Nello Marini - teclados. Urbano Orlandi - guitarra. Giandomenico Crescentini - baixo. Sergio Cerra - bateria.

Convidados: Peter Hartman, Ettore Robosch, Francesca Camerana, Anton Mario Semolini e Paul Thek.


Faixas:
1. Le Ultime Parole di Brandimante, dall’Orlando Furioso, ospite Peter Hartman e Fine (da ascoltarsi con tv accesa, senza volume) (17.40)
2. Molto Alto (3.14)
3. Susan Song (3.48)
4. E Dopo (2.14)
5. Intervallo (2.37)
6. Molto Lontano (a Colori) (2.50)


Le Stelle di Mario Schifano - Dedicato A... (1967)

Por guitarzeus

A Itália, "patria della canzona", nunca teve muita tradição em psicodelismo e avant-garde (ao contrário de Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos), entretanto produziu algumas pérolas com bandas como Opus Avantra, Stormy Six (esta bem mais folk, verdade seja dita), Aktuala (música com forte acento étnico/árabe), Demetrio Stratos (Area), Circus 2000, e a seminal La Stelle di Mario Schifano, um dos pioneiros no cenário psicodélico/underground beat-pop italiano e uma das mais bem sucedidas bandas de art-pop na Europa dentro da idéia de arte multimídia introduzida por Andy Warhol.

Nascido na Líbia, Mario Schifano (1934-1998) não era músico mas sim famoso e renomado pintor e escultor. Bastante inspirado na relação multimídia entre Andy Warhol e Velvet Underground e na probabilidade de ver seu nome e arte elevados ao estrelato, foi o mentor intelectual, conceitual e mesmo pecuniário dessa banda inclusive dando nome ao projeto. Schifano, com a idéia de que queria algo genuinamente avant-garde e colocando o projeto em prática, contrata músicos ligados ao jazz e ao rock, busca a ajuda do produtor cinematográfico e pianista Ettore Rosboch e a banda então surge em Roma no ano de 1967, 'As estrelas de Mario Schifano'. No mesmo ano é lançado este único disco que no formato vinil foi limitado a 500 cópias e tornou-se muito raro a ponto de ser avaliado em torno de U$2000. Um detalhe interessante e um atrativo à parte é a capa pintada pelo próprio Schifano.

A introdução de Le Ultime Parole di Brandimante, inspirada em Frank Zappa e ocupando um lado inteiro do disco, traz uma tranquila guitarra acústica, uma bela voz acompanhada pelo crescente contraste de teclados ao fundo jogando acordes dissonantes. Logo este teclado começa a tomar conta da música junto com a percussão, surgem desesperados gritos femininos, os pianos de Hartman e Robosch, sons de flauta, em doses de absoluta atonalidade musical e beirando o nosense, dando o tom avant-garde e experimental ao disco. A música ganha em intensidade, logo em seguida surge a guitarra fuzz com riffs bastante simples (tecnicamente enfadonhos), que felizmente cessam passando para uma longa jam e improvisos em uma barulheira infernal (se esta frase tem duplo sentido, foi intencional).

Molto Alto traz uma levada beat nos moldes de Mushroom do Can, uma batida repetitiva quase como um mantra psicodélico, sendo um dos pontos mais interessantes deste disco. Susan Song traz belos vocais e flauta, é de certa forma diferente das demais músicas pois traz uma temática flower power mais convencional, tipica do cenário italiano da época como aparece no primeiro disco do Le Orme, Ad Gloriam. Uma faixa que me agrada é Molto Lontano, traz novamente a flauta e lembra bastante The Doors, com efeito viajante e lisérgico similar ao sentido em Molto Alto.

O beat pop psicodélico domina o restante do disco, as músicas são simples mas ainda assim tem bons momentos. Hoje já não tem o mesmo efeito e definitivamente não soa um avant tão radical como Schifano desejara mas imagino como deve ter repercutido na época dentro da Itália e mesmo fora dela.

Após este disco e um single em 1968 com duas faixas, E Il Mondo Va / Su Una Strada, não há notícia da existência de outros registros fonográficos desta banda.

Um disco cult, apresentando muitos conceitos que seriam bastante explorados no Canterbury e no Krautrock, é recomendado apenas para os mais explorativos e adeptos do psicodelismo beat do final dos anos 60, estes que ao final da jornada poderão ser bastante recompensados.

(lançamento em CD pela Akarma)

Marcus
19/03/2003