
Inglaterra, 1984.
Músicos:
Adrian Belew – Guitarras, guitarras
fretless, vocal principal
Robert Fripp – Guitarras elétricas
Tony Levin – Stick, baixos acústico e
sintetizado, vocal de apoio
Bill Bruford – Baterias e percussão
acústica e eletrônica
Músicas:
1. Three of a perfect pair – 4:11
2. Model man – 3:46
3. Sleepless – 5:18
4. Man with an open heart – 3:01
5. Nuages (That which passes, passes like clouds)
– 4:46
6. Industry – 7:22
7. Dig me – 2:59
8. No warning – 3:28
9. Larks tongues in aspic III – 6:01
|
King Crimson
Three of a
perfect pair
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
A trilogia do King
Crimson finaliza com o álbum “Three of a perfect
pair” do qual foi gravado durante o ano de 1.983
ao mesmo num momento em que o grupo estava
fazendo algumas turnês já apresentando músicas
relacionadas dos outros 2 álbuns restantes desta
trilogia, “Discipline” (1.981) e “Beat” (1.982),
obviamente gravados numa determinada seqüência e
dando continuidade a esta terceira que seria
lançada oficialmente no início de 1.984, e além
de encerrar esta trilogia, encerra também um
outro período histórico ocorrido musicalmente
pelo King Crimson.
Lançado pelo selos EG Records (o mesmo que o
grupo foi contratado desde o início de sua
origem em 1.969) e Polydor Records é possível
encontrá-lo na edição nacional em vinil
resultando em 7 compactos na época (somente
importado), aqui já é um tanto mais difícil
ainda de encontrar completo com o encarte das
letras. Em CD (encontrado apenas em versões
importadas a trilogia do grupo) saiu em 1.991 e
mais tarde masterizado em 2.001 em edição
especial comemorativa possuindo um dizer “Three
of a perfect pair: 30th Anniversary”, ou seja,
sendo em referência ao lançamento dos 30 anos de
“Three...” (!?). É outro caso onde há a
existência de um mal entendido, que a gravadora
DGM Records (Discipline Global Mobile) teve a
intenção de realizar os 30 anos com relação ao
aniversário de lançamento do álbum de estréia,
“In the court of the Crimson King” (1.969), e
então a discografia da banda também sairia
completamente remasterizada a partir daquele
instante da época; portanto o dizer valeria para
o “Three...” apenas no ano de 2.014. Esta edição
em CD inclui bônus tracks, além das letras,
fotos e comentários a respeito do disco. Em
2.004 a DGM novamente voltou a re-editar a
versão remasterizada. O resultado do álbum
também gerou uma fita de VHS lançada naquele ano
de 1.984 chamada “Three of a perfect pair – Live
in Japan”, devido à turnê que o grupo fez
naquele país antes que os admiradores do grupo
não observassem o King Crimson na ativa a partir
do segundo semestre de 1.984.
Novamente a banda grava um disco pela terceira
vez consecutiva com o mesmo line-up dos 2 álbuns
anteriores fechando, portanto esta trilogia do
grupo, algo inclusive que na história do grupo
naquele tempo era tido como considerado um fator
inédito jamais ocorrido pelo King Crimson desde
a fundação do grupo nos finais dos anos 60 (cada
álbum da banda sempre existia uma mudança de
formação de integrantes). A presença, entretanto
seria: Robert Fripp (o único membro fundador do
grupo que permaneceu na banda) nas guitarras
elétricas, efeitos sonoros incluindo o
“frippertronics” (elementos musicais
desenvolvidos pelo artista em equipamentos de
sua aquisição); Tony Levin no baixo stick,
sintetizador e vocais de apoio, Bill Bruford nas
baterias e percussão tanto acústicas como
eletrônicas e Adrian Belew nos vocais
principais, guitarras além de ser o letrista
exclusivo do conjunto (algo que como se tornado
um “padrão” da banda, onde antes dele estiveram
também Peter Sinfield (outro membro fundador do
grupo) e depois posteriormente Richard
Palmer-James (que foi fundador do “Supertramp”).
Durante o período intercalado entre o “Beat” e o
“Three...” também ocorreram algumas coisas entre
os integrantes, a saber, especialmente no ano de
1.983: Belew saia do estúdio gravando seu
segundo disco solo chamado “Twang bar king”,
Tony Levin estava em uma árdua turnê solo do
cantor Peter Gabriel, fundador do “Genesis” que
acabou resultando no álbum duplo ao vivo “Plays
live”. Levin já conhecido ao meio musical como
um excêntrico e competente profissional de
estúdio não perde oportunidades e com muita
disponibilidade quando tinha algum tempo livre
durante aquele ano colaborou com Carly Simon,
Joan Armatrading, na trilha sonora “Local hero”
realizada pelo guitarrista e fundador da banda
de rock “Dire Straits” e também com o
guitarrista jazzista fusion Al Di Meola (que foi
pertencente ao grupo fusion americano “Return to
Forever” do pianista e tecladista Chick Corea)
no álbum “Scenario” onde coincidentemente
participa Bill Bruford ao lado de Levin.
Bruford por sinal estava se associando a uma
parceria em forma de duo completamente
inesperada e inusitada e ainda mais para os fãs
do “Yes” (banda de rock progressivo que também
foi concorrente do King Crimson durante os anos
70); ele se ajuntava com o tecladista suíço
Patrick Moraz (que gravou um único álbum de
estúdio da banda chamado “Relayer” (1.975) ao
substituir Rick Wakeman na época) e lançando ao
público “Music for piano and drums”, lembrando
que estes 2 profissionais nunca haviam gravado
juntos em alguma gravação do “Yes” desde que o
grupo surgiu em 1.968. E por falar em duo,
finalmente temos Robert Fripp que grava no mesmo
ano de “Three...”, um segundo álbum entitulado
“Bewitched” junto com o fundador e guitarrista
do “The Police”, Andy Summers
As 9 faixas foram escritas musicalmente
novamente pela terceira vez consecutiva por
todos os integrantes participantes do grupo.
Este também pode ser considerado como um outro
fator inédito na banda, sendo que nos álbuns
gravados pelo King Crimson durante a década
anterior são creditados por determinados
membros, a salvo de algumas exceções (mas não
inteiramente para um disco inteiro). Outro
aspecto a ser observado sobre a trilogia é que a
cada álbum que o King Crimson ia gravando ia
sendo acrescido uma faixa a mais, ou seja, no
“Discipline” tem 7 faixas, no “Beat” tem 8
faixas e agora em “Three...” estava apresentando
9 faixas; bem algo característico seguindo uma
trilogia, pelo menos numericamente!!!!! Ao
garantir a sua trilogia, o King Crimson se
igualaria da mesma maneira como já havia sido
feito por artistas como David Bowie, Rick
Wakeman, “Gong” e entre outros. Com o resultado
desta quantidade de músicos tornou “Three...” um
álbum que diretamente acabou possuindo um
aspecto positivo sobre os outros da trilogia que
seria a duração total chegando a 41 minutos de
duração (a boa maioria das faixas estão na casa
dos 3-4 minutos de duração na média a salvo de
uma ou outra fora deste padrão), já que os 2
anteriores a este ficavam na proximidade dos 35
minutos de duração.
Com a formação aqui meramente uma das mais
respeitadas “Three...” atende ao mesmo tempo a
adoração dos ouvintes que gostam do “Discipline”
e outros que adoram o “Beat”, embora seje
reconhecido por uma boa parte do público que na
trilogia este seria o segundo álbum aprovado
estando atrás do “Discipline” e a frente de “Beat”.
O que isso torna a manter a segunda posição
desejada pelo público do King Crimson nessa
trilogia ? Simplesmente porque a forma de que
foi gravada se repartiu em sonoridades que são
pertencentes aos 2 albuns anteriores a este, ou
seja, possui a presença do experimentalismo que
fortemente está presente no “Discipline” e a
presença da música pop presente no “Beat”; o que
torna “Three...” uma mistura daquilo que o grupo
inovou consigo na década de 80 como se ajuntasse
antônimos ou opostos (bonito e feio, certo e
errado, branco e preto, e assim por diante) e
guardassem dentro de um ambiente fechado onde
não existe um local de saída. Isso inclusive é
muito facilmente perceptível ainda mais para
quem possui o álbum em vinil onde no lado 1 é
determinado como o que caracteriza o pop da
banda (chamado de “Left side” que significa
“Lado esquerdo” em inglês – essas 2 palavras
estão escritas acima de suas músicas respectivas
do lado do disco) e no lado 2 é determinado como
o que caracteriza o experimentalismo da banda
(chamado de “Right side” que significa “Lado
direito” em inglês).
Os 2 lados do álbum também não descartam a
possibilidade de como se fosse uma balança
equilibrando algo; no encarte do trabalho Robert
Fripp os admiradores da banda poderão observar
dizeres do artista citando em artigo que ele
sentia-se estando do lado mais correto de
determinado equilíbrio (a balança comentada
anteriormente) de acessibilidade e excesso e
provavelmente “Three...” pode ser o álbum em que
o ouvinte consiga perceber essa “mistura” de
sonoridade feita a partir dos 2 primeiros
trabalhos da trilogia. Em relação a cada lado do
álbum há de se notar que 2 membros do conjunto
(50% da banda) e são os que destacam e
formalizam a maneira de como “Three...” foi
gravado sendo estes nada menos que Adrian Belew
(em quase todo o lado 1) que representaria as
canções mais voltadas ao pop, ou as de músicas
com sonoridade mais acessível para os ouvintes e
Robert Fripp (no lado 2) que representaria as
canções mais voltadas ao experimentalismo
musical, ou as de música com sonoridade que
mantém a marca registrada do conjunto desde o
seu álbum de estréia. Obviamente os outros 2
membros restantes (Tony Levin e Bill Bruford)
cumprem seus papeis de profissionais tornando o
time de 4 integrantes a não decepcionar pelo
menos na maneira que eles tocam seus
instrumentos e eles parecem ser os auxiliares
perfeitos para o resultado de “Three...”. Vale
ressaltar que dos 4 elementos, Belew foi o único
que se manteve fiel a Robert Fripp o
acompanhando nas gravações com o King Crimson
até “The power to believe” (2.003), embora após
“Three...” já são outras muitas estórias...
O terceiro álbum da trilogia teve uma
importância muito marcante na carreira da banda
porque já comentado anteriormente o quarteto
encerraria as atividades musicais a partir do
segundo semestre de 1.984, mas Fripp só viria a
comunicar oficialmente a paralisação do King
Crimson no início de 1.985. Praticamente com a
divulgação desta paralisação acabou deixando
muitos fãs do grupo completamente entristecidos,
desolados e chateados, pois se tratava de umas
das formações consideradas como a mais admirada
já ocorrida na história do King Crimson e ainda
que foi muito rápida esta paralisação porque só
teve algo em torno de 3 anos de existência
aumentando mais ainda a tristeza dos admiradores
do grupo. É um tanto difícil de saber ao certo
porque ocorreu este encerramento de atividades
do King Crimson e especulam-se várias hipóteses
que isso possa ter acontecido. Segundo uma
informação extraída de um texto do escritor
brasileiro Valdir Montanari (autor de diversos
artigos relacionados ao assunto do rock
progressivo) oriunda da revista Downbeat
(especializada hilariamente na música jazz)
Fripp classificou esta parada num seguinte
comentário: “Penso que o King Crimson
reconstituído foi, possivelmente, a melhor banda
performática de rock no mundo. Foi um fenômeno
em 1.981, mas em 1.982, 1.983 e 1.984 não era
mais o mesmo conjunto. De 1.982 para cá, se
tornou numa coleção de individualismos. Não
compartilhávamos mais os mesmos interesses.”
Será que este “individualismo” que Fripp se
refere seria algo que evidente aqui neste
trabalho, como de um lado termos a sonoridade
pop discreta representada nitidamente por Adrian
Belew e de um outro lado termos a sonoridade
experimental perceptível representada
nitidamente por Robert Fripp ? No álbum
anterior, “Beat” era possível perceber isso,
embora ali os outros 2 membros, Tony Levin e
Bill Bruford tendo seus momentos musicais
naquele trabalho e notoriamente também em
“Discipline”. Belew seria o culpado disso tudo ?
Não necessariamente, porque em paralelo ele
gravava seus álbuns solos ao mesmo tempo em que
o King Crimson ia gravando. O outro fator pode
ter sido seria o lançamento do álbum “Bewitched”
lançado próximo da metade do ano de 1.984 (o
mesmo período do fim das atividades musicais do
King Crimson) para promover o disco ao público.
Aqui há um aspecto muito interessante sobre este
álbum que tem o Andy Summers, e já comentado
anteriormente era um integrante e fundador do
“The Police” valendo inclusive uma ressalva:
este poderoso grupo de peso em forma de trio
(embora originalmente era um quarteto chamado
anteriormente como “Strontium 90”) criado nos
finais dos anos 70 contendo Gordon Matthew
Sumner, ou popularmente conhecido como Sting. O
“The Police” passava uma fase de transição muito
delicada entre os membros do grupo depois do
lançamento do álbum “Synchronicity” (1.983), se
estendendo por uma enorme turnê que se
finalizaria em 1.984 e o trio então finalizaria
de uma vez por todas suas atividades
praticamente naquele mesmo ano que o King
Crimson (embora esta banda retornaria suas
atividades anos mais tarde) também parava.
Coincidentemente o “The Police” segundo ao que
se sabe parou suas atividades devido à mesma
circunstância que Fripp veio a fazer com o seu
grupo: o individualismo (o que Fripp cita na sua
frase na revista Downbeat).
Há também um outro aspecto que também pode ser
levado em conta, e nada menos do que o lucro
monetário envolvido no grupo em relação à
gravadora EG Records pela qual a banda estava
contratada. Desde a fundação da banda em 1.969
estando ao lado junto a esta gravadora nos anos
70 à medida que o grupo sofria mudanças
constantes de músicos e gravando algo em torno
de um álbum por ano chegou a um determinado
momento que a gravadora EG Records estava
dificultando o pagamento e as finanças da banda
especialmente a partir da época do lançamento e
da turnê do álbum “Larks tongues in aspic”
(1.973) e somente em 1.981 a gravadora colocou
em dia as suas finanças com os músicos e os
envolvidos. Pode ser possível que Fripp tivesse
receio de que isso acontecesse (um outro
endividamento da gravadora com relação aos
músicos do King Crimson) especialmente neste
período envolvendo 3 discos com os mesmos
integrantes e numa década que musicalmente era
tida como uma das mais comerciais
independentemente do artista.
Também há o fator do equilíbrio musical entre os
integrantes no resultado destas composições que
está no quesito nacionalidade já que Levin e
Belew são americanos enquanto que Fripp e
Bruford são ingleses, daí poderia ter ocorrido
um conflito musical na demanda de tornar por
completo a música do King Crimson puramente ao
estilo americano, já que a banda quando surgiu
em cena era puramente inglesa musicalmente.
Visto que se encontra na sonoridade deste álbum
tanto o pop quanto o experimentalismo musical,
há também alguns momentos que lembram um
pouquinho o jazz, improvisação, em meio de
“baladas” sonoras, técnicas de percussão e ritmo
e um tanto de presença do rock progressivo.
A produção da banda desta vez voltou aos moldes
anteriores que o King Crimson fazia ou de ser
feito pelo próprio grupo ou então pelo grupo
acompanhado por um profissional do meio. No
álbum anterior, “Beat”, foi uma exceção unânime
porque não foi produzido pela banda e sim por um
produtor exclusivo, neste caso o engenheiro de
som Rhett Davies junto com o grupo. Em “Three...”
foi produzido pelo grupo em junto com Brad Davis
(pelo que se sabe não tem nenhum parentesco com
Rhett Davies) que já havia trabalhado com
Stanley Clarke, Glenn Hughes, Cheryl Lynn e
entre outros. Detalhe: não confundir este Brad
Davis com um músico guitarrista de country e
também com um famoso artista americano de
cinema.que fez filmes como “Midnight express” –
“Expresso da meia noite” (1.978), “Chairots of
fire” – “Carruagens de fogo” (1.981) e entre
outros vindo a falecer em 1.991. Brad Davis é
auxiliado também por Nick James, Ray Niznik e
Peter Hefter (será que havia tanta necessidade
de ter tantos auxiliares na parte da produção ?
Talvez seria uma das únicas oportunidades que
estes auxiliares teriam de acompanhar artistas
do meio cultural musical que finalizariam uma
trilogia musical.).
Por que o King Crimson pretendeu trabalhar na
parte da produção e ter um produtor à parte para
auxiliar neste trabalho ? Pode ser que o grupo
ficou um tanto inseguro de si, já que “Beat” não
agradou muito tanto quanto “Discipline”. Pode
ser que Fripp já estava premeditando antes no
momento de gravação deste trabalho que
pretenderia encerrar as atividades do grupo já
que “Three...” finalizaria além de uma trilogia
musical do conjunto, ao mesmo tempo uma nova
etapa do grupo e assim ele estaria seguro
encerrando essa trilogia o mais satisfatório
para os ouvintes do King Crimson.
A capa foi elaborada por Timothy Eames que até
em momento havia feito um trabalho artístico
para o cantor Jimmy Cliff, apesar de que a
simples imagem que aparece nesta capa do “Three...”
foi criada por Peter Willis. Vai ai algumas
curiosidades sobre esta capa: é a mesma pertence
de um VHS que foi lançado na época do lançamento
deste álbum apresentando a banda ao vivo no
Japão em “Live in Japan”, o mesmo título lançado
em VHS em 1.998 apresentaria uma única diferença
contendo o fundo da capa de “Three...” e uma
foto de cada integrante do grupo (naturalmente
desta formação); chegando a sair também em
versão CLV (Compact Laser Vídeo – aqueles discos
em formato de tamanho em vinil, mas que são de
vídeo e que mais tarde se transformariam nos
famosos DVDs). Apesar do título do vídeo existe
também uma capa que saiu diferente apresentando
uma foto de apenas a banda no palco e que só foi
lançado exclusivamente no Japão (também pudera,
pelo título...). Em algumas edições que saíram
em CD pode ser observado a imagem tomando conta
de boa parte do espaço da capa. Aqui inclusive
além de o grupo encerrar a sua trilogia musical,
eles também enceraram a terceira cor primaria,
que neste caso é o amarelo, visto que nos dois
álbuns anteriores as simples ilustrações
existentes estavam em fundo vermelho e azul, do
“Discipline” e “Beat” respectivamente.
“Three of a perfect pair” – a faixa-título de
abertura faz apresentação do grupo onde aos
pouco pode ser observado uma presença de música
pop e onde ao mesmo instante pode ser observado
que Adrian Belew é o protagonista principal
desta sonoridade e isso será inclusive percebido
pelo menos até as 4 primeiras faixas deste
álbum. Apesar das letras não serem grandes
possuindo apenas um único refrão é considerado
como uma escrita bem bolada por uma boa parte
dos fãs do King Crimson. As letras parecem
retratar a respeito do relacionamento de um
casal onde existe uma terceira pessoa no meio
deste relacionamento (seria um amante ?). É
muito evidente que existe este terceiro
indivíduo no meio (seje homem ou mulher), pois
“Three of a perfect pair” significa “3 de um par
perfeito” em inglês. A mulher está num crítico
estado de depressão e esquizofrenia, enquanto
que o homem é um indivíduo abusado. A terceira
pessoa seria a solução da depressão e
esquizofrenia da mulher e o abuso do homem.
Apesar da data do lançamento do álbum feito em
1.984 existe uma frase que parece identificar o
King Crimson como a banda foi e é desde o
momento de sua aparição no meio musical que se
encontra em “One, one too many schizophrenic
tendencies” que significa “Alguém, alguém com
muitas tendencias esquizofrênicas” em inglês;
lembrando que em 1.969 quando o King Crimson
gravou o seu primeiro álbum “In the court of the
Crimson King”, a primeira faixa se chama “21st
century schizoid man” e a palavra “schizoid” é
muito próxima de “schizophrenic” – pelo menos ao
que parece, esquizofrenia é o que não falta na
música do King Crimson!!!!!! Aparenta ser uma
espécie de continuação de estilo de compor
música vindo através dos álbuns “Discipline” e “Beat”.
O vocal de Belew soa aqui não só lembrando David
Byrne do “Talking Heads” banda que Belew chegou
a colaborar no álbum “Remain in ligth” (1.980),
assim como lembra ele lembra um pouquinho o
vocal de Roy Orbison, artista falecido em 1.988
que era do “The Travelling Willburys”. A faixa
começa com a primeira linha do refrão numa
espécie de “capella” onde Belew estende a
primeira palavra
“Sheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee is susceptible”
(aqui é um momento muito adorado pelos fãs da
banda) e então entra toda a banda junto, mas
Belew geralmente na primeira palavra de cada
frase sempre permanece estendendo as palavras
como “He”, “They” e “Three”. Belew intercala
suas guitarras junto com as de Fripp chegando a
fazer algo próximo em musicas que o grupo já
tinha atuado anteriormente como “Frame by frame”
do “Discipline” e “Neal and Jack and me” do “Beat”.
Na parte solo instrumental percebemos Belew
fazendo alguns ruídos bizarros com suas
guitarras elétricas enquanto que Fripp o
acompanha em acordes e até que Belew volta a
repetir novamente as letras da música
finalizando a música aos poucos deixando a
melodia se acalmando. Na parte do coro, Belew
tem um reforço de Levin nos vocais. Deve ser
percebido se for bem observado pelo menos nos
primeiros 30 segundos desta faixa que Fripp não
abandonou a sonoridade acústica embora é sabido
que a boa parte do trabalho tem instrumentação
voltada ao eletrônico, ou entre outras palavras,
instrumentos mais modernos. Esta música saiu em
um compacto promocional na época e também saiu
nas versões ao vivo dos álbuns “Absent lovers:
Live in Montreal 1.984” (1.998) (versão ao vivo
que ficou melhor do que a original e muito
recomendada pelos admiradores do grupo), “On
Broadway: Live in NYC 1.995”(1.999), “Heavy
construKction” (2.000) e “Vrooom vroom” (2.001).
Quando Belew lançou seu álbum solo “Comming
attractions” em 2.000, esta faixa chegou a ser
inclusa no repertório de set-list que ele se
apresentou ao vivo sozinho.
“Model man” – é considera uma das faixas
extremamente fracas do trabalho, onde inclusive
novamente as letras também são pequenas tendo
apenas um único refrão que será repetido após um
simples solo instrumental. O enredo da faixa
aparenta narrar algo sobre um manequim que sente
o mesmo que um ser humano. É praticamente uma
balada com uma sonoridade até que romântica,
embora é distante daquilo que esta formação fez
em algo como “Matte Kudasai” do “Discipline”
onde a estrutura musical basicamente é
extremamente simples nada muito extravagante que
o King Crimson sempre costumou fazer nos seus
trabalhos da década de 70. A primeira instância
é de ser um outro momento em que se tem em mente
o “Talking Heads”. Apesar de que poderia ser
outro momento exclusivamente de Belew onde ele
toca uma guitarra fretless Roland sintetizada
(para quem não sabe o fretless é uma variação
onde o instrumento fica com uma melodia do tipo
meio “chorão”), o baterista Bill Bruford numa
melodia simples contracena as baterias e
percussão de uma forma acústica que ora se
esquece que ele toca em determinados momentos
baterias e percussão eletrônica e nessa faixa o
baixo de Tony Levin também possui linhas fortes
que são muito perceptíveis (talvez sejem o Stick
que ele esteje tocando), a melodia é uma levada
meio próxima discretamente meio que ao funk.
Pelo que se sabe o King Crimson nunca colocou
essa faixa em seu set-list em apresentações ao
vivo.
“Sleepless” – continuando no lado um do álbum
temos uma faixa que a grande maioria dos
ouvintes do grupo considera extremamente
sensacional e reforçando que esta no meio das
canções voltadas ao pop!!!! Foi a faixa que
possuiu 6 compactos lançados entre os quais
tendo versões tanto remixadas assim como versões
exclusivamente instrumentais. Na edição do CD
lançado em 2.001 há 3 versões diferentes desta
mesma música, além da original do álbum. Apesar
do King Crimson possuir credito de todas as
faixas feito pelos 4 membros da banda, a
impressão que se tem é de ter sido elaborada
apenas por Tony Levin que praticamente é o
destaque principal desta música do início ao
fim, um momento muito memorável onde a forma que
ele toca o seu instrumento dificilmente é
esquecido aqui pelos ouvintes na primeira
audição. A quantidade de linhas de baixo que
este instrumentista faz é impressionante. Levin
elaborou uma versão diferente sozinho, assim
como tem uma versão que ele foi ajudado por Bob
Clearmountain (tendo trabalhado com o “Kool and
the Gang”, “Chic”, “Roxy Music” e entre outros
artistas) e outra pelo francês François
Kevorkian que atuou mais na musica eletrônica
dançante. No caso da versão feita por
Clearmountain essa foi uma versão que havia sido
retirada (saindo então em compacto) pela
gravadora EG Records e justamente aquilo que o
grupo tinha o propósito de incluir no álbum
original (fica então um aspecto positivo para o
CD remasterizado em 2.001 e aprovado pela
maioria dos admiradores da banda). Aqui nesta
faixa na época de sua gravação cultuou-se um
momento de tensão entre Robert Fripp e Bill
Bruford, segundo Levin essa música havia sido
deixada para trás e que seria inclusa até mesmo
no álbum anterior, então o King Crimson decidiu
trabalhar novamente nesta faixa que
originalmente era um ritmo muito lento e sem
graça. Então Levin junto com Clearmountain
ficaram ocupados trabalhando na programação de
circuitos seqüenciais de percussão eletrônica e
preparando para a nova turnê que iria ser
apresentado o álbum “Three...” e naturalmente
esta faixa no set-list do grupo.Levin percebeu
que ao aumentar o ritmo ele também aumentou a
sua agilidade de tocar mais rápido o baixo e o
músico considera que esta faixa foi uma lição
técnica que lhe ajudou muito no que viria
futuramente trabalhando tanto com outros
artistas, assim como novamente no retorno do
King Crimson nos anos 90, e bem como a sua
carreira solo. Foram então retirados elementos
que já eram compostos e tocados pelas baterias e
percussões eletrônicas de Bill Bruford reduzindo
o trabalho do baterista que se estava se
aproximando do jazz puro americano enquanto que
Fripp pretendia manter a sonoridade de pura
programação eletrônica percussiva inglesa e
então causando um desentendimento entre ambos. A
estrutura musical da faixa apresenta elementos
que induz o funk e também as pistas de dança (da
época). Apesar de ter sido elaborado em ritmo
levado ao eletrônico na faixa original que foi
inclusa no álbum pode se perceber Bruford
tocando a caixa da bateria tornando a música
acústica. Liricamente a faixa aparenta retratar
de um indivíduo que sofre de insônia, pesadelos
e noites de terror como, por exemplo, na faixa "It's
alright to feel a little fear” que significa
“Está certo ao sentir um pouco de medo” em
inglês; parte de trecho do coro da música onde
Levin ajuda Belew nos vocais. Há alguns anos
atrás a empresa de pilhas e baterias da Duracel
chegou a lançar uma propaganda onde há um
coelhinho que toca um bumbo e a melodia é bem
parecida com “Sleepless”. Pode ser encontrada
versões ao vivo nos álbuns “Absent lovers...”
(este especialmente a versão também ficou melhor
do que a original pela simpatia dos ouvintes da
banda) e “B´boom: Live in Argentina” (1.995).
Como se não bastasse o próprio Levin em carreira
solo gravou uma versão ao vivo que está no álbum
“Double expresso” (2.003).
“Man with an open heart” – esta é a ultima faixa
que está relacionada à parte pop no álbum
identificado pelo King Crimson sendo
notoriamente a última faixa mais aproximada
voltada ao pop encerrando se bobear a carreira
da banda nos anos 80 (embora tem outras faixas o
disco mais à frente) e coincidentemente também
tem a palavra “Man” na faixa que significa
“Homem” em inglês, existindo no mesmo álbum
(esse pode ser um aspecto negativo por pensar
que o King Crimson não possui criatividade na
escolha do nome de suas faixas) além de ter
saído num compacto na época. Temos novamente uma
sonoridade a do tipo “Talking Heads”
performizando um David Byrne crimsoniano e que
tem uma estrutura aparentemente voltada para o
estilo rythym blues e com uma sonoridade meio
lembrando a música oriental (meio chinesa) e
novamente Belew usufrui da guitarra fretless
(coincidentemente também na “Model man”)
enquanto que Levin utiliza uma espécie de baixo
teclado com sua pedaleira, não necessariamente
um sintetizador pois o King Crimson dificilmente
usufruiu deste tipo de instrumento e sim mais
fortemente os instrumentos de cordas e em
especial a guitarra elétrica. A presença de
Bruford embora discreta é também uma das mais
importantes aqui na forma que ele toca meio que
calmamente (observe em especial à parte de
percussões) se considerar que o álbum tem uma
outra metade de sonoridade voltada ao lado mais
experimental. Liricamente a faixa parece
retratar sobre um homem disposto a oferecer seu
coração para uma mulher que ele gosta. Foi
inclusa no set-list do grupo na década e saiu
numa versão ao vivo “Absent lovers...” que o
público do King Crimson parcialmente considera
que ficou melhor do que a original, além de ter
saído num compacto.
“Nuages (That which passes, passes like clouds)”
– a partir desta faixa já começa o lado
experimental sonoro (se é que a partir de então
não seria representado exclusivamente os
momentos de Robert Fripp já que aqui nesta faixa
que termina o lado 1 onde propositalmente
denomina ser o lado mais pop) do grupo onde é a
primeira canção instrumental do álbum (lembrando
que metade do álbum é cantado e a outra metade
instrumental) e saindo em 2 compactos na época.
O nome “That which passes” entre parênteses
desta faixa saiu no nome de um álbum solo de
Robert Fripp “That which passes: 1.995
Soundscapes”, Vol. 3” que foi lançado em 1.996
numa seleção formada por 3 volumes do chamado
“Soundscapes” (este que seria o terceiro volume
– e se tornando também uma trilogia musical de
Fripp em relação a sua seleção de “Soundscapes”.
Para quem não sabe o “Soundscapes” é um projeto
de Robert Fripp que consiste em transformar
variações analógicas de suas guitarras elétricas
em meio de ruídos de teclados por meio de um
equipamento sonoro ligado ao instrumento musical
e transformando as mesmas variações em forma
digital. Justamente é o que parece ocorrer aqui
nesta faixa deste álbum, sendo um possível ponto
de partida em que Fripp iria investir mais tarde
com o decorrer dos anos em sua carreira solo
musical especialmente envolvendo o “Soundscapes”.
Observe também que o nome “Nuages” aparenta ser
um anagrama da palavra “New Age”, e algo que se
for levar em consideração mesmo experimental
musicalmente Fripp poderia ter premeditado em
algo parecido com esta tendência musical que foi
surgindo ao longo do tempo. A presença do
“Frippertronics” também é existente (outro
elemento sonoro desenvolvido por Fripp ao longo
dos anos 70) e pode ser percebido algumas frases
musicais desta sonoridade de guitarra elétrica
assim como de uma guitarra acústica. Das faixas
que competem ao experimentalismo musical do
grupo gravadas neste álbum “Nuages” é
provavelmente a mais tranqüila sonoridade do que
as outras demais embora numa forma feita que é
bem de uma música triste e sem animo para alguns
ouvintes, entretanto se torna estranha na forma
que foi desenvolvida sendo percebido momentos de
algo como se estivesse formando bolhas, alguns
tons de telefone esperando alguém atender a
linha e levando o ouvinte à imaginação de algo
como um espaço sideral lembrando que estes
ruídos sonoros foram feitos por instrumentos
como o Stick de Levin, a percussão eletrônica de
Bruford e as guitarras elétricas de Belew e
Fripp e nada dos instrumentos musicais
convencionais que o ouvinte geralmente está
acostumado a ouvir. É uma faixa que também pode
ser comparada como sonoridades que o King
Crimson já havia gravado como “Moonchild” do “In
the court...”, “Prelude: song of the gulls” do
“Islands” (1.972) ou “Trio” do “Starless and
bible black” (1.974). Pelo que se sabe esta
faixa não foi inclusa em algum set-list do grupo
até em momento.
“Industry” – aqui inicia o segundo lado do álbum
e daí pra frente só se perceberá o
experimentalismo musical onde aparenta Robert
Fripp ser o protagonista representando este lado
do disco. É a maior faixa do álbum com quase
7:30 minutos de duração, além de ser
instrumental e razoavelmente adorada pelos fãs
da banda deste álbum. Na versão em CD lançado em
2.001 intituladas como “Industrial zone A” e
“Industrial zone B” há duas versões alternativas
que sugerem o nome da faixa. Por uma ação ao
longo do tempo, “Industry” é tida como uma
alternativa sonora que havia sido explorada no
álbum “In the wake of Poseidon” (1.970), na
música “The devils triangle”, praticamente algo
muito parecido escrito pelo compositor
classiscista Gustav Holst em 1.915 em “Mars, the
bringer of war”. “Industry” não foge a regra,
tem a estrutura muito parecida com o que o grupo
fez em 1.970, só que desta vez num outro tempo.
Às vezes parece que cada músico aqui disputa um
cabo de guerra dividido em 4 partes trazendo
consigo próprio (embora a sensação é que Levin
aparenta ser o destaque principal da faixa)
visto que a sonoridade da faixa é extremamente
sombria, áspera, assustadora formando um
suspense musical que a cada segundo que vai
passando a tensão vai ficando crescente (é o
mesmo que acontece na obra de Holst) e ainda o
ambiente sonoro se torna de uma tal maneira que
o nome sugere, pois “Industry” significa
“Indústria” em inglês, onde ao longo da faixa é
possível perceber alguns ruídos sonoros que
lembram uma indústria, algo dentro de uma
fábrica onde na vida real quando alguém se
encontra num local destes (imagina-se um passeio
dentro de uma fábrica feito por um visitante que
nunca entrou em um ambiente parecido) que no
fundo é um espaço que induz temor especialmente
quando se escuta vários barulhos de máquinas em
funcionamento ao mesmo tempo (independente de
qual é o produto a ser fabricado); parece também
que “Industry” foi uma faixa que no momento da
gravação se tornou exclusivamente improvisada em
algo como “Fracture” em “Starless...” ou
“Providence” do álbum “Red” (1.975). Podemos
também perceber a presença do “Frippertronics”
ao longo da faixa executado por Robert Fripp e
da mesma forma como em “Nuages...” um ambiente
dos “Soundscapes”. “Industry” também sugere
algumas situações: a primeira seria um combate
entre o humano e a máquina, ou seja, a
sobrevivência do ser humano disputando com
artifícios inventados pelo próprio ser humano e
de não ser substituído pelas máquinas, o que é
muito fácil observar ao longo dos anos no século
XX, as máquinas ou robôs substituindo a mão de
obra puramente humana. A segunda seria sobre o
poder dos músicos de criarem dinheiro sem se
preocuparem com a música devido à indústria
musical que foi se tornando também feroz no que
compete à arte ao meio musical e os anos 80 é um
exemplo deste motivo porque muitas bandas e
artistas que costumavam a lidar com determinado
segmento musical precisaram ter um pouco de
preocupação para seguir uma tendência musical
que nesta década era muito forte, ou seja, a
presença da música pop em outras palavras.
Existe uma versão ao vivo também apreciada pelos
ouvintes do grupo que acreditam que ficou melhor
do que a do álbum de estúdio em “Absent lovers...”.
“Dig me” – meio que emendada com a faixa
anterior (como se houvesse de ser uma conclusão
da “Industry”), esta é a menor faixa do álbum
com quase 3 minutos de duração e a única com a
inclusão de letras feitas por Belew (obviamente
sendo citadas e cantadas por ele) inclusa nas
músicas próximas de improvisação e
experimentalismo musical e a forma paranóica e
atonal resultada está próxima da faixa-título (Belew
encerra a faixa citando o nome da faixa junto
com outras palavras fazendo com que o ouvinte
preste atenção) do álbum “Discipline” da
trilogia e “Neurotica” de “Beat”. É aceitada por
uma boa simpatia dos ouvintes do grupo, onde o
King Crimson lembra estar dentro de uma arena de
box onde os 4 integrantes da banda dão uma
impressão de estarem lutando contra uns e outros
com seus instrumentos até chegarem a
evidentemente um único vencedor, coisa que isso
não acontece tornando os 4 vencedores da luta e
feito também meio que distorcida como em “The
howler” do álbum “Beat”. Segundo Fripp é uma
espécie de estudo em contraste em que as letras
de Belew é que tornam caóticas os ruídos e
percussão eletrônicas (o vocal de Belew, por
exemplo, não possui uma agressividade
propriamente dita); diante desta observação de
Fripp, “Dig me” pode ter antecipado também a
algo que o King Crimson faria a partir dos anos
90 tendo alguma relação de estilo musical com o
chamado RIO (Rock In Oposition). Belew comenta
que teve um propósito de manter a guitarra um
tanto desajeitada e tornando algo quebradiço
musicalmente com os outros instrumentos de seus
colegas e não há dúvidas de que o protagonista
das letras é um carro velho (os ruídos induz ao
barulho de um carro tentando ligar o motor).
Observe os seguintes detalhes: em “Industry” a
máquina é o protagonista mesmo sendo uma faixa
instrumental (o carro também é uma máquina!!!);
em “Neal and Jack and me” de “Beat”, Belew
inclui um veículo antigo que participa na
narrativa aparentando logo no início da primeira
frase como sendo também o protagonista (mas aqui
é um outro caso a parte). Liricamente é sobre as
lamentações de um carro velho abandonado num
depósito de ferro-velho reclamando da fortuna
que já foi consumida por ele (o dinheiro do
homem) e muito preocupada em ser esmagado e
destroçado virando uma sucata em forma de lata
quadrada (o que ocorre em alguns desmanches de
veículos sem condições de uso) e implorando para
ficar em plenitude como ficam as máquinas depois
de não terem vida, diferente dos seres humanos
como na última frase “Dig me...but don´t...bury
me” que significa “Cave para mim...mas não...me
enterre” em inglês. A frase “Now I lay in decay
by the dirty angry bay” que significa “Agora eu
me deito na decadência pela baia nervosa
sombria” em inglês indica que este veículo se
encontra num local apropriado para o abandono
feito através de seu proprietário (o dono do
veículo). “Dig me” demonstra também a simpatia
de um exemplo que Adrian Belew possui pelas
máquinas já feito em “Rail song” de seu álbum
solo “Twang bar king”. Existe também uma versão
ao vivo que foi registrada em “Absent lovers...”.
“No warning” – instrumental, onde Fripp é o
destaque da faixa e novamente contendo uma
estrutura sonora meio que sombria, selvagem e
mecânica e se repetindo ao tema relacionada das
máquinas numa terceira faixa (e consecutiva)
aqui mesmo no álbum “Three...”. As faixas bônus
que vem no CD lançado de 2.001 chamadas
“Industrial zone A” e “Industrial zone B” e
“Réquiem” de “Beat” como exemplos, possuem
algumas pequenas similaridades musicais com esta
faixa. Alguns admiradores tanto da banda como
deste álbum consideram que esta seje uma faixa
de interlúdio que verdadeiramente finalizaria a
conclusão de “Industry” e passando por “Dig me”
onde há a existência de letras neste último caso
já comentado anteriormente, se isso for bem
avaliado muito calmamente estes admiradores
estão até que bem certos pela lógica feita no
posicionamento feito destas faixas neste álbum.
Aqui também é outra faixa completamente
improvisada como se fosse uma espécie de free
jazz metálico, onde o metálico não é a presença
de instrumentos de sopro, mas de guitarras
elétricas e percussão eletrônica no meio da
percussão acústica e contendo presença de
minimalismo musical. Repare por exemplo as
guitarras dizendo as palavras “No warning” por
algumas vezes, tornando algo assustador e ainda
mais se o ambiente do ouvinte estiver
completamente escuro, pode ser monótono isso,
mas se for bem avaliado e algo incomum feito
pelos artistas musicais e sensacional e
novamente existe a presença de Frippertronics do
guitarrista fundador da banda. Isso demonstra
que a improvisação musical quando possui
criatividade vai além dos limites do imaginário
feito pelos músicos em si. Foi inclusa no
set-list do grupo na época, porém só pode ser
observada em registro de vídeo do “Live in Japan”
e está um tanto diferente da original.
“Larks tongues in aspic III” – novamente
instrumental, e bastante adorada pelos
admiradores tanto do grupo como do álbum, induz
a continuidade daquilo que o King Crimson
registrou em 2 momentos do álbum “Larks tongues
in aspic” (1.973) em duas partes. Obviamente os
temas musicais não tem muito a ver com as outras
2 partes (e em contrapartida as 2 partes que
estão no álbum “Larks...” também por sinal não
tem nada a ver uma com a outra). O que se
percebe aqui é que o King Crimson representou
esta faixa, mas em uma outra época e há também
alguns fatores que elucidam outrora
indiretamente o relacionamento desta faixa com
as outras que foram gravadas em 1.973. Um deles
seria a presença de Adrian Belew de como se
estivesse tomando o lugar de David Cross na
época (embora ele era violinista naquele álbum),
e representando um instrumento de corda o
violino sendo substituído por um outro
instrumento de corda, a guitarra elétrica. O
outro é a presença de Bill Bruford na época
baterista da banda tendo reforços do
percussionista Jamie Muir naquele álbum, mas que
desta vez aqui com a ação de tempo e
desenvoltura e esforço de Bruford num intervalo
de 11 anos, fazendo o seu próprio papel e ainda
o de Muir nas percussões que aqui não está
presente. Levin também não decepciona da mesma
maneira como John Wetton no baixo havia gravado
o álbum “Larks...”. O segredo desta faixa
possivelmente tenha sido a evolução musical
sonora no que compete a técnica musical que
Fripp e Bruford tiveram ao longo destes 11 anos.
Observe que tanto à parte 2 como a parte 3
encerram cada álbum que as mesmas pertencem
contudo neste caso aqui da parte 3 além de
encerrar o álbum, encerra também uma fase da
banda que o grupo já comentado anteriormente
retornaria aproximadamente na metade da década
seguinte. A parte 3 soa bem mais moderno com
instrumentos e tecnologia mais moderna do que
feito há 11 anos atrás de “Three...”. O início
apresenta as guitarras de Belew e Fripp tentando
se desenrolarem uma da outra tocadas de uma
maneira muito rápida (lembra até que um pequeno
trecho onde na parte 1 isso também acontece)
onde Levin acompanha os guitarristas em
determinadas linhas de baixo e Bruford se
apresentando em ritmo de percussão eletrônica e
aonde especialmente no terceiro tema musical
instrumental da faixa vai tornando a melodia
crescente (como é feito em determinadas vezes na
parte 2). Pode parecer incrível, mas esta parte
do tema final desta faixa deve ter sido escrito
ou sugerido por Bruford porque os acordes da
maneira que foi trabalhada é a mesma de um álbum
solo seu chamado “One of a kind” (1.979) que é
tocado em “The Sahara of snow, Part 2” a boa
parte do tempo. Alem de sair numa versão em
“Absent lovers...”, além de sugerir uma parte 4
desta mesma faixa que se encontra no álbum “The
construKction of light” (2.000).
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