Steve Winwood, orgão, piano. Michael Blakesley, trombone. Michael Giles, percussão, bateria, vocal. Peter Giles, baixo. Ian McDonald, orgão, clarinete, flauta, guitarra, piano, teclados, saxofone, vocal. Peter Sinfield, letras. Mike Gray, condutor, arranjos.


Faixas:
1. Suite in C - 11:25 
2. Flight of the Iris - 3:23 
3. Is She Waiting? - 2:43 
4. Tomorrow's People-The Children of Today - 7:03 
5. Birdman - 21:41 


McDonald & Giles - McDonald & Giles (1970)

Por zambinha

Ian McDonald e Michael Giles compuseram e lançaram em 1970, um único e interessante disco solo com canções escritas entre 1968 a 1970, período no qual ainda participavam da primeira formação do King Crimson.Com arranjos e produção da dupla, o disco foi gravado entre os meses d maio e julho de 1970, e contou com a participação de Winwood, (uma espécie de "arroz de festa da época" pois estava em todas, independente de sua carreira no Traffic, Peter Sinfield na letra da suíte Birdman e Peter Giles, irmão de Michael no baixo. Ian McDonald, praticamente, responde por grande parte da instrumentação tocando guitarra, teclados, sopros, metais, vocais e a maioria das composições. Ele tem a sonoridade da época e sinceramente algumas passagens me lembram muito o Aton Heart Mother do Pink Floyd, igualmente datado, e possivelmente produzido com o mesmo clima. Há nítidas incursões jazzísticas nos trechos instrumentais com solos de flauta, sax e trombone. Percebe-se a influencia inevitável dos Beatles, e até do que o King Crimson fez no seu segundo disco, In the Wake of Poseidon em Cat food, por exemplo. A impressão que dá é que seja uma colagem musical, pois os fragmentos da suíte em sol e Birdman, não são interligados. (Possivelmente tinham muitos trechos compostos que não foram utilizados por Fripp e que acabaram "virando músicas") A pior música do CD, sem dúvida, é Is she Waiting pela parca inspiração melódica, rítmica, harmônica e até de letra, porém sem comprometer o trabalho como um todo, assim como a própria capa do CD que não empolga o consumidor até porque ele fica numa dúvida cruel de quem é o McDonald e quem é o Giles! Seus protagonistas são inegavelmente bons instrumentistas e gravaram um CD que chegou até surpreender a critica na época, no entanto acabaram tendo que dar mais explicações do porque deixaram o King Crimson do que como fizeram este disco solo. Ele somente foi lançado em CD em edição japonesa e permaneceu um tempo inédito nos E.U.A, até ser lançado pelo selo Cotillion, tanto que não o conheci na época mas sim somente quando as importações de vinis europeus chegaram ao Brasil. Insisti nele porque acreditei que valia a pena e comprei sua reedição em CD. Não vejo nenhum problema em vc fazer o mesmo.

 

 


Por rothery

 

 

Esta grande raridade, amigos, trata-se do verdadeiro elo perdido entre o fantástico disco de estréia do King Crimson e o que eles fariam depois, sem seu principal compositor. Em 5 músicas, Ian McDonald e Michael Giles mostram uma roupagem diferente de sua banda de origem, mas o espírito do Rei Escarlate pode ser encontrado em vários pontos do disco. O estilo (e a genialidade das composições é) o mesmo, só a abordagem instrumental é diferente : não há mellotron , nem a guitarra de Fripp, nem o vocal de Lake. Mas há música de primeira qualidade.

O disco abre com Suite in C, que começa com Ian sozinho na voz e guitarra, numa sonoridade curiosamente muito parecida com o que o Crimson iria fazer em Islands, mais especificamente na introdução de Ladies on the Road. Outros instrumentos entram junto com um coral. Depois, uma passagem mais acelerada, bem jazzística, com Ian mostrando sua perícia na flauta (e tocando ainda um discreto piano ao fundo), e Michael em uma levada de bateria cheia de quebradas. Peter entra na brincadeira solando seu baixo. Volta a letra, e uma passagem mais lenta, muito bonita, com direito a orquestra (na primeira audição a gente pensa que é o Mellotron que Ian tanto tocou no primeiro disco do Crimson). O encerramento ocorre com melodia levada no violão, e com o convidado Steve Winwood solando no piano.

Flight of the Ibis, de pouco mais de 3 minutos, é uma deliciosa canção lenta e melódica, no melhor estilo de I Talk to the Wind e Cadence and Cascade. Aliás, trata-se da melodia inicial de Cadence and Cascade, que Ian compôs antes de sair do King Crimson (bastante semelhante à que Fripp fez depois, e que acabou sendo a versão definitiva). Aqui, ela aparece com outra letra.

Depois, outra linda canção na veia melódica do King Crimson : Is She Waiting, levada basicamente na voz e violão de Ian. Uma das mais belas canções que ele já fez.

Encerrando o lado 1 do vinil, a única composição de Michael Giles : Tomorrow's People, que retoma o clima experimental. Bastante calcada nos sopros (flauta e sax de Ian, e mais um convidado no trombone) e logicamente na bateria e percussão, esta música trás mais uma curiosidade : Michael no vocal principal. Vale destacar ainda a bela passagem melódica no meio da música, com outra bela intervenção da flauta de Ian.

Encerrando a obra, a suíte Birdman, que ocupa todo o lado 2 do vinil original. O início não me agrada muito : uma coral abre a suíte, para depois entrar uma melodia meio chata, onde são cantados os primeiros versos. Depois, a coisa começa a melhorar, com um bom solo de sax, bem puxado para o jazz, que emenda com uma passagem lenta muito bonita, onde irrompe um órgão. Esta parte, inclusive, é bem semelhante à melodia de Burning Bridges, música que o Pink Floyd lançaria dois anos mais tarde na trilha sonora Obscured by Clouds.

Um falso final, e começa a se ouvir ao fundo um som de prato. Entram discretamente piano, flauta e órgão mais ao fundo. A melodia vai crescendo, outros instrumentos vão entrando, na preparação o grand finale, a parte mais linda de todo o disco.

Mais um falso final, e entra então a última estrofe, cantada em duas vozes, numa melodia fantástica, que invade as caixas de som de vez após a entrada do piano, num clima calmo, típico de encerramento mesmo. A parte final vai seguindo e crescendo, os instrumentos entrando, outro belo coral, e até a orquestra volta. Aí já era : a melodia já te pegou. É se recostar e curtir o puro delírio que são os minutos finais.