Fred Frith - guitarra, eletronicos. Bill Laswell - baixo, eletronicos. Charles Hayward - bateria, vocal.


Faixas:
1. Up For It/Song From Che/Closing Circles and Loose End (Frith/Haden/Hayward/Laswell) - 20:37
2. Hover (Frith/Hayward/Laswell) - 3:49
3. For Food and Scatter (Frith/Hayward/Laswell) - 10:25
4. Figure Out (Frith/Hayward/Laswell) - 25:23
5. The Empire Strikes Back (Frith/Hayward/Laswell) - 2:06
6. Over (Frith/Hayward/Laswell) - 5:15


Massacre - Meltdown (2001)

Por Lindhorst

Este é o terceiro e mais recente álbum do Massacre, um projeto de Fred Frith e Bill Laswell que se reúne esporadicamente para criar o que de melhor o rock avant-garde pode oferecer. Seu disco de estréia, "Killing Time" (1981), é hoje com justiça encarado como uma das obras-primas definitivas do rock de vanguarda, unindo as sonoridades dissonantes do R.I.O britânico, através da guitarra espasmódica de Frith, aos ritmos complexos e fragmentários da No Wave de New York, por intermédio de Laswell e Fred Maher. Para o segundo álbum, "Funny Valentine" (1998), Frith e Laswell convocaram o fantástico baterista inglês Charles Hayward, que continua a cargo das baquetas no novo álbum.

"Meltdown" foi gravado integralmente ao vivo, num concerto realizado no festival de mesmo nome, organizado em Londres em junho de 2001 pelo mítico Robert Wyatt. Produzido por Oz Fritz, o disco apresenta as qualidades que sempre caracterizaram o Massacre, ou seja, a improvisação sônica sem limites, a anarquia criativa dos ruídos e found sounds, as esmerilhações caóticas e o virtuosismo instrumental destes músicos que sintetizam as melhores tradições do rock de vanguarda. "Meltdown" é composto por 6 faixas, onde se destaca a psicose frenética e veloz da guitarra de Frith pervertendo temas como 'For Good And Scatter" e "Over"; o baixo pesado e anguloso de Laswell em músicas como "Hover" ou "Figure Out" ; e a quebradeira free da bateria de Hayward emoldurando a monumental suíte "Up For It/Song From Che/Closing Circles and Loose End", 20 minutos de estraçalhantes pirações instrumentais e efeitos sonoros claustrofóbicos. Com destaque especial para a supracitada "Figure Out", outra detonação experimental de mais de 20 minutos, e onde Frith, Laswell e Hayward estão simplesmente arrasadores, o disco evolui numa trilha de constante aventura e risco, oscilando provocativamente entre a agressividade insana das intrincadas improvisações do trio de músicos e as lisérgicas tapeçarias sonoras presentes na última fase de Laswell (recordemos aqui seus discos com Brian Eno, Divination ou as passagens ambient de seu trabalho com John Zorn no PainKiller).

Em suma: este disco, pelo extraordinário talento dos artistas envolvidos, é indiscutivelmente uma obra indispensável para os amantes do verdadeiro rock de avant-garde das últimas décadas, conjurando elementos de célebres formações como Henry Cow, Art Bears, Muffins, This Heat, PainKiller, Golden Palominos, Material e Skeleton Crew.

Resenha de Alfredo RR de Sousa