Alemanha, 1973.


Músicos:
Michael Rother - guitarra, baixo, piano, deh-guitar, violino, cítara, percurssão, efeitos eletrônicos, gravador de cassetes
Klaus Dinger - japanese banjo, guitarra, bateria, Farfisa piano, sintonizador, efeitos eletrônicos, vocal


1 Für Immer (Forever) (10:46)
2 Spitzenquilität (4:09)
3 Gedenkminute (Für A + K) (1:33)
4 Lila Engel (Lilac Angel) (4:36)
5 Neusachenee 78 (2:35)
6 Super 16 (3:39)
7 Neuschnee (4:04)
8 Cassetto (1:49)
9 Super 78 (1:33)
10 Hallo Excentrico! (3:41)
11 Super (3:08)


Neu!    

Neu! 2

 
Dados da resenha:
Autor: Gustavo (vital-signs); recebida em: 02/11/2004.
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Após a boa repercussão do ótimo e original disco de estréia, o duo alemão Neu! (que quer dizer “novo!”), nascido em Düsseldorf e composto pelos ex-Kraftwerk Michael Rother e Klaus Dinger (Rother também chegou a trabalhar paralelamente com o Harmonia, junto a Moebius e Roedelius), voltaria com mais um trabalho na mesma linha experimental de seu debut e que, se na opinião de muitos é inferior ao primeiro trabalho, particularmente o considero tão bom quanto (ou até melhor).

Uma das bandas primordiais do movimento “Krautrock” (ou “Rock Couve- Flor”, originário do final dos anos 60 na Alemanha, que buscava fusões com o atonalismo, minimalismo, serialismo, dodecafonismo, jazz e “supernovas” sínteses de som que escapassem dos padrões comuns, e que tinha como outros dos principais expoentes nesta linha o Can, Faust, Tangerine Dream, Kraftwerk, Ash Ra Tempel etc.), o Neu! faz aqui neste álbum um som que a princípio (ou definitivamente) não é muito “digerível”: minimalista, abstrato e lisérgico ao extremo, de sonoridade densa, “maquinal”, texturas ásperas e secas (características típicas das bandas alemãs), mas bastante atraente e de grande personalidade (para sua época e ainda hoje), podendo ser assim considerado um trabalho de vanguarda e atemporal. A banda lançou, ao todo, 3 álbuns de estúdio bastante representativos para este movimento nos anos 70, e que influenciariam posteriormente artistas também fora do contexto progressivo, como por exemplo David Bowie, Joy Division, Sonic Youth, Stereolab e Chemical Brothers.

“Neu! 2” é recheado de ruídos e efeitos eletrônicos - sons espaciais e futuristas de sintetizadores - além do uso abusivo de efeitos e recursos mecânicos tais como variações de velocidade, sons invertidos, fitas cassete, uso de chiados dos discos de vinil, assim como o barulho de agulhas “riscando” o disco e pequenas pausas de silêncio inseridas no meio de algumas músicas. A bateria é de estrutura simples e seca, e junto com as distorcidas guitarras já pareciam executar algo que nos soava claramente como uma espécie de “proto-punk” para a época (como se pode perceber em primeira instância nas faixas “Super” e “Lila Engel (Lilac Angel)”), e que de certa maneira influenciaria o nome mais popular do movimento de 77, o Sex Pistols.

A primeira música, na minha opinião já vale todo o disco: a longa “Für Immer (Forever)”, além de ter muito desses efeitos citados acima, possui determinados climas, vindos de uma poderosa “usina” de som que pode nos levar em certos momentos a um vibrante estado de “êxtase”, dada a uma vital “energia solar”, por assim dizer, que brota de sua vigorosa estrutura sonora. Percebe-se (ou pelo menos este que vos escreve percebe) que a banda brasileira Violeta de Outono, além das influências do francês Gong, bastante bebeu também nas fontes psicodélicas e progressivas do Neu!.

Diferente do primeiro álbum (e também do terceiro, o mais harmonioso “Neu! ‘75”), o conjunto deste trabalho se vale, quase que em sua totalidade, de experimentos com variações e oscilações de r.p.m. (rotações por minuto): “Neusachenee 78”, por exemplo, nada mais é do que a música “Neuschnee” tocada em 78 r.p.m., assim como “Hallo Excentrico!” é a mesma música, só que em rotação mais baixa e com frequentes oscilações das r.p.m.; “Super” também tem suas versões “Super 16” (em 16 r.p.m.) e “Super 78” (em 78 r.p.m.).

“Spitzenquilität” é uma faixa onde a rígida marcação da bateria está repleta de efeitos de reverberação e “flangers”, junto com alguns efeitos de guitarra (como microfonias) e alguns outros ruídos eletrônicos que mais lembram veículos ao longe percorrendo uma “Autobahn”; em “Casseto”, jogaram-se vários efeitos de todos os tipos em cima da música, o que a torna bastante ruidosa e desagradável para ouvidos menos acostumados à essas “loucuras” experimentais.

Para quem aprecia a mítica e cultuada sonoridade sintética e futurística do rock alemão (que parece levar-nos numa viagem à outras esferas dimensionais) com suas excêntricas e hipnóticas experimentações “laboratoriais” feitas nos lisérgicos anos 70, este trabalho (assim como os outros dois) se mostra uma grande pedida, pois é um clássico do gênero. Mas aprecie com moderação...