Aldo Tagliapetra- baixo, vocais,guitarra. Michi dei Rossi- bateria, percussão. Toni Pagliuca- teclados. Gianpiero Reverberi- pianoforte.


Faixas:
1. Contrappunti - 5:56
2. Frutto Acerbo - 3:34
3. Aliante - 3:20
4. India - 3:12
5. La Fabbricante d'Angeli - 4:47
6. Notturno - 3:51
7. Maggio - 8:50


Le Orme  - Contrappunti (1974)

Por rodrod

Um dos expoentes da geração setentista do progressivo sinfônico italiano, o Le Orme teve seu apogeu criativo entre 72 e 74 , quando lançou a trinca de albums que solidificaram sua fama :“Uomo di Pezza”, o monumental “Felona e Sorona” (frequentemente citado como a obra-prima do grupo) e este “Contrappunti” onde a banda contou com a participação no pianoforte do produtor e arranjador Reverberi .
Obviamente o tipo de formação teclados , baixo , bateria inspira analogias com o ELP. No entanto o grupo sempre manteve uma personalidade bastante singular , valorizando profundamente as melodias e optando muitas vezes por formatos mais compactos para suas composições ( em toda discografia clássica do grupo as maiores músicas não chegam aos 9 minutos ). Até nas baladas acústicas , onde mais uma vez se poderia tentar encontrar ecos das indefectíveis baladas de Lake , os chorosos vocais em italiano de Tagliapietra acabam por afugentar maiores aproximações.
Em Contrappunti, evidentemente, os teclados de Pagliuca (auxiliado pelo piano de Reverbieri) dão o tom. Óbvio: Como ocorre aliás nos discos anteriores, não temos a guitarra solista para dividir a execução da maioria dos solos e das melodias , logo os teclados podem deitar e rolar. Tagliapietra e principalmente Dei Rossi quando solicitados cumprem seu papel com extrema competência, mas os momentos chave do disco passam pelos mãos de Pagliuca . É claro que isto confere a ele maior responsabilidade. Se o disco for um desastre já sabemos quem é o principal culpado.
Mas não é necessário ter esse tipo e preocupação: A confecção dos arranjos , melodias e solos foi muito bem sucedida em Contrappunti. Mais sereno e calmo do que o explosivo Felona e Sorona, o álbum tem 4 destaques:
Contrappunti - piano e teclados interagem no primeiro minuto, depois o restante da banda entra a todo vapor, com momento virtuosístico de Pagliuca. Este, a partir dos 2min50s executa sozinho algumas sonoridades fúnebres, e no final retorna, com variações, a melodia inicial , desta vez com o apoio do baixo e da bateria.
Aliante-Baixo e bateria executam base nervosa, contrapondo-se às intervenções solenes e “tranquilizadoras” do teclado.
Notturno-Praticamente sozinhos, teclados e piano transitam por melodias sombrias à passo moroso, sem arroubos virtuosísticos.
Maggio-Grande perfomance de toda a banda na introdução. Depois os vocais chorosos de Tagliapietra (melhor momento dele no disco), secundado por sinuosa linha de baixo, são intercalados pelas intervenções dos teclados, executando a cativante e majestosa melodia principal e sua variação, até mais interessante (além de um solo bizarro) .