
Alemanha, 1973.
Músicos:
Michael Rother - guitarra, baixo, piano,
deh-guitar, violino, cítara, percurssão, efeitos
eletrônicos, gravador de cassetes
Klaus Dinger - japanese banjo, guitarra,
bateria, Farfisa piano, sintonizador, efeitos
eletrônicos, vocal
1 Für Immer (Forever)
(10:46)
2 Spitzenquilität (4:09)
3 Gedenkminute (Für A + K) (1:33)
4 Lila Engel (Lilac Angel) (4:36)
5 Neusachenee 78 (2:35)
6 Super 16 (3:39)
7 Neuschnee (4:04)
8 Cassetto (1:49)
9 Super 78 (1:33)
10 Hallo Excentrico! (3:41)
11 Super (3:08)
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Neu!
Neu! 2
Dados da resenha:
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Após a boa repercussão do
ótimo e original disco de estréia, o duo alemão
Neu! (que quer dizer “novo!”), nascido em
Düsseldorf e composto pelos ex-Kraftwerk Michael
Rother e Klaus Dinger (Rother também chegou a
trabalhar paralelamente com o Harmonia, junto a
Moebius e Roedelius), voltaria com mais um
trabalho na mesma linha experimental de seu
debut e
que, se na opinião de muitos é inferior ao
primeiro trabalho, particularmente o considero
tão bom quanto (ou até melhor).
Uma das bandas primordiais do movimento
“Krautrock” (ou “Rock Couve- Flor”, originário
do final dos anos 60 na Alemanha, que buscava
fusões com o atonalismo, minimalismo, serialismo,
dodecafonismo, jazz e “supernovas” sínteses de
som que escapassem dos padrões comuns, e que
tinha como outros dos principais expoentes nesta
linha o Can, Faust, Tangerine Dream, Kraftwerk,
Ash Ra Tempel etc.), o Neu! faz aqui neste álbum
um som que a princípio (ou definitivamente) não
é muito “digerível”: minimalista, abstrato e
lisérgico ao extremo, de sonoridade densa,
“maquinal”, texturas ásperas e secas
(características típicas das bandas alemãs), mas
bastante atraente e de grande personalidade
(para sua época e ainda hoje), podendo ser assim
considerado um trabalho de vanguarda e
atemporal. A banda lançou, ao todo, 3 álbuns de
estúdio bastante representativos para este
movimento nos anos 70, e que influenciariam
posteriormente artistas também fora do contexto
progressivo, como por exemplo David Bowie, Joy
Division, Sonic Youth, Stereolab e Chemical
Brothers.
“Neu! 2” é recheado de ruídos e efeitos
eletrônicos - sons espaciais e futuristas de
sintetizadores - além do uso abusivo de efeitos
e recursos mecânicos tais como variações de
velocidade, sons invertidos, fitas cassete, uso
de chiados dos discos de vinil, assim como o
barulho de agulhas “riscando” o disco e pequenas
pausas de silêncio inseridas no meio de algumas
músicas. A bateria é de estrutura simples e
seca, e junto com as distorcidas guitarras já
pareciam executar algo que nos soava claramente
como uma espécie de “proto-punk” para a época
(como se pode perceber em primeira instância nas
faixas “Super” e “Lila Engel (Lilac Angel)”), e
que de certa maneira influenciaria o nome mais
popular do movimento de 77, o Sex Pistols.
A primeira música, na minha opinião já vale todo
o disco: a longa “Für Immer (Forever)”, além de
ter muito desses efeitos citados acima, possui
determinados climas, vindos de uma poderosa
“usina” de som que pode nos levar em certos
momentos a um vibrante estado de “êxtase”, dada
a uma vital “energia solar”, por assim dizer,
que brota de sua vigorosa estrutura sonora.
Percebe-se (ou pelo menos este que vos escreve
percebe) que a banda brasileira Violeta de
Outono, além das influências do francês Gong,
bastante bebeu também nas fontes psicodélicas e
progressivas do Neu!.
Diferente do primeiro álbum (e também do
terceiro, o mais harmonioso “Neu! ‘75”), o
conjunto deste trabalho se vale, quase que em
sua totalidade, de experimentos com variações e
oscilações de r.p.m. (rotações por minuto):
“Neusachenee 78”, por exemplo, nada mais é do
que a música “Neuschnee” tocada em 78 r.p.m.,
assim como “Hallo Excentrico!” é a mesma música,
só que em rotação mais baixa e com frequentes
oscilações das r.p.m.; “Super” também tem suas
versões “Super 16” (em 16 r.p.m.) e “Super 78”
(em 78 r.p.m.).
“Spitzenquilität” é uma faixa onde a rígida
marcação da bateria está repleta de efeitos de
reverberação e “flangers”, junto com alguns
efeitos de guitarra (como microfonias) e alguns
outros ruídos eletrônicos que mais lembram
veículos ao longe percorrendo uma “Autobahn”; em
“Casseto”, jogaram-se vários efeitos de todos os
tipos em cima da música, o que a torna bastante
ruidosa e desagradável para ouvidos menos
acostumados à essas “loucuras” experimentais.
Para quem aprecia a mítica e cultuada sonoridade
sintética e futurística do rock alemão (que
parece levar-nos numa viagem à outras esferas
dimensionais) com suas excêntricas e hipnóticas
experimentações “laboratoriais” feitas nos
lisérgicos anos 70, este trabalho (assim como os
outros dois) se mostra uma grande pedida, pois é
um clássico do gênero. Mas aprecie com
moderação...
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