Ornette Coleman- Saxofone. Don Cherry- trumpete. Charlie Haden- baixo. Ed Blackwell- bateria. Billy Higgins- Bateria. Scott LaFaro- baixo. Freddie Hubbard - trumpete. Eric Dolphy - Clarinete, flauta e Sax alto.


Faixas:
1. Free Jazz (parte I)
2. Free Jazz (parte II)


Ornette Coleman  - Free Jazz (1960)

Por bobblopes

Em novembro de 1959, num restaurante perto da parte central de Nova York chamado Greenwich Village, onde diversos artistas de Jazz (consagrados ou não) faziam longas temporadas de shows, um artista mais ou menos desconhecido chamado Ornette Colleman e seu quarteto foram convidados a se apresentar no local. Ornette era um artista do estilo "muito comentado porém muito pouco ouvido" e agora aparecia a oportunidade dos músicos e o público de jazz conhecerem e principalmente ouvirem a proposta musical do artista.
O impacto desses shows até hoje é lembrado pelo público que teve a sorte de participar desses concertos. Ornette armado de apenas de um quarteto com baixo, bateria, trumpete e saxofone, sem pianos ou outros instrumentos comuns no jazz, simplesmente desconstruiu todas as formas de se fazer o estilo (seja o mais convencional ou o be-bop vigentes na época), apelando para um som onde a improvisação, o virtuosismo, as quebras de tempo e a mistura de solos não faziam parte e sim eram a base do som que estava sendo feito ali, e criava-se um novo conceito de se fazer jazz,chamado de Free Jazz, completamente diferente do que existia até o momento.
Momentos de aplausos e vaias ao mesmo tempo, de músicos simplesmente subirem no palco para ouvirem quase que dentro dos instrumentos e até casos de agressão física da platéia contra Colleman fizeram parte dos conturbadíssimos shows do musico e seu quarteto. Porém esse estilo totalmente inovador de se tocar jazz deixou sua marca, marca que duraria décadas, não só para o jazz, como para o rock, mais especificamente o progressivo .
Em meados de 1960, Ornette resolveu explorar essa tendência ao extremo. O músico já havia feito trabalhos bastante interessantes entre 1958-9, mas queria deixar sua marca, ou uma espécie de registro definitivo do que prentendia mostrar com essa tão recente criatura chamada Free Jazz. Em dezembro de 1960, o músico lançava o que para muitos seria, se não seu melhor trabalho, talvez o mais influente de sua carreira.
Esse disco mostra, em duas partes, uma longa (38 minutos) caótica e impressionante improvisação de Ornette, muito bem acompanhado pelo quarteto duplo (duas baterias, baixos, trumpetes e um clarinete). Aqui tirando a bateria, que (as vezes) acompanha de forma bastante eficiente as improvisações dos músicos, percebe-se que realmente a banda está free, no melhor sentido da palavra, sem seguir nenhum ritmo propriamente definido, onde longos e virtuosos solos se unem a uma estranha e muitas vezes caótica harmonia. Ornette realmente se destaca toda vez que toca seu sax, nos brindando com melodias e sons que impressionam os ouvidos. Porém, seu grupo não fica atrás, as vezes acompanhando, outras vezes participando dessa sonoridade tão impactante que o disco apresenta. Destaque principalmente para o excelente baixista Charlie Haden e para o virtuoso baterista Billy Higgins.
Ao ser lançado, o disco causou um estardalhaço tão grande como os shows do grupo em 59. Enquanto músicos como Miles Davis rejeitavam esse estilo, chamando-o de vazio e pretensioso, músicos como John Coltrane não só se influenciariam como adaptariam esse estilo ao seu som, como se percebe no excelente Love Supreme de 1964.
Para o prog, mais especialmente os movimentos de vanguarda (Canterbury, Rio e Krautrock principalmente) esse disco e a própria sonoridade e atitude anti-convencional do free jazz teriam uma influência importantíssima para os grupos que formariam a vertente "anti-convencional" do prog. Músicos como Fred Frith, Frank Zappa e Robert Wyatt afirmariam mais tarde que esse disco lhe serviu de grande influência para a formação de suas bandas(Henry Cow , Mothers of Invention e Soft Machine Respectivamente) e do som e atitudes que seguiriam em suas carreiras.
O Próprio colleman, exploraria seu estilo ao extremo durante os anos 60 e 70, posteriormente fazendo trabalhos mais ligados ao estilo Fusion nos anos 80, sem deixar contudo, de usar seu saxofone para brindar-nos com um som altamente complexo e diversificado. Ainda vivo, atualmente prefere fazer pequenas participações em discos de colegas (como com os guitarristas Pat Methney e John Mclaghlin).
Um disco maravilhoso e sem duvida um dos álbuns de jazz que mais influenciou o rock progressivo