
Inglaterra, 1985.
Músicos:
Peter Gabriel – sintetizadores, piano
elétrico, flauta, percussão, vocais
Jon Hassell – trumpete
The Drummers of Ekome (Ekome Dance Company)
– percussão
Larry Fast – sintetizadores, teclados
Tony Levin – baixo, stick
Jerry Marotta – baterias, percussão
David Rhodes – guitarras elétricas
Manny Elias - percussões
Morris Pert – percussões
John Giblin – baixo
Músicas:
1. At night – 2:39
2. Floating dogs – 2:56
3. Quiet and alone – 2:29
4. Close up (from Family snapshot) – 0:55
5. Slow water – 2:50
6. Dressing the wound – 4:05
7. Birdy´s flight (from Not one of us) – 2:57
8. Slow marimbas – 3:21
9. The heat (from The rhythm and the heat) – 4:42
10. Sketch pad with trumpet and voice – 3:04
11. Under lock and key (from Wallflower) – 2:22
12. Powerhouse at the foot of the mountain (from
San Jacinto) – 2:17
|
Peter Gabriel
Birdy
Dados da resenha:
Comente e veja outras opiniões
aqui.
Depois que Peter Gabriel
finalizou uma gigantesca turnê que durou algo em
torno de um ano e meio de duração chegando até o
final do ano de 1.983 e neste mesmo ano com um
resultado de uma gravação ao vivo gerando um
álbum duplo chamado “Plays live”, o primeiro ao
vivo do músico, Gabriel permaneceu um pequeno
período descansando, pois a pesada e estressada
turnê somada ainda com o divórcio do músico com
Jill Gabriel, provavelmente o deixaram um tanto
desorientado sobre o seu futuro profissional;
lembrando que: a Jill Gabriel era companheira de
Gabriel desde os tempos do Chaterhouse e num
período pouco antes de fundar o “Genesis” sua
banda de rock progressivo criada em 1.968. Eles
se casaram ao longo do tempo e durante este
período tiveram 2 filhas Anna e Melaine e a
separação foi motivada devido à vida de artista
musical que viajava constantemente em várias
partes do mundo.
Eis que em 1.984 foi lançado um filme chamado
“Hard to hold” sob o título brasileiro chamado
“Paixões violentas” que contracenam atores muito
conhecidos como Jeff Bridges, Rachel Ward e
James Woods, onde um dos temas principais da
trilha sonora está a música “Against in the odds”
elaborada curiosamente por Phil Collins, outro
integrante do “Genesis”, mesma banda de Gabriel
que o substituiu logo após a turnê do álbum
duplo “The lamb lies down on Broadway” (1.975) e
estando Collins já presente no álbum posterior
em “A trick of the tail” (1.976). Ao mesmo tempo
a trilha sonora deste filme também estão
presente o “Big Country”, “Michael Colombier” e
o guitarrista de jazz moderno Larry Carlton que
é o protagonista de pelo menos a metade deste
trabalho. Mas para a surpresa dos fãs de Gabriel
foi inclusa uma música chamada “Walk through the
fire” que foi lançada em 2 compactos, uma delas
incluindo uma música de Carlton e o outro
incluindo um outro fundador do “Genesis”, o
guitarrista e baixista, Mike Rutherford,
entitulada como “Making a big mistake” Embora o
hit “Against in the odds” tenha surtido um
efeito muito grande tanto em termos de sucesso e
vendas e ainda que exclusivamente para a trilha
sonora do filme, a canção de Gabriel mesmo sendo
vendida com um número pequeno foi o suficiente
para que ele sentimental pudesse recuperar sua
auto-estima que não estava muito boa durante
aquele período depois da turnê de “Plays live”.
E foi justamente o que aconteceu. Durante o ano
de 1.984 o diretor de filmes Alan Parker elabora
uma estória chamada “Birdy” (titulo nacional
“Asas da liberdade”) em que contracenam 2 atores
protagonistas conhecidos chamados Nicholas Cage
(narrado por Al. Detalhe: o verdadeiro nome
deste artista é Nicholas Kim Coppola, sobrinho
do famoso diretor Francis Ford Coppola) e
Matthew Modine (narrado por Birdy, o que é
obviamente o enredo do filme inteiro). Trata-se
de um filme do gênero do tipo drama baseado num
romance de William Wharton em que Al ferido da
Guerra do Vietnã (ocorrida entre os anos de
1.963 – 1.975) re-encontra num manicômio de
exército o amigo Birdy de infância e juventude
que tinha uma adoração muito especial por
pássaros e um sonho de em algum dia voar. Lá
neste manicômio ele fica sem reação e estímulo
algum vivendo o seu próprio mundo agindo como se
fosse um pássaro e Al procura confortar o rapaz
de uma maneira para que ele volte a sua
realidade de como um ser humano e assim ele vai
relembrando o passado dos 2 de vários fatos que
marcaram em suas vidas até o momento do
confronto na guerra. A idéia do filme é
justamente esta linguagem poética que é uma
libido sobre a liberdade de que é ser o que o
indivíduo age, pensa e sonha (tudo isso que é
comandado mecanicamente pela mente humana), isto
é, no caso do filme, qual seria o direito das
pessoas tirarem a liberdade da forma como Birdy
agia ? Atenção: não confundir o “Birdy” pelo
filme “Bird” que é um outro filme dedicado a
história do jazzista saxofonista Charlie “Bird”
Parker (repare que este músico também tem o
mesmo sobrenome do diretor Alan Parker do filme
“Birdy”!!!!!!!) falecido em 1.955 e dirigido por
Clint Eastwood em 1.988.
Para tanto eis que Parker faz um convite a nada
menos que Peter Gabriel que foi o responsável da
confecção da trilha sonora deste álbum no qual
as gravações e demos foram feitas ao longo do
instante em que o filme ainda saia no ano de
1.984 e Gabriel moldou e gravou o álbum entre os
meses de outubro a dezembro daquele mesmo ano e
só saindo em abril de 1.985. Detalhe: um pouco
antes de iniciar as gravações de “Birdy”,
Gabriel veio visitar o Brasil pela primeira vez
para futuramente fazer apresentações no pais,
aproveitando inclusive para aumentar seu
conhecimento no que diz a respeito da música de
terceiro mundo já que o músico estava puramente
envolvido com esta categoria musical desde que
ingressou algumas origens em “Peter Gabriel 3”
(1.980). A edição em vinil saiu tanto
mundialmente como no Brasil apenas na época
pelas gravadoras Geffen e Charisma Records sem o
aparecimento de nenhum compacto. Já em disquinho
saiu lá fora em 1.990 e no Brasil em 1.995,
assim como posteriormente sairia mundialmente
remasterizado em 2.002 (incluindo o Brasil).
Sobre o disquinho os ouvintes consideram que
ficou muito boa a remasterização mais recente,
embora a única desvantagem é de não ter
especificado um pouco mais detalhado os músicos
participantes em faixa por faixa.
O único que manteve um tanto mais de fôlego em
termos de gravações em 1.985 era o Phil Collins
gravando o seu álbum solo entitulado como “No
jacket required” (onde Gabriel também foi
convidado a fazer alguns vocais de apoio) e o
discretíssimo guitarrista e instrumentista
Anthony Phillips ora às vezes esquecidos em
“Private parts and pieces V: Twelve”. Em se
tratando de trilhas sonoras o primeiro genesiano
a explorar algo no gênero foi Phil Collins
quando foi contracenado o filme “Operation
daybreak” dirigido por Lewis Gilbert em 1.975;
em contrapartida “Birdy” é a primeira trilha
sonora composta integralmente por um dos
integrantes do “Genesis” que neste caso é Peter
Gabriel.
“Birdy” é o primeiro disco de Gabriel
completamente instrumental a exceção de alguns
momentos que ele canta apenas para acompanhar a
sonoridade dependendo da música, o que significa
que o ouvinte não irá encontrar letras dentro do
disco. A contracapa já inclusive adverte que não
vem o encarte das letras assim como é um
material de Gabriel já reaproveitado. O que isto
quer dizer ? Significa que neste das 12 faixas
do álbum, 5 delas são partes e versões retiradas
de algumas canções originais que são dos álbuns
“Peter Gabriel 3” e “Peter Gabriel 4” (1.982) –
ou também conhecido como “Security” – e visto
que inclusive algumas das faixas já haviam
originalmente sido inclusas letras onde Gabriel
as canta naturalmente. As outras restantes
(quase que meio a meio) foram também
parcialmente um material que o músico já tinha
consigo há alguns anos no momento desde que
lançou “PG3”. As 12 faixas entre si estão
timidamente e discretamente em sua maioria a um
valor na casa dos 2 minutos de duração.
Os músicos participantes são praticamente os
mesmos que colaboraram nos 2 álbuns já comentado
anteriormente, a salvo de outros que não
participam (na verdade todas as faixas originais
destes discos sempre sofrem variações alternadas
de músicos que participam, ou seja, Gabriel não
manteve uma mesma formação (a primeira vez que o
músico pôde engajar uma mesma equipe de músicos
foi no álbum ao vivo “Plays live”). Apesar de
que Gabriel apenas retrabalhou em versões de
suas próprias músicas já gravadas nos outros
discos, sendo assim, existe a participação dos
seguintes músicos: Larry Fast nos teclados e
sintetizadores e que foi o fundador do “Synergy”
(seu último disco de estúdio até que estivesse
com Gabriel seria entitulado como “The Jupiter
menace” (1.982) - hilariamente também é de uma
trilha sonora - antes que se apresentasse em “Birdy”)
e estreou ao mesmo tempo que Gabriel lançava seu
primeiro disco solo, o “Peter Gabriel 1”
(1.977), sendo que no “Birdy” seria a última vez
que este músico participaria na carreira de
Gabriel. Tony Levin estaria fazendo o baixo e
este sendo um dos únicos músicos que desde a
época que Gabriel estreou em carreira solo
continua até hoje em momento com o músico; um
dos últimos trabalhos que participaria antes que
retornasse com Gabriel na trilha sonora seria o
último da trilogia da banda que ele ingressou em
1.980 (e continua até hoje), o “King Crimson” em
“Three of a perfect pair” (1.984). David Rhodes
executaria as guitarras elétricas e foi
pertencente a uma banda de rock chamada “Random
Hold” antes que fizesse sua participação com
Peter Gabriel no “PG3” e mais tarde em “Hard to
hold” (1.984) de Rick Springfield antes da
elaboração de “Birdy”. Jerry Marotta nas
baterias e percussão que estreou em “Peter
Gabriel 2” (1.978), além de ter participado com
diversos artistas como “Hall & Oates”, Carly
Simon, John Armatrading, e entre outros e até
participando no mesmo disco de Rick Springfield
onde se encontra também Rhodes. “The Drummers of
Ekome” que na verdade são “Ekome Dance Company”
fazem as percussões e participaram do “PG4” de
Gabriel.
As faixas consideradas como as inéditas que
foram inclusas em “Birdy” contém a presença
Morris Pert reforça nas percussões de “Birdy”
sendo.que este músico teve a participação apenas
no “PG3” e esteve ainda ao lado de Elvis
Costello, Jon Anderson, Peter Hammill, Mike
Oldfield, Peter Green, Anthony Phillips e entre
outros e então retornando novamente junto com
Gabriel na trilha sonora e antes que viesse a
oferecer sua colaboração com Gabriel, ele gravou
o “It´s my life” (1.984) da banda “Talk Talk”.
Participam também e valendo uma ressalva o
trompetista americano Jon Hassell nascido em
1.937 estudou música na capital americana, em
Washington e posteriormente foi reforçar seus
estudos na Europa para aprender mais sobre
música tanto moderna como eletrônica (diga-se de
passagem que Hassell foi aluno do compositor
alemão classiscista e erudito contemporâneo
Karlheinz Stockhausen) e após um período de
adaptação neste gênero musical ele retorna a
América e aprendendo minimalismo musical com
Terry Riley. No final dos anos 60 ele já possuía
uma forma natural de fazer música criando seu
estilo próprio de peças solos individuais que
foram se agrupando em meio que algo de “Landmark
Music” (Música monumental) somado ao seu
interesse com a música hindu erudita, até que
sai o seu primeiro álbum em 1.977 chamado
“Vernal Equinox”; Hassell colaborou também com
os “Talking Heads”, Brian Eno e David Sylvian.
Manny Elias nas percussões e que foi um
integrante da banda “Interview”e participar dos
grupos “The Korgis”, “Tears For Fears” chegando
a gravar no álbum solo “Love songs” (1.984) de
Peter Hammill do “Van Der Graaf Generator”,
banda que fazia parte do mesmo selo do “Genesis”,
a Charisma Records (e o mesmo do álbum “Birdy”).
Encontra-se também John Giblin no baixo tendo
participado no “PG3” dividindo espaço junto com
Tony Levin na época em estúdio, além de
colaborar com Phil Collins, Jon Anderson, Chris
De Burgh, Jim Capaldi, “Brand X”, “The Everly
Brothers” antes que participasse de “Birdy”.
Apesar de ser um disco de estúdio, não tem uma
eficácia tanto parecida como os 4 primeiros
álbuns de Gabriel, ou seja, o impacto que teve
ao ser lançado este álbum foi propositalmente
para uma trilha sonora de um filme e Gabriel
precisou corresponder dentro das expectativas da
dramaturgia saindo de um palco de música para um
palco de filmagem. O público só aguardaria um
verdadeiro disco de estúdio com o lançamento de
“So” (1.986), 4 anos depois que fosse realizado
o “PG4”. “Birdy” se mantém numa situação
propícia como já ocorrido em “PG2”, ou seja, é
um álbum como que uma espécie de transição, uma
“ponte” que interligaria o “PG1” (o lado de um
rio) com o “PG3” (o outro lado do rio), e nesse
caso a interligação seria entre o “PG4” (muitos
elementos relacionados à música de terceiro
mundo) com o “So” (muitos elementos relacionados
com a música pop).
Gabriel é claro que utilizou a sua inteligência
em não realizar uma turnê para promocionar este
álbum. As vezes torna-se injusto desqualificar
Gabriel pelo que ele resultou aqui pois afinal:
o que poderia se esperar de um álbum como este
que atingiu a uma posição americana de vendas
acima do 150 e a das paradas inglesas acima do
50 ? E olhe que no caso da inglesa até que foi
bem correspondido pelo resultado que Gabriel
propiciou em “Birdy”; sendo assim o único álbum
que se tem notícias na vida musical do músico e
ainda em se tratando de carreira solo que lhe
causasse um resultado igual a este. Mas fica uma
pergunta: será que ele não gravou este álbum
resultando nesta experiência cinematográfica
musical a cargo para que ele pudesse ter fôlego,
folga e tempo suficiente para o lançamento de
“So” ? Conseqüentemente isso manteria o público
do músico um tanto entretidos apreciando o
“Birdy” até que viesse algo novo pela frente e
foi justamente o que aconteceu. A tendência
musical é claramente algo que está relacionado
ao mesmo tempo uma mescla daquilo que ele já
vinha atuando musicalmente como é o caso da
música de terceiro mundo, reunido com a
categoria musical do New Age podendo ora neste
resultado estar ao lado de gente como Brian Eno,
Mike Oldfield, Philip Glass ou Mark Isham.
Sobre o reaproveitamento de Gabriel em faixas
que ele já havia gravado nos álbuns “PG3” e
“PG4” não foi uma idéia ruim, tanto que ele
escolheu colocar partes que atinge o objetivo do
filme em categoria que está associado ao drama,
por outro lado, o que pode incomodar aos
ouvintes é de não ter cedido um tanto mais de
sua ousadia apostando em 100% de material
exclusivamente inédito. O tanto que ele
acrescentou musicalmente de faixas que não
haviam sido gravadas que eram pouco mais da
metade do disco talvez seje um dos fortes pontos
do trabalho, mas em contrapartida além das
outras já gravadas anteriormente podem ser um
aspecto negativo e visto que o disco como todo
não chega a 35 minutos totais do disco, apesar
de também estes detalhes serem ignorados pelos
fãs de Gabriel. “Birdy” pode também ser
usufruído como uma miudíssima coletânea e uma
alternativa também para aqueles ouvintes que são
apenas acostumados a curtir e colecionar trilhas
sonoras de filmes e neste caso, se torna uma
coletânea porque o ouvinte que não conhece nada
a respeito da carreira de Gabriel já pode ter
uma pequena noção do que o artista já fez com a
sua experiência musical anterior a este
trabalho. Quem já é fã e conhece Gabriel ao
assistir o filme pode acabar ter os ouvidos
prestando mais atenção nas composições que ele
já havia criado em seus álbuns de estúdio ao
invés das novas melodias, uma coisa muito
natural de qualquer ser humano. Também não
restam dúvidas de que este tenha sido um disco
como que para Gabriel a um tipo de experiência
musical diferente porque ainda na mesma década
ele viria a gravar mais um segundo álbum de
trilha sonora entitulado como “Passion” (1.989)
tendo o título nacional “A última tentação de
Cristo”. Ambas as trilhas sonoras chegaram a
passar nas televisões dos telespectadores
brasileiros.
Apesar da trilha sonora já comentado
anteriormente ser praticamente pertencente até
em créditos a Peter Gabriel, curiosamente no
filme existem rápidos momentos onde se percebe
músicas que são da época dos finais dos anos 50
e início dos anos 60; um exemplo está à
conhecidíssima canção “La Bamba” de 1.959 do
autor Ritchie Valens em que morreu num desastre
aéreo (o mesmo que matou também Buddy Holly!!!!)
antes de completar 18 anos de idade. Isso porque
devido à época que ocorre a trama ainda quando
os atores representam sua época juvenil antes de
se ingressarem no exército e irem para a guerra.
Novamente pela sexta vez existe um novo produtor
no álbum de Gabriel (parece que o músico gosta
de oferecer oportunidades até mesmo para
profissionais que atuam neste campo de execução
da música) e este nada menos que o canadense
Daniel Lanois que colaborou com artistas de
renome tais como Brian Eno, Harold Budd, Jon
Hassell e o também a banda de rock irlandesa “U2”.
Detalhe: inicialmente em sua carreira começou em
1.975 ao lado do egípcio Raffi Cavoukian que
elaborava trabalhos de músicas tradicionais
exclusivamente para crianças. Em se tratando de
produção musical pode-se também perceber que
pela primeira vez se observava o nome da Real
World Records selo musical fundado por Peter
Gabriel em 1.980 onde se ingressariam muitos
nomes da música de terceiro mundo. A colaboração
de Lanois neste trabalho pode ter influenciado
muito o ambiente sonoro do álbum que ora é
levado ao experimentalismo associado ao new age,
pois alguns dos artistas que este produtor
esteve ao lado e citado anteriormente são muito
fortes em se tratando de ambiente musical
experimental e que proporcionam em determinadas
ocasiões o new age. Lanois teve o auxílio de
David Stallbaumer que até pelo que se sabe este
tenha sido um dos pouquíssimos discos em forma
de participação além do trabalho posterior de
Gabriel, o “So”.
A capa nada mais é do que uma imagem retirada do
filme de Alan Parker, e é o ator Matthew Modine
(que representa o personagem “Birdy”) num
momento do filme em que ele está vagando além da
profundeza do além representando um pássaro
empoleirado (na extremidade do suporte dos pés
de uma cama) em meio de um quarto do manicômio
num ambiente escuro em meio da luz noturna que
atravessa uma das janelas do quarto, inclusive
ele está completamente nu (Modine aparece em
outra ocasião do filme dentro do quarto de sua
casa deitado no chão também nu). Existem algumas
capas que foram lançadas em formato de DVD que
também tem esta mesma capa do disco de Peter
Gabriel. Esta será a última capa onde serão
observados os dizeres que contém apenas o nome
do músico “peter gabriel” (as iniciais também
são impressas com letras minúsculas) no canto
superior esquerdo meio que de uma forma adotada
padronizada. No caso da versão nacional está
registrado o nome do filme em sua versão
nacional com os dizeres “Asas da liberdade”.
“At night” – a primeira faixa é do material
novo, ou seja, música que foi trabalhada dentro
do contexto do filme. Além de ser tranqüila tem
até que perceptível um certo ambiente de
experimentalismo musical que contém uma
percussão que é levemente bem pulsante, pelo
título e pelo que o ouvinte observa é também um
tanto sombria, fria e bem meio que daquelas
sonoridades que são propriamente recomendadas
para se escutar noite adentro, bem meio que até
mesmo de madrugada. Esta canção inicia a entrada
do filme “Birdy” e chega até a lembra a “Zaar”,
pertencente ao “Passion” a outra trilha sonora
composta por Gabriel. Os admiradores de Gabriel
nesta trilha sonora até se simpatizam por esta
música, mesmo com toda a sua simplicidade
(provavelmente por ser a abertura que dá o
início do filme). Aqui se o ouvinte for muito
sensitivo perceberá que o restante do disco já
demonstrará o que vem pela frente (em especial
pelas músicas do material novo). A melodia tem
alguns sintetizadores principais que formam
arranjos lembrando um instrumento como a flauta.
Observe que no meio da música há um rápido
fraseado que lembra a “Wallflower” do “PG4”,
especialmente antes quando Gabriel cita a frase
“You have gambled with your own life”.
“Floating dogs” – a segunda faixa também é
pertencente ao conjunto do material novo.
Praticamente é uma das únicas que neste grupo de
músicas é a que contém mais a presença de
percussão (precisamente apresentando programming
– ele utilizou muito no “PG4” - e percussão
eletrônica e tendo elementos meio que tribais),
sendo o destaque desta música, e considerada uma
das mais adoradas pelos admiradores do “Birdy”,
assim como é um tanto estranha. Inicialmente tem
uma melodia suave em um meio discordante e
instável na forma de cadeias, mas aos poucos
conforme a faixa vai dando o seu prosseguimento
vai mantendo-se crescente cada vez mais quando a
percussão vai surgindo ficando meio que um ritmo
trance music. A “quebra” da guitarra elétrica
também surte um efeito meio que sombrio e
assustador e conseqüentemente é o instrumento
que acompanha em conjunto a percussão. É como se
imaginasse uma situação onde um prisioneiro
estivesse acorrentado (ou um doente mental que é
o caso do filme) e fizesse ruídos batendo e
arrastando as correntes. O título da faixa, que
no caso é “Cachorros flutuantes” em inglês,
sugere uma situação que ocorre no filme bem
assustadora de quando os 2 personagens do filme
se encontram num matadouro onde existem muitos
animais e especialmente cachorros, alguns que
até se percebe que estão dependurados ao ar
livre por meio de ganchos, algo bem forte e
hardcore por sinal.
“Quiet and alone” – também faz parte do material
novo. É uma faixa extremamente tranqüila e de
como se algo estivesse em um vazio num ambiente
silencioso e único, com que também explorasse
todos os cantos da alma humana, mas quando menos
se espera a sonoridade é até que meio
“fantasmagórica”, pois a melodia é cercada de
sintetizadores que compõe instrumentos de
sopros, como a flauta, por exemplo. Há também
percussão, mas é tão discreta que quase o
ouvinte não se prende em atenção à mesma (são
simples e leves batidas feitas aparentemente em
um bumbo das baterias, talvez executada por
Marotta). O próprio nome da faixa já sugere,
pois “Quiet and alone” significam “Tranqüilo e
sozinho” em inglês; a sensação do ouvinte pode
se criar imaginação em figuras por meio de uma
mente em escuridão, calma e possível perigo.
“Close up (from Family snapshot”) – aqui começa
uma das faixas que Gabriel já havia explorado
nos seus álbuns de estúdio e neste caso é do
“PG3” considerada a “balada” deste disco, além
de ter letras muito bem trabalhadas por não
existir uma repetência entre frases e versos
retratando um acontecimento verídico sobre um
psicopata chamado Arthur Bremmer que premeditou
um atentado contra o governador do Alabama nos
Estados Unidos em 1.972 durante um comício, sem
fins políticos e sim na obsessão de querer ser
uma pessoa famosa. e muito adorada pelo público
de Gabriel. Pelo óbvio o nome já está entre
parênteses (Gabriel inclusive manteve os títulos
originais desta maneira). É a menor faixa do
álbum com quase 1 minuto de duração, sendo que a
original já ultrapassa os 4 minutos de duração
sendo que não é executada integralmente como na
original e limitando a melodia até a frase “I'm
shooting into the light” finalizando a música
(lembrando que o álbum “Birdy” é completamente
instrumental). No filme Gabriel vai um tanto
mais do que isso chegando com a melodia até a
frase “I will wake up your empty shells”. O
único instrumento que se apresenta é o piano
elétrico e nada mais. Em turnês Gabriel
apresentou ao vivo até o lançamento do álbum
“Us” (1.992). Existe uma versão ao vivo no álbum
“Plays live” (1.983). Embora esta versão da
“Family snapshot” seje um pedaço pequeno que se
apresenta no filme, Gabriel foi muito
inteligente e criativo na postagem da mesma
porque o assunto que é retratado na música tem
até um tanto a ver com o do filme que neste caso
é o assunto obsessão: a obsessão de “Birdy” em
ter o seu mundo próprio achando que pensa como
um pássaro.
“Slow water” – esta é a quarta faixa que faz
parte do material novo. Outra faixa muito
tranqüila que mantém tanto o experimentalismo
como o puro ambiente musical que vai ficando
crescente discretamente apenas com os
sintetizadores e delicadas linhas de baixo que
neste caso é o destaque desta música é como se
imaginasse pingos d’água de uma chuva que estão
caindo dentro de alguma vasilha de um lado de
fora do ambiente e a mesma vai ficando cheia até
que transborde quando já não existe mais espaço
para a água que pretende invadir (de fato ao
decorrer do enchimento de uma forma que capta
água, o ambiente é propenso que vai ficando
tenso aos poucos e de uma forma crescente). A
forma de como é crescente e foi interpretada por
Gabriel lembra até que um tanto o álbum solo de
Brian Eno em “Thrusday afternoon” (uma mega
suíte com mais de 60 minutos sem interrupção da
música !!!)
“Dressing the wound” – também faz parte do
material novo. A calmaria continua e desta vez o
destaque é o vocal de Gabriel. Não que exista
letras, mas o músico acompanha as notas da
melodia com o seu vocal e a forma de como ele
faz isso dá uma impressão de que está
cantarolando algumas frases. A delicadeza do
piano elétrico entra como introdução na faixa de
uma maneira de como Gabriel já havia explorado
isso anteriormente também na introdução da
música “And through the wire” do “PG3”. Imagine
esta última sem as suas percussões e baterias é
claro que a melodia pode não ter nada a ver, mas
a maneira de como foi escrita lembra um
pouquinho. A sensação que passa da forma que
Gabriel incita seu vocal é de como se fosse
alguém com uma ferida e sentindo uma dor, tanto
faz ela interna ou externa, e o machucado sendo
tratado e cuidado por um outro indivíduo, pois o
significa da faixa é “Vestindo a ferida” em
inglês. O “vestindo” neste caso seria o
tratamento ofertado por um curativo.
“Birdy´s flight (from Not one of us)” – foi
retirada do “PG 3” segundo pelas letras que
Gabriel desenvolveu trata-se sobre alguém sendo
rejeitado, separado ou excluído da sociedade por
causa de sua raça, crença religiosa ou porque
pensa completamente diferente de toda a
humanidade transformando o indivíduo muito
infeliz e triste. Pelo visto a temática foi
novamente funcional, porque o personagem “Birdy”
é justamente assim (embora o companheiro Al que
tolera as doideiras do amigo). A parte
estrutural musical não é completa, inicia de uma
forma diferente com alguns sintetizadores e
teclados criando uma expectativa ao ouvinte em
se questionar quando que a verdadeira melodia da
original irá se iniciar (depois que vê o título
da música), mas só começa especialmente a partir
do tema final (onde na original Gabriel só cita
o nome da faixa diversas vezes) com a introdução
dos arranjos principais por meio de uma guitarra
em se tornar crescente e entrando outros
instrumentos e inclusive as percussões e
baterias tornando de uma sonoridade um tanto
tribal. Ao mesmo tempo que é tocado essa
seqüência que vai ficando crescente é justamente
quando é o final do filme que é um momento
hilário em que “Birdy” volta ao mundo real e
numa vacilada dos seguranças do manicômio ele
procura um caminho junto com Al para fugir do
local onde já no telhado do edifício ele faz um
salto onde a desespero de Al, “Birdy” faz um
salto (como de um pássaro) e cai de pé em um
patamar mais baixinho imaginando que cairia de
uma altura absurdamente altíssima se espatifando
possivelmente no chão e então finaliza o filme
aonde a câmera vai subindo como se estivesse em
um helicóptero e até uma altura que vai dando
pra ver parcialmente a cidade. Esta mesma música
possui um público meio que dividido, mas esta
versão aparenta ter feito os ouvintes mais
satisfeitos (provavelmente no filme no momento
em que foi implantada) tem uma versão no “Plays
live” e tocada durante toda a década de 80.
“Slow marimbas” – também fazendo parte do
material novo que Gabriel selecionou. É uma das
faixas adoradas pelo público de Gabriel nesta
trilha sonora, apesar de que um dos únicos
aspectos negativos é que ficou um tanto extensa
por ter sua estrutura musical repetitiva. O
destaque obviamente no nome da faixa já indica o
instrumento que praticamente forma o desenvolver
da melodia que nada menos a marimba, muito
hipnótica inclusive para o ouvinte e isso porque
da maneira de serem tocadas bem lentamente (“slow”
significa “lento” em inglês), seduzem as
pessoas, e executadas como se fosse alguém
nadando em um rio ou remando algo. O álbum “PG3”
explorou um tanto este instrumento apresentado
em exemplos de faixas como “Intruder”, “No self
control” ou “Lead a normal life”. E em
contrapartida da forma que o filme abrange em
certos momentos dramáticos dos personagens
aparece esta música em cena, como no momento em
que “Birdy” observa os seus animais de estimação
(evidentemente que são os pássaros) desde o
cuidado que ele emprega até o nascimento dos
mesmos. Mais tarde existiria uma versão ao vivo
desta faixa que estaria disponível no “Secret
world live” (1.994).
"The heat (from The rhythm and the heat)” –
considerada a maior faixa desta trilha sonora
com quase 5 minutos de duração, foi retirada do
“PG 4” (muito adora inclusive pelos fãs do
artista), e a única que Gabriel procurou manter
a melodia original (embora instrumental já
comentado anteriormente). A única coisa que
Gabriel “despedaçou” nesta faixa foi à retirada
de um refrão pertencente aos temas iniciais da
música e o início se começa de uma forma muito
lenta e um tanto calma que apresentam percussões
discretas lembrando algo como que uma máquina
industrial em funcionamento e que aos poucos vão
ficando crescente em meio a um baixo (é tocado
por diversas vezes na mesma nota e no mesmo tom
da música) e aos poucos o ouvinte vai percebendo
que ela tem esta estrutura bem de um estilo
tribal africano. Das apresentadas neste
trabalho, que Gabriel já havia gravado
anteriormente em estúdio não há dúvidas de que
esta seje uma das que possui uma estrutura
musical completamente bem de um estilo tribal
desta trilha sonora, isso porque o músico
convidou um grupo de percussionistas africanos
da “Ekome Dance Compay” (é o destaque desta
versão também) dos quais se tem notícia gravaram
apenas esta música assim como uma outra chamada
“Across the river” lançado em compacto na época
das gravações do “PG 4” e numa coletânea chamada
“The best of music and rhythm” (1.983). A
sonoridade soa como uma selvageria e
agressividade tamanha que parece interminável
isso porque já citado há pouco os
percussionistas predominam na música nos
instantes finais a uma espécie de orquestra
sinfônica lembrando como se fosse uma furiosa
tempestade em um ritual de percussão aclamando
por uma forte rajada pesada de chuvas, raios e
trovões (parece algo que como se fosse um
inferno e lembrando que “heat” significa “calor,
fervor, quentura” em inglês) até que
repentinamente elas se cessam abruptamente de
vez finalizando a faixa. Gabriel escreveu esta
música baseando-se na escrita sobre um estudo do
psiquiatra suíço Carl Gustav Jung que estudou
culturas aborígines sobre a paranóia humana a
ponto de deixar qualquer indivíduo completamente
louco convidando o ouvinte a explorar um mundo
de valores espirituais, testemunhos de
sobrevivência de alguém que convive sobre
culturas diferentes e entre outros. Esta música
também ficou num momento muito esperto do filme,
justamente quando os 2 personagens principais
vão combater na Guerra do Vietnã: selvageria,
agressividade, calor e fervor estão praticamente
combinando em exatidão perfeita neste momento.
Ganhou uma versão ao vivo em “Plays live”.
"Sketch pad with trumpet and voice" – aqui
encerra o material novo pertencente deste disco
que Gabriel elaborou. O destaque é a presença de
Jon Hassell em conjunto com o vocal de Gabriel
que volta a “cantar” (acompanhando a melodia da
mesma forma que em “Dressing the wound”) e
embora tendo estes 2 destaques em conjunto não
aparenta convencer os ouvintes de ser uma música
que agrade, entretanto interagiu de uma maneira
que futuramente o músico pudesse fazer um
agradável relacionamento musical próprio que
seria observado na próxima trilha sonora
“Passion” (1.989), do filme “A ultima tentação
de Cristo”.
"Under lock and key (from Wallflower)” –
pertencente originalmente do “PG4”, teve uma
versão menor do que a original, ou seja, tem um
corte de mais da metade da música porque a de
estúdio propriamente dito possui quase 6:30
minutos de duração e esta se encontra próximo da
casa dos 2:30 minutos de duração. Praticamente é
a “balada” do “PG4”, isso porque tem uma
sonoridade muito tranqüila e maliciosa desde o
começo ao fim (e até mesmo nesta versão) e
também uma das favoritas do público apesar de
ter sido pouco tocada em turnês do Peter Gabriel
(apenas na turnê do lançamento “So”). O motivo
de estar pequena é que Gabriel manteve apenas as
partes iniciais da música assim como o primeiro
refrão da original finalizando esta versão na
palavra “Hold on” antes de ir para o segundo
refrão. Os instrumentos que predominam são
teclados sintetizadores (um deles sugere um
ruído que lembre uma flauta) e o piano elétrico
que coordena a melodia inteira. Liricamente é
descrito em algo relacionado sobre tortura e
aprisionamento (que é este último caso
especificamente para a trilha sonora); o título
induz algo sobre uma porta trancada, pois "Under
lock and key" significa “Debaixo da fechadura e
da chave” em inglês. Sugere também sentimentos
de desespero e fracasso, mas inspirando
esperança e confiança do individuo sobre si
mesmo. A capa do álbum “Birdy” parece apontar a
representação desta música que Gabriel incluiu
no filme.
“Powerhouse at the foot of the mountain (from
San Jacinto)” – também é pertencente ao “PG4” e
assim como a anterior sofreu um corte com mais
da metade, neste caso (e coincidentemente !!!!!)
a original de estúdio chega próximo dos 6:30
minutos de duração e aqui passa um pouco após os
2 minutos de duração. O fator de estar pequena é
que Gabriel executa a partir do momento quando
na original ele cita a frase “We will walk on
the land” até “Hold the line” por algumas vezes
onde se finaliza a faixa de vez (e isso porque
aqui neste tema final é a parte mais tranqüila
mesmo da original). Liricamente é uma abordagem
sobre raça, (no caso de índios nativos
americanos) que possui sentimentos sendo
perdidos de sua própria cultura, perda de
identidade, invasão pela modernização humana e
industrialização do homem branco. Para quem não
sabe: San Jacinto é uma pequena cidade americana
do estado americano da Califórnia a quase 130
quilômetros de Los Angeles e pouco mais de 140
quilômetros de San Diego e é também o nome de um
rio texano e da segunda montanha mais alta do
sudoeste da Califórnia onde nos pés da mesma
existem muitas reservas indígenas que ainda
moram por lá. Há uma versão ao vivo que foi
registrada em “Plays live” e outra que saiu em
um tributo chamado “Leaves from the tree”
(2.002).
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