Inglaterra, 1985.


Músicos:
Peter Gabriel – sintetizadores, piano elétrico, flauta, percussão, vocais
Jon Hassell – trumpete
The Drummers of Ekome (Ekome Dance Company) – percussão
Larry Fast – sintetizadores, teclados
Tony Levin – baixo, stick
Jerry Marotta – baterias, percussão
David Rhodes – guitarras elétricas
Manny Elias - percussões
Morris Pert – percussões
John Giblin – baixo


Músicas:
1. At night – 2:39
2. Floating dogs – 2:56
3. Quiet and alone – 2:29
4. Close up (from Family snapshot) – 0:55
5. Slow water – 2:50
6. Dressing the wound – 4:05
7. Birdy´s flight (from Not one of us) – 2:57
8. Slow marimbas – 3:21
9. The heat (from The rhythm and the heat) – 4:42
10. Sketch pad with trumpet and voice – 3:04
11. Under lock and key (from Wallflower) – 2:22
12. Powerhouse at the foot of the mountain (from San Jacinto) – 2:17


Peter Gabriel

Birdy

 
Dados da resenha:
Autor: Ricardo (Steve Hillage); recebida em: 09/10/2005.
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Depois que Peter Gabriel finalizou uma gigantesca turnê que durou algo em torno de um ano e meio de duração chegando até o final do ano de 1.983 e neste mesmo ano com um resultado de uma gravação ao vivo gerando um álbum duplo chamado “Plays live”, o primeiro ao vivo do músico, Gabriel permaneceu um pequeno período descansando, pois a pesada e estressada turnê somada ainda com o divórcio do músico com Jill Gabriel, provavelmente o deixaram um tanto desorientado sobre o seu futuro profissional; lembrando que: a Jill Gabriel era companheira de Gabriel desde os tempos do Chaterhouse e num período pouco antes de fundar o “Genesis” sua banda de rock progressivo criada em 1.968. Eles se casaram ao longo do tempo e durante este período tiveram 2 filhas Anna e Melaine e a separação foi motivada devido à vida de artista musical que viajava constantemente em várias partes do mundo.

Eis que em 1.984 foi lançado um filme chamado “Hard to hold” sob o título brasileiro chamado “Paixões violentas” que contracenam atores muito conhecidos como Jeff Bridges, Rachel Ward e James Woods, onde um dos temas principais da trilha sonora está a música “Against in the odds” elaborada curiosamente por Phil Collins, outro integrante do “Genesis”, mesma banda de Gabriel que o substituiu logo após a turnê do álbum duplo “The lamb lies down on Broadway” (1.975) e estando Collins já presente no álbum posterior em “A trick of the tail” (1.976). Ao mesmo tempo a trilha sonora deste filme também estão presente o “Big Country”, “Michael Colombier” e o guitarrista de jazz moderno Larry Carlton que é o protagonista de pelo menos a metade deste trabalho. Mas para a surpresa dos fãs de Gabriel foi inclusa uma música chamada “Walk through the fire” que foi lançada em 2 compactos, uma delas incluindo uma música de Carlton e o outro incluindo um outro fundador do “Genesis”, o guitarrista e baixista, Mike Rutherford, entitulada como “Making a big mistake” Embora o hit “Against in the odds” tenha surtido um efeito muito grande tanto em termos de sucesso e vendas e ainda que exclusivamente para a trilha sonora do filme, a canção de Gabriel mesmo sendo vendida com um número pequeno foi o suficiente para que ele sentimental pudesse recuperar sua auto-estima que não estava muito boa durante aquele período depois da turnê de “Plays live”.

E foi justamente o que aconteceu. Durante o ano de 1.984 o diretor de filmes Alan Parker elabora uma estória chamada “Birdy” (titulo nacional “Asas da liberdade”) em que contracenam 2 atores protagonistas conhecidos chamados Nicholas Cage (narrado por Al. Detalhe: o verdadeiro nome deste artista é Nicholas Kim Coppola, sobrinho do famoso diretor Francis Ford Coppola) e Matthew Modine (narrado por Birdy, o que é obviamente o enredo do filme inteiro). Trata-se de um filme do gênero do tipo drama baseado num romance de William Wharton em que Al ferido da Guerra do Vietnã (ocorrida entre os anos de 1.963 – 1.975) re-encontra num manicômio de exército o amigo Birdy de infância e juventude que tinha uma adoração muito especial por pássaros e um sonho de em algum dia voar. Lá neste manicômio ele fica sem reação e estímulo algum vivendo o seu próprio mundo agindo como se fosse um pássaro e Al procura confortar o rapaz de uma maneira para que ele volte a sua realidade de como um ser humano e assim ele vai relembrando o passado dos 2 de vários fatos que marcaram em suas vidas até o momento do confronto na guerra. A idéia do filme é justamente esta linguagem poética que é uma libido sobre a liberdade de que é ser o que o indivíduo age, pensa e sonha (tudo isso que é comandado mecanicamente pela mente humana), isto é, no caso do filme, qual seria o direito das pessoas tirarem a liberdade da forma como Birdy agia ? Atenção: não confundir o “Birdy” pelo filme “Bird” que é um outro filme dedicado a história do jazzista saxofonista Charlie “Bird” Parker (repare que este músico também tem o mesmo sobrenome do diretor Alan Parker do filme “Birdy”!!!!!!!) falecido em 1.955 e dirigido por Clint Eastwood em 1.988.

Para tanto eis que Parker faz um convite a nada menos que Peter Gabriel que foi o responsável da confecção da trilha sonora deste álbum no qual as gravações e demos foram feitas ao longo do instante em que o filme ainda saia no ano de 1.984 e Gabriel moldou e gravou o álbum entre os meses de outubro a dezembro daquele mesmo ano e só saindo em abril de 1.985. Detalhe: um pouco antes de iniciar as gravações de “Birdy”, Gabriel veio visitar o Brasil pela primeira vez para futuramente fazer apresentações no pais, aproveitando inclusive para aumentar seu conhecimento no que diz a respeito da música de terceiro mundo já que o músico estava puramente envolvido com esta categoria musical desde que ingressou algumas origens em “Peter Gabriel 3” (1.980). A edição em vinil saiu tanto mundialmente como no Brasil apenas na época pelas gravadoras Geffen e Charisma Records sem o aparecimento de nenhum compacto. Já em disquinho saiu lá fora em 1.990 e no Brasil em 1.995, assim como posteriormente sairia mundialmente remasterizado em 2.002 (incluindo o Brasil). Sobre o disquinho os ouvintes consideram que ficou muito boa a remasterização mais recente, embora a única desvantagem é de não ter especificado um pouco mais detalhado os músicos participantes em faixa por faixa.

O único que manteve um tanto mais de fôlego em termos de gravações em 1.985 era o Phil Collins gravando o seu álbum solo entitulado como “No jacket required” (onde Gabriel também foi convidado a fazer alguns vocais de apoio) e o discretíssimo guitarrista e instrumentista Anthony Phillips ora às vezes esquecidos em “Private parts and pieces V: Twelve”. Em se tratando de trilhas sonoras o primeiro genesiano a explorar algo no gênero foi Phil Collins quando foi contracenado o filme “Operation daybreak” dirigido por Lewis Gilbert em 1.975; em contrapartida “Birdy” é a primeira trilha sonora composta integralmente por um dos integrantes do “Genesis” que neste caso é Peter Gabriel.

“Birdy” é o primeiro disco de Gabriel completamente instrumental a exceção de alguns momentos que ele canta apenas para acompanhar a sonoridade dependendo da música, o que significa que o ouvinte não irá encontrar letras dentro do disco. A contracapa já inclusive adverte que não vem o encarte das letras assim como é um material de Gabriel já reaproveitado. O que isto quer dizer ? Significa que neste das 12 faixas do álbum, 5 delas são partes e versões retiradas de algumas canções originais que são dos álbuns “Peter Gabriel 3” e “Peter Gabriel 4” (1.982) – ou também conhecido como “Security” – e visto que inclusive algumas das faixas já haviam originalmente sido inclusas letras onde Gabriel as canta naturalmente. As outras restantes (quase que meio a meio) foram também parcialmente um material que o músico já tinha consigo há alguns anos no momento desde que lançou “PG3”. As 12 faixas entre si estão timidamente e discretamente em sua maioria a um valor na casa dos 2 minutos de duração.

Os músicos participantes são praticamente os mesmos que colaboraram nos 2 álbuns já comentado anteriormente, a salvo de outros que não participam (na verdade todas as faixas originais destes discos sempre sofrem variações alternadas de músicos que participam, ou seja, Gabriel não manteve uma mesma formação (a primeira vez que o músico pôde engajar uma mesma equipe de músicos foi no álbum ao vivo “Plays live”). Apesar de que Gabriel apenas retrabalhou em versões de suas próprias músicas já gravadas nos outros discos, sendo assim, existe a participação dos seguintes músicos: Larry Fast nos teclados e sintetizadores e que foi o fundador do “Synergy” (seu último disco de estúdio até que estivesse com Gabriel seria entitulado como “The Jupiter menace” (1.982) - hilariamente também é de uma trilha sonora - antes que se apresentasse em “Birdy”) e estreou ao mesmo tempo que Gabriel lançava seu primeiro disco solo, o “Peter Gabriel 1” (1.977), sendo que no “Birdy” seria a última vez que este músico participaria na carreira de Gabriel. Tony Levin estaria fazendo o baixo e este sendo um dos únicos músicos que desde a época que Gabriel estreou em carreira solo continua até hoje em momento com o músico; um dos últimos trabalhos que participaria antes que retornasse com Gabriel na trilha sonora seria o último da trilogia da banda que ele ingressou em 1.980 (e continua até hoje), o “King Crimson” em “Three of a perfect pair” (1.984). David Rhodes executaria as guitarras elétricas e foi pertencente a uma banda de rock chamada “Random Hold” antes que fizesse sua participação com Peter Gabriel no “PG3” e mais tarde em “Hard to hold” (1.984) de Rick Springfield antes da elaboração de “Birdy”. Jerry Marotta nas baterias e percussão que estreou em “Peter Gabriel 2” (1.978), além de ter participado com diversos artistas como “Hall & Oates”, Carly Simon, John Armatrading, e entre outros e até participando no mesmo disco de Rick Springfield onde se encontra também Rhodes. “The Drummers of Ekome” que na verdade são “Ekome Dance Company” fazem as percussões e participaram do “PG4” de Gabriel.

As faixas consideradas como as inéditas que foram inclusas em “Birdy” contém a presença Morris Pert reforça nas percussões de “Birdy” sendo.que este músico teve a participação apenas no “PG3” e esteve ainda ao lado de Elvis Costello, Jon Anderson, Peter Hammill, Mike Oldfield, Peter Green, Anthony Phillips e entre outros e então retornando novamente junto com Gabriel na trilha sonora e antes que viesse a oferecer sua colaboração com Gabriel, ele gravou o “It´s my life” (1.984) da banda “Talk Talk”. Participam também e valendo uma ressalva o trompetista americano Jon Hassell nascido em 1.937 estudou música na capital americana, em Washington e posteriormente foi reforçar seus estudos na Europa para aprender mais sobre música tanto moderna como eletrônica (diga-se de passagem que Hassell foi aluno do compositor alemão classiscista e erudito contemporâneo Karlheinz Stockhausen) e após um período de adaptação neste gênero musical ele retorna a América e aprendendo minimalismo musical com Terry Riley. No final dos anos 60 ele já possuía uma forma natural de fazer música criando seu estilo próprio de peças solos individuais que foram se agrupando em meio que algo de “Landmark Music” (Música monumental) somado ao seu interesse com a música hindu erudita, até que sai o seu primeiro álbum em 1.977 chamado “Vernal Equinox”; Hassell colaborou também com os “Talking Heads”, Brian Eno e David Sylvian. Manny Elias nas percussões e que foi um integrante da banda “Interview”e participar dos grupos “The Korgis”, “Tears For Fears” chegando a gravar no álbum solo “Love songs” (1.984) de Peter Hammill do “Van Der Graaf Generator”, banda que fazia parte do mesmo selo do “Genesis”, a Charisma Records (e o mesmo do álbum “Birdy”). Encontra-se também John Giblin no baixo tendo participado no “PG3” dividindo espaço junto com Tony Levin na época em estúdio, além de colaborar com Phil Collins, Jon Anderson, Chris De Burgh, Jim Capaldi, “Brand X”, “The Everly Brothers” antes que participasse de “Birdy”.

Apesar de ser um disco de estúdio, não tem uma eficácia tanto parecida como os 4 primeiros álbuns de Gabriel, ou seja, o impacto que teve ao ser lançado este álbum foi propositalmente para uma trilha sonora de um filme e Gabriel precisou corresponder dentro das expectativas da dramaturgia saindo de um palco de música para um palco de filmagem. O público só aguardaria um verdadeiro disco de estúdio com o lançamento de “So” (1.986), 4 anos depois que fosse realizado o “PG4”. “Birdy” se mantém numa situação propícia como já ocorrido em “PG2”, ou seja, é um álbum como que uma espécie de transição, uma “ponte” que interligaria o “PG1” (o lado de um rio) com o “PG3” (o outro lado do rio), e nesse caso a interligação seria entre o “PG4” (muitos elementos relacionados à música de terceiro mundo) com o “So” (muitos elementos relacionados com a música pop).

Gabriel é claro que utilizou a sua inteligência em não realizar uma turnê para promocionar este álbum. As vezes torna-se injusto desqualificar Gabriel pelo que ele resultou aqui pois afinal: o que poderia se esperar de um álbum como este que atingiu a uma posição americana de vendas acima do 150 e a das paradas inglesas acima do 50 ? E olhe que no caso da inglesa até que foi bem correspondido pelo resultado que Gabriel propiciou em “Birdy”; sendo assim o único álbum que se tem notícias na vida musical do músico e ainda em se tratando de carreira solo que lhe causasse um resultado igual a este. Mas fica uma pergunta: será que ele não gravou este álbum resultando nesta experiência cinematográfica musical a cargo para que ele pudesse ter fôlego, folga e tempo suficiente para o lançamento de “So” ? Conseqüentemente isso manteria o público do músico um tanto entretidos apreciando o “Birdy” até que viesse algo novo pela frente e foi justamente o que aconteceu. A tendência musical é claramente algo que está relacionado ao mesmo tempo uma mescla daquilo que ele já vinha atuando musicalmente como é o caso da música de terceiro mundo, reunido com a categoria musical do New Age podendo ora neste resultado estar ao lado de gente como Brian Eno, Mike Oldfield, Philip Glass ou Mark Isham.

Sobre o reaproveitamento de Gabriel em faixas que ele já havia gravado nos álbuns “PG3” e “PG4” não foi uma idéia ruim, tanto que ele escolheu colocar partes que atinge o objetivo do filme em categoria que está associado ao drama, por outro lado, o que pode incomodar aos ouvintes é de não ter cedido um tanto mais de sua ousadia apostando em 100% de material exclusivamente inédito. O tanto que ele acrescentou musicalmente de faixas que não haviam sido gravadas que eram pouco mais da metade do disco talvez seje um dos fortes pontos do trabalho, mas em contrapartida além das outras já gravadas anteriormente podem ser um aspecto negativo e visto que o disco como todo não chega a 35 minutos totais do disco, apesar de também estes detalhes serem ignorados pelos fãs de Gabriel. “Birdy” pode também ser usufruído como uma miudíssima coletânea e uma alternativa também para aqueles ouvintes que são apenas acostumados a curtir e colecionar trilhas sonoras de filmes e neste caso, se torna uma coletânea porque o ouvinte que não conhece nada a respeito da carreira de Gabriel já pode ter uma pequena noção do que o artista já fez com a sua experiência musical anterior a este trabalho. Quem já é fã e conhece Gabriel ao assistir o filme pode acabar ter os ouvidos prestando mais atenção nas composições que ele já havia criado em seus álbuns de estúdio ao invés das novas melodias, uma coisa muito natural de qualquer ser humano. Também não restam dúvidas de que este tenha sido um disco como que para Gabriel a um tipo de experiência musical diferente porque ainda na mesma década ele viria a gravar mais um segundo álbum de trilha sonora entitulado como “Passion” (1.989) tendo o título nacional “A última tentação de Cristo”. Ambas as trilhas sonoras chegaram a passar nas televisões dos telespectadores brasileiros.

Apesar da trilha sonora já comentado anteriormente ser praticamente pertencente até em créditos a Peter Gabriel, curiosamente no filme existem rápidos momentos onde se percebe músicas que são da época dos finais dos anos 50 e início dos anos 60; um exemplo está à conhecidíssima canção “La Bamba” de 1.959 do autor Ritchie Valens em que morreu num desastre aéreo (o mesmo que matou também Buddy Holly!!!!) antes de completar 18 anos de idade. Isso porque devido à época que ocorre a trama ainda quando os atores representam sua época juvenil antes de se ingressarem no exército e irem para a guerra.

Novamente pela sexta vez existe um novo produtor no álbum de Gabriel (parece que o músico gosta de oferecer oportunidades até mesmo para profissionais que atuam neste campo de execução da música) e este nada menos que o canadense Daniel Lanois que colaborou com artistas de renome tais como Brian Eno, Harold Budd, Jon Hassell e o também a banda de rock irlandesa “U2”. Detalhe: inicialmente em sua carreira começou em 1.975 ao lado do egípcio Raffi Cavoukian que elaborava trabalhos de músicas tradicionais exclusivamente para crianças. Em se tratando de produção musical pode-se também perceber que pela primeira vez se observava o nome da Real World Records selo musical fundado por Peter Gabriel em 1.980 onde se ingressariam muitos nomes da música de terceiro mundo. A colaboração de Lanois neste trabalho pode ter influenciado muito o ambiente sonoro do álbum que ora é levado ao experimentalismo associado ao new age, pois alguns dos artistas que este produtor esteve ao lado e citado anteriormente são muito fortes em se tratando de ambiente musical experimental e que proporcionam em determinadas ocasiões o new age. Lanois teve o auxílio de David Stallbaumer que até pelo que se sabe este tenha sido um dos pouquíssimos discos em forma de participação além do trabalho posterior de Gabriel, o “So”.

A capa nada mais é do que uma imagem retirada do filme de Alan Parker, e é o ator Matthew Modine (que representa o personagem “Birdy”) num momento do filme em que ele está vagando além da profundeza do além representando um pássaro empoleirado (na extremidade do suporte dos pés de uma cama) em meio de um quarto do manicômio num ambiente escuro em meio da luz noturna que atravessa uma das janelas do quarto, inclusive ele está completamente nu (Modine aparece em outra ocasião do filme dentro do quarto de sua casa deitado no chão também nu). Existem algumas capas que foram lançadas em formato de DVD que também tem esta mesma capa do disco de Peter Gabriel. Esta será a última capa onde serão observados os dizeres que contém apenas o nome do músico “peter gabriel” (as iniciais também são impressas com letras minúsculas) no canto superior esquerdo meio que de uma forma adotada padronizada. No caso da versão nacional está registrado o nome do filme em sua versão nacional com os dizeres “Asas da liberdade”.

“At night” – a primeira faixa é do material novo, ou seja, música que foi trabalhada dentro do contexto do filme. Além de ser tranqüila tem até que perceptível um certo ambiente de experimentalismo musical que contém uma percussão que é levemente bem pulsante, pelo título e pelo que o ouvinte observa é também um tanto sombria, fria e bem meio que daquelas sonoridades que são propriamente recomendadas para se escutar noite adentro, bem meio que até mesmo de madrugada. Esta canção inicia a entrada do filme “Birdy” e chega até a lembra a “Zaar”, pertencente ao “Passion” a outra trilha sonora composta por Gabriel. Os admiradores de Gabriel nesta trilha sonora até se simpatizam por esta música, mesmo com toda a sua simplicidade (provavelmente por ser a abertura que dá o início do filme). Aqui se o ouvinte for muito sensitivo perceberá que o restante do disco já demonstrará o que vem pela frente (em especial pelas músicas do material novo). A melodia tem alguns sintetizadores principais que formam arranjos lembrando um instrumento como a flauta. Observe que no meio da música há um rápido fraseado que lembra a “Wallflower” do “PG4”, especialmente antes quando Gabriel cita a frase “You have gambled with your own life”.

“Floating dogs” – a segunda faixa também é pertencente ao conjunto do material novo. Praticamente é uma das únicas que neste grupo de músicas é a que contém mais a presença de percussão (precisamente apresentando programming – ele utilizou muito no “PG4” - e percussão eletrônica e tendo elementos meio que tribais), sendo o destaque desta música, e considerada uma das mais adoradas pelos admiradores do “Birdy”, assim como é um tanto estranha. Inicialmente tem uma melodia suave em um meio discordante e instável na forma de cadeias, mas aos poucos conforme a faixa vai dando o seu prosseguimento vai mantendo-se crescente cada vez mais quando a percussão vai surgindo ficando meio que um ritmo trance music. A “quebra” da guitarra elétrica também surte um efeito meio que sombrio e assustador e conseqüentemente é o instrumento que acompanha em conjunto a percussão. É como se imaginasse uma situação onde um prisioneiro estivesse acorrentado (ou um doente mental que é o caso do filme) e fizesse ruídos batendo e arrastando as correntes. O título da faixa, que no caso é “Cachorros flutuantes” em inglês, sugere uma situação que ocorre no filme bem assustadora de quando os 2 personagens do filme se encontram num matadouro onde existem muitos animais e especialmente cachorros, alguns que até se percebe que estão dependurados ao ar livre por meio de ganchos, algo bem forte e hardcore por sinal.

“Quiet and alone” – também faz parte do material novo. É uma faixa extremamente tranqüila e de como se algo estivesse em um vazio num ambiente silencioso e único, com que também explorasse todos os cantos da alma humana, mas quando menos se espera a sonoridade é até que meio “fantasmagórica”, pois a melodia é cercada de sintetizadores que compõe instrumentos de sopros, como a flauta, por exemplo. Há também percussão, mas é tão discreta que quase o ouvinte não se prende em atenção à mesma (são simples e leves batidas feitas aparentemente em um bumbo das baterias, talvez executada por Marotta). O próprio nome da faixa já sugere, pois “Quiet and alone” significam “Tranqüilo e sozinho” em inglês; a sensação do ouvinte pode se criar imaginação em figuras por meio de uma mente em escuridão, calma e possível perigo.

“Close up (from Family snapshot”) – aqui começa uma das faixas que Gabriel já havia explorado nos seus álbuns de estúdio e neste caso é do “PG3” considerada a “balada” deste disco, além de ter letras muito bem trabalhadas por não existir uma repetência entre frases e versos retratando um acontecimento verídico sobre um psicopata chamado Arthur Bremmer que premeditou um atentado contra o governador do Alabama nos Estados Unidos em 1.972 durante um comício, sem fins políticos e sim na obsessão de querer ser uma pessoa famosa. e muito adorada pelo público de Gabriel. Pelo óbvio o nome já está entre parênteses (Gabriel inclusive manteve os títulos originais desta maneira). É a menor faixa do álbum com quase 1 minuto de duração, sendo que a original já ultrapassa os 4 minutos de duração sendo que não é executada integralmente como na original e limitando a melodia até a frase “I'm shooting into the light” finalizando a música (lembrando que o álbum “Birdy” é completamente instrumental). No filme Gabriel vai um tanto mais do que isso chegando com a melodia até a frase “I will wake up your empty shells”. O único instrumento que se apresenta é o piano elétrico e nada mais. Em turnês Gabriel apresentou ao vivo até o lançamento do álbum “Us” (1.992). Existe uma versão ao vivo no álbum “Plays live” (1.983). Embora esta versão da “Family snapshot” seje um pedaço pequeno que se apresenta no filme, Gabriel foi muito inteligente e criativo na postagem da mesma porque o assunto que é retratado na música tem até um tanto a ver com o do filme que neste caso é o assunto obsessão: a obsessão de “Birdy” em ter o seu mundo próprio achando que pensa como um pássaro.

“Slow water” – esta é a quarta faixa que faz parte do material novo. Outra faixa muito tranqüila que mantém tanto o experimentalismo como o puro ambiente musical que vai ficando crescente discretamente apenas com os sintetizadores e delicadas linhas de baixo que neste caso é o destaque desta música é como se imaginasse pingos d’água de uma chuva que estão caindo dentro de alguma vasilha de um lado de fora do ambiente e a mesma vai ficando cheia até que transborde quando já não existe mais espaço para a água que pretende invadir (de fato ao decorrer do enchimento de uma forma que capta água, o ambiente é propenso que vai ficando tenso aos poucos e de uma forma crescente). A forma de como é crescente e foi interpretada por Gabriel lembra até que um tanto o álbum solo de Brian Eno em “Thrusday afternoon” (uma mega suíte com mais de 60 minutos sem interrupção da música !!!)

“Dressing the wound” – também faz parte do material novo. A calmaria continua e desta vez o destaque é o vocal de Gabriel. Não que exista letras, mas o músico acompanha as notas da melodia com o seu vocal e a forma de como ele faz isso dá uma impressão de que está cantarolando algumas frases. A delicadeza do piano elétrico entra como introdução na faixa de uma maneira de como Gabriel já havia explorado isso anteriormente também na introdução da música “And through the wire” do “PG3”. Imagine esta última sem as suas percussões e baterias é claro que a melodia pode não ter nada a ver, mas a maneira de como foi escrita lembra um pouquinho. A sensação que passa da forma que Gabriel incita seu vocal é de como se fosse alguém com uma ferida e sentindo uma dor, tanto faz ela interna ou externa, e o machucado sendo tratado e cuidado por um outro indivíduo, pois o significa da faixa é “Vestindo a ferida” em inglês. O “vestindo” neste caso seria o tratamento ofertado por um curativo.

“Birdy´s flight (from Not one of us)” – foi retirada do “PG 3” segundo pelas letras que Gabriel desenvolveu trata-se sobre alguém sendo rejeitado, separado ou excluído da sociedade por causa de sua raça, crença religiosa ou porque pensa completamente diferente de toda a humanidade transformando o indivíduo muito infeliz e triste. Pelo visto a temática foi novamente funcional, porque o personagem “Birdy” é justamente assim (embora o companheiro Al que tolera as doideiras do amigo). A parte estrutural musical não é completa, inicia de uma forma diferente com alguns sintetizadores e teclados criando uma expectativa ao ouvinte em se questionar quando que a verdadeira melodia da original irá se iniciar (depois que vê o título da música), mas só começa especialmente a partir do tema final (onde na original Gabriel só cita o nome da faixa diversas vezes) com a introdução dos arranjos principais por meio de uma guitarra em se tornar crescente e entrando outros instrumentos e inclusive as percussões e baterias tornando de uma sonoridade um tanto tribal. Ao mesmo tempo que é tocado essa seqüência que vai ficando crescente é justamente quando é o final do filme que é um momento hilário em que “Birdy” volta ao mundo real e numa vacilada dos seguranças do manicômio ele procura um caminho junto com Al para fugir do local onde já no telhado do edifício ele faz um salto onde a desespero de Al, “Birdy” faz um salto (como de um pássaro) e cai de pé em um patamar mais baixinho imaginando que cairia de uma altura absurdamente altíssima se espatifando possivelmente no chão e então finaliza o filme aonde a câmera vai subindo como se estivesse em um helicóptero e até uma altura que vai dando pra ver parcialmente a cidade. Esta mesma música possui um público meio que dividido, mas esta versão aparenta ter feito os ouvintes mais satisfeitos (provavelmente no filme no momento em que foi implantada) tem uma versão no “Plays live” e tocada durante toda a década de 80.

“Slow marimbas” – também fazendo parte do material novo que Gabriel selecionou. É uma das faixas adoradas pelo público de Gabriel nesta trilha sonora, apesar de que um dos únicos aspectos negativos é que ficou um tanto extensa por ter sua estrutura musical repetitiva. O destaque obviamente no nome da faixa já indica o instrumento que praticamente forma o desenvolver da melodia que nada menos a marimba, muito hipnótica inclusive para o ouvinte e isso porque da maneira de serem tocadas bem lentamente (“slow” significa “lento” em inglês), seduzem as pessoas, e executadas como se fosse alguém nadando em um rio ou remando algo. O álbum “PG3” explorou um tanto este instrumento apresentado em exemplos de faixas como “Intruder”, “No self control” ou “Lead a normal life”. E em contrapartida da forma que o filme abrange em certos momentos dramáticos dos personagens aparece esta música em cena, como no momento em que “Birdy” observa os seus animais de estimação (evidentemente que são os pássaros) desde o cuidado que ele emprega até o nascimento dos mesmos. Mais tarde existiria uma versão ao vivo desta faixa que estaria disponível no “Secret world live” (1.994).

"The heat (from The rhythm and the heat)” – considerada a maior faixa desta trilha sonora com quase 5 minutos de duração, foi retirada do “PG 4” (muito adora inclusive pelos fãs do artista), e a única que Gabriel procurou manter a melodia original (embora instrumental já comentado anteriormente). A única coisa que Gabriel “despedaçou” nesta faixa foi à retirada de um refrão pertencente aos temas iniciais da música e o início se começa de uma forma muito lenta e um tanto calma que apresentam percussões discretas lembrando algo como que uma máquina industrial em funcionamento e que aos poucos vão ficando crescente em meio a um baixo (é tocado por diversas vezes na mesma nota e no mesmo tom da música) e aos poucos o ouvinte vai percebendo que ela tem esta estrutura bem de um estilo tribal africano. Das apresentadas neste trabalho, que Gabriel já havia gravado anteriormente em estúdio não há dúvidas de que esta seje uma das que possui uma estrutura musical completamente bem de um estilo tribal desta trilha sonora, isso porque o músico convidou um grupo de percussionistas africanos da “Ekome Dance Compay” (é o destaque desta versão também) dos quais se tem notícia gravaram apenas esta música assim como uma outra chamada “Across the river” lançado em compacto na época das gravações do “PG 4” e numa coletânea chamada “The best of music and rhythm” (1.983). A sonoridade soa como uma selvageria e agressividade tamanha que parece interminável isso porque já citado há pouco os percussionistas predominam na música nos instantes finais a uma espécie de orquestra sinfônica lembrando como se fosse uma furiosa tempestade em um ritual de percussão aclamando por uma forte rajada pesada de chuvas, raios e trovões (parece algo que como se fosse um inferno e lembrando que “heat” significa “calor, fervor, quentura” em inglês) até que repentinamente elas se cessam abruptamente de vez finalizando a faixa. Gabriel escreveu esta música baseando-se na escrita sobre um estudo do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung que estudou culturas aborígines sobre a paranóia humana a ponto de deixar qualquer indivíduo completamente louco convidando o ouvinte a explorar um mundo de valores espirituais, testemunhos de sobrevivência de alguém que convive sobre culturas diferentes e entre outros. Esta música também ficou num momento muito esperto do filme, justamente quando os 2 personagens principais vão combater na Guerra do Vietnã: selvageria, agressividade, calor e fervor estão praticamente combinando em exatidão perfeita neste momento. Ganhou uma versão ao vivo em “Plays live”.

"Sketch pad with trumpet and voice" – aqui encerra o material novo pertencente deste disco que Gabriel elaborou. O destaque é a presença de Jon Hassell em conjunto com o vocal de Gabriel que volta a “cantar” (acompanhando a melodia da mesma forma que em “Dressing the wound”) e embora tendo estes 2 destaques em conjunto não aparenta convencer os ouvintes de ser uma música que agrade, entretanto interagiu de uma maneira que futuramente o músico pudesse fazer um agradável relacionamento musical próprio que seria observado na próxima trilha sonora “Passion” (1.989), do filme “A ultima tentação de Cristo”.

"Under lock and key (from Wallflower)” – pertencente originalmente do “PG4”, teve uma versão menor do que a original, ou seja, tem um corte de mais da metade da música porque a de estúdio propriamente dito possui quase 6:30 minutos de duração e esta se encontra próximo da casa dos 2:30 minutos de duração. Praticamente é a “balada” do “PG4”, isso porque tem uma sonoridade muito tranqüila e maliciosa desde o começo ao fim (e até mesmo nesta versão) e também uma das favoritas do público apesar de ter sido pouco tocada em turnês do Peter Gabriel (apenas na turnê do lançamento “So”). O motivo de estar pequena é que Gabriel manteve apenas as partes iniciais da música assim como o primeiro refrão da original finalizando esta versão na palavra “Hold on” antes de ir para o segundo refrão. Os instrumentos que predominam são teclados sintetizadores (um deles sugere um ruído que lembre uma flauta) e o piano elétrico que coordena a melodia inteira. Liricamente é descrito em algo relacionado sobre tortura e aprisionamento (que é este último caso especificamente para a trilha sonora); o título induz algo sobre uma porta trancada, pois "Under lock and key" significa “Debaixo da fechadura e da chave” em inglês. Sugere também sentimentos de desespero e fracasso, mas inspirando esperança e confiança do individuo sobre si mesmo. A capa do álbum “Birdy” parece apontar a representação desta música que Gabriel incluiu no filme.

“Powerhouse at the foot of the mountain (from San Jacinto)” – também é pertencente ao “PG4” e assim como a anterior sofreu um corte com mais da metade, neste caso (e coincidentemente !!!!!) a original de estúdio chega próximo dos 6:30 minutos de duração e aqui passa um pouco após os 2 minutos de duração. O fator de estar pequena é que Gabriel executa a partir do momento quando na original ele cita a frase “We will walk on the land” até “Hold the line” por algumas vezes onde se finaliza a faixa de vez (e isso porque aqui neste tema final é a parte mais tranqüila mesmo da original). Liricamente é uma abordagem sobre raça, (no caso de índios nativos americanos) que possui sentimentos sendo perdidos de sua própria cultura, perda de identidade, invasão pela modernização humana e industrialização do homem branco. Para quem não sabe: San Jacinto é uma pequena cidade americana do estado americano da Califórnia a quase 130 quilômetros de Los Angeles e pouco mais de 140 quilômetros de San Diego e é também o nome de um rio texano e da segunda montanha mais alta do sudoeste da Califórnia onde nos pés da mesma existem muitas reservas indígenas que ainda moram por lá. Há uma versão ao vivo que foi registrada em “Plays live” e outra que saiu em um tributo chamado “Leaves from the tree” (2.002).