Kitaro – Teclados sintetizadores, piano, cítara, oboé, guitarra, percussão e flauta peruana, arranjo e produção. Jon Anderson – Vocais, letras. Deborah Anderson – Backing-vocals Jonathan Goldman - Vozes Hiroshi Araki – Violões e guitarra semi-acustica. Steve Bailey - Baixo Ty Burhoe - Tabla Ken Park - Percussão Giroshi Araki – Violões e Guitarra Kristin Stordahl Kanda - Flautas Shigeru Okazawa – Baixo Acústico e Elétrico Jim Hahn – Guitarra elétrica e semi-acustica Reijiro Koroku – Arranjo de cordas, supervisão musical.


Faixas:
1. Symphony Of The Forest (4:43)
2. Mysterious Island (3:40)
3. Lady Of Dreams (8:17)
4. A Drop Of Silence (2:56)
5. A Passage Of Life (8:00)
6. Agreement (6:31)
7. Dream Of Chant (3:53)
8. Magical Wave (3:06)
9. Symphony Of Dreams (5:44)
10. Island Of Life (9:41)


Kitaro  - Dream (1992)

Por Cavalo Alado


O genero “new-age”, ou como muitos chamam, “nova era”, por vezes se confunde muito com a temática progressiva setentista protagonizada pelos maiores grupos surgidos no inicio daquela década, salvo, claro, diferenças evidentes da sonoridade. Enquanto o Rock progressivo tem sua linhagem influenciada pelo erudito, folk e no estilo psicodélico dos anos 60, a chamada new-age adicionou elementos minimalistas sem se preocupar tanto com o virtuosismo, mas sim com o timbre, o feeling e a sonoridade natural muito ligada a ambientes, sociedade, relações humanas, etc. É uma musica ligada a elementos esotéricos, pessoas que trabalham com terapias alternativas para tratamento de saúde ou ligados a ecologia.

Esses caminhos se cruzariam na forma da união de dois gigantes da musica conteporanea, que juntaram forças para criar um dos albums mais inspirados dos anos 90. A primeira força é Kitaro, um compositor japonês, capaz de surpreender os ouvidos mais radicais costuma ser mais onipresente dentro do seu estilo até que outros que ganham dinheiro e fama com o gênero, como o mago dos efeitos especiais francês Jean Michel Jarre e a do "muso romântico" grego Yanni.

Kitaro, por incrível que pareça, começou sua carreira tocando guitarra influenciado pelo blues de Otis Redding e no começo dos anos 70 fundou a banda Far East Family Band, que lançou 4 discos de rock progressivo e eram sempre comparados a Tangerine Dream e Pink Floyd na fase Barret e que ficaram muito conhecidos por uma faixa que tinha 30 minutos de duração. Mas logo se lançou solo obtendo um grande êxito dentro deste novo estilo que ele mesmo ajudou a consolidar. A segunda força é Jon Anderson do Yes, que dispensa grandes comentários, já era há muito tempo um fã declarado de Kitaro. Foi preciso somente um mês para que fosse possível sair frutos dessa relação musical. Kitaro compôs musica e Jon as letras. No geral, são musicas que transcendem um romantismo e êxtase de libertação espiritual , culminando num álbum cheio de emoções espirituais. O disco ainda conta com a presença da filha de Jon, a belíssima Deborah Anderson com trabalhos vocais absurdamente belos.



Symphony Of The Forest, abre o disco com flautas pontuando o vocal de Jon que canta com o mesmo vigor jovial dos primeiros discos do Yes. Logo depois a musica muda para um clima mais denso, com guitarras, quartetos de cordas criando um espetáculo sonoro comparável as melhores musicas do progressivo, como Echoes do Pink Floyd. É uma epopéia sinfônica que liga oriente e ocidente numa só corrente. Maravilhosa.

Mysterious Island, começa com uma densa e lírica batida como se fosse uma trilha sonora para filmes de suspense, mas logo depois dá lugar a um sintetizador que quebra o clima, como se fosse a salvação para todos os perigos da vida. Na verdade é uma faixa de preparação, que esta ligada ao tema seguinte, Lady Of Dreams.

Lady Of Dreams é muito similar a Symphony Of The Forest, com suas flautas e climas sinfonicos, e vocais característicos de Jon. Porem os solos de guitarras aqui são melhores arranjado. Tem um caráter mais popular, e por essa razão acabou sendo colocada em coletâneas de Kitaro, como the best of, e sendo executadas em rádios de ambient-music.

A Drop Of Silence, tema instrumental mediano do disco. É basicamente um tema com sintetizadores que nos remete a Bach, fazendo uma linha contrapontística.

A Passage Of Life, uma canção seguindo a linha oriental. Com seu arranjo rico em volumes de instrumentos, mudanças de andamento, elaboração e condução sonora. É uma suíte que segue bem o conceito de trilha sonoras de filmes grandiosos, com sua melodia principal volta e meia aparecendo em diversos formatos ao longo da canção. É reflexiva, e faz a mente viajar para lugares inusitados.

Agreement, canção com uma melodia repetitiva que dá suporte para os vocais, guitarras e bateria. Sem grande destaque.

Dream Of Chant, possui experimentações com sonoridades eletrônicas, criando efeito relaxante ao ouvinte, seguindo bem na trilha da new-age.

Magical Wave, uma faixa experimental que começa com vozes, algo como rituais japoneses, que logo se transformam em ritmos complicados.

Symphony Of Dreams, tema reflexivo e hipnótico. Bem caracteristico do trabalho de Kitaro, a sinfonia perfeita para os sonhos.

Island Of Life, backing vocals cantando com uma acústica interessante, como se estive-sem dentro de uma catedral. A voz de Jon caiu como uma luva para essa musica que encerra essa verdadeira jóia rara de disco que só quem o tem, sabe o valor de sua riqueza.