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Marty
Friedman, guitarras. Brian Becvar, piano, teclados.
Nick Menza, bateria. Sachi McHenry, cello.
Charlie Bisharat, violino. Don Menza, shakuhashi.
Alex Wilkinson, orquestrações adicionais.
Faixas:
1. Arrival - 4:52
2. Bittersweet - 5:28
3. Be - 4:52
4. Escapism - 9:14
5. Luna - 5:15
6. Mama - 3:55
7. Loneliness - 4:09
8. Siberia - 4:42
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Marty
Friedman
- The Introduction (1994)
Por guitarzeus
Foi
uma maravilhosa surpresa quando eu descobri este
disco, pedi emprestado para um amigo e gostei
tanto que acabei comprando. Eu não sei se este
poderia ser classificado como new age, progressivo
sinfônico, neo-clássico, o que seja, tem um
pouco de cada, certamente vai agradar fãs de
todas essas vertentes ou simplesmente quem aprecia
boas composições e música de qualidade. Um
disco cheio de sentimento, bons arranjos e
momentos de belas orquestrações, na minha opinião,
The Introduction é um dos melhores discos lançados
na década de 90 ou pelo menos nos últimos anos.
Marty Friedman é um desses músicos cujo
criatividade, talento e invejável técnica são
tantos desvios padrões acima da média que
poderia ser chamado de gênio - principalmente
depois deste disco e do anterior Scenes (1992,
produzido por Kitaro) que segue a mesma linha mas
não é tão bom. Ele tocou em uma banda
desconhecida chamada Hawaii até que surgiu a
oportunidade de literalmente extrapolar seu lado
virtuose ao integrar o Cacophony ao lado de feras
como seu "pupilo" Jason Backer e o
baterista Atma Anur. Jason Becker é um caso à
parte, mereceria um capítulo especial que farei
em outra resenha. O fato é que o Cacophony, mesmo
sem ter alcançado qualquer sucesso com seus dois
discos lançados - Speed Metal Symphony e Go Off!,
chamou tanta atenção por parte de grandes nomes
dentro do rock por causa do talento de seus músicos
que a banda se dissolveu em 1988 quando Jason foi
convidado para substituir ninguém menos que Steve
Vai na Dave Lee Roth Band e Marty foi chamado para
o Megadeth. Em 1990 Jason descobriu que sofria de
uma doença séria e raríssima conhecida como ALS
(Amyotrophic Lateral Sclerosis ou Lou Gehrig's
disease), perdendo quase totalmente os movimentos,
o destino foi irônico e cruel com um dos mais rápidos
guitarristas do planeta que hoje em dia tornou-se
um "Stephen Hawking" da música. O
baterista Atma Anur anda meio perdido fazendo um
pop descartável mas ganhando dinheiro. Marty
Friedman deixou o Megadeth sendo substituido por
Al Pitrelli (ex Asia e Savatage). Ainda bem, pois
ele não precisava ter disposto de seu talento
ficando na penumbra de músico contratado em uma
banda chata, burocrática e previsível. Não é
de estranhar que seus discos solo sejam
completamente diferentes do Megadeth, onde ele
pode explorar novas dimensões sonoras, extravazar
sua criatividade e mostrar uma face diferente da
que a grande maioria conhece, mas não espere
centenas de notas por segundo ou rítmos complexos
e intrincados neste, é um disco para ser
apreciado, não é daqueles "feitos somente
para músicos ouvirem". Se você é fã de
Megadeth, passe bem longe!! Bom, chega de história.
Apesar do nome, Introduction é o terceiro disco
solo de Marty Friedman. Farei um comentário faixa
a faixa do mesmo:
Arrival abre o disco com uma pomposa melodia,
quase um hino, guitarras acústicas e elétricas,
um saboroso e entusiástico solo minuciosamente
criado para enriquecer a harmonia e trabalhar a
favor da música. Sim, coisa rara, o virtuosimo a
favor do sentimento e da música!
Bittersweet começa com o maravilhoso som do
shakuhashi seguido por um triste violino, é a
faixa mais melancólica e introspectiva do disco,
como um requiem, uma música inteligente, que
convida a outras dimensões e faz refletir. O
clima da música torna-se denso e de cadência
arrastada, alternando com este momentos de rara
tranquilidade e beleza. Se você não tiver
vontade de chorar ouvindo essa música, então
nunca sofreu ou teve dor durante a vida.
Be talvez
seja a canção mais alegre do disco, contrastando
com a anterior, parece dizer "be happy".
Um começo ameno, a guitarra acústica cheia de
pre-bends semitonais, em um crescendo no qual o
clima vai assemelhar-se a Arrival.
A próxima faixa, Escapism, é sóbria e soturna,
inicia com pianos e teclados em uma melodia exótica,
influências de música oriental que Marty
Friedman usa com bom gosto em várias músicas
deste disco.
Luna é a música mais calma do disco,
definitivamente new age, logo após uma empolgante
sequência de arpejos de piano, uma voz feminina
ao fundo faz uma suave narrativa que eu presumo
seja em japonês.
Com ares de dramaticidade, Mama traz um tema com
sonoridade tipicamente européia, como uma valsa
italiana.
O baterista Menza fica ausente em Loneliness, que
como o título sugere, é uma faixa soturna,
sombria. Marty faz bom uso de escalas japonesas,
bends exóticos e vibratos acompanhado pelo
teclado.
Depois de Bittersweet, Tibet é minha música
favorita. Em determinados parece assumir uma lenta
marcha, como uma pequena caravana carregada de
provisões em uma lenta e longa jornada em um
território gelado... Um tema viajante que vai
transportar você as altitudes do Himalaia, é
impossível não deixar-se levar pela imaginação
nesta música... Dramática e triunfal ao mesmo
tempo.
Considerações finais: Atingiu a perfeição,
nota 10, recomendado para qualquer ser humano que
aprecia boa música!
Marcus
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