendo trabalhado com o “Kool and the Gang”, “Chic”, “Roxy Music” e entre outros artistas) e outra pelo francês François Kevorkian que atuou mais na musica eletrônica dançante. No caso da versão feita por Clearmountain essa foi uma versão que havia sido retirada (saindo então em compacto) pela gravadora EG Records e justamente aquilo que o grupo tinha o propósito de incluir no álbum original (fica então um aspecto positivo para o CD remasterizado em 2.001 e aprovado pela maioria dos admiradores da banda). Aqui nesta faixa na época de sua gravação cultuou-se um momento de tensão entre Robert Fripp e Bill Bruford, segundo Levin essa música havia sido deixada para trás e que seria inclusa até mesmo no álbum anterior, então o King Crimson decidiu trabalhar novamente nesta faixa que originalmente era um ritmo muito lento e sem graça. Então Levin junto com Clearmountain ficaram ocupados trabalhando na programação de circuitos seqüenciais de percussão eletrônica e preparando para a nova turnê que iria ser apresentado o álbum “Three...” e naturalmente esta faixa no set-list do grupo.Levin percebeu que ao aumentar o ritmo ele também aumentou a sua agilidade de tocar mais rápido o baixo e o músico considera que esta faixa foi uma lição técnica que lhe ajudou muito no que viria futuramente trabalhando tanto com outros artistas, assim como novamente no retorno do King Crimson nos anos 90, e bem como a sua carreira solo. Foram então retirados elementos que já eram compostos e tocados pelas baterias e percussões eletrônicas de Bill Bruford reduzindo o trabalho do baterista que se estava se aproximando do jazz puro americano enquanto que Fripp pretendia manter a sonoridade de pura programação eletrônica percussiva inglesa e então causando um desentendimento entre ambos. A estrutura musical da faixa apresenta elementos que induz o funk e também as pistas de dança (da época). Apesar de ter sido elaborado em ritmo levado ao eletrônico na faixa original que foi inclusa no álbum pode se perceber Bruford tocando a caixa da bateria tornando a música acústica. Liricamente a faixa aparenta retratar de um indivíduo que sofre de insônia, pesadelos e noites de terror como, por exemplo, na faixa "It's alright to feel a little fear” que significa “Está certo ao sentir um pouco de medo” em inglês; parte de trecho do coro da música onde Levin ajuda Belew nos vocais. Há alguns anos atrás a empresa de pilhas e baterias da Duracel chegou a lançar uma propaganda onde há um coelhinho que toca um bumbo e a melodia é bem parecida com “Sleepless”. Pode ser encontrada versões ao vivo nos álbuns “Absent lovers...” (este especialmente a versão também ficou melhor do que a original pela simpatia dos ouvintes da banda) e “B´boom: Live in Argentina” (1.995). Como se não bastasse o próprio Levin em carreira solo gravou uma versão ao vivo que está no álbum “Double expresso” (2.003).

“Man with an open heart” – esta é a ultima faixa que está relacionada à parte pop no álbum identificado pelo King Crimson sendo notoriamente a última faixa mais aproximada voltada ao pop encerrando se bobear a carreira da banda nos anos 80 (embora tem outras faixas o disco mais à frente) e coincidentemente também tem a palavra “Man” na faixa que significa “Homem” em inglês, existindo no mesmo álbum (esse pode ser um aspecto negativo por pensar que o King Crimson não possui criatividade na escolha do nome de suas faixas) além de ter saído num compacto na época. Temos novamente uma sonoridade a do tipo “Talking Heads” performizando um David Byrne crimsoniano e que tem uma estrutura aparentemente voltada para o estilo rythym blues e com uma sonoridade meio lembrando a música oriental (meio chinesa) e novamente Belew usufrui da guitarra fretless (coincidentemente também na “Model man”) enquanto que Levin utiliza uma espécie de baixo teclado com sua pedaleira, não necessariamente um sintetizador pois o King Crimson dificilmente usufruiu deste tipo de instrumento e sim mais fortemente os instrumentos de cordas e em especial a guitarra elétrica. A presença de Bruford embora discreta é também uma das mais importantes aqui na forma que ele toca meio que calmamente (observe em especial à parte de percussões) se considerar que o álbum tem uma outra metade de sonoridade voltada ao lado mais experimental. Liricamente a faixa parece retratar sobre um homem disposto a oferecer seu coração para uma mulher que ele gosta. Foi inclusa no set-list do grupo na década e saiu numa versão ao vivo “Absent lovers...” que o público do King Crimson parcialmente considera que ficou melhor do que a original, além de ter saído num compacto.

“Nuages (That which passes, passes like clouds)” – a partir desta faixa já começa o lado experimental sonoro (se é que a partir de então não seria representado exclusivamente os momentos de Robert Fripp já que aqui nesta faixa que termina o lado 1 onde propositalmente denomina ser o lado mais pop) do grupo onde é a primeira canção instrumental do álbum (lembrando que metade do álbum é cantado e a outra metade instrumental) e saindo em 2 compactos na época. O nome “That which passes” entre parênteses desta faixa saiu no nome de um álbum solo de Robert Fripp “That which passes: 1.995 Soundscapes”, Vol. 3” que foi lançado em 1.996 numa seleção formada por 3 volumes do chamado “Soundscapes” (este que seria o terceiro volume – e se tornando também uma trilogia musical de Fripp em relação a sua seleção de “Soundscapes”. Para quem não sabe o “Soundscapes” é um projeto de Robert Fripp que consiste em transformar variações analógicas de suas guitarras elétricas em meio de ruídos de teclados por meio de um equipamento sonoro ligado ao instrumento musical e transformando as mesmas variações em forma digital. Justamente é o que parece ocorrer aqui nesta faixa deste álbum, sendo um possível ponto de partida em que Fripp iria investir mais tarde com o decorrer dos anos em sua carreira solo musical especialmente envolvendo o “Soundscapes”. Observe também que o nome “Nuages” aparenta ser um anagrama da palavra “New Age”, e algo que se for levar em consideração mesmo experimental musicalmente Fripp poderia ter premeditado em algo parecido com esta tendência musical que foi surgindo ao longo do tempo. A presença do “Frippertronics” também é existente (outro elemento sonoro desenvolvido por Fripp ao longo dos anos 70) e pode ser percebido algumas frases musicais desta sonoridade de guitarra elétrica assim como de uma guitarra acústica. Das faixas que competem ao experimentalismo musical do grupo gravadas neste álbum “Nuages” é provavelmente a mais tranqüila sonoridade do que as outras demais embora numa forma feita que é bem de uma música triste e sem animo para alguns ouvintes, entretanto se torna estranha na forma que foi desenvolvida sendo percebido momentos de algo como se estivesse formando bolhas, alguns tons de telefone esperando alguém atender a linha e levando o ouvinte à imaginação de algo como um espaço sideral lembrando que estes ruídos sonoros foram feitos por instrumentos como o Stick de Levin, a percussão eletrônica de Bruford e as guitarras elétricas de Belew e Fripp e nada dos instrumentos musicais convencionais que o ouvinte geralmente está acostumado a ouvir. É uma faixa que também pode ser comparada como sonoridades que o King Crimson já havia gravado como “Moonchild” do “In the court...”, “Prelude: song of the gulls” do “Islands” (1.972) ou “Trio” do “Starless and bible black” (1.974). Pelo que se sabe esta faixa não foi inclusa em algum set-list do grupo até em momento.

“Industry” – aqui inicia o segundo lado do álbum e daí pra frente só se perceberá o experimentalismo musical onde aparenta Robert Fripp ser o protagonista representando este lado do disco. É a maior faixa do álbum com quase 7:30 minutos de duração, além de ser instrumental e razoavelmente adorada pelos fãs da banda deste álbum. Na versão em CD lançado em 2.001 intituladas como “Industrial zone A” e “Industrial zone B” há duas versões alternativas que sugerem o nome da faixa. Por uma ação ao longo do tempo, “Industry” é tida como uma alternativa sonora que havia sido explorada no álbum “In the wake of Poseidon” (1.970), na música “The devils triangle”, praticamente algo muito parecido escrito pelo compositor classiscista Gustav Holst em 1.915 em “Mars, the bringer of war”. “Industry” não foge a regra, tem a estrutura muito parecida com o que o grupo fez em 1.970, só que desta vez num outro tempo. Às vezes parece que cada músico aqui disputa um cabo de guerra dividido em 4 partes trazendo consigo próprio (embora a sensação é que Levin aparenta ser o destaque principal da faixa) visto que a sonoridade da faixa é extremamente sombria, áspera, assustadora formando um suspense musical que a cada segundo que vai passando a tensão vai ficando crescente (é o mesmo que acontece na obra de Holst) e ainda o ambiente sonoro se torna de uma tal maneira que o nome sugere, pois “Industry” significa “Indústria” em inglês, onde ao longo da faixa é possível perceber alguns ruídos sonoros que lembram uma indústria, algo dentro de uma fábrica onde na vida real quando alguém se encontra num local destes (imagina-se um passeio dentro de uma fábrica feito por um visitante que nunca entrou em um ambiente parecido) que no fundo é um espaço que induz temor especialmente quando se escuta vários barulhos de máquinas em funcionamento ao mesmo tempo (independente de qual é o produto a ser fabricado); parece também que “Industry” foi uma faixa que no momento da gravação se tornou exclusivamente improvisada em algo como “Fracture” em “Starless...” ou “Providence” do álbum “Red” (1.975). Podemos também perceber a presença do “Frippertronics” ao longo da faixa executado por Robert Fripp e da mesma forma como em “Nuages...” um ambiente dos “Soundscapes”. “Industry” também sugere algumas situações: a primeira seria um combate entre o humano e a máquina, ou seja, a sobrevivência do ser humano disputando com artifícios inventados pelo próprio ser humano e de não ser substituído pelas máquinas, o que é muito fácil observar ao longo dos anos no século XX, as máquinas ou robôs substituindo a mão de obra puramente humana. A segunda seria sobre o poder dos músicos de criarem dinheiro sem se preocuparem com a música devido à indústria musical que foi se tornando também feroz no que compete à arte ao meio musical e os anos 80 é um exemplo deste motivo porque muitas bandas e artistas que costumavam a lidar com determinado segmento musical precisaram ter um pouco de preocupação para seguir uma tendência musical que nesta década era muito forte, ou seja, a presença da música pop em outras palavras. Existe uma versão ao vivo também apreciada pelos ouvintes do grupo que acreditam que ficou melhor do que a do álbum de estúdio em “Absent lovers...”.

“Dig me” – meio que emendada com a faixa anterior (como se houvesse de ser uma conclusão da “Industry”), esta é a menor faixa do álbum com quase 3 minutos de duração e a única com a inclusão de letras feitas por Belew (obviamente sendo citadas e cantadas por ele) inclusa nas músicas próximas de improvisação e experimentalismo musical e a forma paranóica e atonal resultada está próxima da faixa-título (Belew encerra a faixa citando o nome da faixa junto com outras palavras fazendo com que o ouvinte preste atenção) do álbum “Discipline” da trilogia e “Neurotica” de “Beat”. É aceitada por uma boa simpatia dos ouvintes do grupo, onde o King Crimson lembra estar dentro de uma arena de box onde os 4 integrantes da banda dão uma impressão de estarem lutando contra uns e outros com seus instrumentos até chegarem a evidentemente um único vencedor, coisa que isso não acontece tornando os 4 vencedores da luta e feito também meio que distorcida como em “The howler” do álbum “Beat”. Segundo Fripp é uma espécie de estudo em contraste em que as letras de Belew é que tornam caóticas os ruídos e percussão eletrônicas (o vocal de Belew, por exemplo, não possui uma agressividade propriamente dita); diante desta observação de Fripp, “Dig me” pode ter antecipado também a algo que o King Crimson faria a partir dos anos 90 tendo alguma relação de estilo musical com o chamado RIO (Rock In Oposition). Belew comenta que teve um propósito de manter a guitarra um tanto desajeitada e tornando algo quebradiço musicalmente com os outros instrumentos de seus colegas e não há dúvidas de que o protagonista das letras é um carro velho (os ruídos induz ao barulho de um carro tentando ligar o motor). Observe os seguintes detalhes: em “Industry” a máquina é o protagonista mesmo sendo uma faixa instrumental (o carro também é uma máquina!!!); em “Neal and Jack and me” de “Beat”, Belew inclui um veículo antigo que participa na narrativa aparentando logo no início da primeira frase como sendo também o protagonista (mas aqui é um outro caso a parte). Liricamente é sobre as lamentações de um carro velho abandonado num depósito de ferro-velho reclamando da fortuna que já foi consumida por ele (o dinheiro do homem) e muito preocupada em ser esmagado e destroçado virando uma sucata em forma de lata quadrada (o que ocorre em alguns desmanches de veículos sem condições de uso) e implorando para ficar em plenitude como ficam as máquinas depois de não terem vida, diferente dos seres humanos como na última frase “Dig me...but don´t...bury me” que significa “Cave para mim...mas não...me enterre” em inglês. A frase “Now I lay in decay by the dirty angry bay” que significa “Agora eu me deito na decadência pela baia nervosa sombria” em inglês indica que este veículo se encontra num local apropriado para o abandono feito através de seu proprietário (o dono do veículo). “Dig me” demonstra também a simpatia de um exemplo que Adrian Belew possui pelas máquinas já feito em “Rail song” de seu álbum solo “Twang bar king”. Existe também uma versão ao vivo que foi registrada em “Absent lovers...”.

“No warning” – instrumental, onde Fripp é o destaque da faixa e novamente contendo uma estrutura sonora meio que sombria, selvagem e mecânica e se repetindo ao tema relacionada das máquinas numa terceira faixa (e consecutiva) aqui mesmo no álbum “Three...”. As faixas bônus que vem no CD lançado de 2.001 chamadas “Industrial zone A” e “Industrial zone B” e “Réquiem” de “Beat” como exemplos, possuem algumas pequenas similaridades musicais com esta faixa. Alguns admiradores tanto da banda como deste álbum consideram que esta seje uma faixa de interlúdio que verdadeiramente finalizaria a conclusão de “Industry” e passando por “Dig me” onde há a existência de letras neste último caso já comentado anteriormente, se isso for bem avaliado muito calmamente estes admiradores estão até que bem certos pela lógica feita no posicionamento feito destas faixas neste álbum. Aqui também é outra faixa completamente improvisada como se fosse uma espécie de free jazz metálico, onde o metálico não é a presença de instrumentos de sopro, mas de guitarras elétricas e percussão eletrônica no meio da percussão acústica e contendo presença de minimalismo musical. Repare por exemplo as guitarras dizendo as palavras “No warning” por algumas vezes, tornando algo assustador e ainda mais se o ambiente do ouvinte estiver completamente escuro, pode ser monótono isso, mas se for bem avaliado e algo incomum feito pelos artistas musicais e sensacional e novamente existe a presença de Frippertronics do guitarrista fundador da banda. Isso demonstra que a improvisação musical quando possui criatividade vai além dos limites do imaginário feito pelos músicos em si. Foi inclusa no set-list do grupo na época, porém só pode ser observada em registro de vídeo do “Live in Japan” e está um tanto diferente da original.

“Larks tongues in aspic III” – novamente instrumental, e bastante adorada pelos admiradores tanto do grupo como do álbum, induz a continuidade daquilo que o King Crimson registrou em 2 momentos do álbum “Larks tongues in aspic” (1.973) em duas partes. Obviamente os temas musicais não tem muito a ver com as outras 2 partes (e em contrapartida as 2 partes que estão no álbum “Larks...” também por sinal não tem nada a ver uma com a outra). O que se percebe aqui é que o King Crimson representou esta faixa, mas em uma outra época e há também alguns fatores que elucidam outrora indiretamente o relacionamento desta faixa com as outras que foram gravadas em 1.973. Um deles seria a presença de Adrian Belew de como se estivesse tomando o lugar de David Cross na época (embora ele era violinista naquele álbum), e representando um instrumento de corda o violino sendo substituído por um outro instrumento de corda, a guitarra elétrica. O outro é a presença de Bill Bruford na época baterista da banda tendo reforços do percussionista Jamie Muir naquele álbum, mas que desta vez aqui com a ação de tempo e desenvoltura e esforço de Bruford num intervalo de 11 anos, fazendo o seu próprio papel e ainda o de Muir nas percussões que aqui não está presente. Levin também não decepciona da mesma maneira como John Wetton no baixo havia gravado o álbum “Larks...”. O segredo desta faixa possivelmente tenha sido a evolução musical sonora no que compete a técnica musical que Fripp e Bruford tiveram ao longo destes 11 anos. Observe que tanto à parte 2 como a parte 3 encerram cada álbum que as mesmas pertencem contudo neste caso aqui da parte 3 além de encerrar o álbum, encerra também uma fase da banda que o grupo já comentado anteriormente retornaria aproximadamente na metade da década seguinte. A parte 3 soa bem mais moderno com instrumentos e tecnologia mais moderna do que feito há 11 anos atrás de “Three...”. O início apresenta as guitarras de Belew e Fripp tentando se desenrolarem uma da outra tocadas de uma maneira muito rápida (lembra até que um pequeno trecho onde na parte 1 isso também acontece) onde Levin acompanha os guitarristas em determinadas linhas de baixo e Bruford se apresentando em ritmo de percussão eletrônica e aonde especialmente no terceiro tema musical instrumental da faixa vai tornando a melodia crescente (como é feito em determinadas vezes na parte 2). Pode parecer incrível, mas esta parte do tema final desta faixa deve ter sido escrito ou sugerido por Bruford porque os acordes da maneira que foi trabalhada é a mesma de um álbum solo seu chamado “One of a kind” (1.979) que é tocado em “The Sahara of snow, Part 2” a boa parte do tempo. Alem de sair numa versão em “Absent lovers...”, além de sugerir uma parte 4 desta mesma faixa que se encontra no álbum “The construKction of light” (2.000).