Alemanha, 1974.


Wilfried Kirchmeier – Bass, vocals, percussion)
Manfred Schlagmüller – Drums, percussion, sinth
Hans-Werner Steinberg – Tenor and soprano saxes
Manfred-Josef Schmid – Guitar
Klaus Lehmann – §, guitars
Bernad and Björn Dieter – mellotron
Armin Bannach – Excellent gong-beating


1 - In Those Times
2 - Wich is This
3 - Pink Pigs
4 - Doctor Martin
5 - I’m Lying on my Belly (including ‘Tango Atonale’)
6 - Eyes Look from the Mount of Flash


Lily

V.C.U. - We see You

 
Dados da resenha:
Autor: Pedro Ivo Araújo (Satanas); recebida em: 11/08/2005.
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“V.C.U.”, único álbum da banda Lily, representa uma pérola desconhecida do obscuro universo Krautrock. Lançado em 1974, o disco é uma magnífico exemplo da mais extraordinária “freakice musical”: psicodelia, jazz, música oriental... tudo no melhor clima “garageiro”, regado a muita improvisação e um marcante e exótico sax. Como uma autêntica banda de garagem, a gravação é tosca: os volumes dos instrumentos oscilam constantemente e a captação da bateria está longe da perfeição. Mas são justamente essas falhas que mantêm o feeling da banda exalando por todos os sulcos do vinil.
Mais um “defeito” do disco conspira para agradar nossos ouvidos: o vocal. A voz de Wilfried Kirchmeier não está nem perto de ser afinada e agradável. Antes pelo contrário, ele é rouco e desafina. E assim conduz as letras em um inglês quase irreconhecível graças ao fortíssimo sotaque alemão. Nenhuma outra voz se encaixaria melhor no espírito do Lily. Entre os demais músicos, o que mais se destaca tecnicamente é o baterista Manfred Schlagmüller , que executa linhas rítmicas intricadíssimas.
Por fim, a capa. O pessoal do Lily posa de “glam rockers” com direito a visual andrógino e tudo (notem o logotipo, muito sugestivo...)! Notem também o cara no canto inferior esquerdo que nos mostra sorridente o seu dedo médio. Igual atenção deve ser dada ao pano de fundo feito de papel alumínio ainda com marcas de dobras. Nada poderia ser mais representativo do que essa capa.
Agora, uma breve apreciação de cada música:

In Those Times – A melodia principal é conduzida pelo sax, que executa uma escala muito exótica, em conjunto com um ritmo estranho e empolgante da bateria (não consigo lembrar de nada que soe paralelo a isso). A música vai se revezando entre esse tema principal e outro tema distinto, mais calmo e climático, talvez até um pouco sinistro. Tudo sempre repleto de improvisações.

Wich is This – Uma pauleira hard/jazz muito empolgante, repleta de feedbacks e improvisações alucinadas. Um terreno fértil para Wilfried Kirchmeier demonstrar todo a sua potência vocal. Em tempo: o riff principal dessa música é um dos mais fantásticos que já tive oportunidade de escutar.

Pinky Pigs – Porcos Rosadinhos é uma louquíssima canção, divida em duas partes completamente distintas. A primeira é um “hardão” poderoso, com os instrumentos incrivelmente sincronizados numa construção rítmica muito empolgante. Após todo esse feeling, a música muda bruscamente para um tema baseado em percussões, com improvisos em escalas exóticas por parte dos instrumentos melódicos.

Doctor Martin – Riff demolidor, seqüência harmônica maluca, bateria frenética e a voz fantástica do Wilfried Kirchmeier, que faz até lembra de Lemmy Kilmister. Tudo cai repentinamente em violões e voz repleta de efeitos psicodélicos. Nova mudança: agora os instrumentos fazem uma base frenética, no melhor estilo Samla Mammas Manna, para um solo enlouquecido de guitarra. Voltamos mais uma vez ao riff introdutório e fim de música. Ufa! E que música!

Lying on my Belly (including ‘Tango Atonale’) – A ‘balada’ do disco. Mas mesmo com uma levada mais lenta, trata-se de uma canção tão ‘suja’ quanto as demais, principalmente graças ao vocal. A harmonia maluca também é outro ponto forte da faixa. No final, uma surpresa: a música adquire um ritmo mais empolgante, conduzida por um solo de sax. Creio que essa parte trata-se do tal de ‘Tango Atonale’.

Eyes Look from the Mount of Flash – É incrível a versatilidade que a banda demonstra nessa faixa. Quem escuta a introdução à la Van der Graaf Generator nem imagina o que está por vir: hard rock, beat (sim, aquele estilo “british invasion”!), solo de bateria, jazz de garagem, improvisos lisérgicos... e muita sincronia entre os instrumentos.

Conclusão:
Uma pérola raríssima do underground alemão. Altamente recomendado para os interessados em krautrock, pschedelic music, jazz rock e hard rock. Para os amantes dos LPs, “V.C.U.” foi lançado no Brasil em 1975, pela saudosa Sábado Som.